19/02/2011
às 16:28 \ EconomiaG20 Paris: Brasil sai bem de acordo paliativo
“O mais longo debate, a mais longa negociação”, foi assim que a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, resumiu o caminho até a chegada de posição comum entre os representantes de países do G20, reunidos em Paris. Trata-se da definição de indicadores para aferir os desequilíbrios econômicos de países membros do grupo, acusados de causar a crise financeira mundial e a “guerra cambial”. São eles: dívidas públicas e déficits fiscais, poupança e empréstimo privados, saldo da balança comercial e outros componentes do balanço de pagamentos, como o fluxo líquido de investimento.
Para acomodar a forte oposição da China, segunda maior economia do mundo, a lista de parâmetros exclui a taxa de câmbio real e as reservas de moeda estrangeira. Os indicadores não serão metas a serem cumpridas obrigatoriamente pelos países. Nem serão quantitativos. Eles servem para diagnosticar os desequilíbrios e, em etapa posterior, a base de sugestões para correções de rota. Não foi definido qual o peso de cada item nem a metodologia. No máximo quem não acompanhar fica com a imagem de patinho feio. Pressão moral.
Na reunião do G20 em Paris também foi descartada a discussão para criar estoques regionais de alimentos e regular preços para as commodites. Os grandes importadores de matéria-prima chamam de “volatilidade” o que é na verdade, a mais simples regra de mercado, a relação entre oferta e demanda. Neste particular, o Brasil com seu pujante agronegócio sai bem da reunião. “Chegamos a um acordo de colocar os vários indicadores que interessavam ao Brasil. O principal para nós era a inclusão de contas externas, taxas de câmbio”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
A posição brasileira no encontro foi pragmática em defesa dos interesses nacionais, pendulando entre os dois protagonistas da reunião: China e EUA. No que diz respeito as reservas monetárias, os representantes brasileiros estiveram ao lado China, dona de 31% do total mundial. Em relação as taxas cambiais, o Brasil ombreou com os americanos, embora usando um misto de linguagem diplomática e de tecnocratas, contra a política chinesa de manter o yan desvalorizado para carburar exportações – analistas estimam que o valor real da divisa chinesa é mais de 30% acima da cotação oficial.
Mantega vem propondo valorizar os Direitos Especiais de Saque, o ativo financeiro cujo emissor global é o Fundo Monetário Internacional – a “moeda do FMI”. O ministro brasileiro sugere vincular o ativo a um conjunto mais amplo de moedas. Ou seja, o portador do DES poderia converter seu valor não só na média dos valores do dólar, libra esterlina, euros e yen, como acontece hoje, mas também em real e yuan, a divisa chinesa. Debate para quem tem fôlego de maratonista. A ministra Lagarde revelou onde houve consenso geral na reunião do G20 em Paris: “Todo mundo estava bem de acordo que o sistema monetário mundial não vai ser refeito em um dia nem mesmo em um ano.”
Tags: Brasil, China, Christine Lagarde, Direitos Especiais de Saque, dólar, EUA, Euro, FMI, França, G20, Guido Mantega, Índia, libra esterlina, Russia, yen













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