Blogs e Colunistas

BEA

07/05/2011

às 6:18 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

França vai reforçar equipe de resgate das vítimas do AF 447

O segundo corpo de vítima do voo AF 447 foi resgatado. Ele foi encontrado  em pior estado de conservação e não estava atado com cinto de segurança a poltrona do avião como o primeiro, recuperado no dia 5 de maio. Uma biopse será enviada à Paris para exame de DNA. A Justiça francesa decidiu despachar mais 4 legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) para reforçar a equipe a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’, em operação a 1 100 quilômetros nordeste de Recife. Atualmente, são 8 policiais no navio lança-cabos  se adicionados os oficiais da Policia Judiciária (OPJ) e  os agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA). Os especialistas do IRCG terão como missão ajudar no resgate dos restos mortais das vítimas – em torno de 150 – a 3 9000 metros de profundidade no Oceano Atlântico.

A intenção das autoridades francesas é de recuperar tantos corpos quantos forem possíveis e também objetos pessoais. Estima-se que a operação inédita irá durar, no mínimo, duas semanas. A missão é coordenada pelo Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente. Os resgates são realizados, na prática, através do robô submarino Remora 6000, operado  pela equipe da americana Phoenix Internacional – os braços hidráulicos do aparelho não tem a mesma destreza de um mergulhador. Os policiais supervisionam a operação através de imagens na TV, decidem em concertação com os técnicos da Phoenix e depois, cuidam do corpo resgatado.

No acidente com o Airbus A330 do voo AF 447 morreram todas 228 pessoas que estavam a bordo da aeronave – 32 nacionalidades, entre elas, 73 franceses, 58 brasileiros e 26 alemães.  Em 2009, cinquenta corpos foram resgatados. As autopsias foram feitas no Instituto Médico Legal de Recife – é o que a Associação de Famílias de Vitimas brasileiras deseja que aconteça agora. As autoridades francesas negaram o pedido.

Nota do Blog de ParisÉ sem sentido notícias que dão conta que a “França” disse que não iria resgatar os corpos para mais adiante dizer que a “França” irá resgatar os corpos e agora dizem que a “França” decidiu resgatar todos os corpos. As decisões não acontecem assim. Elas vão sendo tomadas, gradualmente,  pari passu com o desenrolar da operação  de resgate inédito. A licitação do barco para operação previa camara fria. Policiais e legistas para tratar os corpos embarcaram no navio. Estava claro, desde o início, que haveria tentativa de resgate. Vão resgatar todos? Não se sabe. Dizem que vão tentar.  Não há fonte independe a bordo do navio lança-cabos “Ile de Sein”. As informações chegam por comunicados do BEA, IRCGN e de associações de famílias das vítimas. Os interesses de cada parte não são os mesmos. Toda informação exige análise rigorosa.

Leia post do Blog de Paris: “Resgatado primeiro corpo de vítima do voo AF 447

Por Antonio Ribeiro

05/05/2011

às 6:37 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Resgatado o primeiro corpo de vítima do voo Air France 447

Mirante Sétimo Céu: Memorial às vítimas do vôo AF 447, no Rio de Janeiro

Especialistas franceses do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN), a bordo do navio  lança-cabos ‘Ile de Sein’, coordenaram o resgate hoje, do primeiro corpo de uma vítima do voo  447 da Air France a 3 900 metros de profundidade  no Oceano Atlântico.

“A operação muito delicada foi feita em condições particularmente difíceis e até então, inéditas”, diz comunicado da Direção Geral da Gendarmaria Nacional (DGGN), o comando da polícia militar francesa. “Apesar de tomadas as precauções necessárias e a preocupação constante de respeitar a dignidade das vítimas, o longo içamento não permitiu manter a integridade do corpo.”

