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Posts com a tag ‘Barack Obama’

Nem terremoto abala o antiamericanismo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010 | 19:36

antiamericanismo

Nicolas Sarkozy, finalmente, deu um basta à cantilena mais recente do coro formado por integrantes do seu governo. Em uma bizarra parceria estratégica com os colegas brasileiros, autoridades francesas vinham intercalando declarações contra a ação dos Estados Unidos na missão humanitária em favor do Haiti, depois do terremoto, responsável pela morte de, no mínimo, 100.000 pessoas e devastação sem precedente na capital da miséria nas Américas.

Se Celso Amorim sugeriu que o controle do espaço aéreo pelos americanos estava dificultando os pousos de aviões militares brasileiros em Porto Príncipe, o francês Alain Joyandet, secretário de estado encarregado da Cooperação Internacional e Francofonia, achou mais adequado admoestar o governo Barack Obama. “A missão é para ajudar e não ocupar o Haiti”, contribuiu no vasto sermonário francês que obstina em balizar a diplomacia mundial.

Até esta manhã, Sarkozy fez como quem não viu uma da mais inoportunas e enciumadas manifestações de antiamericanismo oficial. Sua mudança de curso materializou-se durante viagem à ilha da Reunião, território ultramarino francês. O presidente da França enalteceu a “excepcional mobilização pelo Haiti” do governo Obama, o “papel essencial” das tropas americanas e declarou sem perder a medida que imagina  ter a sua estatura: “Estou inteiramente satisfeito com a cooperação de Washington.”

O antiamericanismo francês, muitas vezes, de traços caricatos, não explica tudo. Sob o ponto de vista diplomático, qualquer país que tentar sobrepor a França em matéria de ajuda humanitária - imensa reserva moral - será considerado concorrente direto ao brilho gálico. Já há muito que a França não tem condições de impor-se como potência militar e econômica no cenário mundial. Restou a “nobreza” de converter-se em uma de espécie de Cruz Vermelha avantajada pelo formidável apoio do estado, das finanças e do dispositivo militar.

Quando os Estado Unidos empenham-se em policiar o planeta, não estão fazendo nada além da sua obrigação, pensam os franceses. Segundo o juízo local, quando o governo Bush demora no socorro às vítimas do furacão Katrina, até se admite. Afinal, os americanos são insensíveis. Desbloquear 100 milhões de dólares para as vítimas e reconstrução do terremoto? Vá lá, eles são ricos. O problema é enviar 20.000 soldados com objetivo de não dar sequer um tiro. Inadmissível a chegada de um porta-aviões com 20 helicópteros para não lançar um mísero míssil. Que diabo de comportamento é este?

Mas as explicações começam a emergir à beira do Sena. A 1.200 quilômetros de distância da Flórida, o efeito do terremoto poderá causar uma onda de refugiados, dizem. Os EUA estariam no Haiti para conter o êxodo dos aflitos. Outra razão seria a incontida compulsão intervencionista americana nos momentos de instabilidade na Hispaniola.  Destino preferencial da diáspora insular, os EUA estariam agindo sob a pressão dos 300.000 eleitores americanos de origem haitiana e de eventual revolta dos mais de 150.000  ilegais. Por último - não poderia faltar - trata-se de excelente oportunidade de se colocar em prática a “doutrina Obama”. Pronto.

Definitivamente, Asterix tem razão: “Os romanos são uns neuróticos”

Por Antonio Ribeiro

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Recordar é viver

sábado, 19 de dezembro de 2009 | 5:52

Blábláblá

No blog DE PARIS, você lê primeiro. Dia 15 de novembro de 2009, seguido ao encontro entre Sarkozy e Lula em Paris e durante visita de Barack Obama à Ásia, escrevemos aqui que a 15ª Reunião das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) em Copenhague seria um fracasso. A chamada do blog na Veja.com foi Copenhague é fracasso anunciado.

Na quinta-feira passada, um dia antes do encerramento da reunião na capital dinamarquesa, explicamos aqui porque os Estados Unidos e China - Lula e Brasil sempre foram coadjuvantes na questão - tinham bons motivos para não mudarem suas posições. Deu no que deu.

