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Posts com a tag ‘Brasil-França’

Vrum vrum, é baratinho.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009 | 10:48
Sarkozy: "Eu realmente gostaria de fazer tudo."

Sarkozy no futuro anterior do indicativo: "Realmente terei feito de tudo."

Plantu, o mais famoso chargista político da França, o Chico Caruso deles, ironiza na primeira página do jornal Le Monde, a blitzkrieg comercial de Nicolas Sarkozy no Brasil. O presidente francês passa mais de 26 horas no avião e menos de 24 horas em Brasília, mas leva para casa um cheque compensátório: 8,5 bilhões de euros. Ele vai chegar a mais de 10 bilhões de euros, quando o governo abandonar o pudor e anunciar o que o blog DE PARIS já adiantou, em primeira mão, no dia 16 de julho. Ou seja, a compra de 36 aviões caças Rafale, fabricados pela francesa Dassault Aviation.

Na sua segunda viagem ao Brasil em menos de um ano — e o quinto encontro com Lula em 2009 — Sarkozy não levou Carla Bruni para desfilar ao seu lado. No entanto, um destacamento do 3º regimento de infantaria da Legião Estrangeira, o celebre Bagad de Lann Bilhoué, marchará com as tropas brasileiras. A banda tem um ritmo celta de rebimba o malho, escute aqui. A Patrouille de France, equivalente francêsa da Esquadrilha da Fumaça, promete show de bola nos céus do Planalto Central.

Por Antonio Ribeiro

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A cobra vai fumar

sábado, 18 de julho de 2009 | 6:05


No dia 16 de julho, Veja.com revelou, com exclusividade, que a viagem de 8 parlamentares brasileiros a Paris foi paga pelo setor aeronáutico francês. A Dassault Aviation fabricante do Rafale, um dos litigantes na concorrência para escolher os 36 novos caças da FAB, no valor de 4 bilhões de reais, foi quem mais contribuiu para cobrir as despesa durante a estadia de uma semana inteira dos congressistas.

Notem bem, quem convidou os deputados foi o governo francês através do Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional (IHEDN). Quem pagou a conta foi o setor privado francês, interessado na concorrência. Os jornais brasileiros talvez por estarem acostumados com tantos despautérios de seus políticos e governantes, deram nota de pé de página.

Esta coluna tem por princípio não reproduzir reportagens de outros veículos de imprensa. Mencionamos, indicamos, fazemos referência. Nosso juízo é o seguinte: se o leitor deseja ler um texto de reportagem do O Globo, por exemplo, ele pode acessar site do jornal, comprá-lo na banca ou fazer uma assinatura. Não se trata só respeito ao direito autoral, mas ao investimento que revistas, jornais, TVs fazem em jornalismo, prática capital para a boa informação e funcionamento da democracia.

Desta vez, no entanto, dadas as circunstâncias, vamos abrir uma exceção. O blog DE PARIS reproduz abaixo um texto muito pertinente do jornalista da Folha de São Paulo, Igor Gielow. Ele aborda a questão da concorrência para compra dos caças e do lobby francês.

FOLHA DE SÃO PAULO, 18 de julho de 2009

O nó dos caças

Por Igor Gielow

BRASÍLIA - Enquanto Nelson Jobim curte suas férias na Europa, no Ministério da Defesa há uma caveira de burro monumental enterrada à sua espera. Trata-se da decisão sobre a compra dos novos caças para a Força Aérea Brasileira.

Na hipótese de a FAB selecionar o preferido de Jobim, o francês Dassault Rafale, o ministro passará um bom tempo explicando os motivos da escolha. Ele terá argumentos, mas o questionamento é certo. Se os militares forem de Gripen (Saab sueca) ou Super Hornet (Boeing americana), o abacaxi será mais espinhoso. Jobim terá de acatar algo contra o que trabalhou até aqui, que é uma parceria em todas as áreas com a França, ou então irá bater de frente com os brigadeiros e forçar a escolha pelo Rafale.

Seja qual for o cenário, é saudável a visibilidade sobre uma disputa de no mínimo uns R$ 4 bilhões - provavelmente muito mais. Em qualquer lugar do mundo, compra militar é coberta por um véu de segredo. Natural: é a segurança do país em jogo. Mas mesmo isso precisa de escrutínio público, e até aqui a FAB fez um trabalho transparente nas etapas de sua seleção. Só que agora é a hora da política, e dos pequenos ou grandes detalhes da negociação.