Uma primeira tentativa não teve êxito. Os resgates são realizados, na prática, através do robô submarino Remora 6000, operado  pela equipe da americana Phoenix Internacional – os braços hidráulicos do aparelho não tem a mesma destreza de um mergulhador. Os policiais supervisionam a operação através de imagens na TV, decidem em concertação com os técnicos da Phoenix e depois, cuidam do corpo resgatado. O navio está equipado de câmara frigorífica capaz de manter temperatura de doze graus Celsius negativos. Um fragmento do corpo, encontrado  em “avançado estado de putrefação” e ainda “atado em uma poltrona do avião”, será enviado junto com as caixas-pretas para exame de DNA em um laboratório de Paris, na França.

Se a identificação for possível através do material genético, os corpos estão submersos há quase dois anos, a equipe de oito policiais  franceses – Policia Judiciária (OPJ), Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) e IRCGN — no ‘Ile de Sein’  será reforçada. Outras tentativas serão realizadas nos próximos dias. Os resgate das peças do avião continuam no mesmo ritmo.

No acidente com o Airbus A330 do voo AF 447 morreram todas 228 pessoas que estavam a bordo da aeronave – 32 nacionalidades, entre elas, 73 franceses, 58 brasileiros e 26 alemães.  Em 2009, cinquenta corpos foram resgatados. As autopsias foram feitas no Instituto Médico Legal de Recife – é o que a Associação de Famílias de Vitimas brasileiras deseja que aconteça agora, embora as autoridades francesas neguem o pedido.

Os exames dos primeiros corpos revelaram sinais claros das “quatro fraturas” – o termo de medicina legal identifica vítimas com fraturas nos terços médios das pernas e braços. Isso acontece em acidentes em que o impacto com a água ocorre quando os passageiros ainda estão sentados em suas poltronas.

O corpos analisados em Recife não apresentavam queimaduras e a estrutura óssea estava basicamente preservada o que descarta a possibilidade de explosão no ar. Algumas vítimas ainda estavam vestidas e até com cartão de embarque no bolso, portanto não houve atrito com alta velocidade do ar dentro da cabine ou as roupas estariam estraçalhadas como a vela de um barco sob forte tempestade.

O Airbus A330 da Air France chocou-se inteiro contra a superfície do Atlântico em forte “aceleração vertical”, como confirma relatório preliminar do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente. No impacto com  a água, o avião – pesava 220 toneladas e perdeu 11 quilômetros de altitude em 5 minutos – estava em “linha de voo”, quase na que posição horizontal, sem empuxo significativo, mas com ângulo de ataque de alguns graus positivos. Ou seja, com o “nariz” levemente empinado. A cauda tocou primeiro na água.

Isso pode explicar porque a maior parte dos 50 corpos encontrados anteriormente estavam entre o cockpit e o inicio da asa. A parte da frente se espatifou lançando os ocupantes na água causando politraumatismo agudo –  a ação de alavanca explicada por Arquimedes, na Antiguidade. Os corpos na planície abissal estão relativamente enfileirados e muitos, dentro da fuselagem que manteve-se inteira, entre a asa e a cauda.

Talvez a derradeira contribuição das vítimas aos vivos seja ajudar a contar o que aconteceu. Diariamente, 13 milhões de passageiros cruzam o céu do planeta. A metrópole voadora só é menor que Xangai e Mumbai. Ela depende em muito da resposta a uma pergunta singela: O que aconteceu com o voo AF 447?

Atualização, 06/05/2011: O segundo corpo, em pior estado de degradação que o primeiro e não atato com cinto de segurança na poltrona do avião, foi resgatado. Uma biopse será enviada à Paris para exame de DNA. A Justiça francesa decidiu enviar mais 12 legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) para refoçar a equipe a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’ em operação a 1 100 quilômetros nordeste de Recife. Eles terão como missão ajudar no resgate dos restos mortais das vítimas – em torno de 150, no fundo do Atlântico. A inteção das autoridades é recuperar o máximo possível, inclusive, os pertences dos passageiros e tripulantes.

