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O bizarro silêncio da Air France

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 | 9:03
O contrôle, a zona de turbulência, o Airbus e a rota

O contrôle, a zona de turbulência, o Airbus e a rota

É batata. Sempre que vai aparecer uma notícia ruim, o serviço de comunicação da Air France tenta tapar o sol com a peneira. Ontem, a política bizarra de informar às avessas foi igual. De manhã, a companhia distribuiu nota aos jornalistas informando que a Air France ganhou prêmio de “desenvolvimento sustentável”. À noite, emergiu a informação de que no dia 29 de novembro, no trajeto Rio-Paris,  o Aibus 330-200 do vôo AF 445 (antigo AF 447) passou por graves dificuldades exatamente na zona da tragédia aérea que matou 228 pessoas no início de junho de 2009. Detalhe edificante: a Air France não comunicou o incidente no prazo regulamentar às autoridades da aviação civil. Quando foi solicitado os dados das caixas-pretas, a companhia informou que eles tinham sido apagados pelos registros do voo seguinte da aeronave em questão.

Segundo o relatório do comandante de bordo (Air Safety Report), o Airbus A330-200 (mesmo modelo ao do acidente do AF 447), decolou do Rio de Janeiro às 17h20, entrou em uma zona de forte turbulência 60 milhas (96,5 quilômetros) antes do Ponto Dekon. O avião voava no nível 380 (11.500 metros de altitude) na rota UN886. As condições meteorológicas, ainda segundo o piloto, impediram a aeronave de seguir a rota. Ele foi obrigou fazer uma manobra de descida até o nível 360. Ou seja, baixou 2.000 pés (620 metros). A tripulação não conseguiu prevenir o Contrôle Atlântico (Recife). A tripulação lançou um aviso “Mayday”. Trata-se de procedimento obrigatório quando  a urgência da situação obriga alterar o nível de altitude. Serve para evitar colisão com outras aeronaves que cruzam o mesmo espaço aéreo.

Depois do pouso no aeroporto parisiense Charles de Gaulle, o comandante de bordo Hugues Faure redigiu o relatório. Ele foi entregue ao seu superior como determina o regulamento. No entanto a Air France não transmitiu o relatório no prazo estabelecido pela legislação - 72 horas - a Direção Geral da Aviação Civil (DGAC). O Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA, responsável pela busca das causas da tragédia do voo AF 447, foi informado do incidente não pela Air France, mas pelo piloto do voo JJ8055, da TAM, que estava próximo a zona no momento. Seguido ao pouso em Paris, o avião foi submetido a uma “limpeza reforçada” devido aos vômitos de passageiros - um deles, ocupante do assento 4T, conta que teve a impressão que a aeronave estava fora de controle durante a descida forçada.

No inicio de dezembro, o BEA abriu uma investigação para apurar as causas. Solicitou a Air France os dados das caixas-pretas - registros dos parâmetros de voo (DFDR) e o áudios com vozes dos pilotos e seus eventuais interlocutores (CVR). A companhia informou que o A330-200 havia decolado para Bangalore na Índia depois der realizado o voo AF 445. Os dados antigos tinham sido apagados pelos registros do novo voo. Em efeito, as caixas-pretas registram os dados das ultimas 25 horas de voo, mas se acontece um novo voo, os dados mais recentes são gravados em cima dos antigos. As companhias aéreas utilizam um sistema de registros suplementar, o QAR. Ele serve, sobretudo, para orientar à manutenção no solo. Segundo o porta-voz do BEA, a Air France informou que os dados suplementares não tinham sido registrados devido a um erro de formatação.

Por Antonio Ribeiro

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A “caixa-preta do BEA” pendura as chuteiras

terça-feira, 13 de outubro de 2009 | 11:46
Sombras e... água fresca

Sombras e... água fresca

Paul-Louis Arslanian diretor do Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA, responsável pela busca das causas da tragédia do voo AF 447, onde morreram 288 peessoas, foi discretamente aposentado.

A versão oficial quer fazer crer que o diretor de 65 anos chegou à idade da aposentaria. Conversa fiada. Arslanian foi afastado por Dominique Bussereau, secretário de Estado dos Transportes da França, seguido a investigação paralela de dois pilotos sobre o acidente. Eles demonstraram claramente que era incorreta a tese do BEA de que o congelamento dos Tubos Pitot foi apenas um entre os vários fatores que causaram a tragédia.

