Blogs e Colunistas

Bento XVI

09/09/2010

às 19:47 \ França

França ignora Parlamento da União Europeia

Eric Besson

O ministro francês da Imigração, Eric Besson, em visita a Bucareste, declarou: “Pas question!” Está fora de questão que a França suspenda as deportações dos ciganos como pede a resolução votada pelo Parlamento europeu (leia o post abaixo).  “Evidente que não vamos nos submeter a um diktat  político”, completou.

A resolução do parlamento europeu soma-se à recomendação do comitê para eliminação da discriminação racial da ONU que, em agosto, exortou o governo de Nicolas Sarkozy a evitar as deportações coletivas e os discursos políticos discriminatórios.  O papa Bento XVI  exprimiu também sua desaprovação sobre o assunto, convocando o governo francês “a saber acolher as legítimas diversidades humanas.”

A política de deportações de Nicolas Sarkozy tem causado divisões até entre seus aliados.  Em entrevista ao vespertino francês Le Monde, o ministro do Exterior, Bernard Kouchner, revelou ter cogitado a demissão em função das medidas do governo.  O primeiro-ministro  François Fillon, do mesmo partido do presidente Sarkozy, tomou distância, jamais se engajou na defesa das expulsões coletivas.

Por Antonio Ribeiro

11/05/2010

às 11:23 \ Religião

Anda sempre tão unido, o meu tormento comigo…

No voo que o levava a Portugal, onde permanecerá quatro dias em visita, o Papa Bento XVI deixou claro que não vê as críticas aos casos de pedofilia como campanha contra a Igreja, contrário ao que querem fazer crer alguns membros do alto clero tradicionalista. “Hoje nós vemos de uma forma verdadeiramente terrível que a grande perseguição à Igreja não vem de inimigos externos, mas nasce do pecado dentro da Igreja”, disse o papa aos jornalistas que o acompanhavam. A declaração mais forte sobre a crise que atinge a Igreja desde o início do ano, lembra as Redondilhas, de Luiz Vaz de Camões: Anda sempre tão unido/ o meu tormento comigo/ que eu mesmo sou meu perigo.

Por Antonio Ribeiro

27/03/2009

às 12:45 \ Religião

Lancet, revista médica britânica: declarações de Bento XVI são “distorcidas” e “atrozes”

La revista médica ‘The Lancet’ tilda de “atroces” las declaraciones del Papa sobre los preservativos

La prestigiosa publicación asegura que Benedicto XVI distorsionó evidencias científicas para promover la doctrina católica

“Cuando una persona influyente, ya sea un religioso o un político, hace una declaración científica falsa que podría ser devastadora para la salud de millones de personas, debería retractarse”. Así de duro es el editorial que publicará mañana la prestigiosa revista médica The Lancet a cuenta de las declaraciones en contra del uso del preservativo como modo de prevenir el contagio del sida que realizó el Papa en África.

El pasado día 17, Benedicto XVI iniciaba en Camerún su primer viaje como máximo dirigente de la Iglesia católica a África, un continente que ha padecido como ninguno la pandemia del sida. No en vano, 22,5 millones de subsaharianos están infectados por el VIH, cifra que supone el 68% del total. Allí, el Papa aseguró que el contagio de la enfermedad “no se puede superar con la distribución de preservativos, que, al contrario, aumentan los problemas”.

Las reacciones contra las declaraciones de Benedicto XVI fueron inmediatas y desde todos los estamentos. Desde la ONU, que a través de la página web de la organización que lucha contra el sida recordó que el preservativo es “la tecnología disponible más eficiente para reducir la transmisión sexual del VIH”, hasta los gobiernos de Francia y Alemania, quienes expresaron su “grandísima preocupación” por las palabras del Papa. En España, Sanidad anunció el envío de un millón de preservativos a África.

Ahora es la prestigiosa revista médica británica The Lancet quien, desde su editorial, arremete contra las palabras del Papa y califica su declaración de “atroz y completamente inexacta”. Tras recordar que la Iglesia católica es contraria a las políticas de control de natalidad y que defiende la abstinencia como forma de controlar la epidemia del sida, The Lancet asegura que Benedicto XVI ha “distorsionado evidencias científicas públicamente” para promover su doctrina.

La publicación también critica que el Vaticano haya optado por alterar la literalidad de las palabras que pronunció el Papa tras las múltiples críticas recibidas, en lugar de rectificarlas y se lamenta de que sus declaraciones pueden suponer un desaire para los “miles de católicos que trabajan duramente para detener la propagación del sida en todo el mundo.”

© El Pais

Por Antonio Ribeiro

26/03/2009

às 12:54 \ Religião

Que pecado!

A imprensa brasileira – e no caso, também a do mundo todo – está sob acusação de sonegar informação aos seus leitores. Pecado mortal, ao que parece. Não bastou publicar uma formidável lista de especialistas afirmando que o uso dos preservativos contribuem para luta contra a AIDS e que eles não aumentam sua incidência.