Acompanhe o Blog de Paris no Twitter clicando aqui.

Leia o postOficial: França tentará resgatar corpos de vítimas

Por Antonio Ribeiro

04/05/2011

às 13:24 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Oficial: França tentará resgatar corpos das vítimas

Philippe Vinogradoff

Agora é oficial. Preto no branco com assinatura por debaixo. O diplomata Philippe Vinogradoff, representante especial do governo francês junto às famílias das vítimas do voo AF 447, escreveu hoje aos parentes  informando sobre  tentativa de resgate dos corpos consevardos depois de quase dois anos à 3 900 metros de profundidade no Oceano Atlântico. “As peças do avião úteis para o inquérito vão agora ser içadas e as equipes da Gendarmerie Nationale a bordo do navio Ile de Sein, vão tentar a recuperação de um primeiro corpo”, escreveu em português com sotaque o embaixador Vinogradoff, ex-consul da França em Miami.

O resgate dos corpos é uma operação delicada, de êxito incerto. A tentativa será realizada por nove técnicos da empresa americana Phoenix International que, a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’, operam o veículo autônomo submersível Remora 6000. “Nós temos experiência de sucesso em 57 resgates de corpos de vítimas no mar, não vou entrar em detalhes sobre o nosso método em respeito às famílias, mas é possível sim”, disse ao Blog de Paris, Steven Saint Amour, diretor da Phoenix.

Três equipes da Phoenix, cada uma com dois operadores e um supervisor, se revezam em turnos de oito horas. O funcionamento remoto do Remora 6000 requer dois operadores: um deles é responsável pelo deslocamento e estabilidade do robô submarino enquanto o outro, cuida dos movimentos dos braços mecânicos. Os comandos se fazem através de joysticks como os de vídeo game e em frente a telas de TV. As imagens  são captadas pela câmera de alta definição do Rêmora 6000.

“O resgate dos corpos provoca uma carga emocional pesada em nossos operadores”, conta Saint Amour. O conjunto adiposo do corpo humano submerso na água durante longo período provoca saponização na derme. A reação química  dificulta a aderência.  Seguido ao resgate dos restos mortais das vítimas do acidente aéreo de Sharm el-Sheikh, no extremo sul da península do Sinai, junto do Mar Vermelho, alguns participantes da operação precisaram  de apoio psicológico durante seis meses.

O Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, diz que o mosaico montado a partir de 13 000 fotografias submarinas mostraram uma cena de horror, “dezenas e dezenas de corpos” junto aos destroços do Airbus A330-203. A consevação se deu devido baixa temperatura no fundo do mar – entre um e zero graus Celcius.

“Neste nível de temperatura, a decomposição é mais lenta”, disse ao Blog de Paris, Jean-Sebastian Raul, professor-legista do Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo. “As bactérias anaeróbias do intestino, não precisam de oxigênio e provocam putrefação, ficam inativas, mas basta haver aumento na temperatura que o processo se coloca em marcha.” O lança-cabos ‘Ile de Sein’ foi equipado com camaras frigoríficas cuja temperatura é de doze graus negativos.

Há também risco de desmembramentos dos corpos durante o içamento. Isso porque haverá diminuição na forte pressão da água – 390 atmosferas – que contribuiu para manter a estrutura corporal. Será a primeira vez em que se irá tentar resgatar restos mortais em quase quatro quilômetros de profundidade. Caso corpos de vítimas da tragédia do voo AF 447 forem recuperados, eles serão levados primeiro para  Caiena onde embacarão em avião para França.

O legistas do Institudo Médico Legal de Paris farão o exames de DNA e análises para o processo penal sobre o acidente do AF 447. Em seguida, os corpos serão devolvidos aos familiares. Nelson Marinho, presidente da associação dos parentes das vítimas brasileiras e que perdeu o filho de 40 anos no acidente, reivindica que os exames sejam feitos em Recife como quando foram resgatados os primeiros 50 corpos entre os 288 que morreram na tragédia.

