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Posts com a tag ‘Bento XVI’

Lancet, revista médica britânica: declarações de Bento XVI são “distorcidas” e “atrozes”

sexta-feira, 27 de março de 2009 | 12:45

La revista médica ‘The Lancet’ tilda de “atroces” las declaraciones del Papa sobre los preservativos

La prestigiosa publicación asegura que Benedicto XVI distorsionó evidencias científicas para promover la doctrina católica

“Cuando una persona influyente, ya sea un religioso o un político, hace una declaración científica falsa que podría ser devastadora para la salud de millones de personas, debería retractarse”. Así de duro es el editorial que publicará mañana la prestigiosa revista médica The Lancet a cuenta de las declaraciones en contra del uso del preservativo como modo de prevenir el contagio del sida que realizó el Papa en África.

El pasado día 17, Benedicto XVI iniciaba en Camerún su primer viaje como máximo dirigente de la Iglesia católica a África, un continente que ha padecido como ninguno la pandemia del sida. No en vano, 22,5 millones de subsaharianos están infectados por el VIH, cifra que supone el 68% del total. Allí, el Papa aseguró que el contagio de la enfermedad “no se puede superar con la distribución de preservativos, que, al contrario, aumentan los problemas”.

Las reacciones contra las declaraciones de Benedicto XVI fueron inmediatas y desde todos los estamentos. Desde la ONU, que a través de la página web de la organización que lucha contra el sida recordó que el preservativo es “la tecnología disponible más eficiente para reducir la transmisión sexual del VIH”, hasta los gobiernos de Francia y Alemania, quienes expresaron su “grandísima preocupación” por las palabras del Papa. En España, Sanidad anunció el envío de un millón de preservativos a África.

Ahora es la prestigiosa revista médica británica The Lancet quien, desde su editorial, arremete contra las palabras del Papa y califica su declaración de “atroz y completamente inexacta”. Tras recordar que la Iglesia católica es contraria a las políticas de control de natalidad y que defiende la abstinencia como forma de controlar la epidemia del sida, The Lancet asegura que Benedicto XVI ha “distorsionado evidencias científicas públicamente” para promover su doctrina.

La publicación también critica que el Vaticano haya optado por alterar la literalidad de las palabras que pronunció el Papa tras las múltiples críticas recibidas, en lugar de rectificarlas y se lamenta de que sus declaraciones pueden suponer un desaire para los “miles de católicos que trabajan duramente para detener la propagación del sida en todo el mundo.”

© El Pais

Por Antonio Ribeiro

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Que pecado!

quinta-feira, 26 de março de 2009 | 12:54

A imprensa brasileira - e no caso, também a do mundo todo - está sob acusação de sonegar informação aos seus leitores. Pecado mortal, ao que parece. Não bastou publicar uma formidável lista de especialistas afirmando que o uso dos preservativos contribuem para luta contra a AIDS e que eles não aumentam sua incidência.

De forma deliliberada, os malvados sonegadores de informação esconderam um cientista católico de Havard, graduado em antropologia pela… Catholic University of America que está de acordo com o Bento XVI. É mesmo?! Bem, isto é o que diz o organizador do… Christian Connections for International Health em entrevista a… Catholic News Agency, reproduzida em sites do mesmo naipe.

Voltaire talvez tenha razão: “O segredo é dizer tudo.” Por exemplo, foi sonegada também a seguinte informação:

Marine, vice-presidente da Frente Nacional e filha de Jean-Marie Le Pen, líder da extrema-direita francesa que perdeu todas bolas divididas disputadas até ontem, também está de acordo com o Bento XVI. Diz ela: “O papa é o papa. A Igreja exprime o ideal da abstinência, o ideal da fidelidade. Ela existe para estabelecer a regra.”

Realmente, há que ter uma santíssima paciência com a paranóia recorrente.

