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04/03/2012

às 14:26 \ Sem Categoria

Perna de pau

Jérôme Valcke

Quando o francês Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, afirmou que os organizadores da Copa no Brasil mereciam “um chute no traseiro”, ele pensou em uma expressão muito comum no seu país: un coup de pied au cul. Soa pesado, mas na França não é tanto quanto no Brasil. Há bem pouco tempo, o ministro da Defesa francês, Gerard Longuet, usou exatamente a mesma elegância ao sugerir como deveriam ser tratados China e Rússia no Conselho de Segurança da ONU devido aos vetos de ações contra ao ditador sírio Bashar Assad. Segundo ele, os dois países deveriam receber coup de pied au cul da comunidade internacional por “recusarem assumir suas responsabilidades”. Seja lá como for, a linguagem não é adequada em parte alguma, completamente inapropriada, sobretudo, para ocupantes de cargos de governança. Denota desenvolturas que Valcke e Longuet não se permitiriam ter com dirigentes do Velho Continente. Isto posto, no fundo das questões, os dois franceses estão certos. Deveriam sim, terem se expressado de outra forma. Em contrapartida, em nada adianta só exibir orgulho ferido. A melhor reação é mostrar efetivamente que também no conteúdo a deselegância não tinha razão de existir.

Sobre o mesmo assunto e mais atualizado, leia o post do Blog de Paris: ” A dama e o vagabundo

A carta com “As desculpas do secretário-geral da FIFA

Descubra aqui onde se come “O melhor filé com fritas de Paris” e também a dica dos vinhos para acompanhar o prato popularíssmo na França.

Por Antonio Ribeiro

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29 Comentários

  1. Augusto Miranda

    -

    05/03/2012 às 19:21

    Jérôme, está mais do que certo, pois desde o início sabíamos que brasileiro não tem capacidade pra esse tipo de organização, e deixaram tudo pra última hora, pra promoverem uma enorme roubalheira; todo mundo já sabia.
    Chute no traseiro em nossos políticos que não servem pra nada!

  2. Valton

    -

    05/03/2012 às 11:05

    Je n’ai qu’un regret, celui de courir en solitaire. Je dois souvent me donner des coups de pied au cul pour faire mon tour au moins une fois par semaine.
    Caro Antonio Ribeiro: você já disse tudo e de maneira altamente diplomática. Permita-me esta delonga para expor um comentário sobre tradução na diplomacia.
    Diplomacia é a ciência ou arte de negociar, visando a defesa dos direitos e interesses de um país perante governos estrangeiros (em seguida vêm os sentidos figurados que todos conhecemos como sinônimos de polidez, qualidade de quem possui maneiras finas, delicadeza de trato etc.). Já a tradução – versão de uma língua para outra – exerce papel fundamental nas relações diplomáticas. Traduções podem ser literais ou interpretativas (sem mencionar a transliteração). Não raro, expressões idiomáticas são traduzidas literalmente, quando deveriam ser interpretadas (e vice-versa).
    Toda atenção é pouca, como alertam as listas de expressões “faux amis” entre os idiomas espanhol e português: “competência”, que em português significa qualificação, incumbência em espanhol significa concorrência. Em Portugal dizer “Levas um pontapé da boca que até as orelhas batem palmas” significa um aviso, uma ameaça, um sinal. Portanto, não se deveria traduzir literalmente um texto em português de Portugal literalmente, mas interpretativamente, já que a expressão soaria cômica para um brasileiro.
    A locução francesa “donner um coup de pied au cul” é coloquial – variante linguística ou registro cuja fonética, morfologia, vocabulário e sintaxe são próprios da linguagem informal das pessoas cultas (não vulgar) – (seria quase como dizer: levar um pé na bunda, coçar o saco etc., mas estas são expressões vulgares, pejorativas).
    A expressão francesa usada pelo secretário geral da FIFA não pode, nem deveria ser traduzida literalmente como o fizeram os assessores do nosso ministro (que é um homem reconhecidamente comedido, mas que mostrou desconhecer o idioma francês, do contrário teria “passado um raspe” no seu assessor e não responder com um “coup de Grace”, um ultimato), pois nada mais significa que forçar, estimular, tentar conseguir algo mediante pedidos insistentes etc. Assim deveria ser interpretada a expressão do secretário alienígena, que imaginou estar mantendo um colóquio com seus interlocutores. Uma curiosidade, caro Antonio: chineses e russos tiveram a mesma reação que os brasileiros em resposta ao ministro da Defesa francês, Gerard Longuet?