Leia o post do Blog de Paris: “Air France 447, thank you.’ Foi a última frase que o mundo ouviu vinda do Airbus A330. Depois de quase dois anos de silêncio, as caixas-pretas podem contar o que aconteceu.”

Por Antonio Ribeiro

03/05/2011

às 7:55 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

‘Air France 447, thank you.’ Foi a última frase que o mundo ouviu vinda do Airbus A330. Depois de quase dois anos de silêncio, as caixas-pretas podem contar o que aconteceu.

Laboratorios do BEA e a segunda caixa-preta recuperada

“Air France 447, thank you”, agradeceu Marc Dubois, o comandante de bordo, sentado na poltrona do co-piloto do A330. Na hora de Brasília, os relógios marcavam 23h35 e 46 segundos da noite do 31 de maio de 2009. Foi a última vez que o mundo ouviu uma voz vinda da aeronave, no caso, os controladores de voo em Recife. Pouco mais de uma hora depois, o Airbus chocou-se inteiro contra a superfície do Oceano Atlântico matando todas as 228 pessoas a bordo, entre elas, 59 brasileiros.

Depois de quase dois anos, o mundo está perto da confirmação das causas do acidente. Oficialmente, elas ainda  não foram declaradas embora se saiba que os sensores Pitot – medem a velocidade do avião – enviaram informações incoerentes ao sofisticado e quase autônomo sistema de computadores do A330 que delega, no máximo, 70% do comando ao piloto. Isso porque os investigadores do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, já estão de posse, das duas caixas-pretas. Ambas estão, visualmente, em bom estado.

O veículo autônomo submersível Remora 6000, da americana Phoenix International, localizou ontem às 18h50 o Cockpit Voice Recorder (CVR, na sigla em inglês) e oito horas depois, içou o aparelho da planície abissal a 3 900 metros de profundidade no Atlântico para bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’. O CVR grava os sons na cabine e as conversas entre os pilotos com outras aeronaves ou controladores de terra – trinta minutos de áudio em alta qualidade anteriores ao momento do acidente e duas horas em modo normal.

Entretanto, ‘La Capricieuse’, navio-patrulha costeiro classe P400 da Marinha da França, navega em direção a zona do acidente – está prevista uma escala em porto brasileiro para abastecimento. O navio de guerra irá escoltar as caixas-pretas até o Caiena, na Guiana Francesa, onde os aparelhos, lacrados por oficiais da Policia Judiciária (OPJ) francesa e sob custodia de agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) serão embarcados em avião com destino ao aeroporto Le Bourget, norte de Paris, onde fica a sede do BEA, um dos cinco lugares no mundo com dispositivos para ler caixas-pretas e onde trabalham 110 funcionários.  Estima-se que as caixas-pretas cheguem na França entre os dia 8 a 10 de maio.

CVR: lacrado em "aquário"

O despacho número 842/MD do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, que o Blog de Paris teve acesso, prevê que o Coronel Aviador Luiz Cláudio Lupoli, “representante credenciado” do Brasil junto às investigações do órgão estatal francês, acompanhe apenas a operação de resgate “com ônus total para o Comando da Aeronáutica”. Quer dizer, até o embarque das caixas-pretas em Caiena. Será nos laboratórios do BEA, em Paris, e somente em presença dos investigadores franceses e de um oficial da OPJ, o momento determinante da investigação: verificar se as caixas-pretas estão em condições de “falar”.

Se  tudo estiver bem, as informações poderão ser extraídas em menos de 20 minutos por um leitor portátil, mas se os registros estiverem ruins, a leitura pode-se levar de 2 a 3 dias. Será então possível conhecer além da comunicação dos pilotos, 1 300 parâmetros do Airbus durante as 25 horas antes da tragédia, altitude, velocidade, trajetória, funcionamento do piloto automático e turbinas, posição dos instrumentos de navegação e até detalhes como a hora exata em que um passageiro abriu a porta de banheiro a bordo. “Em poucas horas saberemos, grosso modo, o que aconteceu, a análise mais fina levará meses”, disse fonte próxima a investigação.

