12/05/2011
às 19:16 \ Voo AF447 (Rio-Paris)Resgates de vítimas depende dos exames de DNA
O Procurador Adjunto da República Francesa, Jean Quintard, anunciou que o resultado dos exames de DNA nos dois corpos de vítimas do voo AF 447 – resgatados a 3 900 metros de profundidade no Atlântico, depois de permanecerem quase dois anos – será conhecido na quarta-feira, 18 de maio. É uma informação capital sobre os resgates. “Se a identificação não for possível, encerraremos os resgates”, disse o magistrado do Tribunal de Grande Instância de Paris que conduz processo criminal no qual a Air France e a Airbus foram indiciadas por homicídio culposo de 228 pessoas a bordo da aeronave acidentada na madrugada do 1 de Junho de 2009. Pela primeira vez, a Justiça francesa revelou que em torno de 50 corpos estão no fundo do oceano.
O procurador Quintard está convencido de que todas as vítimas morreram da mesma forma. Ou seja, devido ao forte impacto do Airbus A330 contra a superfície do Atlântico. Portanto, do ponto de vista técnico da investigação, para a Justiça francesa, o resgate de novos corpos não acrescentaria nenhuma informação adicional às autopsias realizadas no Instituto Médico Legal de Recife. Não é uma posição de consenso entre os especialistas que debruçaram sobre o estudo do acidente. Alguns acreditam que pode ter havido morte por afogamento, sobretudo nos passageiros sentados na traseira do avião.
Sem contabilizar os milhares de amigos, 2 500 familiares das vítimas – 32 nacionalidades, entre elas 59 brasileiros – aguardam com angustia e sofrimento renovado sempre que surgem informações sobre o resgate. Muitas vezes, elas são apresentadas de maneiras conflitantes e imprecisas. A condição de que um dos dois corpos possa ser identificado, a Justiça francesa informou seu critério. “Resgataremos somente os corpos das vítimas que pudermos, decentemente, entregar às famílias”, escreveram os juízes de instrução Silvie Zimmerman e Yann Daurelle, em carta endereçada aos parentes dia 10 de maio.
Um laboratório privado parisiense está realizando os testes de DNA em ossos longos, como fêmur e tíbia, nos quais a concentração de DNA é maior. O Dr. Sergio Pena, do Laboratório Gêne e professor de bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos maiores especialistas em sequenciamento de DNA no Brasil, considera que embora não seja possível garantir com precisão antes de análises, as condições são favoráveis para a identificação da maioria dos restos mortais das vítimas.
Não há unanimidade entre os parentes se os corpos devem ou não ser resgatados. As divergências são de ordem emocional, mas também cultural. Na França, por exemplo, há uma velha tradição naval de que as sepulturas marinhas devem permanecer invioláveis. Mas isso não quer dizer que famílias francesas, a exemplo da vasta maioria das brasileiras, não desejam receber os restos mortais para, através de cerimônias da despedida derradeira, ajudar a colocar ponto final em um longo luto.
A associação de famílias das vítimas brasileiras irá pedir, caso os franceses interropam o resgate, contra-provas através de exames realizados no Brasil. Há também questões administrativa como a falta da Certidão de Óbito. A ausência do documento impede a movimentação de contas bancárias, processos de herança que para as famílias as quais a tragédia levou também importante suporte financeiro, dificulta o pagamento de contas, alugueis e etc. Neste aspecto, a legislação francesa é bem mais maleável que o rigor no Brasil. Isso porque o país europeu tem uma velha tradição de lidar com situações de indivíduos desparecidos em guerras e tragédias e situações análogas.
Caso a Justiça francesa decida pela retomada dos regastes dos corpos, ele começará por volta do dia 20 de maio. Antes disso, o navio lança-cabos ‘Ile de Sein’ irá a Dakar, no Senegal, para substituir a tripulação e embarcar quatro legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Gendarmaria Nacional (IRCGN) da França que irão reforçar a equipe de regates.
Leia o post do Blog de Paris: “Áudio dos pilotos do AF 447 jamais será divulgado“
Tags: acidente, acidente aéreo, AF 447, Air France, Airbus, DNA, Instituto Médico Legal, IRCGN, Jean Quintard, resgate, Sergio Pena, Tribunal de Grande Instância de Paris









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