É bom lembrar, quando já se desenha Barack Obama como o grande vilão de Copenhague, que muitos gostam dele pelo que acham que ele faria. Isto  sem que  o presidente americano sequer tenha prometido ou cogitado ir em tal sentido.

Há os times que gostam e não gostam de Obama porque pensam que ele é uma espécie de socialista e ou incorpora nos EUA, algo que lembra o petismo. É  acepção das mais enganosas. Há os que chamam Obama de Ossama, como se ele fosse versão camuflada do turbante mais alto da organização terrorista Al Qaeda. Nem com muita boa vontade dá para levar a sério.

De Paris, um abraço

Por Antonio Ribeiro

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A coreografia de Hu e Obama

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009 | 14:54

copenhague4

É um prazer estar longe de Copenhague. Não é nenhuma surpresa os dois principais convidados a estrelar naquele teatro - já com ares de circo - estarem a procura de boa motivação pessoal e outra que de codjuvante do fracasso. Nem se, cientificamente, estivesse provado que mundo iria de fato acabar, seria boa razão para eles. Refiro-me a Barack Obama e Hu Jintao (repesentado pelo premiê Wen Jiabao). Ambos estão umbilicalmente ligados ao grande satã da Conferência na capital dinamarquesa, o CO2, ainda que seu efeito para tornar o mundo um inferno seja tema controverso.

O americano representa um país amplamente responsável pelo estoque, o CO2 acumulado durante mais de um século de industrialização. Hu é o diretor geral encarregado do fluxo, a China é o maior produtor de CO2 do planeta e tudo leva crer que permanecerá na liderança durante os próximos 30 anos. Do ponto de vista, digamos, moral o par deveria estar na COP15 desde a hora um do primeiro dia e de lá sair, como os campeões das concessões. Mas vale lembrar uma máxima da política - quando os acordos parecem impossíveis - através de um diálogo entre dois militares britânicos no filme Lawrence das Arábias:

Coronel Brighton: Olhe sir, não podemos simplesmente não fazer nada

General Allenby: Por que não? Normalmente é o melhor.

Obama e Hu tem excelentes razões para não fazerem nada. A resistência do aparelho político-administrativo de Washington freia o entusiasmo ecológico das cidades e dos americanos. No caso de Pequim, a vontade do poder central é ostensivamente ignorada pelas províncias, empresas e autoridades locais. Ou seja, um é imobilizado pelos braços e o outro, pelas pernas. Naturalmente, os EUA recusam engajarem-se em uma redução elevada de emissão de gazes do efeito estufa. A China, por sua vez, não quer ouvir falar em controles externos, considerados “ingerência.”

No entanto, exigem que os dois mexam-se. Finalmente uma questão interessante em Copenhague. Ela não tem nada de técnica, de ambiental ou de salvadora do mundo. Ela é política e diplomática e em última instância, de imagem, de aparência. Deve-se agir se não o mundo acaba ou deve-se fazer alguma coisa se não é o fim do mundo?

Por Antonio Ribeiro

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Culto à personalidade

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009 | 20:18

stalinlula2Do ponto de vista jornalístico, puramente técnico, um fato perde a relevância quando ele torna-se recorrente, corriqueiro. Informar não significa participar de um processo de comunicação, sobretudo, quando ele é propaganda oficial. Mas há algo pior. A ajuda ao culto à personalidade de um governante ainda que de forma inconsciente.

Os grandes jornais brasileiros ainda acham ser notícia quando Lula fala “merda”. Não é bem o palavrão na oratória do Presidente da República que espanta. É a frequência em que o presidente diz bobagens e que sua fala chula encontra destaque nas folhas do dia seguinte.

O Pravda, jornal oficial da União Soviética, tinha como missão primeira, cultivar a imagem de seus líderes. Se  Stalin passasse o dia dormindo, a manchete do dia seguinte poderia ser que o Pai da Pátria sonhou bom futuro para a federação comunista.

Em uma democracia não acontece assim. Mas Lula já percebeu que no Brasil, se tocado o nervo central, o sistema reage. Lula disse isso, Lula disse aquilo. E vamos comentar o que disse o Lula. Ele está nas mais irrelevantes questões. Onipresente indiscriminadamente, notícia ou não. Um sistemático automatismo pela ausência do devido recuo e  reflexão.