    Abraços

    Caro Valton,

    Obrigado pela leitura e envio do comentário.

    Respondendo a sua pergunta: os russos e chineses nem deram bola.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  3. Ivan

    -

    05/03/2012 às 9:14

    A eterna arrogância francesa. Será que eles gostariam que nós os mandássemos tomar banhos frequentes ao invés de compensar o fedor com perfumes fortes e lavar as mãos após usar o sanitário?

  4. Paulo Roberto Granja

    -

    05/03/2012 às 7:46

    Acertou no conteúdo; errou na forma.

  5. Julio K

    -

    05/03/2012 às 7:24

    Era o que os “nacionalistas” do PT estavam necessitando.
    Agora o problema é a FIFA e não o atraso do Brasil!

    Êita paiseco!

  6. Hamilton Jr

    -

    05/03/2012 às 1:56

    Eu achei o francês muito educado. Isso é o que realmente o brasileiro merece, em vez de gastar o dinheiro de forma mais produtiva vai gastar com circo.

  7. Silvio

    -

    05/03/2012 às 0:41

    Chute no traseiro é pouco pra um povo que está aceitando tudo que a FIFA pede.

  8. Ricardo

    -

    04/03/2012 às 23:30

    Chute no traseiro dos políticos brasileiros é muito pouco. Só isso!

  9. Rosângela

    -

    04/03/2012 às 21:55

    Antonio, é isso que dá todos quererem ser globalizados. Será que as personalidades envolvidas em questões financeiras com outros países nunca ouviram falar em cursos preparatórios para se sairem bem sem afrontar os hábitos e costumes que regem os países?

    Isso me lembra quando entrei nesse blog e sem papas na língua. Você deixou bem claro a política utilizada por aqui. Nem por isso, fui maltratada e chutada. Recado dado e por mim assimilado.

    Bem, informalmente como pessoa nada pública, nesses dias me dirigi a uma amiga dizendo que havia sido chutada em um contrato. Rimos muito, foi desopilante pois não estávamos negociando nada, apenas uma conversa informal.

    Agora me surgiu no contexto os palavreados de um ex-presidente e seus súditos e não deixo de admitir que eles se merecem pelo despreparo e falta de educação.

    Do Brasil a Paris, há uma diplomacia com um requisitos impecáveis (espero) mesmo para dizer a “verdade”.

    Dos amigos a informalidade é um bem que a ignorância pode aprender sem danos de um orgulho ferido. Nos negócios, prevenção e elegância!

    Gostei de saber que continuas na ativa.

    Gracies.

  10. Eduardo Armond

    -

    04/03/2012 às 21:17

    Eu acho que o francês pouco diplomatico e mesmo sem educação. Acha que esta lidando com pessoas e um país de segunda. Conheço a França e os franceses, a falta de polidez e de respeito define uma elite francesa que acha que o Napoleão ainda está vivo, ele que acabou tomando um “chute do traseiro” no final da vida. Prefiro lidar com os franceses que respeitam os demais países. Vamos dar um chute no traseiro dele.

  11. Gilberto Oliveira

    -

    04/03/2012 às 20:15

    Na essência o frances está certo. Só errou nas palavras. Deveria ter dito que os dirigentes brasileiros precisam de um “empurrão”. Seria bem mais elegante.

    Exatamente, caro Gilberto.

    Obrigado pela leitura e envio do comentário.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  12. ana maria

    -

    04/03/2012 às 20:10

    Brasileiro tem a mania de se “ofender” a toa. As coisas aqui não são levadas a sério, rola sempre jogada para se ganhar dinheiro. As coisas ficam atrasadas, o dinheiro da verba não dá, mesmo assim não aprendem a ser menos desonestos. Falar errado ou usar expressão inadequada é com esse pessoal do PT, principalmente o Lula.

  13. Gil

    -

    04/03/2012 às 19:49

    Discordo do leitor Alaor Medina. O homem da FIFA disse apenas a verdade.

