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AF 447

16/05/2011

às 7:17 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

As caixas-pretas, enfim, falaram

Abertura no verão europeu

Os dados de 1 300 parâmetros do A300 e o áudio da cabine de pilotagem foram integralmente recuperados. O Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente com o voo AF 447 no qual morreram as 228 pessoas a bordo da aeronave da Air France, informa que fará “análises profundas e detalhadas” que irão durar semanas.  O BEA afirma  em comunicado que o resultado do estudo será publicado em relatório preliminar “durante o verão” europeu. Ou seja, junho, julho ou agosto.

O cartões de memória, semelhantes aos de câmera fotográfica digital, foram extraídos do FDR (Flight Data Recorder) – registros de 25 horas antes do acidente de 1 300 parâmetros do avião – e do CVR (Cockpit Voice Recorder) – duas horas gravações antes do acidente feitas por três microfones dentro da cabine de pilotagem. Em seguida, os microchips passaram por limpeza detalhada e secagem. A leitura dos dados e áudio foi filmada em video e gravada, segundo o BEA. Isso foi feito na presença de dois investigadores alemães do BFU, um americano do NTSB, dois britânicos AAIB e dois investigadores brasileiros do CENIPA, bem como um oficial da polícia judiciária francesa (OPJ) e um perito judicial.

As causas do acidente ainda não foram oficialmente declaradas. Especialistas fora do circuito do BEA sustentam que o congelamento e/ou entupimento por sujeira dos Tubos Pitot, responsáveis por indicar a velocidade do ar e portanto, do avião tiveram um papel capital na origem do acidente. Os sensores, situados na parte externa da dianteira da aeronave enviaram informações incoerentes para sistema sofisticado e quase autônomo dos computadores do A330. Os investigadores do BEA dizem que as falhas do Pitot são apenas uma entre várias causas do acidente.

Se ficar provado efetivamente que os Tubos Pitot forem a origem principal do acidente órgão investigador, no caso o BEA, fica em uma posição delicada. Durante mais de 10 anos o BEA recebeu 32 notificações de ocorrências onde houve falhas dos Pitot. O BEA jamais emitiu uma só advertência às companhias aéreas, fabricantes de aviões ou organismos de controle da aviação civil. Depois do acidente com o Airbus A330 do voo 447 da Air France, todas as companhias trocaram o modelo do sensor, fabricado pela francesa Thales, usado no avião que caiu, inteiro e de barriga, no Oceano Atlântico na madrugada do 1 de junho de 2009.

Leia o post do Blog de Paris: “Resgate das vítimas depende de exames de DNA

A cobertura completa da tragédia com o voo AF 447 aqui

Por Antonio Ribeiro

12/05/2011

às 19:16 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Resgates de vítimas depende dos exames de DNA

'Ile de Sein', DNA e o Procurador Adjunto Quintard"O Procurador Adjunto da República Francesa, Jean Quintard, anunciou que o resultado dos exames de DNA nos dois corpos de vítimas do voo AF 447 – resgatados a 3 900 metros de profundidade no Atlântico, depois  de permanecerem quase dois anos – será conhecido na quarta-feira, 18 de maio. É uma informação capital  sobre os resgates. “Se a identificação não for possível, encerraremos os resgates”, disse o magistrado do Tribunal de Grande Instância de Paris que conduz processo criminal no qual a Air France e a Airbus foram indiciadas por homicídio culposo de 228 pessoas a bordo da aeronave acidentada na madrugada do 1 de Junho de 2009. Pela primeira vez, a Justiça francesa revelou que em torno de 50 corpos estão no fundo do oceano.

O procurador Quintard está convencido de que todas as vítimas morreram da mesma forma. Ou seja, devido ao forte impacto do Airbus A330 contra a superfície do Atlântico. Portanto, do ponto de vista técnico da investigação, para a Justiça francesa, o resgate de novos corpos não acrescentaria nenhuma informação adicional às autopsias realizadas no Instituto Médico Legal de Recife. Não é uma posição de consenso entre os especialistas que debruçaram sobre o estudo do acidente. Alguns acreditam que pode ter havido morte por afogamento, sobretudo nos passageiros sentados na traseira do avião.

