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Arquivo da categoria ‘Vinhos’

Clos Apalta Colchagua Valley

sábado, 18 de abril de 2009 | 15:54

Este blogueiro não conhece tanto de vinhos. Na falta, no lugar de escrever sobre o néctar dos deuses, sorve aos sábados os nacionais franceses — os melhores — para suportar escrever sobre os piores. Por piores, entenda meu caríssimo leitor, está o venezuelano Hugo Chávez. Que falta de gosto tem o caudilho venezuelano! Obama merecia regalo mais palatável do que o escolar livro Veias abertas da América Latina. O Clos Apalta Colchagua Valley, por exemplo, fabuloso tinto chileno elaborado pela Casa Lapostolle, da proprietária Alexandra Marnier-Lapostolle. A safra de 2005, blend das uvas carmenère (35%), merlot (30%), cabernet sauvignon (22%) e malbec (13%), cultivadas nos mais antigos vinhedos do Chile, foi eleita pela Wine Spectator, a revista do crítico Robert Parker, o vinho mais excitante de 2008 — 96 pontos em um total de 100. A garrafa custa 75 dólares, ainda que quase o dobro do preço de um barril de petróleo, é preço modesto para o comandante da segunda maior reserva mundial do ouro negro.

Por Antonio Ribeiro

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Governo francês: “Parem de tomar vinho”

domingo, 22 de fevereiro de 2009 | 13:02


Sim, você leu o título direito. É isso mesmo. Os franceses aumentaram o consumo de vinho durante o atual inverno europeu? Nada disso. Muito pelo contrário, a população francesa de 12 a 75 anos de idade bebe, em média, quase três vezes menos do que no início dos anos 60 (veja o gráfico). Mas apesar do imenso progresso alhures, a França continua fazendo os melhores vinhos do mundo, a bebida é considerada produto cultural, patrimônio histórico, um florão da economia. O país passa por uma crise sem equivalente desde 1975. Consumir vinho não ajudaria manter negócios e empregos? Exato. Finalmente, o estudo do médico Serge Renaud, em 1992, revelou que uma dose diária e moderada de vinho tinto associado à dieta mediterrânea (azeite, legumes, frutas e queijos) é saudável para as funções cardiovasculares. Acertou na mosca. Mon Dieu, então o que há?

Estudo recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA), na França, sustenta que uma única dose diária de vinho aumenta em 168% o risco de contrair câncer. Dominque Maraninchi, presidente do INCA é categórico: “Não existe dose mínima de álcool que faça bem para saúde ponto.” Durante décadas, especialistas no mundo todo vem alertando que boa saúde e consumo alcoólico não fazem bom casamento, mas quando é a vez dos franceses, a mensagem desce com mais dificuldade. O vinho deles é sem rival, mas sobretudo, ele não está associado a uma imagem danosa como o uísque escocês ou a vodka russa. E bem mais encantador que um chopinho gelado. O Ministério da Saúde
francês está distribuindo um panfleto à população recomendando evitar o vinho, a bebida alcoólica mais consumida no país. A explicação:

Vários mecanismos podem explicar o aumento do risco de câncer associado ao consumo de bebidas alcoólicas. Alguns mecanismos são comuns à diversas ocorrencias do câncer. O mais importante entre eles é a produção de metabólitos mutagênicos a partir do etanol. Em efeito, o etanol é metabolizado em acetaldeído (molécula muito reativa ao DNA, mais tóxico que o próprio álcool, reconhecida como cancerígena), principalmente pela enzima álcool-desidrogenase (ADH), localizada no fígado, mas também em outros tecidos, e nas bactérias presentes na boca e no cólon. Durante o consumo de álcool, há a indução do citocromo P450 2E1 hepático que vai também transformar o etanol em acetaldeído além da produção de espécies reativas do oxigênio (igualmente capazes de alterar o DNA). O acetaldeído é progressivamente eliminado pela enzima acetaldeído-desidrogenase (ADLH2) que o transforma em acetato (uma substância similar ao vinagre).”