A manipulação das caixas-pretas para decodificar dados e áudios será registrada por uma câmera de vídeo. O técnico do BEA terá que narrar em tempo real o que está fazendo. Se os conteúdos armazenados nos microchips – como  os cartões de memória flash das cameras fotográficas digitais – estiverem corrompidos, ainda haverá esperança. As caixas-pretas serão enviadas para o fabricante americano Honeywell, nos Estados Unidos. Neste caso, a tentativa de restauração dos dados pode levar meses.

Em 23 meses de buscas, já foram gastos 35 milhões de euros. A recuperação das caixas-pretas pode ser boa notícia para Air France porque é uma maneira de provar que houve eventualmente erro dos pilotos, minimizando a resposabilidade da companhia. Para Airbus, a descoberta é menos interessante, uma vez que, pode-se confirmar falhas no funcionamento do equipamento.  Ainda não há uma posição oficial sobre o eventual e delicado resgate dos corpos das vítimas da tragédia, a decisão é exclusiva da justiça francesa. Os parentes aguardam, uma vez mais, ansiosos.

Leia o post do Blog de Paris: “A origem da caixa-preta

Por Antonio Ribeiro

02/05/2011

às 19:02 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

França envia navio-patrulha para escoltar a caixa-preta

La Capricieuse’, navio-patrulha costeiro classe P400 da Marinha da França, deixou o porto de Caiena, em direção a zona do acidente do voo 447 da Air Fance no qual  morreram as 228 pessoas a bordo do Airbus A330. O navio de guerra francês tem por missão buscar no navio lança-cabos ‘Ile de Sein’ e levar de volta a Caiena, a caixa-preta com os registros de 1 300 parâmetros do Airbus A330, acidentado na madrugada do 1 Junho de 2009. ‘La Capriosa’ realizará o percurso de ida em 5 ou 6 dias. Se até lá, a segunda caixa-preta com os registros de áudio da cabine de pilotagem do avião tiver sido encontrada e resgatada, será também transportada para Guiana Francesa onde embarcará em avião para Paris.

O Crash Survivable Memory, a unidade de memória encontrada ontem pelo veículo autônomo submersível Remora 6000 a 3 900 metros de profundidade no Oceano Atlântico está sendo conservado em um “aquario” de água salgada para evitar mudança brusca em relação ao ambiento que foi encontrado. O Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, afirma que a caixa-preta será lacrada por agentes da Polícia Judiciária francesa (OPJ). Em seguida, serão colocadas sob custódia dos agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) até ao aeroporto Le Bourget, norte de Paris, onde fica a sede do BEA.

Será nos laboratórios do BEA, e somente em presença dos investigadores franceses, de um oficial da OPJ e registrado por uma câmera de vídeo, o momento determinante da investigação: verificar se a caixas-pretas estão em condições de “falar”. Se  tudo estiver bem, as informações poderão ser extraídas em menos de 20 minutos por um leitor. Mas se os registros estiverem danificados ainda haverá esperança. Elas serão enviadas para o fabricante americano Honeywell. A tentativa de restauração dos dados pode levar meses. Os dados do Flight Data Recorder (FDR, na sigla em inglês) encontrada ontem são considerados os mais importantes nas investigações sobre o acidente.

Leia o post do Blog de Paris: “Encontrada e resgatada uma das caixas-pretas do AF 447

Por Antonio Ribeiro

01/05/2011

às 14:42 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Encontrada e resgatada uma das caixas-pretas do AF 447

Foi encontrado o módulo cilíndrico onde ficam armazenados os dados de 1 300 parâmetros técnicos do avião Airbus A330 durante as 25 horas anteriores ao acidente do voo 447 da Air France. Trata-se do Flight Data Recorder (FDR, na sigla em inglês). O Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, informou que a peça já está a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’. Se os dados puderem ser explorados é um passo importante para se chegar às causas do acidente. O diretor do BEA, Jean-Paul Troadec , disse que a caixa-preta está “aparentemente em bom estado físico.”