Sem contabilizar os milhares de amigos, 2 500 familiares das vítimas – 32 nacionalidades, entre elas 59 brasileiros – aguardam com angustia e sofrimento renovado sempre que surgem informações sobre o resgate. Muitas vezes, elas são apresentadas de maneiras conflitantes e imprecisas.  A condição de que um dos dois corpos possa ser identificado, a Justiça francesa informou seu critério. “Resgataremos somente os corpos das vítimas que pudermos, decentemente, entregar às famílias”, escreveram os juízes de instrução Silvie Zimmerman e Yann Daurelle, em carta endereçada aos parentes dia 10 de maio.

Um laboratório privado parisiense está realizando os testes de DNA em ossos longos, como fêmur e tíbia, nos quais a concentração de DNA é maior. O Dr. Sergio Pena, do Laboratório Gêne e professor de bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos maiores especialistas em sequenciamento de DNA no Brasil, considera que embora não seja possível garantir com precisão antes de análises, as condições são favoráveis para a identificação da maioria dos restos mortais das vítimas.

Não há unanimidade entre os parentes se os corpos devem ou não ser resgatados. As divergências são de ordem emocional, mas também cultural. Na França, por exemplo, há uma velha tradição naval de que as sepulturas marinhas devem permanecer invioláveis. Mas isso não quer dizer que famílias francesas, a exemplo da vasta maioria das brasileiras, não desejam receber os restos mortais para, através de cerimônias da despedida derradeira, ajudar a colocar ponto final em um longo luto.

A associação de famílias das vítimas brasileiras irá pedir, caso os franceses interropam o resgate, contra-provas através de exames  realizados no Brasil. Há também questões administrativa como a falta da Certidão de Óbito.  A ausência do documento impede a movimentação de contas bancárias, processos de herança que para as famílias as quais a tragédia levou também importante suporte financeiro, dificulta o pagamento de contas, alugueis e etc. Neste aspecto, a legislação francesa é bem mais maleável que o rigor no Brasil. Isso porque o país europeu tem uma velha tradição de lidar com situações de indivíduos desparecidos em guerras e tragédias e situações análogas.

Caso a Justiça francesa decida pela retomada dos regastes dos corpos, ele começará por volta do dia 20 de maio. Antes disso, o navio lança-cabos ‘Ile de Sein’ irá a Dakar, no Senegal, para substituir a tripulação e embarcar quatro legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) da França que irão reforçar a equipe de regates.

Leia o post do Blog de Paris: “Áudio dos pilotos do AF 447 jamais será divulgado

Por Antonio Ribeiro

12/05/2011

às 13:43 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Áudio dos pilotos do AF 447 jamais será divulgado

As caixas-pretas do voo  447 da Air France no qual morreram as 228 pessoas a bordo do Airbus chegaram a Paris trazidas por um Airbus A340 do voo 3507 da Air France vindo de Caiena. Os gravadores dos 1 300 parâmetros da aeronave e o áudio na cabine de pilotagem antes do acidente foram apresentados como “celebridades” à imprensa – 15 minutos só para registrar imagens – na sede do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente.

O diretor do BEA, Jean-Paul Troadec, estima que serão necessários, no mínimo, três dias de um processo preparatório até que se verifique de fato se os dados e o áudio estão em condições de ser explorados. Se for o caso, o conteúdo – só partes que os investigadores franceses julgarem pertinentes – será conhecido publicamente em janeiro de 2012, data prevista para a publicação dos resultados da investigação técnica e administrativa. O BEA afirma que se o áudio com a vozes dos pilotos – 30 minutos antes do acidente – estiver preservado, ele jamais será divulgado oficialmente para o público, segundo determina a Convenção de Chicago.

Os trabalhos para a tentativa de leitura das duas caixas-pretas começam hoje.

Retiradas dos aquários de água destilada, as caixas-pretas serão abertas para extração dos cartões de memória que contém os registros – os técnicos usam levas para evitas choques eletromagnéticos nos cartões semelhantes aos de aparelhos fotográficos digitais. A operação deve durar uma hora. Em seguida, os cartões passarão por um processo de limpeza – 12 horas de profilaxia minuciosa para remoção de resíduos, sal e partículas estranhas na superfície do microchip. Depois vem a secagem de, no mínimo, mais 12 horas.

O estágio seguinte, durante um dia inteiro, consiste na observação visual com ajuda de microscópios e realização  de testes para verificar se os cartões respondem impulsos eletrônicos, ou seja, se está operacional. O momento crucial, a tentativa de leitura dos registros acontecerá em uma sala envidraçada no subsolo do BEA. “Apenas um técnico do BEA e um oficial da Polícia Judiciária estarão presente fisicamente no laboratório, a operação será gravada por câmera de vídeo”, disse ao Blog de Paris, Christophe Menez, chefe do departamento técnico do BEA.

O coronel aviador da FAB, Luís Cláudio Lupoli, designado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) como o “representante credenciado” junto as investigações disse ao Blog de Paris, que irá acompanhar a operação do lado de fora da sala, observando através das janelas de vidro. Um representante da Honeywell, fabricante das caixas-pretas, também irá acompanhar a tentativa de decodificação dos registros que será narrada pelo técnico do BEA e que pode levar de uma hora a um dia.

O CENIPA enviou também a França o major Sidney da Silva, mas ele não está credenciado como participante da investigação. O BEA informou que o major brasileiro está em Paris para observar o funcionamento geral do escritório na perspectiva de um eventual acordo de intercâmbio técnico entre Brasil e França. O CENIPA quer entrar no restrito clube dos cinco órgãos de prevenção e investigação de acidentes aéreos capaz de ler as informações das caixas pretas – o CVR (Cockpit Voice Recorder), que contém o áudio das conversas dos pilotos, e o FDR (Flight Data Recorder), que registra os dados técnicos do voo.

Se os registros estiverem preservados, eles permanecerão nos cartões de memória. O BEA trabalhará com cópias para as análises. A operação de resgate das outras peças do avião a 3 900 metros de profundidade no Atlântico e a 1 100 quilômetros nordeste de Recife encerram amanhã, 13 de maio.

Leia o post do Blog de Paris: “Regates dos corpos depende dos exames de DNA

A fotografia abaixo mostra o campo de destroços do A330 no fundo do Atlântico. Os nomes em grafados em cor vermelha são das peças já retiradas e os em cor azul que serão retrados no último dia da operação, 13 de maio de 2011:

Por Antonio Ribeiro

10/05/2011

às 14:13 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Resgate dos corpos das vítimas do AF 447 será seletivo

Os magistrados do Tribunal de Grande Instancia de Paris, Silvie Zimmerman e Yann Daurelle, responsáveis pelo processo criminal do acidente com o voo 447 da Air France no qual morreram as 228 pessoas a bordo do Airbus A330, decidiram que o resgate dos corpos das vítimas será seletivo. “Resgataremos somente os corpos das vítimas que puderemos, decentemente, entregar as famílias e a condição de que eles possam ser identificados”, escreveram os juizes em carta endereçada aos parentes.

Apesar de não haver consenso entre os familiares das vitimas – 32 nacionalidades – sobre a realização do resgate e lamentar os “sofrimentos suplementares”, os magistrados lembram que “devem a verdade” aos parentes.

Os juizes explicam que dois corpos em estado de conservação diferentes foram resgatados  a 3 900 metros de profundidade no Atlântico com o objetivo de determinar se a identificação através de exames de DNA seria possível ou não depois de quase dois anos submersos no oceano. Sem esperar o resultado dos exames, quatro dos legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) foram enviados para o navio lança-cabos ‘Ile de Sein’, na zona do acidente, 1 100 quilômetros à nordeste de Recife.

O Dr. Sergio Pena, do Laboratório Gêne e professor de bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos maiores especialistas em sequênciamento de DNA no Brasil, considera que embora não seja possível garantir com precisão antes de análises que podem ser longas, as condições são favoráveis para a identificação da maioria dos restos mortais das vítimas. “Quando há partes moles do corpo humano, as chances de extração de DNA são grandes”, disse ao Blog de Paris. “Neste sentido, as informações as quais tive acesso sobre as vítimas do voo AF 447 me deixam confiante .”

Leia o post do Blog de Paris: “Em maleta branca, caixas-pretas rumam para Caiena

Por Antonio Ribeiro

09/05/2011

às 14:40 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Em maleta branca, as caixas-pretas rumam para Caiena

Uma maleta branca contendo as duas caixas-pretas lacradas do avião Airbus A330 do voo 447 da Air France foi transferida do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’ para o navio-patrulha costeira ‘La Capricieuse’, da Marinha francesa, sábado, dia 7 de maio.

O navio-patrulha vai em direção ao porto de Caiena, na capital da Guiana, território além-mar da França. Acompanham a maleta: um oficial da Polícia Judiciária (OPJ), Alain Bouillard, investigador-chefe Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, e o coronel aviador da FAB Luís Cláudio Lupoli, designado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) como o “representante credenciado” junto as investigações técnicas e administrativas da tragédia que matou todas as 228 pessoas a bordo do A330.

La Capricieuse’ deverá chegar a Caiena, no máximo, até quarta-feira dia 11 de maio. De lá a maleta será embarcada em avião com destino aeroporto Le Bourget, norte de Paris, onde fica a sede do BEA.  A expectativa é de que as caixas-pretas estejam em Paris até quinta-feira, 11 de maio.

Será nos laboratórios do BEA, situados no subsolo do prédio, o momento determinante da investigação: verificar se as caixas-pretas estão em condições de “falar”. Se os registros das caixas-pretas estiverem danificados, ainda haverá esperança: serão enviadas para o fabricante americano Honeywell, nos Estados Unidos. A tentativa de restauração dos dados pode levar semanas.

Os regates das peças do A330-203 realizados pelo robô-submarino Remora 6000, sob o comando de nove técnicos da americana Phoenix Internacional, continuam no mesmo ritmo. Foram içados de 3 900 metros no fundo do Oceano Atlântico para o convés do Ile de Sein uma das duas turbinas do avião e destroços do “avionics bay”, o conjunto de três computadores primários (PRIM) e dois secundários (SECR) da aeronave. Veja fotos abaixo.

Turbina, "avionics bay" e os controladores de bordo mantidos em água do mar

Leia o post do Blog de Paris: França vai reforçar equipe de resgate das vítimas do AF 447

Por Antonio Ribeiro

07/05/2011

às 6:18 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

França vai reforçar equipe de resgate das vítimas do AF 447

O segundo corpo de vítima do voo AF 447 foi resgatado. Ele foi encontrado  em pior estado de conservação e não estava atado com cinto de segurança a poltrona do avião como o primeiro, recuperado no dia 5 de maio. Uma biopse será enviada à Paris para exame de DNA. A Justiça francesa decidiu despachar mais 4 legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) para reforçar a equipe a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’, em operação a 1 100 quilômetros nordeste de Recife. Atualmente, são 8 policiais no navio lança-cabos  se adicionados os oficiais da Policia Judiciária (OPJ) e  os agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA). Os especialistas do IRCG terão como missão ajudar no resgate dos restos mortais das vítimas – em torno de 150 – a 3 9000 metros de profundidade no Oceano Atlântico.

A intenção das autoridades francesas é de recuperar tantos corpos quantos forem possíveis e também objetos pessoais. Estima-se que a operação inédita irá durar, no mínimo, duas semanas. A missão é coordenada pelo Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente. Os resgates são realizados, na prática, através do robô submarino Remora 6000, operado  pela equipe da americana Phoenix Internacional – os braços hidráulicos do aparelho não tem a mesma destreza de um mergulhador. Os policiais supervisionam a operação através de imagens na TV, decidem em concertação com os técnicos da Phoenix e depois, cuidam do corpo resgatado.

No acidente com o Airbus A330 do voo AF 447 morreram todas 228 pessoas que estavam a bordo da aeronave – 32 nacionalidades, entre elas, 73 franceses, 58 brasileiros e 26 alemães.  Em 2009, cinquenta corpos foram resgatados. As autopsias foram feitas no Instituto Médico Legal de Recife – é o que a Associação de Famílias de Vitimas brasileiras deseja que aconteça agora. As autoridades francesas negaram o pedido.

Nota do Blog de ParisÉ sem sentido notícias que dão conta que a “França” disse que não iria resgatar os corpos para mais adiante dizer que a “França” irá resgatar os corpos e agora dizem que a “França” decidiu resgatar todos os corpos. As decisões não acontecem assim. Elas vão sendo tomadas, gradualmente,  pari passu com o desenrolar da operação  de resgate inédito. A licitação do barco para operação previa camara fria. Policiais e legistas para tratar os corpos embarcaram no navio. Estava claro, desde o início, que haveria tentativa de resgate. Vão resgatar todos? Não se sabe. Dizem que vão tentar.  Não há fonte independe a bordo do navio lança-cabos “Ile de Sein”. As informações chegam por comunicados do BEA, IRCGN e de associações de famílias das vítimas. Os interesses de cada parte não são os mesmos. Toda informação exige análise rigorosa.

Leia post do Blog de Paris: “Resgatado primeiro corpo de vítima do voo AF 447

Por Antonio Ribeiro

05/05/2011

às 6:37 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Resgatado o primeiro corpo de vítima do voo Air France 447

Mirante Sétimo Céu: Memorial às vítimas do vôo AF 447, no Rio de Janeiro

Especialistas franceses do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN), a bordo do navio  lança-cabos ‘Ile de Sein’, coordenaram o resgate hoje, do primeiro corpo de uma vítima do voo  447 da Air France a 3 900 metros de profundidade  no Oceano Atlântico.

“A operação muito delicada foi feita em condições particularmente difíceis e até então, inéditas”, diz comunicado da Direção Geral da Gendarmaria Nacional (DGGN), o comando da polícia militar francesa. “Apesar de tomadas as precauções necessárias e a preocupação constante de respeitar a dignidade das vítimas, o longo içamento não permitiu manter a integridade do corpo.”

Uma primeira tentativa não teve êxito. Os resgates são realizados, na prática, através do robô submarino Remora 6000, operado  pela equipe da americana Phoenix Internacional – os braços hidráulicos do aparelho não tem a mesma destreza de um mergulhador. Os policiais supervisionam a operação através de imagens na TV, decidem em concertação com os técnicos da Phoenix e depois, cuidam do corpo resgatado. O navio está equipado de câmara frigorífica capaz de manter temperatura de doze graus Celsius negativos. Um fragmento do corpo, encontrado  em “avançado estado de putrefação” e ainda “atado em uma poltrona do avião”, será enviado junto com as caixas-pretas para exame de DNA em um laboratório de Paris, na França.

Se a identificação for possível através do material genético, os corpos estão submersos há quase dois anos, a equipe de oito policiais  franceses – Policia Judiciária (OPJ), Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) e IRCGN — no ‘Ile de Sein’  será reforçada. Outras tentativas serão realizadas nos próximos dias. Os resgate das peças do avião continuam no mesmo ritmo.

No acidente com o Airbus A330 do voo AF 447 morreram todas 228 pessoas que estavam a bordo da aeronave – 32 nacionalidades, entre elas, 73 franceses, 58 brasileiros e 26 alemães.  Em 2009, cinquenta corpos foram resgatados. As autopsias foram feitas no Instituto Médico Legal de Recife – é o que a Associação de Famílias de Vitimas brasileiras deseja que aconteça agora, embora as autoridades francesas neguem o pedido.

Os exames dos primeiros corpos revelaram sinais claros das “quatro fraturas” – o termo de medicina legal identifica vítimas com fraturas nos terços médios das pernas e braços. Isso acontece em acidentes em que o impacto com a água ocorre quando os passageiros ainda estão sentados em suas poltronas.

O corpos analisados em Recife não apresentavam queimaduras e a estrutura óssea estava basicamente preservada o que descarta a possibilidade de explosão no ar. Algumas vítimas ainda estavam vestidas e até com cartão de embarque no bolso, portanto não houve atrito com alta velocidade do ar dentro da cabine ou as roupas estariam estraçalhadas como a vela de um barco sob forte tempestade.

O Airbus A330 da Air France chocou-se inteiro contra a superfície do Atlântico em forte “aceleração vertical”, como confirma relatório preliminar do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente. No impacto com  a água, o avião – pesava 220 toneladas e perdeu 11 quilômetros de altitude em 5 minutos – estava em “linha de voo”, quase na que posição horizontal, sem empuxo significativo, mas com ângulo de ataque de alguns graus positivos. Ou seja, com o “nariz” levemente empinado. A cauda tocou primeiro na água.

Isso pode explicar porque a maior parte dos 50 corpos encontrados anteriormente estavam entre o cockpit e o inicio da asa. A parte da frente se espatifou lançando os ocupantes na água causando politraumatismo agudo –  a ação de alavanca explicada por Arquimedes, na Antiguidade. Os corpos na planície abissal estão relativamente enfileirados e muitos, dentro da fuselagem que manteve-se inteira, entre a asa e a cauda.

Talvez a derradeira contribuição das vítimas aos vivos seja ajudar a contar o que aconteceu. Diariamente, 13 milhões de passageiros cruzam o céu do planeta. A metrópole voadora só é menor que Xangai e Mumbai. Ela depende em muito da resposta a uma pergunta singela: O que aconteceu com o voo AF 447?

Atualização, 06/05/2011: O segundo corpo, em pior estado de degradação que o primeiro e não atato com cinto de segurança na poltrona do avião, foi resgatado. Uma biopse será enviada à Paris para exame de DNA. A Justiça francesa decidiu enviar mais 12 legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) para refoçar a equipe a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’ em operação a 1 100 quilômetros nordeste de Recife. Eles terão como missão ajudar no resgate dos restos mortais das vítimas – em torno de 150, no fundo do Atlântico. A inteção das autoridades é recuperar o máximo possível, inclusive, os pertences dos passageiros e tripulantes.

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Leia o postOficial: França tentará resgatar corpos de vítimas

Por Antonio Ribeiro

04/05/2011

às 13:24 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Oficial: França tentará resgatar corpos das vítimas

Philippe Vinogradoff

Agora é oficial. Preto no branco com assinatura por debaixo. O diplomata Philippe Vinogradoff, representante especial do governo francês junto às famílias das vítimas do voo AF 447, escreveu hoje aos parentes  informando sobre  tentativa de resgate dos corpos consevardos depois de quase dois anos à 3 900 metros de profundidade no Oceano Atlântico. “As peças do avião úteis para o inquérito vão agora ser içadas e as equipes da Gendarmerie Nationale a bordo do navio Ile de Sein, vão tentar a recuperação de um primeiro corpo”, escreveu em português com sotaque o embaixador Vinogradoff, ex-consul da França em Miami.

O resgate dos corpos é uma operação delicada, de êxito incerto. A tentativa será realizada por nove técnicos da empresa americana Phoenix International que, a bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’, operam o veículo autônomo submersível Remora 6000. “Nós temos experiência de sucesso em 57 resgates de corpos de vítimas no mar, não vou entrar em detalhes sobre o nosso método em respeito às famílias, mas é possível sim”, disse ao Blog de Paris, Steven Saint Amour, diretor da Phoenix.

Três equipes da Phoenix, cada uma com dois operadores e um supervisor, se revezam em turnos de oito horas. O funcionamento remoto do Remora 6000 requer dois operadores: um deles é responsável pelo deslocamento e estabilidade do robô submarino enquanto o outro, cuida dos movimentos dos braços mecânicos. Os comandos se fazem através de joysticks como os de vídeo game e em frente a telas de TV. As imagens  são captadas pela câmera de alta definição do Rêmora 6000.

“O resgate dos corpos provoca uma carga emocional pesada em nossos operadores”, conta Saint Amour. O conjunto adiposo do corpo humano submerso na água durante longo período provoca saponização na derme. A reação química  dificulta a aderência.  Seguido ao resgate dos restos mortais das vítimas do acidente aéreo de Sharm el-Sheikh, no extremo sul da península do Sinai, junto do Mar Vermelho, alguns participantes da operação precisaram  de apoio psicológico durante seis meses.

O Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, diz que o mosaico montado a partir de 13 000 fotografias submarinas mostraram uma cena de horror, “dezenas e dezenas de corpos” junto aos destroços do Airbus A330-203. A consevação se deu devido baixa temperatura no fundo do mar – entre um e zero graus Celcius.

“Neste nível de temperatura, a decomposição é mais lenta”, disse ao Blog de Paris, Jean-Sebastian Raul, professor-legista do Instituto de Medicina Legal de Estrasburgo. “As bactérias anaeróbias do intestino, não precisam de oxigênio e provocam putrefação, ficam inativas, mas basta haver aumento na temperatura que o processo se coloca em marcha.” O lança-cabos ‘Ile de Sein’ foi equipado com camaras frigoríficas cuja temperatura é de doze graus negativos.

Há também risco de desmembramentos dos corpos durante o içamento. Isso porque haverá diminuição na forte pressão da água – 390 atmosferas – que contribuiu para manter a estrutura corporal. Será a primeira vez em que se irá tentar resgatar restos mortais em quase quatro quilômetros de profundidade. Caso corpos de vítimas da tragédia do voo AF 447 forem recuperados, eles serão levados primeiro para  Caiena onde embacarão em avião para França.

O legistas do Institudo Médico Legal de Paris farão o exames de DNA e análises para o processo penal sobre o acidente do AF 447. Em seguida, os corpos serão devolvidos aos familiares. Nelson Marinho, presidente da associação dos parentes das vítimas brasileiras e que perdeu o filho de 40 anos no acidente, reivindica que os exames sejam feitos em Recife como quando foram resgatados os primeiros 50 corpos entre os 288 que morreram na tragédia.

Leia o post do Blog de Paris: “Air France 447, thank you.’ Foi a última frase que o mundo ouviu vinda do Airbus A330. Depois de quase dois anos de silêncio, as caixas-pretas podem contar o que aconteceu.”

Por Antonio Ribeiro

03/05/2011

às 7:55 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

‘Air France 447, thank you.’ Foi a última frase que o mundo ouviu vinda do Airbus A330. Depois de quase dois anos de silêncio, as caixas-pretas podem contar o que aconteceu.

Laboratorios do BEA e a segunda caixa-preta recuperada

“Air France 447, thank you”, agradeceu Marc Dubois, o comandante de bordo, sentado na poltrona do co-piloto do A330. Na hora de Brasília, os relógios marcavam 23h35 e 46 segundos da noite do 31 de maio de 2009. Foi a última vez que o mundo ouviu uma voz vinda da aeronave, no caso, os controladores de voo em Recife. Pouco mais de uma hora depois, o Airbus chocou-se inteiro contra a superfície do Oceano Atlântico matando todas as 228 pessoas a bordo, entre elas, 59 brasileiros.

Depois de quase dois anos, o mundo está perto da confirmação das causas do acidente. Oficialmente, elas ainda  não foram declaradas embora se saiba que os sensores Pitot – medem a velocidade do avião – enviaram informações incoerentes ao sofisticado e quase autônomo sistema de computadores do A330 que delega, no máximo, 70% do comando ao piloto. Isso porque os investigadores do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente, já estão de posse, das duas caixas-pretas. Ambas estão, visualmente, em bom estado.

O veículo autônomo submersível Remora 6000, da americana Phoenix International, localizou ontem às 18h50 o Cockpit Voice Recorder (CVR, na sigla em inglês) e oito horas depois, içou o aparelho da planície abissal a 3 900 metros de profundidade no Atlântico para bordo do navio lança-cabos ‘Ile de Sein’. O CVR grava os sons na cabine e as conversas entre os pilotos com outras aeronaves ou controladores de terra – trinta minutos de áudio em alta qualidade anteriores ao momento do acidente e duas horas em modo normal.

Entretanto, ‘La Capricieuse’, navio-patrulha costeiro classe P400 da Marinha da França, navega em direção a zona do acidente – está prevista uma escala em porto brasileiro para abastecimento. O navio de guerra irá escoltar as caixas-pretas até o Caiena, na Guiana Francesa, onde os aparelhos, lacrados por oficiais da Policia Judiciária (OPJ) francesa e sob custodia de agentes da Gendarmaria do Transporte Aéreo (GTA) serão embarcados em avião com destino ao aeroporto Le Bourget, norte de Paris, onde fica a sede do BEA, um dos cinco lugares no mundo com dispositivos para ler caixas-pretas e onde trabalham 110 funcionários.  Estima-se que as caixas-pretas cheguem na França entre os dia 8 a 10 de maio.

CVR: lacrado em "aquário"

O despacho número 842/MD do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, que o Blog de Paris teve acesso, prevê que o Coronel Aviador Luiz Cláudio Lupoli, “representante credenciado” do Brasil junto às investigações do órgão estatal francês, acompanhe apenas a operação de resgate “com ônus total para o Comando da Aeronáutica”. Quer dizer, até o embarque das caixas-pretas em Caiena. Será nos laboratórios do BEA, em Paris, e somente em presença dos investigadores franceses e de um oficial da OPJ, o momento determinante da investigação: verificar se as caixas-pretas estão em condições de “falar”.

Se  tudo estiver bem, as informações poderão ser extraídas em menos de 20 minutos por um leitor portátil, mas se os registros estiverem ruins, a leitura pode-se levar de 2 a 3 dias. Será então possível conhecer além da comunicação dos pilotos, 1 300 parâmetros do Airbus durante as 25 horas antes da tragédia, altitude, velocidade, trajetória, funcionamento do piloto automático e turbinas, posição dos instrumentos de navegação e até detalhes como a hora exata em que um passageiro abriu a porta de banheiro a bordo. “Em poucas horas saberemos, grosso modo, o que aconteceu, a análise mais fina levará meses”, disse fonte próxima a investigação.

A manipulação das caixas-pretas para decodificar dados e áudios será registrada por uma câmera de vídeo. O técnico do BEA terá que narrar em tempo real o que está fazendo. Se os conteúdos armazenados nos microchips – como  os cartões de memória flash das cameras fotográficas digitais – estiverem corrompidos, ainda haverá esperança. As caixas-pretas serão enviadas para o fabricante americano Honeywell, nos Estados Unidos. Neste caso, a tentativa de restauração dos dados pode levar meses.

Em 23 meses de buscas, já foram gastos 35 milhões de euros. A recuperação das caixas-pretas pode ser boa notícia para Air France porque é uma maneira de provar que houve eventualmente erro dos pilotos, minimizando a resposabilidade da companhia. Para Airbus, a descoberta é menos interessante, uma vez que, pode-se confirmar falhas no funcionamento do equipamento.  Ainda não há uma posição oficial sobre o eventual e delicado resgate dos corpos das vítimas da tragédia, a decisão é exclusiva da justiça francesa. Os parentes aguardam, uma vez mais, ansiosos.

Leia o post do Blog de Paris: “A origem da caixa-preta

Por Antonio Ribeiro

02/05/2011

às 21:03 \ História

A origem da ‘caixa-preta’

Hitler e pilotos da Luftwaffe

A primeira caixa-preta foi idealizada pelo ditador nazista Adolf Hitler após a morte de seu amigo e ministro Fritz Todt, num acidente aéreo, em fevereiro de 1942. Desde então, os aviões importantes da Luftwaffe, a força aérea alemã, eram obrigados a ter instalado o dispositivo que gravava magneticamente as conversas dentro da cabine de pilotagem. No entanto, a invenção de seu primeiro protótipo é atribuida ao Dr. David Warren na Austrália em 1953 porque após a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial o mecanismo ficou esquecido. Foi no final da década de quarenta que se desenvolveu um gravador que utilizava como meio armazenador uma fita de metal, que era, de forma inerente, muito mais resistente às chamas do que a fita plástica convencional. O equipamento com este tipo de fita tornou-se mais apropriado para resistir à um acidente aéreo. Atualmente se usam equipamentos baseados em bancos de chips em invólucro resistente à chamas e impactos com capacidade bem superior. Os primeiros gravadores de audio eram realmente pretos como todos os demais aviônicos.

Leia o post do Blog de Paris: “França envia navio-patrulha para escoltar a caixa-preta” do voo AF 447

Por Antonio Ribeiro

 

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