Caberá agora ao engenheiro Jean-Paul Troadec, de 60 anos, que assume o BEA, fornecer a versão oficial das causas do acidente. Ninguém, na imprensa brasileira, evidenciou tanto e de forma tão explicita os despautérios de Arslanian, a « caixa-preta » do BEA, do que o blog De Paris. Os leitores e imprensa francesa notaram. Vamos em frente.

Por Antonio Ribeiro

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“Sem o defeito nas sondas, o acidente não teria acontecido”

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 19:04

Tubo Pitot

Tubo Pitot

Celebra-se este mês o nascimento do Concorde. O único avião de passageiros ao lado da sua cópia soviética, o Tupolev Tu-144 ou “Concordski”, capaz de romper a velocidade do som. No entanto, esta semana a lembrança é sombria. Tem início o julgamento penal dos acusados pela tragédia que matou todos os 100 ocupantes do supersônico franco-britânico e contribuiu para aposentar as 20 aeronaves do tipo.

A glória custosa de 920.000 horas de voo do Concorde - o “pássaro branco” fazia o trajeto Paris-Rio em apenas 5h45, mas consumia 22 toneladas de querosene por hora - terminou semeando destroços em um campo de trigo, no subúrbio de Paris, dia 25 de julho de 2001. Foi o único acidente da sua história. O destino determinou que o avião encerrasse sua carreira com as cores da Air France estampadas na elegante fuselagem.

Dois pilotos experientes e consultores em uma dezena de acidentes de avião não acreditam que as tragédias aéreas acontecem por obra do acaso como, muitas vezes, tenta fazer crer o Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA. Mais do que isso. Eles acham que nem sempre as versões do BEA correspondem a realidade. Em muitos casos, não é necessário encontrar as caixas-pretas para se chegar a origem da catástrofe como sustenta o BEA. O maior acidente da história da Air France, o voo AF 447 (Rio-Paris), no qual morreram 228 pessoas, encaixa-se como uma luva nas três categorias, segundo a dupla pilotos. Eles oferecem a prova.

Gérard Arnoux, comandante de bordo de Airbus 320 e presidente do Sindicato de Pilotos da Air France (Spaf), de 58 anos e Henri Marnet-Cornus, ex-piloto de caça e de aviões de passageiros, de 60 anos, apoiaram-se em 47 documentos oficiais para escrever um relatório sobre as causas do acidente com o vôo AF 447. A análise joga por terra a tese do BEA de que os Tubos Pitot AA, não estão na origem do acidente. Os Pitot, fabricados pela francesa Thales, são sensores externos que enviam informações sobre as pressões para o sofisticadíssimo e quase autônomo sistema de bordo do A330 calcular a velocidade da aeronave.

Para o BEA, as leituras “incoerentes” dos sensores não foram determinantes, mas apenas um fator entre vários outros. Na análise dos pilotos fica claro que o defeito desencadeou uma sequência de panes que levou o avião à uma situação em que  a tripulação não estava devidamente treinada para enfrentar. Arnoux  martela: “Sem o defeito nas sondas, o acidente não teria acontecido.”

Os pilotos acusam a Air France e Airbus de “negligências” graves. Os problemas com as sondas foram diagnosticados em 2002.  Desde então, foram registrados vários incidentes nos quais os sensores deram o pontapé inicial sem que o fabricante e a companhia aérea tomassem as devidas providências. A Air France forneceu aos pilotos do vôo AF 447 uma previsão meteorológica produzida 24 horas antes do acidente. Na madrugada dia 1 de junho,  quando ocorreu a tragédia, havia uma rota mais segura que a  que foi feita pelo A330. Na carta meteorológica de horas antes da decolagem, podia se ver bem a  melhor opção. Os pilotos não sabiam. Embarcaram com informação desatualizada.

Os pilotos realçam também a parte de responsabilidade na tragédia das autoridades tutelares da aviação - o BEA, Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) e Agência Européia de Segurança Aérea (AESA). Sabia-se, por exemplo, que a certificação das sondas datavam dos tempos em que os aviões não voavam a altitudes tão altas, portanto os exames não levavam em conta o efeito dos cristais de gelo nas sondas.