Um exemplo edificante com ampla ressonância. Lula diz: “Copenhague só vai ser o que vai ser porque o nosso querido país teve a coragem de, há um mês, apresentar as metas que apresentamos.” Além expressão megalomaníca fora do lugar, a afirmação é falsa e tem a importância de papo de botequim. Relevância mínima.

Muitas edições dos jornais britânicos circulam sem o nome do primeiro-ministo Gordon Brown na primeira página. Le Figaro e Le Monde fazem igual com Nicolas Sarkozy, conhecido por não perder a menor oportunidade de se mostrar. Nem Barack Obama, querido de grande parte da imprensa americana, recebe tanta “canja” quanto Lula. Não passa um só dia onde o nome do presidente brasileiro não esteja estampado no rosto dos jornais.

Não venham dizer que isso é coisa de gênio político. É apenas ocupação velhaca do espaço — e sempre sobre assunto na cirsta da onda — deixado por brutal falta de senso crítico, espírito livre e muitas vezes medo da patrulha que quando confrontada ou ignorada, revela sua real natureza, a de Tigre de Papel.

Em tempo: aqui não se fala palavrão. Não mesmo.

Por Antonio Ribeiro

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Clima: Lula e Sarkozy falam grosso em Paris, mas sem a China não tem papo firme em Copenhague.

domingo, 15 de novembro de 2009 | 10:16

locomotiva2

Muito já se falou e nas próximas três semanas falara-se-á ainda mais sobre a reunião da ONU em Copenhague - 192 países - que tratará das eventuais medidas para mudança climática no planeta. Conselho de amigo se você se interessa pelo assunto, acompanhe, leia, enfronhe-se nas questões que são importantes. Mas não perca de vista o seguinte: se a China, o maior poluidor do planeta, responsável em 75%  no aumento das emissões de CO2 em 2008, não mover-se da sua posição, não haverá avanço de sequer de uma polegada. A conferência  de Copenhague será um fracasso. Detalhe edificante: a China vai para Dinamarca de um jeito e de lá, tem o maior interesse de sair como entrou.

O gigante asiático passou décadas no marasmo econômico comunista. Nos últimos 20 anos o país cresce de maneira espantosa em ritmo alucinante - mais de 9% do Produto Interno Bruto por ano. Corre atrás do atraso e como qual uma locomotiva enfezada, puxa a economia mundial. Vá convencer os chineses de diminuir a fumaça. Ainda mais sabendo-se que a proposta vem de países industrializados que tanto poluíram sem entraves.

Note-se que apesar da economia da China ser a segunda do mundo e em breve será a primeira, passando os Estados Unidos, o país não quer trocar a condição formal de emergente nos foros internacionais. Assim, a China não sente-se obrigada às exigências impostas aos países ricos e simultaneamente, continua beneficiando-se das circunstancias atenuantes das economias em desenvolvimento. Ou seja, as metas de redução no aquecimento global devem levar em conta o desenvolvimento social, econômico e a erradicação da pobreza.  No aspecto diplomático, os chineses vem fazendo o que bem entendem e é um dos países que mais investem nas economias pobres.

Em recente reunião com a presença de Barack Obama e Lars Lokke Rasmussen, o primeiro-ministro da Dinamarca, organizador da Conferência de Copenhague, 19 chefes de estado asiáticos em Singapura esquivaram de abordar as questões climáticas. Michael Froman,  conselheiro especial de Obama para assuntos internacionais, afirmou ser “irrealista” um acordo daqui a 22 dias que obriga os paises a reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2050.

Isto posto, vamos as miudezas:

Lula, com Dilma Rousseff a tiracolo, entreteve-se com Nicolas Sarkozy em Paris. Falaram grosso em uma entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Elysée. “Não estamos brincando” disseram eles. Lula de forma literal,  a seu gosto. Sarkozy com a dissimulação exigida pelo seu público interno ou cairia no ridículo onde o ridículo parece ainda merecer o esforço de ser evitado. Eles se referiam ao entendimento entre China e EUA sobre o nível  de emissão de gazes que provocam o efeito estufa. Obama, em visita à Pequim até quarta-feira, está enviando proposta de reduções nas emissões de CO2 ao Congresso americano. Comparado às intenções do Brasil, redução entre 36% e 39%  até 2020, a medida equivaleria ao resultado da diminuição de 80% do desmatamento na Amazônia.