Por Antonio Ribeiro

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O papa disse e não nega. O Vaticano aprovou a pergunta antes dela ter sido feita a Bento XVI por um jornalista escolhido.

segunda-feira, 23 de março de 2009 | 12:23

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, do Instituto Internacional de Ciências Sociais da Universidade de Navarra, escreve um artigo titulado Jornais-Igreja e Estado, na edição de hoje do jornal O Estado de São Paulo. Ele diz o seguinte:

<<“Os jornais afirmaram que Bento XVI teria dito que “a camisinha agrava a aids”. Errado.>>

Infelizmente temos que discordar de Di Franco neste ponto. O papa Bento XVI disse sim que o uso de preservativos agrava a AIDS. Depois da repercussão da notícia, o Vaticano tentou contextualizar a resposta. Na verdade, amenizar seu impacto. No entanto, o Vaticano não nega, em absoluto, que o Papa disse o que disse. A transcrição da resposta, em italiano, está no site do Vaticano. Ela foi gravada. Não há ponto de disputa.

A declaração de Bento XVI aconteceu durante uma entrevista a 6 jornalistas escolhidos pelo Vaticano entre 70 profissionais que viajavam com o papa no vôo da Alitália para Yaondé, nos Camarões, no dia 17 de março. A pergunta foi feita por Philippe Visseyrias, jornalista do canal de televisão France 2. Bento XVI não foi  pego de surpresa. Ele tinha conhecimento prévio das questões. As perguntas foram aprovadas antes pelo serviço de imprensa do Vaticano.

É salutar e mesmo fundamental os jornais não se contentarem com versões oficiais. Formular versão oficial é trabalho de assessoria de imprensa. Quanto mais os jornais buscarem informações outras que os comunicados oficiais, mais ganhará o leitor.

Por Antonio Ribeiro

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“Inconsistente com a ciência, inconsistente com a nossa experiência, em descompasso com a crença da maioria dos católicos. “

domingo, 22 de março de 2009 | 18:54
O Dr. Leslie Ramsammy, presidente da Assembléia Mundial de Saúde, foi duro com a declaração mentirosa do papa Bento XVI na qual o pontífice afirma que o uso de preservativos aumenta a disseminação da AIDS. Segundo Dr. Ramsammy, o papa semeia  a confusão e atrapalha estratégias comprovadas de combate a epidemia da AIDS. Durante uma reunião  com 2.704 participantes de 190 países, em Geneva, na Suíça, o fórum supremo da Organização Mundial da Saúde,  o Dr. Leslie Ramsammy disse que a posição do papa Bento XVI, no que diz respeito ao uso de preservativos no combate a epidemia da AIDS, é “absolutamente e inequivocamente errada.”

Por Antonio Ribeiro

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Sopapos na saída da missa

domingo, 22 de março de 2009 | 17:17

Um “best of” do obscurantismo francês, o combustível que justifica a existência dos radicais de esquerda e de direita do país, assustou quem saia da tradicional missa dominical na Catedral de Notre Dame, em Paris. Vinte e poucos militantes de extrema-direita, segundo os policiais, aos gritos, “Não toquem no meu papa”, tentaram acabar com uma manifestação de simpatizantes da ONG Sida Act-Up que protestavam, deitados no chão da praça João PaulI I, segurando cartazes com a menção “Bento XVI assassino”.

Dois manifestante feridos foram internados na urgencia do Hospital de Dieu e onze jovens simpatizantes foram detidos pela polícia devido ao comportamento agressivo.

Uma pesquisa de opinião pública do CSA para o jornal Le Parisien revelou que 43% dos franceses querem que o papa Bento XVI aposente ou renuncie, depois do perdão ao bispo revisionista britânico William Williamson, a excomunhão da equipe médica que realizou aborto na menina pernambucana estuprada pelo padrasto e a declaração mentirosa de Bento XVI que o uso de preservativos aumenta os casos de AIDS. Em um dos paises mais católicos do mundo, 8 em cada 10 franceses acham que a Igreja deve adaptar seu discurso com as mudanças das sociedades modernas.

Por Antonio Ribeiro

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Grande momento de Bento XVI na África

quinta-feira, 19 de março de 2009 | 14:26


Durante uma missa campal que reuniu 60.000 fiéis em Yaoundé, nos Camarões, o papa disse o seguinte: “A religião e a razão se reforçam mutuamente quando a religião é purificada e estruturada pela razão, e quando o potencial da razão se libera pela revelação da fé”.

Por Antonio Ribeiro

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A vã tentativa de voltar ao tempo das carroças e do cinto de castidade.

quinta-feira, 19 de março de 2009 | 9:41


“Todo mundo tem direito a sua opinião, mas não aos seus próprios fatos.” — Daniel Moynihan

“Contra fatos não há argumentos.” — provérbio grego.

Se o cinto de segurança nos carros induz o motorista pisar fundo no acelerador, por que as autoridades do setor de transportes não aboliram a obrigatoriedade de usar o dispositivo? Se o carro é fator determinante nos acidentes automobilísticos, por que não voltar ao tempo das carroças? A lógica poderosa de alguns falsos clarividentes tenta persuadir sem sucesso que a existência de 70 milhões de aidéticos no mundo ocorre devido ao uso de preservativos. O propósito, diga-se de passagem, não é nenhuma novidade. As teorias de Paul Virílio, “o filósofo da Idade da Mídia”, pregam o retorno aos tempos das cavernas para evitar os desastres modernos. O problema não se resume na falta da relação entre causa e consequência, mas em um cálculo perverso.

Explico:

Sem a existência do preservativo, o católico com medo de contrair AIDS adotaria a abstinência sexual, pratica aconselhada pela Igreja. Entende-se porque é mais fácil catequizar criancinhas e nos bolsões da ignorância, longe de Galileu, Darwin e Voltaire. Ora, o que ameaça a Igreja Católica e atrapalha as políticas de saúde pública, não é bem o uso da camisinha, e sim, em muito mais, o anacronismo de uma minoria integrista e a sua descrença na ciência. O obscurantismo religioso assim como as ideologias arcaicas, o comunismo por exemplo, tornam-se anacrônicas no hemisfério Norte. De vez em vez, encontram uma sobrevida, uma aposentadoria ensolarada nos
trópicos.

O que dizem os especialistas sobre a declaração do papa Bento XVI que o preservativo agrava a epidemia da AIDS?

“Minha reação é que ela [a declaração] representa um grande passo para trás na educação sanitária global, inteiramente contraproducente, que irá causar aumento nas transmissões do vírus da AIDS na África e alhures. Existe vasta evidência comprovando que o uso de preservativos reduz o risco de contrair AIDS e que não provoca o acréscimo na atividade sexual.” — Quentin Sattendau, professor de Imunologia da Universidade de Oxford.

“Não existe nenhuma evidencia científica que demonstra que o uso de preservativos induz as pessoas terem um comportamento sexual arriscado. Se usados de forma consistente e correta, os preservativos são altamente eficazes para prevenir a transmissão do vírus da AIDS.” — Kevin De Cock, diretor do programa de combate a AIDS da Organização Mundial da Saúde.

“Não cabe aos governos julgar as doutrinas da Igreja, não é missão de líderes religiosos estabelecer diretivas de saúde pública.” — Ulla Schmidt, ministra da Saúde da Alemanha.

Por Antonio Ribeiro

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Toda fotografia que requer legenda longa é infeliz

quarta-feira, 18 de março de 2009 | 18:28

Nas suas edições de hoje, dois jornalecos (vamos chama-los de The New York Times e Le Monde) publicaram editoriais criticando a declaração do papa Bento XVI sobre os preservativos. Ambos dizem que a Igreja Católica tem legítimo direito de defender seus dogmas — escrevemos aqui o mesmo, 24 horas antes, sem esperar a chancela do jornal americano e do vespertino francês. A trapaça, no entanto, como eles também dizem, está na afirmação mentirosa do papa Bento XVI de que a camisinha contribui para disseminação da AIDS. Afirmação que espanta cientistas, especialistas na questão e, diga-se de passagem, destempera os mal intencionados.