Por Antonio Ribeiro

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Sindicato de pilotos acusa o BEA de camuflar as causas do acidente

quarta-feira, 2 de setembro de 2009 | 8:21

af447bea

Gerard Anoux, presidente do SNPL, sindicato majoritário dos pilotos da Air France, acusou o BEA de esconder as causas do acidente com o voo AF 447. “Eles estão tentando colocar a culpa nos pilotos, não querem mostrar a verdade”. Piloto de A320, o comandante de bordo Arnoux foi categórico: “O que está em questão é a arquitetura do A330, não teria havido acidente se os tubos de Pitot tivessem funcionado direito.”

Em julho, na falta de recomendação do BEA, a Agencia Européia de Segurança de Voo, EASA na sigla em inglês, ordenou que os tubos de Pitot, fabricados pela francesa Thales, fossem substituídos por sondas da americana Goodrich, utilizados por 70% da frota mundial de aviões de linha.

Christophe Guillot-Noël, presidente  da associação das vítimas francesas, que perdeu seu irmão na tragédia do AF 447 diz que a Air France está “ofuscando” as informações. “Escrevevemos uma carta com questões ao presidente da companhia Pierre-Henri Gourgeon, as repostas foram vagas e insuficientes, no entanto, ele não hesitou em cogitar o erro de pilotagem como a causa do acidente. Me parece pouco satisfatória a tese do erro humano considerando que o sistema ADIRU entrou em pane, os tubos Pitot falharam e o piloto automático parou de funcionar .”

O escritório de advocacia que defende 30 famílias das vitimas do AF 447 afirma que a Air France terá que enfrentar nos tribunais o pedido de que sejam pagas indenizações de 450 milhões de dólares - o que coloca em risco o bom funcionamento da maior companhia francesa. “A Air France e a Airbus eram capazes de prever o acidente.”

A Convenção de Montreal estabelece que a companhia aérea é obrigada a pagar 90.000 euros por vítima fatal sendo que, 17.000 euros devem ser repassados imediatamente. No entanto, dependendo dos casos, a indenização pode variar entre 3 a 5 milhões de dólares. As famílias das vítimas do acidente do Concorde, em julho de 2000,  por exemplo, entraram com ação em um tribunal de Nova York , Depois de um acordo amigável. A Air France  indenizou cada vítima em um milhão de dólares.

Por Antonio Ribeiro

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“Daqui um ano, ano e meio.” Ou mais para frente.

terça-feira, 1 de setembro de 2009 | 19:09

maraf447

Lá vamos nós outra vez.

Familiares das vítimas brasileiras do acidente com voo AF 447 (Rio-Paris) que matou 228 pessoas na madrugada do 1 de junho de 2009, fizeram um pedido formal ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Eles querem que as autoridades brasileiras tenham atuação mais severa junto as investigações francesas sobre as causas da tragédia.

Se o governo Lula agir com um pouquinho mais de empenho do que no caso do mineiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela Scoland Yard no metrô londrino, será mais do que nada. Na época, Amorim pavoneou na capital britânica, fez declarações evocando grandes princípios e depois, teve mais o que fazer. Os ingleses tomaram conta do assunto e os pais de Jean Charles,  em Córrego dos Ratos, zona rural de Gonzaga, tratam da ausência eterna do filho.

Ontem, Paul-Louis Arslanian, diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA), confirmou que sua equipe ainda “não entendeu quais foram as causas do acidente”. O relatório final das investigações está previsto, a princípio, ainda segundo o diretor, para “daqui um ano, ano e meio”. Não há nenhuma garantia de que ele seja conclusivo

Uma terceira fase de buscas às caixas-pretas, perdidas nas profundezas do oceano Atlântico,  terá inicio no outono do hemisfério norte. “Quando no outono, eu não sei” , pecisa Arslainian. O termino tem prazo dado para dezembro. França, Brasil, Estados Unidos e Alemanha irão participar das operações. Arslainian com exatidão sob medida para jornalistas que ele aprecia, estimou o custo em “mais de 10 milhões de euros ou talvez, dezenas de milhões de euros.” A Airbus, fabricante do A330-200 acidentado dispõe ajudar com até 12 milhões de euros para as buscas das caixas-pretas cujos emissores de sinais sonoros emudeceram.

Três meses depois do maior acidente da sua historia, a Air France decidiu que era boa hora para seus pilotos  fazerem treinamento especial em simuladores de vôo que reproduzem circunstâncias semelhantes as da tragédia com o AF 447. Eles incluem situação na qual os tubos Pitot fornecem informações incoerentes ao sistema de navegação. O BEA considera o mal funcionamento dos tubos, que medem a velocidade do avião,  “um elemento, mas não a causa” do acidente.

