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Arco do Triunfo

28/03/2013

às 13:34 \ Esporte

Os Arcos da Derrota

Marquês de Pombal

Enquanto em Paris o Arco do Triunfo, velho ponto turístico da capital francesa, continua mesmerizando visitantes, o Rio tem uma nova atração que a prefeitura do balneário carioca aconselha ficar distante. Trata-se dos “Arcos da Derrota”. Eles ficam em cima de dois pilares junto ao Engenhão, estádio municipal sob auspícios do Botafogo e palco previsto para as provas de atletismo dos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo descritivo técnico, os arcos do Engenhão vencem vãos de 220 metros, no sentido leste oeste. De acordo com recente avaliação técnica da empresa alemã Schlaich Bergerman und Partner (SBP), responsável pela cobertura do Maracanã, a beleza pode desabar com vento de 63 quilômetros por hora, vindo de qualquer ponto cardeal.

Poder-se-ia argumentar que algumas arrojadas inovações arquitetônicas sofrem ajustes com o passar do tempo. Sucede que a estrutura do Engenhão não é, por assim dizer, nenhuma invenção da roda nem descoberta da pólvora. A cobertura do Estádio da Luz, em Lisboa, por exemplo, é muito semelhante à do Engenhão. No entanto, lá não houve problemas.

Ademais, “A Catedral”, do Benfica, é mais antiga. Foi construída em 2003 para a Eurocopa do ano seguinte. O estádio português tem capacidade superior – 65.600 lugares. Enquanto o Engenhão foi inaugurado nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e acolhe menos torcedores – 46.900 lugares. Detalhe edificante: o Estádio da Luz custou 306 milhões de reais e gastaram-se 380 milhões de reais na construção do Engenhão, seis vezes mais do que o orçamento inicial.

Apesar de complicar a logística do Campeonato Carioca de futebol, a vida de atletas que têm o Engenhão como única opção para treinar, e de causar prejuízo ao Botafogo, o clube mais endividado do Brasil – o estádio alugado é a maior fonte de renda do Glorioso alvinegro –, Eduardo Paes, prefeito do Rio, tomou atitude sensata ao interditar o lugar. A segurança da população é prioridade em qualquer caso. Contudo, isso não basta.

Uma administração pública com um pouco de brio arregaçaria as mangas e não se sossegaria enquanto não transformasse o Engenhão em um dos estádios mais seguros do mundo. Evidentemente, vai sem dizer, o custo deve ser dos responsáveis pelos estragos não só da obra, mas da imagem do Rio. Parece piada ruim a cláusula contratual que isenta depois de apenas 6 anos os construtores (Delta e o Consórcio Odebrecht-OAS) de uma obra com a envergadura do Engenhão. Por vezes exagerado, o dito popular “Só no Brasil” aqui está em plena conformidade com a realidade.

O engenheiro Flávio D’Alambert, da empresa Projeto Alpha, responsável pelo projeto da cobertura do Engenhão, sustenta que a obra é segura. Ótimo. O Marquês de Pombal chegou a dormir ao relento depois do terremoto de Lisboa, em 1755. Isso para assegurar a população lisboeta que não havia mais perigo e que o fenômeno natural não era um castigo divino como sustentava o baixo clero local.

Se o projetista da cobertura do Engenhão acha que a cobertura do estádio é segura, ele poderia erguer uma barraca debaixo da estrutura e fazer ali seu escritório temporário. E quando o vento soprasse a mais de 63 km/h, convidar a família para um piquenique e seu amigos mais chegados para um convescote.

Leia também: “A história da frase ‘O Brasil não é um país sério’ que o francês Charles de Gaulle nunca disse é mais divertida.”

Por Antonio Ribeiro

27/09/2012

às 15:42 \ França

Homenagem à derrota

Nem todos presentes viram a cabeçada no Estádio Olímpico de Berlim. A maioria estava com os olhos fixos na disputa da bola, do ouro lado do gramado. Mas o mundo inteiro viu porque a TV mostrou o replay de um dos momentos mais infames do futebol. Quem passar em frente ao Centro Georges Pompidou, o Museu Nacional de Arte Moderna, em Paris, não corre o risco perder o lance.

O artista plástico argelino Adel Abdessemed recriou em tamanho monumental – 5 metros de altura – o instante em que o atacante francês de origem cabila Zinedine Zidade agrediu o zagueiro italiano Marco Materazzi durante prorrogação da partida final da Copa do Mundo de 2006. O escultor diz que fez uma “ode à derrota”. A criação vai no sentido contrário dos monumentos que celebram a glória. O Arco do Triunfo, por exemplo.

Trata-se de uma triste lembrança com 2 toneladas de bronze para os franceses. Isso em um momento em que, no meio da maior crise econômica do país desde a Segunda Guerra Mundial, eles andam azedando o humor com o acúmulo recente de notícias ruins. Esta semana, por exemplo, o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE, na sigla em francês) revelou que a França ultrapassou a marca simbólica de 3 milhões de desempregados.

Grandes empresas como é o caso das Sanofi, AcelorMittal e Petroplus. As empresas estão na iminência de anunciar “planos sociais”. Todos juntos, eles significam a perda de 5.000 empregos a curto prazo. O governo do socialista François “Normal” Hollande cujo índice de aprovação despencou para 43% – nenhum presidente da Quinta República teve queda tão rápida seguida à posse – promete aumento de impostos que totalizam 20 bilhões de euros a menos no poder aquisitivo dos contribuintes individuais e nos recursos das empresas privadas. Menos poder aquisitivo, menos consumo. Menos recursos, menos investimento e criação de empregos.