A descoberta aconteceu hoje as 7h00 (horário de Brasília). O içamento de 3 900 metros, da planicie abissal no leito do Oceano Atlântico  até a superfície, realizado pelo veículo autônomo submersível Remora 6000, ocorreu às 13h40 horas. O Crash Survivable Memory, a unidade de memória, passa atualmente por um processo de dessalinização em banho de água doce.

Está previsto que, uma vez encontradas, as caixas-pretas serão lacradas por agentes da Polícia Judiciária francesa (OPJ), parte da comissão rogatória embarcada no ‘Ile de Sein’ sob as ordens dos juízes de instrução, os magistrados  Sylvie Zimmerman e Yann Daurelle, do Tribunal de Grande Instância de Paris, responsáveis pelo processo penal sobre o acidente, no qual a Air France e a Airbus foram indiciadas por homicídio culposo – quando não há intenção de matar.

Em seguida, as caixas-pretas serão colocadas sob custódia dos agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) francês e embarcadas em  navio-patrulha costeiro da Marinha da França. Os navios militares terão como  missão transportá-las até Caiena, na Guiana Francesa. Na capital do território ultra-marino francês, as caixas-pretas serão levadas  por avião ao aeroporto Le Bourget, norte de Paris, onde fica a sede do BEA.

Será nos laboratórios do BEA, e somente em presença dos investigadores franceses, de um oficial da OPJ e registrado por uma câmera de vídeo, o momento determinante da investigação: verificar se as caixas-pretas estão em condições de “falar”. Se  tudo estiver bem, as informações poderão ser extraídas em menos de 20 minutos por um leitor. A previsão é que a caixa-preta esteja em Paris entre os dias 8 a 10 de maio.

Se os conteúdos das caixas-pretas estiverem danificados ainda haverá esperança. Elas serão enviadas para o fabricante americano Honeywell. A tentativa de restauração dos dados pode levar meses. Os dados da caixa-preta encontrada hoje são considerados os mais importantes nas investigações sobre o acidente.

Leia o post do Blog de Paris: “Localizado o chassis de uma caixa-preta

Por Antonio Ribeiro

27/04/2011

às 13:32 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Localizado o chassis de uma caixa-preta

Foi localizada a estrutura do gravador digital que registra 1 300 parâmetros técnicos do avião Airbus A300 antes do acidente, do voo 447 da Air France, o Flight Data Recorder (FDR, na sigla em inglês).  Porém, o módulo cilíndrico onde ficam armazenados os dados em uma placa de memória não estava acoplado ao chassis – ele é preso por quatro parafusos. Veja as fotografias. A descoberta equivale a encontrar um gravador, mas sem a fita K-7 ou se os jovens leitores preferirem, um gravador de CD sem o CD. Portanto, sem a utilidade principal, os dados que podem  lançar boa luz sobre as causas do acidente ainda não declaradas oficialmente.

Um comunicado do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente do voo AF 447 informa que o primeiro mergulho do veículo autônomo submersível Remora 6000 durou cerca de 12 horas. Ele é pilotado por dois operadores da americana Phoenix International. Um deles é responsável pela movimentação do Remora 6000 enquanto o outro, se ocupa dos braços articulados. Os dois técnicos – são três equipes que se alternam durante 24 horas – operam através de joysticks, manetes do tipo para vídeo games, e são orientados pelas imagens captadas pela câmera de vídeo de alta definição do veículo autônomo submersível. Um cabo de fibra ótica de 7 mil metros que fornece energia e transmite os comandos liga o navio ‘Ile de Sein’ ao robô submarino.