  14. J. Gomes

    -

    04/03/2012 às 19:24

    Cabe em qualquer lugar a elegância e a fineza para tratar assuntos difíceis, mas o importante é ser franco.

  15. Alaor Medina

    -

    04/03/2012 às 19:18

    Jerôme Valcke entrará com o traseiro e a presidente Dilma com os dois pés.

  16. Curt

    -

    04/03/2012 às 19:11

    No lugar de insultar o secretário-geral da FIFA deveriam cuidar dos assuntos referente aos jogos da Copa. Imaginem se Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, tivesse assistido a reportagem no Jornal Nacional, da TV Globo, de ontem que mostrou o estado de calamidade pública de uma rodovia no interior do Brasil. A presidente Dilma vai se avistar com ela amanhã. Situações similares pipocam pelo país afora. Ainda não falamos da saúde pública, do caos que reina nos aeroportos, do reinado absoluto dos traficantes e ladrões nas ruas das grandes e médias cidades, etc…

  17. Glenn

    -

    04/03/2012 às 18:51

    Caro Antonio Ribeiro, pouco importa se melhora o andamento das obras. O que não pode é um cidadão usar terminologia ofensiva em relação à outros. E depois, ainda visitar o chutado na maior cara de pau… Não pode. Se vier, deve chegar e pedir desculpas pela inconveniência. Todos conhecemos nossos problemas. Se a estrutura não estiver pronta que não façam o evento, mas jamais pode haver descortesia.

  18. Joao Avelar

    -

    04/03/2012 às 18:28

    Obvio ululante , mon ami. Gente que sempre fala publicamente tem que ter disciplina sob pena de sofrer as consequencias. É isso aí.

  19. Diako

    -

    04/03/2012 às 18:18

    Ele têm razão. O govêrno brasileiro colocou moleques e irresponsáveis para gerir o que não sabem fazer.

  20. murilo

    -

    04/03/2012 às 18:07

    Encontramos o culpado pelo atraso das obras, o Sr. Jerôme Valcke ! Ora, o cara se expressou mal, porém, disse a verdade, e isso é que dói no orgulho nacional. Ele exagerou na crítica, mas que a crítica faz sentido, isso também é verdade.

  21. Valquiria Ribeiro

    -

    04/03/2012 às 18:05

    Os franceses são muito engraçados. Ganharam a Copa do Mundo dopando Ronaldo. Agora, querem dar pitaco na casa dos outros.

  22. Francisco Ciasca

    -

    04/03/2012 às 17:18

    A Fifa deveria, diante da reação do ministro, abolir o cargo de interlocutor, e deixar o governo brasileiro fazer tudo o que foi acordado em outubro de 2007. Quando tudo estiver pronto que se façam as vistorias. Simples.

  23. Kersonlisi Parnamirim RN

    -

    04/03/2012 às 17:14

    Na verdade o chute no traseiro deve ser dado na Dilma e no PT. Eles deixaram tudo propositalmente para última hora, visando poder fazer como bem quisessem e para roubar o Brasil no sobre-preço da ausência de licitação. Os emotivos entram na briga a favor da gangue do PT. Eu não, tô fora. Vão roubar como nunca se viu antes neste país.

  24. José Vicente

    -

    04/03/2012 às 16:41

    O senhor Jérôme Valcke não merece respeito dos brasileiros.

  25. João Pedroso

    -

    04/03/2012 às 16:13

    Ce Jerôme-là devrait recevoir un coup de pied au cul de tous les brésiens, mais à notre façon. Un coup de poing ne lui fairait presque rien. Mais au cul! Va te cacher, JerônimOOOO!

  26. Antonio Carlos Mendes Estefan

    -

    04/03/2012 às 15:47

    O secretário-geral da FIFA não tem autoridade nem educação. Pouco importa se a expressão é vulgar e comum em seu país. Aqui não o é. Assim sendo, é ele quem deve receber o chute no traseiro.

    Caro Antonio Carlos,

    Obrigado pela leitura e envio do comentário.

    O desejo do governo brasileiro é exatamente o que você preconiza. Ou seja, um interlocutor na FIFA, digamos, menos franco sobre a situação real. Minha pergunta é a seguinte: melhora o andamento das obras ou só passa pomada no orgulho ferido? Isso se sobrou algum.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

 

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