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Albert Uderzo

02/05/2012

às 12:11 \ França

Duelo Sarkozy x Hollande: poucos gols e belos lances

“Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste…” É assim, invariavelmente, a introdução das aventuras de Asterix e de seu amigo Obelix. Se os autores da famosa história em quadrinhos, René Goscinny e Albert Uderzo, tivessem criado uma paródia para os tempos modernos no mundo globalizado, a França como reduto no mapa do planeta seria bem fiel à realidade.

Faltam 4 dias para os gauleses escolherem o novo chefe da aldeia, ou melhor, o Presidente da República com mandato de cinco anos. Os candidatos ao posto do chefe gaulês Abracurcix tem personalidades e idéias bem diferentes, mas ambos sabem que a maioria dos franceses é nostálgica dos tempos de pleno bem-estar social da aldeia.

A grosso modo, o conservador Nicolas Sarkozy promete, se reeleito, manter o status quo atual, mas através de modo diferente de financiamento das despesas. Aparentemente a proposta ainda não seduz o número suficiente de franceses para lhe conceder uma nova tentativa. O socialista François Hollande promete um retorno aos bons tempos pela via de muito entusiasmo, medidas que não foram solução em parte alguma, e fervor na “exceção francesa.” O problema dele é de outra ordem, os números da economia jogam contra suas mais modestas perspectivas.

Hollande e Sarkozy estarão hoje frente à frente, a uma distancia de 2,45 metros entre si e olhar atento de 20 milhões de telespectadores pelas óticas de 20 câmeras. Trata-se do primeiro e único debate televisivo até 6 de maio, o dia da votação. Ele terá inicio às 16h, horário de Brasília em um studio de 900 metros quadrados, perto do Stade de France, onde o Brasil perdeu a final da Copa de 1998. Os protagonistas que poderão regular além do peso de suas palavras, a própria temperatura ambiente através de climatização individualizada, já anteciparam que não será uma luta de boxe. Preferem chamar de “duelo de idéias”. Seria ótimo. Dizem os comentaristas nativos, em expressão local: “Chacun dira sa verité”. Ou seja, “Cada um dirá sua verdade.” Se cada um realçar as mentiras do outro, também não seria mal.

A campanha até agora foi um dos piores debates do Ocidente. Os candidatos escamotearam abordar em profundidade os problemas prementes da aldeia. Mesmo que durante o debate na  TV um candidato massacre o outro, o efeito nas pesquisas não vai muito além de um ponto percentual, segundo a tradição francesa. Apesar do impacto limitado, Sarkozy tem todo interesse em provocá-lo para chegar com alguma chance no dia da eleição. Hollande esta de 6 a 8 pontos a frente do presidente candidato, em torno de 500  000 votos, segundo as pesquisas mais recentes.

Vale à pena acompanhar? Claro que sim. Sobretudo pela forma. Os políticos franceses tem capacidade muito superior aos seus colegas brasileiros para defender suas idéias ainda que elas sejam ruins. Sarkozy e Hollande são craques no esporte. É sempre um show de boa retórica e qualidade argumentativa. Você pode assistir o debate ao vivo clicando aqui.

Por Antonio Ribeiro

 

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