As buscas continuam a 3 900 metros de profundidade no Oceano Atlântico. A zona onde estão os destroços do avião Airbus A300 mede 200 metros por 600 metros, o equivalente de 5 a 6 campos de futebol e situada a  1 100 quilômetros de Recife. O custo da operão que pode durar até a primeira semana de junho foi estimado pelo Ministério dos Transportes da França em 6 milhões de euros, inteiramente pagos pelo contribuínte francês.

Mais informações a seguir aqui no Blog de Paris.

Por Antonio Ribeiro

26/04/2011

às 9:11 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Começa a operação de resgate

O navio francês lança-cabos ‘Ile de Sein‘ chegou a zona do acidente do voo  447  da Air France (Rio-Paris) que matou as 228 pessoas a bordo – 1 100 quilômetros nordeste de Recife, no Oceano Atlântico. O veículo autônomo submersível Remora 6000, operado por uma equipe de nove técnicos  americanos da Phoenix International, realiza neste momento a primeira prospecção a 3 900 metros de profundidade em uma planície abissal no leito do oceano. A primeira etapa da operação é localizar as caixas-pretas  na parte traseira do avião Airbus A 330-203 – e também os calculadores do voo, na parte inferior da cabine de pilotagem. O resgate é comandado pelo Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente.

Leia o post do Blog de Paris: “As caixas-pretas poderão ser localizadas em menos de 24 horas

Por Antonio Ribeiro

24/04/2011

às 6:54 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

“Não dá para traduzir?”

"Não há nenhum pecado se pecar em silêncio" – (Tartufo, IV, 5)

Em recente reunião em Brasília, Nelson Faria Marinho, presidente da associação das vítimas brasileiras da tragédia com voo 447 da Air France, entregou um documento importante sobre o acidente ao coronel aviador da FAB Luís Cláudio Lupoli. O oficial da Aeronáutica foi designado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) como o “representante credenciado” junto ao Escritório de Investigações e  de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente com o avião Airbus A330-203 no qual morreram  as 228 pessoas a bordo.

Detalhe edificante: o documento desconhecido pelo “representante credenciado” era inteiramente escrito no idioma de Molière, autor da comédia Tartufo. Ou seja, em francês. O coronel Lupoli, visivelmente incomodado, perguntou a Marinho: “Não dá para traduzir?” A Aeronáutica informou que o coronel “tem acompanhado diuturnamente os trabalhos realizados pelo BEA”, uma investigação comandada 100% por… franceses. O inglês de Alain Bouillard, investigador-chefe do BEA, exige bastante atenção para se captar o sentido do que ele tenta expressar na língua que lembra a de Sheakeaspeare.

Se os diálogos e a linguagem corporal entre o representante credenciado brasileiro e o inspetor-chefe francês não entrarem para história dos grandes esforços de entendimento entre o Brasil e França, a contribuição às artes cênicas está garantida.

***

A turma de francês intermediário do Senac de Recife (novembro de 2010) desenvolveu método de aquisição de francês baseado no filme Tropa de Elite. Pode ser boa iniciação. Assista o vídeo abaixo:

Leia o post do Blog de Paris: “Nas investigações, Brasil é apenas observador. Nada mais.

Por Antonio Ribeiro

22/04/2011

às 19:51 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Caixas-pretas poderão ser localizadas em menos de 24 horas

O navio lança-cabosIle de Sein’ deixou o porto de Dakar, no Senegal, hoje às 15h20, horário de Brasília. A embarcação do grupo francês Alcatel-Lucent, pilotada por funcionários da Louis Dreyfus Armateurs, irá resgatar os destroços do Airbus A330-203. Se as condições permitirem, também restos mortais de vítimas da tragédia com o voo 447 da Air France (Rio Paris) – missão de exito incerto. A chegada do lança-cabos à região do acidente,  1 100 quilômetros a nordeste de Recife, está prevista para o 26 de abril.