Brasil e França doravante fazem frente comum através de um documento com princípios vagos. A “Bíblia climática” - 3 folhas A4 - segundo Lula da Silva. Os presidentes prometeram abarcar metade do mundo para seu campo. “Eu vou telefonar para o Obama segunda-feira” disse Lula completando: “Não podemos permitir que Obama e Hu Jintao  fechem um acordo tomando como base apenas a realidade econômica de seus países, sem levar em conta suas responsabilidades. O mundo é multipolar.”

O Brasil fará uma reunião em Manaus no fim de novembro para tentar persuadir os países amazônicos da proposta franco-brasileira - ela vem sendo costurada entre o negociador Luis Alberto Figueiredo Machado e o ex-ministro francês do Meio Ambiente, Brice Lalonde desde setembro. Sarkozy diz que irá a Manaus, atendera também o convite de Gordon Brown para participar da reunião em Trinidad Tobago com os países da Commonwealth que reúne as antigas colônias do Império Britânico. O presidente francês que encontrar semana que vem com a chanceler alemã Angela Merkel para tratar do assunto prometeu fazer um giro pela África para encontrar aliados a proposta de que a temperatura média global não deve ultrapassar 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industrial como consta no documento assinado com o Brasil.

Por Antonio Ribeiro

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Apagão na Casa Branca

quarta-feira, 11 de novembro de 2009 | 8:30

apagaonacasabranca

Barack Obama foi a Fort Hood, no Texas, prestar homenagem à memória de 13 soldados, assassinados pelo major americano de origem palestina, Nidal Malik Hasan. O oficial do III Corps, de 39 anos, psiquiatra de formação, executou os colegas descarregando mais de 100 balas sob os gritos de Allahu Akbar (Deus é grande, em árabe). Logo depois do presidente discursar diante de 13 rifles M-4, capacetes, pares de botas e fotografias das vítimas, teve lugar na Ala Oeste da Casa Branca, a tradicional entrevista à imprensa do porta-voz do governo, Robert Gibbs.

Um jornalista fez uma pergunta singela - que gente impertinente! - ao porta-voz: “Segundo a Casa Branca, qual é a definição de terrorista? Gibbs apresentou o seguinte apagão: “Eu não sou funcionário do Departamento de Justiça.” A oratória de Obama é considerada uma das mais talentosas que já habitou o principal endereço da Avenida Pensilvânia, em Washington. Ontem, no entanto, véspera de uma reunião onde o presidente discutirá quantos soldados americanos adicionais aos 21.000 enviará para o Afeganistão, ela perdeu em eloquência para o silêncio do porta-voz.

Por Antonio Ribeiro

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A promessa perpétua concretiza

segunda-feira, 9 de novembro de 2009 | 9:04

apromessaperpetua

Se críticas fossem gotas de chuva, ao completar um ano de governo, Barack Obama estaria ensopado. Charles Krauthammer, colunista jornal Washington Post, uma das vozes mais ferinas do conservadorismo americano, por exemplo, dizia com escárnio que o presidente era o “Brasil” entre os políticos da sua geração. “Ele é o homem da promessa perpétua, obviamente, não realizou nada.” Nenhum presidente da história recente dos Estados Unidos foi tão prejulgado e julgado e em tão pouco tempo como Obama.

Certamente não aconteceu com George W. Bush cuja expectativa era baixa, continuou igual até o seu último dia na Casa Branca. Tampouco com o democrata Bill Clinton, eleito depois de três mandatos de governos republicanos sucessivos. Nem mesmo Ronald Reagam que assumiu a presidência proclamando que os EUA, finalmente, estavam amanhecendo. Pondera-se, os detratores de Obama atiram mais na sombra do alvo. Quer dizer, naquilo que os admiradores do presidente dizem que ele é sem que Obama tenha contribuído para formar a miragem.