O governo francês propôs levar os familiares das vitimas - 32 nacionalidades - à zona do acidente para realizar em outubro ou novembro uma cerimônia comemorativa. A associação dos familiares das vitimas francesas pediu ao BEA que especialistas ecolhidos por ela possam acompanhar a terceira fase das buscas. Perguntado qual era primeira preocupação dos familiares, Pierre-Jean Vandoores, representante especial do governo francês para o caso, respondeu: “Conhecer a verdade.”

Por Antonio Ribeiro

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Destroços do Airbus 330-200 chegam a França

quarta-feira, 15 de julho de 2009 | 10:32

O navio Ville de Bordeaux aportou ontem a Pauilliac, no estuário do rio Gironde, sul da França. Desta vez, transportando não sua carga habitual, as peças do Airbus A380, o maior avião do mundo, vinda de 16 pontos diferentes da Europa. O navio chegou do Recife com os 640 destroços do Airbus 330-200 do voo AF 447 cujo acidente matou 228 pessoas.

Os destroços serão levados em seguida por caminhões para o Centro de Testes Aeronáuticos, CEAT na sigla em francês, em Balma, subúrbio de Toulouse. A chegada do comboio está prevista para o dia 18 de julho. Os destroços serão examinados por peritos do Escritório de Investigações e Análises da Avião Civil francesa (BEA) e pela policia judiciária.

De passagem por Paris, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse a Veja.com, que o resultados das autópsias dos corpos das vítimas, reclamado pelo BEA, não foram enviadas porque ainda não foram concluídas. “Quando os legistas terminarem seu trabalho, ele será enviado sem problemas.”

A revista L’Express, o mais importante semanário de informação geral da França, fez uma reportagem com o título: “Especialistas questionam a independência do BEA.” A matéria jornalística menciona o BLOG DE PARIS:

“Durante a terceira entrevista coletiva à imprensa do BEA, o tom subiu entre seu presidente e o jornalista brasileiro Antonio Ribeiro, correspondente da revista VEJA, que conta com 900.000 assinantes.

O jornalista fez notar a Paul Arslanian que ele estava esquivando-se das questões e o apelidou de “caixa-preta do BEA” no seu blog. A razão do silêncio de Arslanian? Interesses coorporativos, segundo Antonio Ribeiro.

‘Está em jogo a sobrevivência da Air France depois do maior acidente da sua história. O sucesso da Airbus depende em muito dos resultados das investigações do BEA, inteiramente financiada pelo contribuinte francês’, escreveu o jornalista brasileiro em seu blog.”

A reportagem cita também o deputado socialista francês Odile Sauges, que presidiu uma missão parlamentar de segurança aérea. O parlamentar lembra que o BEA não tem a independência desejada se comparado com seus equivalentes fora da França, sobretudo, com o NTBS americano.

Sauges afirma: “Há momentos onde eles [os peritos do BEA] não podem dizer tudo, por razões de ordem diplomática, como no caso do acidente em Charm El-Cheik e há outros momentos onde, nós compreendemos, não se diz tudo porque há fortes prioridades industriais.”

A reportagem lembra que no acidente de Mont Saint-Odile (1992), contrário à policia judiciária, o BEA não responsabilizou o fabricante do avião nem a companhia aérea.

Debaixo do sub-título “Consanguinidade”, a reportagem do L’Express informa que Paul-Louis Arslanian, diretor do BEA, e Pierre-Henry Gourgeon, presidente da Air France, se conhecem de longa data. Eles foram colegas na escola Politécnica, formaram-se juntos na turma de 1965, assim como Noel Forgeard, antigo diretor da Airbus.

Gourgeon pelo envolvimento no acidente de Mont-Odile e Forgeard por utilizar informações privilegiadas no mercado financeiro foram investigados pela Justiça francesa.

Por Antonio Ribeiro

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Como se diz batata quente em senegalês?

sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 12:57


Os franceses chamam de bola de rúgbi. Os brasileiros, também jocosamente, de “batata quente”. Os senegaleses, certamente, tem expressão para descrever, de maneira coloquial, a transferência de responsabilidade ou de questão incomoda. (O blog DE PARIS promete assuntar qual é?). A Agência de Segurança Aérea na África e Madagascar, ASECNA na sigla em francês, acaba de fazer dupla com o BEA em uma acusação contra o Brasil.