De forma deliliberada, os malvados sonegadores de informação esconderam um cientista católico de Havard, graduado em antropologia pela… Catholic University of America que está de acordo com o Bento XVI. É mesmo?! Bem, isto é o que diz o organizador do… Christian Connections for International Health em entrevista a… Catholic News Agency, reproduzida em sites do mesmo naipe.

Voltaire talvez tenha razão: “O segredo é dizer tudo.” Por exemplo, foi sonegada também a seguinte informação:

Marine, vice-presidente da Frente Nacional e filha de Jean-Marie Le Pen, líder da extrema-direita francesa que perdeu todas bolas divididas disputadas até ontem, também está de acordo com o Bento XVI. Diz ela: “O papa é o papa. A Igreja exprime o ideal da abstinência, o ideal da fidelidade. Ela existe para estabelecer a regra.”

Realmente, há que ter uma santíssima paciência com a paranóia recorrente.

Por Antonio Ribeiro

25/03/2009

às 11:17 \ Religião

Jornal oficial do Vaticano reconhece a utilidade do preservativo em Uganda

Se o pontificado de Bento XVI não for péssimo exemplo de inabilidade no comando da Santa Sé, nunca houve período na história do papado onde as palavras do pastor tiveram que ser tão explicadas, reformuladas e até desmentidas. Doutrinário e de formação intelectual, Bento XVI reuniu uma rara coleção de mal-entendidos e indignações dentro e fora do seu rebanho, em apenas 4 anos. A tarefa dos bombeiros pontificais tem sido particularmente laboriosa uma vez que, segundo as doutrinas católicas, o papa não erra nunca.

Depois da declaração papal de que os preservativos agravam a epidemia da AIDS, o Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, deu meia volta. Em uma reportagem sobre o programa sanitário ugandense, o jornal reconhece que o preservativo é eficaz em 97% contra a infecção nos melhores casos e 87% para prevenir a transmissão em condições de insalubridade. O Osservatore precisa que, apesar das objeções da Igreja, o programa ugandense teve resultados espetaculares. “A freqüência da infecção na população diminuiu de 15% em 1991 para 5% em 2001.”

A reportagem do Osservatore é enriquecida com a entrevista de Daniel Giovanni Giusti, missionário católico e médico — 20 anos de experiência em Uganda. Ele diz o que a maioria dos especialistas concorda: “O preservativo tem papel importante no combate da epidemia da AIDS, e ele é fundamental para grupos específicos, prostitutas, homossexuais e drogados.” O problema de Bento XVI é de ordem doutrinal. Mesmo se a experiência cientifica prova por A + B que o preservativo é útil no combate a AIDS, a encíclica “Humane Vitae” de Paulo VI considera a camisinha “ilícita” em relação à outros meios artificiais de contracepção.

Em setembro de 2006, durante discurso na Universidade de Regensburg sobre a saída da cristandade da zona de influência do helenismo (falar e viver como os gregos), Bento XVI evocou o diálogo entre o imperador bizantino Manuel II Paleólogo e um erudito persa — “Mostre-me o que Maomé trouxe de novo e encontraremos apenas coisas más e desumanas, como a ordem para espalhar pela espada a fé que ele pregava” foi dito na conversa medieval. Pertinente ou não, Bento XVI enfureceu os muçulmanos. A entourage pontifical correu em socorro. O papa teria tratado apenas da relação entre a razão e a fé.

Em janeiro, Sua Santidade acolheu de volta à Igreja Católica, quatro religiosos excomungados. Eles tinham sido ordenados ilicitamente pelo arcebispo tradicionalista francês Marcel Lefevre — ele mesmo, excomungado por João Paulo II.  Entre os perdoados por Bento XVI estava o bispo britânico Richard Williamson que acabara de declarar a um canal de TV sueco o seguinte: “Nenhum só judeu morreu em câmaras de gás nos campos de concentração nazistas.” Desta feita, a versão foi que o papa não sabia da posição do bispo historicamente anti-semita. O mundo judaico ficou indignado. Bento XVI leu carta de desculpas — inédita na história dos homens infalíveis — e semeou declarações condenando o Holocausto.

As posições rígidas de Bento XVI tem contribuído para aumentar o cisma entre a doutrina da Igreja e a realidade cotidiana dos católicos no mundo. E não só. Ela inspira posições estapafúrdias como a do arcebispo Metropolitano de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho. Ele anunciou as excomunhões da mãe e a equipe médica que praticou o aborto na menina pernambucana de 9 anos e 35 quilos, grávida de gêmeos, depois de ser estuprada pelo padrasto. O presidente da Academia Pontifícia para a Vida, a maior autoridade eclesiástica em bioética, o cardeal Rino Fisichella, teve que vir a público para colocar panos quentes. Mais uma vez. “Era mais urgente salvaguardar a vida inocente e trazê-la para um nível de humanidade, coisa em que nós, homens de igreja, devemos ser mestres. Assim não foi feito e infelizmente, a credibilidade de nosso ensinamento e foi colocado em risco, pois parece insensível e sem misericórdia”, disse Fisichella.