Este blogueiro tem um método de leitura muito simples. Se nos primeiros parágrafos o autor do texto se mostra menos inteligente que o leitor, interrompemos a leitura. Mas não somos tão severos assim, damos uma segunda chance. Vamos lá no final do texto para ver se sobrou alguma conclusão do arrazoado. Se o autor, depois muita verborragia — a brevidade e concisão é uma arte —, admite ter abraçado mais uma causa perdida, fazemos uma reverência e seguimos em frente. Não há tempo para perder, existe tanta coisa interessante para ler.

Por Antonio Ribeiro

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A desonestidade intelectual de Bento XVI

quarta-feira, 18 de março de 2009 | 7:58


O mundo tem uma população de 70 milhões de aidéticos, dois terços deles vivem na África, entre os quais 2,8 são indivíduos com menos de 14 anos cuja metade morre sem receber tratamento. No horizonte do ano 2010, estima-se que 36 milhões de africanos estarão contaminados pelo vírus da AIDS — mais da soma dos habitantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Do ponto de vista teológico, é legítimo a Igreja Católica aconselhar a abstinência sexual — inexistente até em conventos —, o casamento cristão e a fidelidade para lutar contra a epidemia letal. Embora anacrônica e de comprovada ineficiência, a posição da Igreja merece o que vem recebendo no seu interior e fora dela, a descrença. O problema é de outra ordem.

Antes mesmo de pousar em Iondé, capital dos Camarões, iniciando sua primeira visita a África que inclui escala em Angola, o papa Bento XVI declarou que o uso dos preservativos — a primeira vez que um pontífice descarta o termo contraceptivo — agrava a situação da AIDS. Noves fora a afirmação do secretário da Educação do governo Ronald Reagan, William Bennett, de que o uso de preservativos era maior nas comunidades infectadas, não há nenhum estudo epidemiológico que sustenta os preservativos como algo que ajuda propagar a AIDS. Na verdade, o postulado consiste em uma desonestidade intelectual. A falácia que tenta persuadir pela existência de mais leitos hospitalares, a maior incidência de doenças. Equivale dizer que o mosquiteiro dissemina a malária. Bento XVI tenta vender a idéia que o uso do preservativo tira a responsabilidade do individuo. Ou seja, ele não sente-se na obrigação de conter, controlar sua sexualidade. Pura enganação. Equivale dizer que o cinto de segurança nos carros dá mais ímpeto aos motoristas para pisar fundo no acelerador.

O Centers for Disease Control and Prevention afirma haver “compreensiva e conclusiva” evidência de que os preservativos de latex, quando usados de forma consistente e correta são altamente eficazes na prevenção da transmissão do vírus da AIDS. Estudos do respeitável Cochrane Collaboration concluíram que os preservativos podem reduzir em até 80% a transmissão da AIDS.

Reparem, o problema não é ser tradicionalista ou progressista. Isto é uma bobagem. Cada um escolhe ser o que bem entende. Nem tampouco questionar valores morais. A Igreja é o que é devido aos seus fundamentos. A questão é distorcer dados científicos e, ainda mais grave, numa situação extremamente delicada.

A eleição de Bento XVI foi saudada como a chegada de um intelectual no comando da Igreja. No entanto, a sabedoria tem se revelado, muitas vezes, adições de mais mal ao mal. Professor de teologia, dogmático e tradicionalista, Bento XVI não é diplomata nem homem de comunicação. Com frequência o papa mostra-se naive em política, comete gafes que o obriga, como na semana passada e primeira vez na história pontifical, publicar uma carta para colar os cacos causados pela falta de perícia. Depois do perdão ao bispo britânico Richard Williamson que nega o Holocausto e a excomunhão da equipe médica que praticou o aborto na menina pernambucana de 9 anos e 35 quilos, grávida de gêmeos, depois de ser estuprada pelo padrasto, a Igreja Católica não precisava de mais um tropeço. A declaração sobre os preservativos lembra os tempos em que a Igreja condenava a batata como diabólica porque crescia debaixo da terra.

Por Antonio Ribeiro

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