“Como indica as conclusões do BEA, o voo AF 447 nunca foi transferido ao centro de Dakar”, dizem os africanos. A agência sediada no Senegal desde 1959 — ela cuida do controle aéreo de 16 paises africanos e da França, em zona de 16 milhões de quilômetros quadrados — afirma que era de responsabilidade do “centro de controle do Atlântico”, leia-se controle aéreo brasileiro, “a missão de informar ao centro de Dakar sobre a chegada de um avião no limite do seu espaço aéreo para que este assumisse a vigilância.”

O Brasil respondeu ontem de bate-pronto a insinuação do BEA em uma declaração do porta-voz da Aeronáutica, o tenente-coronel Henry Munhoz. Segundo ele, às 22h35 do dia 30 de maio, o controle aéreo brasileiro informou ao controle senegalês que o avião passaria por uma posição virtual chamada “ponto Tasil” e que entraria no espaço aéreo do Senegal às 23h20. Não só. Depois de matar a cobra, mostram o pau — vamos também descobrir a analogia senegalesa da expressão. A Aeronáutica divulgou o áudio da conversa entre os controladores.

Mas o diabo mora nos detalhes — o provérbio popular é bem francês. O tenente-coronel foi em frente afirmando que um há acordo entre o Brasil e o Senegal prevendo que se Dakar não avisar que o avião entrou em seu espaço aéreo, fica entendido que o avião entrou. No jargão jornalístico inglês, no news is good news. Dito em português: se não há notícia é boa notícia, tudo bem, brancas nuvens.

Para o ASECNA a informação da Aeronáutica não tem fundamento. “Não existe nenhuma disposição desta natureza prevista no acordo entre os centros de controle aéreos do Atlântico e Dakar”, diz o comunicado da agência africana. O quiproquó tem relevância porque levou-se 8 horas depois do desaparecimento do Airbus do vôo Air France 447 para que o primeiro navio fosse despachado para zona do acidente.

Por Antonio Ribeiro

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BEA: Airbus da Air France não explodiu no ar, caiu inteiro no mar

quinta-feira, 2 de julho de 2009 | 16:33


Depois de um mês da tragédia com o voo AF 447, o Escritório de Investigações e Análises da Aviação Civil francesa (BEA) divulgou o seu primeiro relatório. As causas estão longe de ser elucidadas enquanto as caixas-pretas com dados capitais para tentar-se desvendar o mistério do maior acidente em 75 anos da Air France, matando 228 pessoas, ainda estão perdidas no fundo do Oceano Atlântico.

A principal informação é a seguinte: o Airbus A330-200 não se desintegrou durante o voo, ele caiu inteiro na água. E caiu na posição como se estivesse “em linha de voo”, segundo Alain Bouillard, o responsável técnico da investigação que apresentou o relatório. Quer dizer, com as asas em paralelo a superfície do mar. A parte inferior da aeronave, “a barriga do avião” não o bico nem a cauda, tocou primeiro a camada de água cuja resistência pode ser comparada com cimento armado. A chegada do avião inteiro até o ponto de impacto dá margem para supor que os pilotos tentaram controlar a aeronave até o fim.

O choque foi violentíssimo porque o avião estava em velocidade vertical vertiginosa — perdeu 10.000 metros de altitude em apenas 4 minutos. Para chegar a estas conclusões, o BEA mediu a duração das 24 mensagens de
pane (ACARS) e a altitude do avião no momento em que elas foram emitidas de forma  automatica e autonoma ao centro de manutenção da Air France, na França. Entre os 640 destroços do avião recuperados pelas equipes de busca, notou-se deformações no sentido de baixo para cima. Nenhum colete salva-vidas inflado foi encontrado durante as buscas, o que indica que não houve tempo para preparação do impacto.

Para o BEA, as sondas Pitot defeituosas, os instrumentos externos que enviam informações sobre as pressões para o computador de bordo calcular a velocidade média do Airbus, tiveram forte implicação na seqüência de panes relatadas pelas mensagens. “Mas as leituras incoerentes das sondas são apenas um elemento, não são as causas do acidente” , afirmou Bouillard.