A expectativa otimista de crescimento da França em 2013, segundo o governo, gira em torno de medíocres 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Economistas independentes prevêem a metade disso. Para criar empregos o país cuja  dívida pública acumulada está prevista para chegar a 91,3 do PIB este ano, precisa crescer, no mínimo, 1%.  E 1,5% se quiser diminuir o desemprego. Neste contexto, ganha corpo entre os ministros do governo desrespeitar a promessa de cumprir uma regra de ouro da União Européia, a de manter o  déficit público anual em 3% do PIB. Na França, ele representa  4,5% do PIB  –  83,6 bilhões de euros.

Faltando 10 minutos para fim de sua brilhante carreira, Zidane deu a famosa cabeçada no peito de Materazzi. O presidente da França Hollande vem dando cabeçadas contra a realidade desde o dia em que assumiu o governo. No orçamento deste ano de 37 bilhões de euros, por exemplo, apenas 10% representam redução nas despesas do governo. O resto vem de impostos. Serão criados mais 6 000 postos de trabalho na eduçação, polícia e Justiça. Evidentemente. pagos com dinheiro do contribuinte inclusive a aposentadoria. A tendência da redução do funcinários públicos se inverteu pela primeira vez desde 2003. Talvez não seja o fim de uma “brilhante carreira”, certamente não merece monumento comemorativo, mas em breve, muitos farão “odes à derrota”.

Por Antonio Ribeiro

06/08/2008

às 14:21 \ França

Razões para admirar os franceses sem a obrigação de gostar deles

Durante a pendenga entre franceses e americanos antes da invasão do Iraque, circulou na internet uma lista, em inglês, com 20 razões para detestar os franceses. Na reestréia deste blog, que aborda Paris, França e Europa, vamos listar 21 motivos para admirar os franceses sem ter a pretensão de persuadir alguém a gostar deles.

Então, vamos lá:

1. Paris ainda não foi tomada por arranha-céus. A cidade mantém o urbanismo em harmonia com escala humana. A meu juízo, continua sendo a cidade mais bonita construída pela mão do homem. Pela mão de Deus, não tem debate, é o Rio de Janeiro. Os habitantes da Cidade Luz acham que os cariocas vivem “incomodando” a paisagem da Cidade Maravilhosa.

2. Os franceses produzem mais de 400 tipos de queijos — e bons. Importam mais de 100 outras qualidades. Nunca encontrei aqui queijo tipo Minas.  Um motivo adicional para aumentar a saudade do Brasil.

3. As francesas de 35 anos de idade são muito mais sensuais que suas compatriotas de 25. Mas nenhuma se compara com o meu amor brasileiro.

4. Filmes nas TVs francesas nunca são interrompidos por publicidade mesmo se alguns deles são muito ruins.

5. Habitantes do interior da França consideram os parisienses como estrangeiros.

6. Os franceses colocam nomes de suas ruas em homenagem a heróis, artistas, políticos e etc. Nenhuma rua na França tem número como nome. Quinta avenida nem pensar.

7. Felizmente autores franceses pararam de escrever óperas. Não tenho nada contra operas. Aliás, gosto muito desde que recebi aula particular do saudoso Mario Henrique Simonsen sobre o tema. As óperas francesas não eram nada boas.

8. Motoristas franceses dirigem melhor que seus vizinhos italianos. O único lugar na França que não é coberto por seguro contra acidentes de transito é a giratória a volta do Arco do Triunfo. Quem a observa pela primeira vez acha uma bagunça, mas fica admirado por não haver acidentes frequentes. Qual o segredo? Simples, quem vem da direita tem prioridade. Se algum petista ficar chateado, ofereço consolo. É como no piano: a mão direita toca e a mão esquerda acompanha.

9. John Wayne dublado em francês parece bom ator.

10. Os franceses não colocam temperos à francesa em suas saladas.

11. Os franceses conseguem dizer “merda” de forma educada.

12. As eleições na França acontecem sempre aos domingos e os bares não fecham.

13. Os franceses levam a comida muito mais a sério do que a religião.

14. Já faz mais de 100 anos que os franceses não começam uma guerra, mas não ganharam nenhuma desde a retirada da Indochina.

15. Imposto na França chama-se “contribuição”. Há, no mínimo, uma manifestação por dia em Paris contra algo. Jamais contra o Imposto de Renda, um dos mais elevados do mundo.

16. Voltaire odiava Rousseau. Eu sou fã do François-Marie Arouet (1694-1798).

17. Há quase tantas árvores em Paris quanto carros.

18. Os franceses fazem suas revoluções nos meses quentes do ano, nunca no inverno.

19. Os franceses lavam as mãos antes de ir ao banheiro. A história de que eles não tomam banho é lorota. Tomam sim, menos que os outros.

20. Os trens franceses são os mais pontuais do mundo quando os ferroviários não estão em greve.

21. Nos esportes, os franceses preferem perder por um ponto a ganhar por dez.

Quem quiser enviar mais motivos para louvar os franceses, terei o maior prazer em colher. Adiciono uma outra grande satisfação: estar aqui, novamente, na companhia de vocês. Merci.

Por Antonio Ribeiro

 

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