A revelação (adendo do blog DE PARIS: faltou a menção,”da Veja.com) de que a Dassault pagou para uma comitiva de deputados passear em Paris e ouvir sobre as virtudes do Rafale é desses detalhes. Num país sério, seria um dos grandes, e os deputados teriam de se explicar. Eles não decidem nada agora, mas será o Congresso que terá de aprovar o orçamento da FAB e os prováveis créditos extraordinários para pagar a fatura a seguir. Mas aqui é o Brasil, “pas sérieux”, como não teria dito De Gaulle. Temos de ouvir o presidente da Câmara falar em “lobby elegante e saudável”. Cabe perguntar o grau de refinamento dos próximos detalhes que podem emergir. E como os afetados irão reagir.

Por Antonio Ribeiro

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Free lunch

sexta-feira, 17 de julho de 2009 | 5:36

Em Genebra, na União Interparlamentar (UIP), durante intervalo de um encontro sobre transparência legislativa, o presidente da Câmara, Michel Temer, conversou com Veja.com. Certa altura, apresentamos a seguinte pergunta: Não há nenhum constrangimento em representar o Brasil neste evento considerando a situação do presidente do Senado, José Sarney? “Eu estou muito a vontade aqui na Suíça, sou presidente da Câmara”, respondeu Temer.

Documento da UIP que balizou as linhas gerais do encontro entre parlamentares de diversos países sustenta que a “confiança nas instituições públicas é essencial para a democracia. Parlamentos não podem ser apenas transparentes, acessíveis, responsáveis e eficientes, mas eles precisam ser visto dessa maneira.”

A assessoria do Presidente da Câmara enviou ao blog DE PARIS o convite do governo francês para visita de uma semana de 8 congressistas brasileiros à Paris. O Presidente do Conselho Administrativo do Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional (IHEDN) que coordenou a visita informou a Veja.com que as despesas dos parlamentares foram pagas pela industrias aeronáuticas francesas, cuja maior parte ficou por conta da fabricante do caça Rafale, a Dassault Aviation.

Em tempo: na França, lobby, o termo inglês que significa a tentativa de influênciar politicos e pessoas determinantes em uma questão, é palavrão. Os nativos preferem o eufemismo “promoção”. Ainda não encontraram um substituto para  there is no free lunch, a assertiva de que não existe almoço grátis.

Por Antonio Ribeiro

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Dassault pagou a maior parte da viagem dos parlamentares.

quinta-feira, 16 de julho de 2009 | 14:27


Entrevistado com exclusividade pela Veja.com, Olivier Darrason, Presidente do Conselho Admisnitrativo do Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional (IHEDN), disse: “Nós coordenamos a agenda dos parlamentares brasileiros na França, oferecemos um almoço, mas quem financiou as despesas da viagem foram as industrias aeronáuticas francesas, cuja maior participação foi da Dassault Aviation.” A Dassault Aviation é a frabricante do Rafale, um dos três caças selecionados pelo Ministério da Desa para renovar a esquadrilha da Força Aérea Brasileira (FAB). O projeto FX-2 prêve compra de 36 aviões - cada um custa entre 100 e 150 milhões de dólares. Leia os posts abaixo. 

Por Antonio Ribeiro

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Instituto francês nega ter pago viagem de congressistas

quinta-feira, 16 de julho de 2009 | 12:59

Sete parlamentares viajaram a Paris - o presidente da Câmara Michel Temer, o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), o líder do PT, Candido Vacarezza (SP), líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), o presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, Raul Jungmann (PPS-PE), o vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG) além de Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Carlos Zarattini (PT-SP) - onde permaneceram uma semana, do dia 11 ao 16 de julho.

Reportagem do jornal Folha de São Paulo com o título Por jatos França banca viagem dá conta que os “anfitriões” pagaram as passagens e estadia dos deputados no país. Os congressistas foram convidados pelo Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional, IHEDN na sigla em francês. Julien Chaboud, o responsável do IHEDN pela organização da visita dos parlamentares brasileiros, em entrevista a Veja.com, desmente categoricamente que o instituto pagou as despesas dos parlamentares brasileiros. “Não mesmo, não pagamos passagens e estadias em hotéis “, diz ele.

Perguntados pela Embaixada do Brasil na França se queriam, como é de praxe, que a imprensa fosse informada da presença deles em Paris, os deputados pediram discrição. A viagem faz parte de um lobby militar francês para venda com transferência de tecnologia de 51 helicópteros, 5 submarinos - um deles de propulsão nuclear - e de 36 aviões caças Rafale que ainda dependem de um parecer tecnico da Aeronáutica que podem optar pelo F-18 Super Hornet, da americana Boeing, ou  o Gripen NG, fabricado pela sueca Saab.

Michel Temer (PMDB-SP) disse que “houve um lobby muito saudável e elegante”. Segundo o presidente da Câmara, os franceses estão querendo “sensibilizar” os congressistas brasileiros que assistiram o desfile militar do 14 de Julho como convidados de honra na Tribuna Presidência, na Praça da Concordia. Temer, que defende a permanência de José Sarney na presidência do Senado, seguiu para Genebra, onde participa de um seminário sobre transparência parlamentar.

Para o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP) não existe lobby. “Não decidimos nada.” Detalhe edificante : a compra do equipamento militar envolve o Orçamento da União, votada no Congresso. Uma missão composta por funcionários do Ministério da Defesa e da Fazenda está discutindo com os franceses o modo de financiamento da compra dos equipamentos militares. O custo dos 51 helicópteros, dos 5 submarinos e a construção de uma base para os últimos em Sernambetiba, deve ser anunciado amanhã.

Por Antonio Ribeiro

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Carla Bruni nega ter ajudado o terrorista

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 | 13:41


Carla Bruni-Sarkozy, primeira-dama da França de origem italiana, negou ter usado sua influência junto ao governo brasileiro para a obtenção de asilo político, impedindo a extradição de Cesare Battisti para Itália. Em 1988, o terrorista Battisti, um dos líderes do grupo extremista italiano Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal de Justiça de Milão. Trata-se do resultado dos julgamentos de 4 homicídios: o do agente penitenciário Antonio Santoro, Pierluigi Torregiani, Lino Sabbadin e Andrea Campagna. O Tribunal de Recursos de Milão, confirmou as condenações e a Corte de Cassação, última instância do Poder Judiciário italiano, ratificou três delas. Em 1993, o Tribunal de Recursos confirmou a condenação no caso de Torregiani, anulada por problemas formais. Battisti está foragido da Itália desde 1981.

O terrorista viveu na França, onde em 2004 a Corte de Cassação acatou o pedido italiano de extradição. Desde 2004, Battisti esconde-se no Brasil. Recentemente, ele ajuda o país a perpetuar uma triste condição: o refúgio com chancela oficial de condenados. A lista de criminosos que beneficiaram da leniência da Justiça brasileira figura, só para ficar nos mais famosos, o maior ladrão inglês, Ronald Biggs, o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, o homicida com fins terroristas das FARC, Olivério Medina. Acometido de atavismo jurídico bizarro, o Brasil foi escolha sem hesitação do diretor Alfred Hitchcock para enviar o aristocrático fugitivo da justiça Alex Sebastian, personagem interpretado por Claude Rains no filme Interlúdio (Notorious, 1946).

Entrevistada no programa ‘Che Tempo que fa”, do canal italiano RAI, sobre sua participação no asilo político concedido a Bastisti, Carla Bruni foi categórica: “ Eu não tive papel nenhum, absolutamente nenhum, isso é um assunto do governo brasileiro.” A mulher de Sarkozy adicionou: “Eu não me permito jamais, não é minha ideologia, nunca quis defender Battisti, nem me vem a cabeça tal coisa, fico contente de responder à pergunta e dizer aos parentes e amigos das vítimas nos Anos de Chumbo.” No início de janeiro, o jornal italiano La Stampa noticiou que Carla aproveitou suas férias junto com Sarkozy, no Brasil, para pedir clemência por Battistti a Lula. “Estou muito surpresa que a imprensa italiana possa pensar que eu tive um papel na recusa de extradição, imaginar que a mulher de um presidente possa falar de assunto deste tipo com o chefe de outro estado é uma calúnia.”

Um comunicado do Domus Civitas, associação italiana de vítimas do terrorismo, afirmou também que Carla Bruni intercedeu pessoalmente junto à Lula para recomendar a recusa da extradição.

Por Antonio Ribeiro

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