Perguntado por Veja.com se ele aconselharia um passageiro embarcar em um Airbus equipado com sondas Pitot de antiga geração (modelo AA), o diretor do BEA foi categórico: “Sim, sem nenhum problema.” Há alguma razão para o BEA recomendar a troca das sondas pelas companhias aéreas? Bouillard respondeu: “Não.”

Boullaird lamentou não ter recebido até agora nenhum dado sobre as autopsias realizadas pelos legistas brasileiros sem a presença do médico do BEA. “Em um quebra-cabeça como é o caso das investigações de acidentes aéreos, temos muito poucos elementos para a reconstituição.” Os métodos de buscas das caixas-pretas em uma zona com 74 quilômetros de raio (40 milhas nauticas) vão continuar até o dia 10 de julho. Caso
elas não forem encontradas, vão se intensificar o usos de minisubmarinos com sonares capazes de mapear o relevo marítimo.

Por Antonio Ribeiro

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BEA divulga relatório sobre acidente. Advogados de vítimas querem aviões da Airbus retidos no solo

quinta-feira, 2 de julho de 2009 | 7:06


O Escritório de Investigações e Análises (BEA), o órgão oficial francês encarregado de investigar o acidente com o A330-200 do voo 447 da Air France divulgara hoje (10h no horário de Brasília), um relatório preliminar sobre as causas da tragédia. Morreram 228 pessoas no acidente.

A previsão, entre especialistas da aviação civil, é que o BEA colocará em evidencia o papel importante da meteorologia desfavorável na madrugado do 1 de Junho, dia do acidente, mas foram o sensores externos de velocidade defeituosos, os Pitot, os responsáveis de provocar uma sequência de panes graves no computador do A333-200.

Stewarts Law,  escritório de advocacia londrino especialista em questões aeronáuticas - representa 20 famílias de britânicos vitimas do AF 447 - quer  que Agência Européia de Segurança Aérea, EASA na sigla em inglês, mantenha os aviões no solo caso os Tubos de Pitot sejam uma das causas do acidente.

“A EASA tem obrigação legal e moral de resolver o problema imediatamente. Se existe um sistema defeituoso que coloca a segurança em risco, a aeronave não deve voar” diz o  advogado James Healy-Pratt. Atualmente em torno de 900 aviões dos modelos Airbus 330 e 340 estão em operação.

No Brasil, o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo comentou sobre a investigação do acidente: “Talvez nunca tenhamos toda as respostas.” Pode ser boa notícia para os responsáveis do acidente.

Por Antonio Ribeiro

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Relatório da Air France critica seus pilotos

sexta-feira, 26 de junho de 2009 | 8:47


A quatro dias da publicação do primeiro relatório do Escritório de Investigações e Análises da Aviação Civil francesa (BEA), órgão oficial encarregado de investigar o acidente do voo  AF 447, trava-se uma guerra surda no interior Air France.

Os pilotos da companhia tornaram público documentos internos que revelam falhas de equipamento das aeronaves e suposta negligência da direção para corrigir os erros. Agora emergiu o conteúdo parcial de um relatório que questiona o comportamento profissional dos pilotos.

Em 2005, depois de um acidente em Toronto com um A340 da Air France sem vítimas fatais, Gilbert Rovetto, responsável pelas operações aéreas, encomendou um relatório. Segundo a direção da companhia a análise não teve caráter de auditoria, mas serviu para uma tomada de consciência.

O documento é conhecido como “Relatório Colin”. O nome vem do autor, Jean-Marc Colin, chefe da divisão 777 da Air France. Colin em tom alarmista não faz concessões. Ele denuncia a falta de rigor profissional dos pilotos da maior empresa de transportes aéreos da França.

Leia abaixo trechos do relatório:

“Uma certa confiança [dos pilotos] e um pouco de tendência de atribuir o seu sucesso devido a qualidades próprias e os erros em fatores externos.”

“Preocupações extra profissionais durante as preparações dos vôos.”

“Confiança excessiva no desempenho do equipamento”

“A empresa ainda está numa situação de negar a contribuição do fator humano nos acidentes”

“… qualquer que seja o tipo de acidente, são os fatores humanos as principais causas dos acidentes com aviões da Air France.”

“Formação fraca dos pilotos jovens”

“Nível heterogêneo [dos pilotos]”

“Falta de capacidade de manobra devido a as poucas horas de voos reais substituídos por horas de vôos virtuais no simulador.”

“Notável baixa de conhecimentos aeronáuticos”

Por Antonio Ribeiro

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