Dadas as circunstâncias, o desempenho de Obama até agora não é ruim, mas falta muito a fazer. Ele acaba de marcar um ponto que no contexto da política americana, configura um divisor de águas no seu governo. E não só. Ao conseguir que o Congresso aprovasse uma drástica reforma no sistema de saúde com proteção quase universal para seus compatriotas, Obama fez em pouco mais de 12 meses o que seus colegas democratas não conseguiram realizar em 12 anos — um mandato de Jimmy Carter e dois de Clinton. A medida irá beneficiar 36 milhões de americanos sem seguro saúde ao custo de 1,1 trilhão de dólares em 10 anos - 7% do PIB americano. O financiamento do programa que alinha os EUA com as maiores economias do planeta virá de um aumento de 5% no Imposto de Renda de famílias que ganham mais de 1 milhão de dólares por ano e de indivíduos que sozinhos, ganham metade do montante. As empresas que não inscreverem seus empregados no novo plano de saúde estatal pagarão multa pesada, equivalente a 8% da folha de pagamento.

Evidente que haverá quem ache algum jeito de minimizar a realização efetiva da mais importante e ambiciosa promessa da campanha presidencial de Obama, um projeto acalentado durante décadas pelo Partido Democrata e nunca concretizado. Qual a graça da democracia se não permitisse o contraditório? Seria algo como a voz do trono, “eu falo, vocês escutam calados.” Uma cirurgia cardíaca pode custar 130.000 dólares nos EUA. A operação equivalente em Singapura sai por 18.000 dólares ou 10.000, na Índia. Estima-se que entre 70.000 a 75.000 americanos foram se tratar no estrangeiro no ano passado. Isso claro, os que podem pagar o chamado “turismo médico”.

Durante o tempo torrencial, houve quem viu no escuro. Bill Emmott, ex-editor chefe da revista The Economist, responsável pelo sucesso internacional de uma instituição da imprensa britânica, previu no diário londrino The Times, prematuras as críticas a Obama. Segundo ele, Obama tem duas características vitais capazes de fazer a história colocar os presidentes americanos no alto da prateleira. “Uma é resiliência”, escreveu ele. “A capacidade de ricochetear na adversidade e parecer seguro enquanto contra-ataca. Clinton tinha essa qualidade e Reagan também; Carter não.”

A outra capacidade é a de sustentar várias frentes de uma vez só sem diminuir o esforço e ou criar confusão. Enquanto vende seu plano de saúde que carece ainda de aprovação final no Senado, o governo Obama promove novas regulamentações no sistema financeiro e propostas para reduzir os efeitos das mudanças climáticas no planeta. A guerra contra o Talibã no Afeganistão ainda está no atoleiro; as ameaças nucleares do Irã e Coréia do Norte não desapareceram; o incentivo à resolução do conflito Israelo-Palestino ainda estão em ponto morto. Em casa, no entanto, Obama resumiu a situação depois da vitória apertada no Congresso (220 votos contra 215): “Este é o meu melhor momento na vida pública, ele explica por que fomos eleitos.”

Por Antonio Ribeiro

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A vantagem dos JO é o que falta nas administrações públicas

sábado, 3 de outubro de 2009 | 6:44

maracana-olimpico

Terminada a votação que concedeu ao Rio de Janeiro o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, a legião dos pequenezes marcou presença. Evidentemente não foi para comemorar o tamanho da oportunidade servida ao Brasil em bandeja de porcelana dinamarquesa. O pessoal do “mas” e do “porém”, dos azedos fantasiados de precavidos e dos pessimistas de plantão, sempre acha que falta água no chope da festa. O que carece é  grandeza de espírito e o mais básico bom senso.

Para quem tem alguma dúvida sobre o benefício da escolha olímpica, convida-se a lembrar como eram as cidades que acolheram os Jogos modernos e ver como elas ficaram depois de realizar o evento. Todas ganharam. Umas mais e outras, menos. Mas nenhuma perdeu. A julgar pela tradição, isso acontecerá também aos pés do Cristo Redentor onde se prevê um investimento de 14 bilhões de dólares.

As cidades podem melhorar sem sediar Jogos Olímpicos — ainda bem que chegar a modernidade não depende do ingresso olímpico. A vantagem de sediar a competição máxima do esporte mundial é o que muitas vezes falta nas administrações públicas. Um cronograma de realizações detalhado — e monitorado — para ser cumprido com data marcada para o término. E não tem conversa, antes de acender a Tocha Olímpica diante de dois terços da população mundial, tudo deve estar aprontado. No caso do Rio, é o dia 5 de agosto de 2016.