Os produtores de vinho, coléricos, classificaram a campanha do governo como suicidaria manifestação de aiatolás. “Esses extremistas não podem tomar a população inteira como refém, o consumo de vinho diminuiu e o número de casos de câncer aumentou, como eles explicam esse novo paradoxo francês?”, desafia o indignado Xavier de Volontat, presidente associação de viticultores da região Languedoc, no sudeste da França. Bem, convencer os produtores franceses é missão impossível. Persuadir o francês médio afastar o cálice do nectar que realça a deliciosa culinária local, também um trabalho de Hercules. Ciente, o Ministério da Saúde francês aconselha 30 minutos diários de exercícios vigorosos, no mínimo 5 vezes por semana, para aqueles que não conseguem abandonar hábito milenar. Ora pro nobis.

Por Antonio Ribeiro

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Quanto custa elaborar um Pétrus, o rei dos vinhos? E por quanto ele é vendido?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009 | 14:44

No Planalto do Pomerol, 40 metros de altitude, no sudoeste da França, existe uma terra argilosa, rica em ferro e abençoada pelo deus Baco. São 11,4 hectares às margens do rio Dordone onde estão plantados 62.700 videiras — 95% de uvas do tipo merlot e 5% de cabernet franc. As trepadeiras lenhosas da família das vitáceas (Vitis vinifera) tem, em média, 35 anos de idade; são a matéria prima — e divina — para a produzir selecionadas 30.000 garrafas anuais de Pétrus. Segundo as planilhas dos economistas da Escola nacional de engenheiros de trabalhos agrícolas de Bordeaux, calcula-se que o custo para esse tipo de vinhedo é da ordem de 12.700 euros por hectare. Considere que a elaboração do Pétrus é das mais meticulosas. Não é nenhum exagero imaginar o custo de 15.000 euros por hectare. Ou seja, 5,70 euros a garrafa do vinho mais famoso no mundo.

A garrafa do Pétrus, safra 2005, é vendida atualmente a particulares (deduzido o imposto de 19,6%, equivalente ao ICM, no Brasil) por 450 euros. Nos melhores adegueiros e lojas de vinho, a garrafa do tesouro da família Moueix chega às prateleiras com a etiqueta estampando 4.500 euros. Em 2002, os proprietários do Pétrus mandaram construir um salão de festas e um depósito. O projeto milionário foi erguido a partir das pranchetas do escritório de arquitetura Herzog & De Meuron, criadores do Ninho do Pássaro, o estádio olímpico de Pequim. O preço deve ser adicionado na garrafa do Pétrus. O preço da colheita e vinificação representam um suplemento em torno de 4 euros por garrafa. As garrafas são produzidas em pequena quantidade e os rótulos, impressos como notas de dinheiro para dificultar a falsificação. Estima-se que as duas despesas representam entre 8 e 10 euros. Portanto, o custo de produção fica entre 17,70 e 19,70 euros.

A empresa J.P. Moueix emprega 120 pessoas para produzir o Pétrus, um contingente mais numeroso do que a média na região de Bordeaux. Há que adicionar no preço da garrafa, as despesas administrativas, contáveis e de comercialização, ainda que no último ítem, existe uma economia de 20 a 30% porque os Moueix são os próprios negociantes dos vinhos que produzem. A publicidade do Pétrus é quase inexistente; a raridade do vinho é sua melhor carta de visita. “O custo final da garrafa do Pétrus 2005 fora impostos e sem amortecer o preço do salão de festas, fica em torno de 30 euros”, disse Christian Moueix à Veja.com.

Então, na ponta do lápis:

Preço da garrafa do Pétrus 2005 = 30 euros

Preço nas melhores lojas de vinho = 4.500 euros

Diferença = 4.470 euros

Margem de lucro = 14.900%

Por Antonio Ribeiro

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