Por Antonio Ribeiro

23/03/2009

às 12:23 \ Religião

O papa disse e não nega. O Vaticano aprovou a pergunta antes dela ter sido feita a Bento XVI por um jornalista escolhido.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, do Instituto Internacional de Ciências Sociais da Universidade de Navarra, escreve um artigo titulado Jornais-Igreja e Estado, na edição de hoje do jornal O Estado de São Paulo. Ele diz o seguinte:

<<“Os jornais afirmaram que Bento XVI teria dito que “a camisinha agrava a aids”. Errado.>>

Infelizmente temos que discordar de Di Franco neste ponto. O papa Bento XVI disse sim que o uso de preservativos agrava a AIDS. Depois da repercussão da notícia, o Vaticano tentou contextualizar a resposta. Na verdade, amenizar seu impacto. No entanto, o Vaticano não nega, em absoluto, que o Papa disse o que disse. A transcrição da resposta, em italiano, está no site do Vaticano. Ela foi gravada. Não há ponto de disputa.

A declaração de Bento XVI aconteceu durante uma entrevista a 6 jornalistas escolhidos pelo Vaticano entre 70 profissionais que viajavam com o papa no vôo da Alitália para Yaondé, nos Camarões, no dia 17 de março. A pergunta foi feita por Philippe Visseyrias, jornalista do canal de televisão France 2. Bento XVI não foi  pego de surpresa. Ele tinha conhecimento prévio das questões. As perguntas foram aprovadas antes pelo serviço de imprensa do Vaticano.

É salutar e mesmo fundamental os jornais não se contentarem com versões oficiais. Formular versão oficial é trabalho de assessoria de imprensa. Quanto mais os jornais buscarem informações outras que os comunicados oficiais, mais ganhará o leitor.

Por Antonio Ribeiro

22/03/2009

às 18:54 \ Religião

“Inconsistente com a ciência, inconsistente com a nossa experiência, em descompasso com a crença da maioria dos católicos. “

O Dr. Leslie Ramsammy, presidente da Assembléia Mundial de Saúde, foi duro com a declaração mentirosa do papa Bento XVI na qual o pontífice afirma que o uso de preservativos aumenta a disseminação da AIDS. Segundo Dr. Ramsammy, o papa semeia  a confusão e atrapalha estratégias comprovadas de combate a epidemia da AIDS. Durante uma reunião  com 2.704 participantes de 190 países, em Geneva, na Suíça, o fórum supremo da Organização Mundial da Saúde,  o Dr. Leslie Ramsammy disse que a posição do papa Bento XVI, no que diz respeito ao uso de preservativos no combate a epidemia da AIDS, é “absolutamente e inequivocamente errada.”
Por Antonio Ribeiro

22/03/2009

às 17:17 \ Religião

Sopapos na saída da missa

Um “best of” do obscurantismo francês, o combustível que justifica a existência dos radicais de esquerda e de direita do país, assustou quem saia da tradicional missa dominical na Catedral de Notre Dame, em Paris. Vinte e poucos militantes de extrema-direita, segundo os policiais, aos gritos, “Não toquem no meu papa”, tentaram acabar com uma manifestação de simpatizantes da ONG Sida Act-Up que protestavam, deitados no chão da praça João PaulI I, segurando cartazes com a menção “Bento XVI assassino”.

Dois manifestante feridos foram internados na urgencia do Hospital de Dieu e onze jovens simpatizantes foram detidos pela polícia devido ao comportamento agressivo.

Uma pesquisa de opinião pública do CSA para o jornal Le Parisien revelou que 43% dos franceses querem que o papa Bento XVI aposente ou renuncie, depois do perdão ao bispo revisionista britânico William Williamson, a excomunhão da equipe médica que realizou aborto na menina pernambucana estuprada pelo padrasto e a declaração mentirosa de Bento XVI que o uso de preservativos aumenta os casos de AIDS. Em um dos paises mais católicos do mundo, 8 em cada 10 franceses acham que a Igreja deve adaptar seu discurso com as mudanças das sociedades modernas.

Por Antonio Ribeiro

22/03/2009

às 14:11 \ Sem Categoria

Duas capas da revista TIME

Por Antonio Ribeiro

19/03/2009

às 14:26 \ Religião

Grande momento de Bento XVI na África


Durante uma missa campal que reuniu 60.000 fiéis em Yaoundé, nos Camarões, o papa disse o seguinte: “A religião e a razão se reforçam mutuamente quando a religião é purificada e estruturada pela razão, e quando o potencial da razão se libera pela revelação da fé”.

Por Antonio Ribeiro

 

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