O desafio olímpico carioca é imenso e complexo, mas realizável. Transportes e hospedagem — 1 milhão de turistas e 15.000 atletas — são os pontos mais sensíveis do projeto. A questão do combate ao crime organizado pode-se encontrar boa inspiração no seguinte precedente: Olimpíadas foram realizadas com forte ameaça de terrorismo.

Desde 1856, quando o Barão de Coubertin transgrediu a proibição do imperador cristão Teodósio I, organizando em Atenas os primeiros Jogos da era moderna, a competição nunca deixou de acontecer porque a cidade escolhida não cumpriu o prometido. Porque no Rio seria diferente? Cada vez em que se anuncia uma cidade-sede, a cantilena “não vão conseguir entregar” é entoada quase como um hino. Começam os Jogos, o coro fica mudo.

Quando surge a velha rixa boboca, é bom lembrar que o Rio não venceu São Paulo, mas Madri. O Comitê Olímpico Brasileiro sob o comando de Carlos Nuzman levou os Jogos para o Brasil. Lula não venceu Obama coisa nenhuma, a proposta do Rio 2016 ganhou da candidatura apresentada por Chicago. O presidente brasileiro fez parte do pacote, contribuiu como um dos vários fatores que agradaram os  97 eleitores do Comitê Olímpico Internacional. Os vídeos de Fernando Meirelles, por exemplo, foram estupendos.

Haverá sempre erro de análise quando se considerar as questões não como elas são, mas sob o prisma das disputas domésticas.  É ruim porque meu desafeto gosta, é bom porque meu amigo aprecia? Pode ser uma indicação, mas não desempena a régua. Há motivos sim de se celebrar com carnaval temporão a escolha do Rio 2016.

Por Antonio Ribeiro

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No topo do mausoléu

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 | 21:18

notopodomausoleu

Se as fotografias de grupo nos grandes foros internacionais valessem como as posições dos dirigentes soviéticos em cima do mausoléu do Lênin durante os desfiles militares do 7 de novembro, em Moscou, Lula da Silva teria razão de achar que seu poder de influência  está no alto da prateleira. Ora ele aparece ao lado da rainha da Inglaterra ora de Sarkozy ora do anfitrião da reunião. Foi o caso mais uma vez. Vejam-no lá, à esquerda de Obama, na “fotografia de família” do G20 reunido na confluência dos rios Allegheny e Monongahela, em Pittsburgh.

Certa altura, um crítico de arte diante de um quadro do espanhol Pablo Picasso disse ao autor: “Isso não é uma mulher”. Recebeu a seguinte réplica de troco: “Bidu! Não é mesmo, isso é uma pintura.” Pelo que foi gasto na operação Manuel Zelaya, a mais ousada tentativa de colocar o Brasil entre os países que pesam no cenário internacional, o ex-presidente hondurenho já deveria estar aonde o fizeram apear de pijamas. Não é bem o cenário que se assiste.

Pelas manchetes dos jornais brasileiros, tem-se a impressão que o destino da humanidade está sendo decidido na pedenga de Tegucigalpa. Por sorte dos terráqueos, a bola corre rente a grama. Creia, caríssimo leitor, não está não. A questão hondurenha só apareceu no radar por alguns instantes devido ao seu exotismo. Voltou a justa medida com a mesma rapidez. Ou seja, sumiu.

Curioso observar o caloroso debate entre o time do houve golpe e aqueles que dizem ter-se respeitado a constituição hondurenha. Golpe houve em um golpe em curso. Qual é o golpista mais bonito? Ao que parece, ele tem sido aferido, sobretudo, pela máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” no contexto da política doméstica.

Pintura.

Por Antonio Ribeiro

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009 | 17:34
Winston Churchill: “Sem comentários é uma esplendida expressão. Estou usando-a cada vez mais.”

Winston Churchill: “Sem comentários é uma esplêndida expressão. Estou usando-a cada vez mais.”

Por Antonio Ribeiro

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