A etapa inicial será a tentativa de localizar as duas caixas-pretas na parte superior traseira do Airbus à 3 900 metros de profundidade em uma planície abissal do Oceano Atlântico. A equipe da americana Phoenix International, responsável pelo veículo autônomo submersível Remora 600, estima poder realizar a missão em menos de 24 horas. Isso porque a parte da aeronave onde  se situam as caixas-pretas está inteira e, sobretudo, devido a um mosaico montado a partir de 13 000 fotografias submarinas dos destroços – quando elas foram feitas, o autor, um robô-submarino  amarelo com a forma e tamanho de um torpedo, memorizou as posições  exatas dos ângulos de tomada. O conjunto de imagens digitais  compõe uma espécie de “vista aérea” de um retângulo no fundo do mar cujos lados medem 200 por 600 metros, equivalente ao tamanho de 5 a 6 campos de futebol.

Se as caixas-pretas forem recuperadas, elas serão imediatamente colocadas sob custódia dos agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) francês, parte da comissão rogatória embarcada sob as ordens dos juízes de instrução, os magistrados  Sylvie Zimmerman e Yann Daurelle, do Tribunal de Grande Instância de Paris, responsáveis pelo processo penal sobre o acidente, no qual a Air France e a Airbus foram indiciadas por homicídio culposo. Em seguida, as caixas-pretas serão embarcadas em uma fragata ou um barco patrulha da Marinha da França com a missão do transportá-las até Caiena, na Guiana France. Uma vez na capital do território ultra-marino francês, as caixas pretas serão levadas  por avião militar ao aeroporto Le Bourget, norte de Paris. Aliás, onde fica a sede do BEA.

Caixa-preta e leitor de dadosSerá nos laboratórios do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, e somente em presença dos investigadores franceses, de um oficial da Polícia Judiciária (OPJ) e registrado por uma câmera de vídeo, o momento determinante da investigação: verificar se as caixas-pretas estão em condições de “falar”. Se  tudo estiver bem, as informações poderão ser extraídas em menos de 20 minutos por um leitor (veja a ilustração).

Os gravadores de bordo são capazes de registrar 1 300 parâmetros do voo (SSFDR), de 30 minutos de áudio em alta qualidade anteriores ao momento do acidente e duas horas em modo normal (SSCVR). São informações capitais para chegar as causas do maior acidente aéreo da Air France e do qual, depende em muito a segurança do transporte aéreo mundial. Diariamente, 13 milhões de passageiros cruzam os ares do planeta, a metrópole voadora só perde em população para Mumbai e Xangai.

Mas se as caixas-pretas estiverem danificas pelo impacto do Airbus contra a superfície da água – 200 toneladas com a velocidade próxima de 3 quilômetros por minuto – e/ou efeito dos quase dois anos sob pressão de 390 atmosferas de água corrosiva ainda haverá esperança. Elas serão enviadas para o fabricante americano Honeywell. A tentativa de restauração dos dados pode levar meses. Contudo, as caixas-pretas do Airbus A330 – são de cor vermelha fosforecênte – modelos 4700 e 6022, foram construídas para resistir a choques de 3 400 G e a pressão submarina de 6 000 metros de profundidade. Tudo indica que o A 330-203 da Air France passou por circunstâncias dentro dos limites de resistência das caixas-pretas.

O custo da quinta etapa das buscas foi recentemente estimado pelo ministro dos Transportes da Franca, Thierry Mariani, em 6 milhões de euros – 28 milhões de euros já foram gastos até agora. O navio lança-cabos Ile de Sein poderá ficar na região até o dia 8 de junho de 2011.

***

O vídeo abaixo da TV a cabo francesa BFM mostra imagens de uma simulação de resgate do trem de pouso do A330. Cada içamento levará, no mínimo, duas horas do leito do Atlântico até a superfície.

Leia o post do Blog de Paris: “Na investigação, o Brasil é apenas observador. Nada mais

Por Antonio Ribeiro

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados