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Posts com a tag ‘AF 447’

O bizarro silêncio da Air France

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 | 9:03
O contrôle, a zona de turbulência, o Airbus e a rota

O contrôle, a zona de turbulência, o Airbus e a rota

É batata. Sempre que vai aparecer uma notícia ruim, o serviço de comunicação da Air France tenta tapar o sol com a peneira. Ontem, a política bizarra de informar às avessas foi igual. De manhã, a companhia distribuiu nota aos jornalistas informando que a Air France ganhou prêmio de “desenvolvimento sustentável”. À noite, emergiu a informação de que no dia 29 de novembro, no trajeto Rio-Paris,  o Aibus 330-200 do vôo AF 445 (antigo AF 447) passou por graves dificuldades exatamente na zona da tragédia aérea que matou 228 pessoas no início de junho de 2009. Detalhe edificante: a Air France não comunicou o incidente no prazo regulamentar às autoridades da aviação civil. Quando foi solicitado os dados das caixas-pretas, a companhia informou que eles tinham sido apagados pelos registros do voo seguinte da aeronave em questão.

Segundo o relatório do comandante de bordo (Air Safety Report), o Airbus A330-200 (mesmo modelo ao do acidente do AF 447), decolou do Rio de Janeiro às 17h20, entrou em uma zona de forte turbulência 60 milhas (96,5 quilômetros) antes do Ponto Dekon. O avião voava no nível 380 (11.500 metros de altitude) na rota UN886. As condições meteorológicas, ainda segundo o piloto, impediram a aeronave de seguir a rota. Ele foi obrigou fazer uma manobra de descida até o nível 360. Ou seja, baixou 2.000 pés (620 metros). A tripulação não conseguiu prevenir o Contrôle Atlântico (Recife). A tripulação lançou um aviso “Mayday”. Trata-se de procedimento obrigatório quando  a urgência da situação obriga alterar o nível de altitude. Serve para evitar colisão com outras aeronaves que cruzam o mesmo espaço aéreo.

Depois do pouso no aeroporto parisiense Charles de Gaulle, o comandante de bordo Hugues Faure redigiu o relatório. Ele foi entregue ao seu superior como determina o regulamento. No entanto a Air France não transmitiu o relatório no prazo estabelecido pela legislação - 72 horas - a Direção Geral da Aviação Civil (DGAC). O Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA, responsável pela busca das causas da tragédia do voo AF 447, foi informado do incidente não pela Air France, mas pelo piloto do voo JJ8055, da TAM, que estava próximo a zona no momento. Seguido ao pouso em Paris, o avião foi submetido a uma “limpeza reforçada” devido aos vômitos de passageiros - um deles, ocupante do assento 4T, conta que teve a impressão que a aeronave estava fora de controle durante a descida forçada.

No inicio de dezembro, o BEA abriu uma investigação para apurar as causas. Solicitou a Air France os dados das caixas-pretas - registros dos parâmetros de voo (DFDR) e o áudios com vozes dos pilotos e seus eventuais interlocutores (CVR). A companhia informou que o A330-200 havia decolado para Bangalore na Índia depois der realizado o voo AF 445. Os dados antigos tinham sido apagados pelos registros do novo voo. Em efeito, as caixas-pretas registram os dados das ultimas 25 horas de voo, mas se acontece um novo voo, os dados mais recentes são gravados em cima dos antigos. As companhias aéreas utilizam um sistema de registros suplementar, o QAR. Ele serve, sobretudo, para orientar à manutenção no solo. Segundo o porta-voz do BEA, a Air France informou que os dados suplementares não tinham sido registrados devido a um erro de formatação.

Por Antonio Ribeiro

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Air Sarko One

sábado, 14 de novembro de 2009 | 8:34

airsarkoOs parlamentares franceses aprovaram a compra - 185 milhões de euros  - de um Airbus A330, o mesmo do acidente com do voo AF 447, para servir, a partir do fim de 2010, como avião do presidente da França. O “Aerolula” francês já ganhou o apelido de “Air Sarko One”, em referência ao Air Force One, o Boeing 747-200B do presidente dos EUA. Estima-se em 20.000 euros a hora de voo do novo avião. Ele será equipado de sofisticadíssimo sistema de comunicações, instalações médicas, sala de reuniões, escritório, quarto com banheiro e defesa anti-missil. Está sendo examinado também um pedido de verbas para a compra de um jatinho Falcon 7x, da francesa Dassault Aviation, fabricante dos Rafale. Ele  servirá para os deslocamentos curtos de Nicolas Sarkozy. Ninguém pode dizer que faltou a preferência pela identidade nacional na escolha dos aparelhos.

Por Antonio Ribeiro

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Aumenta a tensão entre Air France e seus pilotos

terça-feira, 27 de outubro de 2009 | 7:50

afxpilotos

Tic tac tic tac tic tac. O ponteiro mais curto deu mais de 3.552 voltas na circunferência desde que o Airbus 330 do voo AF 447 desapareceu dos radares  sobre o Oceano Atlântico, a 960 quilômetros da costa brasileira, na rota entre  Rio e Paris. Nenhuma autoridade responsável pela aviação civil explicou aos parentes das 228 vítimas porque a tragédia aconteceu. O maior acidente da história da Air France deixou um legado de dor e tristeza, aumentou o receio de embarcar em aviões e encetou uma guerra no interior da companhia aérea entre a direção e os pilotos.

Em um memorando interno do dia 20 de outubro endereçado a todas  as tripulações de cabine. A Air France recomendou mais rigor nos procedimentos básicos de segurança e advertiu que as críticas à companhia e “falsos debates” sobre a segurança devem cessar. Pierre-Marie Gautron, chefe das operações da Air France, e Etienne Lichtenberger, chefe de segurança, autores do documento, afirmam: “Não há necessidade de modificar os procedimentos, nem de criar novos.”

Os pilotos dizem ter perdido a confiança na direção da empresa, sugerem que a Air France manobra transformá-los em bodes expiatórios diante da própria incapacidade para manter a segurança dos vôos devido a economia de custos. “O memorando é inaceitável”, diz Erick Derivry, porta-voz da SNPL, o maior sindicato de pilotos da Air France. A maior empresa aérea da França lembra que as causas do acidente com o AF 447 ainda são desconhecidas. Os sindicatos dos pilotos crêem que a Air France prepara o terreno para declarar que a causa da tragédia do AF 447 foi erro humano.

Por Antonio Ribeiro

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A “caixa-preta do BEA” pendura as chuteiras

terça-feira, 13 de outubro de 2009 | 11:46
Sombras e... água fresca

Sombras e... água fresca

Paul-Louis Arslanian diretor do Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA, responsável pela busca das causas da tragédia do voo AF 447, onde morreram 288 peessoas, foi discretamente aposentado.

A versão oficial quer fazer crer que o diretor de 65 anos chegou à idade da aposentaria. Conversa fiada. Arslanian foi afastado por Dominique Bussereau, secretário de Estado dos Transportes da França, seguido a investigação paralela de dois pilotos sobre o acidente. Eles demonstraram claramente que era incorreta a tese do BEA de que o congelamento dos Tubos Pitot foi apenas um entre os vários fatores que causaram a tragédia.

Caberá agora ao engenheiro Jean-Paul Troadec, de 60 anos, que assume o BEA, fornecer a versão oficial das causas do acidente. Ninguém, na imprensa brasileira, evidenciou tanto e de forma tão explicita os despautérios de Arslanian, a « caixa-preta » do BEA, do que o blog De Paris. Os leitores e imprensa francesa notaram. Vamos em frente.

Por Antonio Ribeiro

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Pitot: TAM responde ao leitor Adalberto Queiroz

sexta-feira, 9 de outubro de 2009 | 16:09

Queiroz e o Airbus A300-200 da TAM

Queiroz e o Airbus A330 da TAM: trocas de e-mails e dos Tubos Pitot

Meu caro Monsieur Ribeiro.

Para seu conhecimento e de seus leitores, anexo a correspondência da TAM Fale com o Presidente, número 20788894.

São Paulo, outubro de 2009.

Prezado Sr. Adalberto,

Tomamos conhecimento de seu e-mail enviado ao serviço Fale com o Presidente e agradecemos sua atenção em entrar em contato conosco.

Com relação ao seu questionamento, informamos que a TAM já efetuou a substituição do sensor do tubo de Pitot em toda a sua frota Airbus em operação, o que foi finalizado em 01/09/2009 seguindo a recomendação feita pela EASA (European Aviation Safety Agency) e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Esperamos ter esclarecido as suas dúvidas, mas saiba que estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se sejam necessários.

Atenciosamente,

Equipe Fale com o Presidente
TAM Linhas Aéreas

Por Antonio Ribeiro

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“Sem o defeito nas sondas, o acidente não teria acontecido”

segunda-feira, 5 de outubro de 2009 | 19:04

Tubo Pitot

Tubo Pitot

Celebra-se este mês o nascimento do Concorde. O único avião de passageiros ao lado da sua cópia soviética, o Tupolev Tu-144 ou “Concordski”, capaz de romper a velocidade do som. No entanto, esta semana a lembrança é sombria. Tem início o julgamento penal dos acusados pela tragédia que matou todos os 100 ocupantes do supersônico franco-britânico e contribuiu para aposentar as 20 aeronaves do tipo.

A glória custosa de 920.000 horas de voo do Concorde - o “pássaro branco” fazia o trajeto Paris-Rio em apenas 5h45, mas consumia 22 toneladas de querosene por hora - terminou semeando destroços em um campo de trigo, no subúrbio de Paris, dia 25 de julho de 2001. Foi o único acidente da sua história. O destino determinou que o avião encerrasse sua carreira com as cores da Air France estampadas na elegante fuselagem.

Dois pilotos experientes e consultores em uma dezena de acidentes de avião não acreditam que as tragédias aéreas acontecem por obra do acaso como, muitas vezes, tenta fazer crer o Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA. Mais do que isso. Eles acham que nem sempre as versões do BEA correspondem a realidade. Em muitos casos, não é necessário encontrar as caixas-pretas para se chegar a origem da catástrofe como sustenta o BEA. O maior acidente da história da Air France, o voo AF 447 (Rio-Paris), no qual morreram 228 pessoas, encaixa-se como uma luva nas três categorias, segundo a dupla pilotos. Eles oferecem a prova.

Gérard Arnoux, comandante de bordo de Airbus 320 e presidente do Sindicato de Pilotos da Air France (Spaf), de 58 anos e Henri Marnet-Cornus, ex-piloto de caça e de aviões de passageiros, de 60 anos, apoiaram-se em 47 documentos oficiais para escrever um relatório sobre as causas do acidente com o vôo AF 447. A análise joga por terra a tese do BEA de que os Tubos Pitot AA, não estão na origem do acidente. Os Pitot, fabricados pela francesa Thales, são sensores externos que enviam informações sobre as pressões para o sofisticadíssimo e quase autônomo sistema de bordo do A330 calcular a velocidade da aeronave.

Para o BEA, as leituras “incoerentes” dos sensores não foram determinantes, mas apenas um fator entre vários outros. Na análise dos pilotos fica claro que o defeito desencadeou uma sequência de panes que levou o avião à uma situação em que  a tripulação não estava devidamente treinada para enfrentar. Arnoux  martela: “Sem o defeito nas sondas, o acidente não teria acontecido.”

Os pilotos acusam a Air France e Airbus de “negligências” graves. Os problemas com as sondas foram diagnosticados em 2002.  Desde então, foram registrados vários incidentes nos quais os sensores deram o pontapé inicial sem que o fabricante e a companhia aérea tomassem as devidas providências. A Air France forneceu aos pilotos do vôo AF 447 uma previsão meteorológica produzida 24 horas antes do acidente. Na madrugada dia 1 de junho,  quando ocorreu a tragédia, havia uma rota mais segura que a  que foi feita pelo A330. Na carta meteorológica de horas antes da decolagem, podia se ver bem a  melhor opção. Os pilotos não sabiam. Embarcaram com informação desatualizada.

Os pilotos realçam também a parte de responsabilidade na tragédia das autoridades tutelares da aviação - o BEA, Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) e Agência Européia de Segurança Aérea (AESA). Sabia-se, por exemplo, que a certificação das sondas datavam dos tempos em que os aviões não voavam a altitudes tão altas, portanto os exames não levavam em conta o efeito dos cristais de gelo nas sondas.

Por Antonio Ribeiro

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A tragédia poderia ter sido evitada

domingo, 4 de outubro de 2009 | 9:06

relelacoesaf447

Em um relatório com 47 documentos que será entregue esta semana à Justiça francesa, dois veteranos pilotos de linha evidenciam falhas do Airbus 330 e as “negligências” da Air France que causaram a morte de 228 pessoas no acidente do vôo AF447 durante o trajeto Rio-Paris. O congelamento dos tubos Pitot AA, fabricados pela companhia francesa Thales — eles medem a velocidade do avião — é a principal causa do acidente, segundo o relatório, “Vamos torcer o pescoço da tese oficial formulada pelo Escritório de Investigações e Análises  francês que sustenta não poder encontrar as causas do acidente sem as caixas-pretas.” diz Gérard Arnoux, presidente do Sindicato dos Pilotos da Air France  (Spaf) e  um dos autores do relatório. “Os mortos não podem ficar esquecidos no fundo do mar.”

Por Antonio Ribeiro

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Sindicato de pilotos acusa o BEA de camuflar as causas do acidente

quarta-feira, 2 de setembro de 2009 | 8:21

af447bea

Gerard Anoux, presidente do SNPL, sindicato majoritário dos pilotos da Air France, acusou o BEA de esconder as causas do acidente com o voo AF 447. “Eles estão tentando colocar a culpa nos pilotos, não querem mostrar a verdade”. Piloto de A320, o comandante de bordo Arnoux foi categórico: “O que está em questão é a arquitetura do A330, não teria havido acidente se os tubos de Pitot tivessem funcionado direito.”

Em julho, na falta de recomendação do BEA, a Agencia Européia de Segurança de Voo, EASA na sigla em inglês, ordenou que os tubos de Pitot, fabricados pela francesa Thales, fossem substituídos por sondas da americana Goodrich, utilizados por 70% da frota mundial de aviões de linha.

Christophe Guillot-Noël, presidente  da associação das vítimas francesas, que perdeu seu irmão na tragédia do AF 447 diz que a Air France está “ofuscando” as informações. “Escrevevemos uma carta com questões ao presidente da companhia Pierre-Henri Gourgeon, as repostas foram vagas e insuficientes, no entanto, ele não hesitou em cogitar o erro de pilotagem como a causa do acidente. Me parece pouco satisfatória a tese do erro humano considerando que o sistema ADIRU entrou em pane, os tubos Pitot falharam e o piloto automático parou de funcionar .”

O escritório de advocacia que defende 30 famílias das vitimas do AF 447 afirma que a Air France terá que enfrentar nos tribunais o pedido de que sejam pagas indenizações de 450 milhões de dólares - o que coloca em risco o bom funcionamento da maior companhia francesa. “A Air France e a Airbus eram capazes de prever o acidente.”

A Convenção de Montreal estabelece que a companhia aérea é obrigada a pagar 90.000 euros por vítima fatal sendo que, 17.000 euros devem ser repassados imediatamente. No entanto, dependendo dos casos, a indenização pode variar entre 3 a 5 milhões de dólares. As famílias das vítimas do acidente do Concorde, em julho de 2000,  por exemplo, entraram com ação em um tribunal de Nova York , Depois de um acordo amigável. A Air France  indenizou cada vítima em um milhão de dólares.

Por Antonio Ribeiro

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“Daqui um ano, ano e meio.” Ou mais para frente.

terça-feira, 1 de setembro de 2009 | 19:09

maraf447

Lá vamos nós outra vez.

Familiares das vítimas brasileiras do acidente com voo AF 447 (Rio-Paris) que matou 228 pessoas na madrugada do 1 de junho de 2009, fizeram um pedido formal ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Eles querem que as autoridades brasileiras tenham atuação mais severa junto as investigações francesas sobre as causas da tragédia.

Se o governo Lula agir com um pouquinho mais de empenho do que no caso do mineiro Jean Charles de Menezes, assassinado pela Scoland Yard no metrô londrino, será mais do que nada. Na época, Amorim pavoneou na capital britânica, fez declarações evocando grandes princípios e depois, teve mais o que fazer. Os ingleses tomaram conta do assunto e os pais de Jean Charles,  em Córrego dos Ratos, zona rural de Gonzaga, tratam da ausência eterna do filho.

Ontem, Paul-Louis Arslanian, diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA), confirmou que sua equipe ainda “não entendeu quais foram as causas do acidente”. O relatório final das investigações está previsto, a princípio, ainda segundo o diretor, para “daqui um ano, ano e meio”. Não há nenhuma garantia de que ele seja conclusivo

Uma terceira fase de buscas às caixas-pretas, perdidas nas profundezas do oceano Atlântico,  terá inicio no outono do hemisfério norte. “Quando no outono, eu não sei” , pecisa Arslainian. O termino tem prazo dado para dezembro. França, Brasil, Estados Unidos e Alemanha irão participar das operações. Arslainian com exatidão sob medida para jornalistas que ele aprecia, estimou o custo em “mais de 10 milhões de euros ou talvez, dezenas de milhões de euros.” A Airbus, fabricante do A330-200 acidentado dispõe ajudar com até 12 milhões de euros para as buscas das caixas-pretas cujos emissores de sinais sonoros emudeceram.

Três meses depois do maior acidente da sua historia, a Air France decidiu que era boa hora para seus pilotos  fazerem treinamento especial em simuladores de vôo que reproduzem circunstâncias semelhantes as da tragédia com o AF 447. Eles incluem situação na qual os tubos Pitot fornecem informações incoerentes ao sistema de navegação. O BEA considera o mal funcionamento dos tubos, que medem a velocidade do avião,  “um elemento, mas não a causa” do acidente.

O governo francês propôs levar os familiares das vitimas - 32 nacionalidades - à zona do acidente para realizar em outubro ou novembro uma cerimônia comemorativa. A associação dos familiares das vitimas francesas pediu ao BEA que especialistas ecolhidos por ela possam acompanhar a terceira fase das buscas. Perguntado qual era primeira preocupação dos familiares, Pierre-Jean Vandoores, representante especial do governo francês para o caso, respondeu: “Conhecer a verdade.”

Por Antonio Ribeiro

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Como se diz batata quente em senegalês?

sexta-feira, 3 de julho de 2009 | 12:57


Os franceses chamam de bola de rúgbi. Os brasileiros, também jocosamente, de “batata quente”. Os senegaleses, certamente, tem expressão para descrever, de maneira coloquial, a transferência de responsabilidade ou de questão incomoda. (O blog DE PARIS promete assuntar qual é?). A Agência de Segurança Aérea na África e Madagascar, ASECNA na sigla em francês, acaba de fazer dupla com o BEA em uma acusação contra o Brasil.

“Como indica as conclusões do BEA, o voo AF 447 nunca foi transferido ao centro de Dakar”, dizem os africanos. A agência sediada no Senegal desde 1959 — ela cuida do controle aéreo de 16 paises africanos e da França, em zona de 16 milhões de quilômetros quadrados — afirma que era de responsabilidade do “centro de controle do Atlântico”, leia-se controle aéreo brasileiro, “a missão de informar ao centro de Dakar sobre a chegada de um avião no limite do seu espaço aéreo para que este assumisse a vigilância.”

O Brasil respondeu ontem de bate-pronto a insinuação do BEA em uma declaração do porta-voz da Aeronáutica, o tenente-coronel Henry Munhoz. Segundo ele, às 22h35 do dia 30 de maio, o controle aéreo brasileiro informou ao controle senegalês que o avião passaria por uma posição virtual chamada “ponto Tasil” e que entraria no espaço aéreo do Senegal às 23h20. Não só. Depois de matar a cobra, mostram o pau — vamos também descobrir a analogia senegalesa da expressão. A Aeronáutica divulgou o áudio da conversa entre os controladores.

Mas o diabo mora nos detalhes — o provérbio popular é bem francês. O tenente-coronel foi em frente afirmando que um há acordo entre o Brasil e o Senegal prevendo que se Dakar não avisar que o avião entrou em seu espaço aéreo, fica entendido que o avião entrou. No jargão jornalístico inglês, no news is good news. Dito em português: se não há notícia é boa notícia, tudo bem, brancas nuvens.

Para o ASECNA a informação da Aeronáutica não tem fundamento. “Não existe nenhuma disposição desta natureza prevista no acordo entre os centros de controle aéreos do Atlântico e Dakar”, diz o comunicado da agência africana. O quiproquó tem relevância porque levou-se 8 horas depois do desaparecimento do Airbus do vôo Air France 447 para que o primeiro navio fosse despachado para zona do acidente.

Por Antonio Ribeiro

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