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Arquivo da categoria ‘Terrorismo’

Apertem os cintos e mantenham a guarda

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009 | 16:56
I WANT YOU

I WANT YOU

Medidas de segurança são criadas para proteger. No entanto, elas complicam o cotidiano. No transporte aéreo de massa, o efeito está entre os mais fortes. Isto porque os aviões tornaram-se alvos preferidos de terroristas. Mas para continuar operando com eficiência e rentabilidade, horários de decolagem e pouso devem ser respeitados. A equação que tenta conciliar segurança com conforto e privacidade está aumentando o tempo entre um ponto e outro. O passageiro é obrigado a chegar no aeroporto com muito mais antecedência que outrora, onde submete-se a uma bateria de controles para  o embarque. E quando nem verificações rigorosas garantem segurança?

O engenheiro mecânico nigeriano Umar Faruk Abdulmutallab, muçulmano de 23 anos,  suspeito de ter sido treinado pela rede Al Qaeda no Iêmen, passou nos controles do aeroporto de Amsterdam. Embarcou no voo transatlântico 253 da Northwest Airlines, na noite do dia 25 de dezembro. Quando o Airbus da Northwest iniciou descida para Detroit, Abdulmutallab injetou líquido químico na pentrita, poderoso explosivo não detectado pelo sistema de segurança. Não fosse o alerta de um passageiro e a intervenção de outro, que dominou Abdulmutallab, teria havido uma explosão dentro da aeronave com 290 pessoas a bordo.

Houve falhas no controle de identidade. Abdulmutallab estava entre os 550.000 nomes da Terrorist Identities Datamart Environment (TIDE), lista oficial americana de indivíduos vinculados com o terror. O pai de Abdulmutallab, um proeminente banqueiro de Lagos e ex-ministro da Nigéria, havia prevenido as autoridades americanas sobre o comportamento radical do filho. Inteligência e listagem de terroristas são recursos de prevenção adicional. Nem todo terrorista tem antecedentes criminais. Os insanos que derrubaram as Torres Gêmeas, em Nova York, tinham fichas limpas, mas embarcaram com estiletes.

O incidente no voo da Northwest encetou acalorada discussão sobre as eventuais medidas de segurança para evitar o próximo ato de terrorista no ar. Desta vez, o protagonista, é um scanner 3D capaz de mostrar os contornos do corpo inteiro do passageiro e revelar a presença de objetos suspeitos. A tecnologia de ponta é bem mais eficaz que os atuais detectores de metais e máquinas de raio-X. Ela seria capaz de identificar a massa explosiva costurada no gancho da cueca de Abdulmutallab. Teme-se, no entanto, que imagens de passageiros sem roupas possam ser surrupiadas por funcionários da segurança aeroportuária e depois, desaguarem na internet. E, aí, como faz? A julgar pelos precedentes, a segurança prima sobre a privacidade. O obstáculo real será o custo da engenhoca. Nem todo aeroporto tem recursos para se equipar. Apenas 6 aeroportos nos Estados Unidos utilizam o sistema como detector principal.

scanner

Outra medida decorrente do incidente, bem mais controversa, é a proibição aos passageiros de levantarem dos assentos, nem para ir ao banheiro acompanhado por um tripulante, durante os 90 minutos finais dos voos. E não só. Eles não poderiam ter nada no colo, seja um laptop ou um simples travesseiro. Trata-se de algo absurdo, mas sobretudo ineficiente. O que é capaz de conter um terrorista durante um voo e nos últimos minutos? Os exemplos estão aí. Resposta: outro passageiro. O vigilantismo tem sido o mais eficaz sistema contra terroristas no ar. Uma vez que o que terrorista já está a bordo, todos os sistemas anteriores falharam. Dois fatores tem contribuído para evitar a tragédias neste caso, a reação física dos passageiros contra os terroristas e o reforço das portas que dão acesso à cabine de comando.

É uma triste constatação de tempos bicudos, mas quem embarca em aviões deve estar preparado para reagir em defesa própria e dos demais passageiros.

Por Antonio Ribeiro

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Apagão na Casa Branca

quarta-feira, 11 de novembro de 2009 | 8:30

apagaonacasabranca

Barack Obama foi a Fort Hood, no Texas, prestar homenagem à memória de 13 soldados, assassinados pelo major americano de origem palestina, Nidal Malik Hasan. O oficial do III Corps, de 39 anos, psiquiatra de formação, executou os colegas descarregando mais de 100 balas sob os gritos de Allahu Akbar (Deus é grande, em árabe). Logo depois do presidente discursar diante de 13 rifles M-4, capacetes, pares de botas e fotografias das vítimas, teve lugar na Ala Oeste da Casa Branca, a tradicional entrevista à imprensa do porta-voz do governo, Robert Gibbs.

Um jornalista fez uma pergunta singela - que gente impertinente! - ao porta-voz: “Segundo a Casa Branca, qual é a definição de terrorista? Gibbs apresentou o seguinte apagão: “Eu não sou funcionário do Departamento de Justiça.” A oratória de Obama é considerada uma das mais talentosas que já habitou o principal endereço da Avenida Pensilvânia, em Washington. Ontem, no entanto, véspera de uma reunião onde o presidente discutirá quantos soldados americanos adicionais aos 21.000 enviará para o Afeganistão, ela perdeu em eloquência para o silêncio do porta-voz.

Por Antonio Ribeiro

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Carla Bruni nega ter ajudado o terrorista

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 | 13:41


Carla Bruni-Sarkozy, primeira-dama da França de origem italiana, negou ter usado sua influência junto ao governo brasileiro para a obtenção de asilo político, impedindo a extradição de Cesare Battisti para Itália. Em 1988, o terrorista Battisti, um dos líderes do grupo extremista italiano Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal de Justiça de Milão. Trata-se do resultado dos julgamentos de 4 homicídios: o do agente penitenciário Antonio Santoro, Pierluigi Torregiani, Lino Sabbadin e Andrea Campagna. O Tribunal de Recursos de Milão, confirmou as condenações e a Corte de Cassação, última instância do Poder Judiciário italiano, ratificou três delas. Em 1993, o Tribunal de Recursos confirmou a condenação no caso de Torregiani, anulada por problemas formais. Battisti está foragido da Itália desde 1981.

O terrorista viveu na França, onde em 2004 a Corte de Cassação acatou o pedido italiano de extradição. Desde 2004, Battisti esconde-se no Brasil. Recentemente, ele ajuda o país a perpetuar uma triste condição: o refúgio com chancela oficial de condenados. A lista de criminosos que beneficiaram da leniência da Justiça brasileira figura, só para ficar nos mais famosos, o maior ladrão inglês, Ronald Biggs, o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, o homicida com fins terroristas das FARC, Olivério Medina. Acometido de atavismo jurídico bizarro, o Brasil foi escolha sem hesitação do diretor Alfred Hitchcock para enviar o aristocrático fugitivo da justiça Alex Sebastian, personagem interpretado por Claude Rains no filme Interlúdio (Notorious, 1946).

Entrevistada no programa ‘Che Tempo que fa”, do canal italiano RAI, sobre sua participação no asilo político concedido a Bastisti, Carla Bruni foi categórica: “ Eu não tive papel nenhum, absolutamente nenhum, isso é um assunto do governo brasileiro.” A mulher de Sarkozy adicionou: “Eu não me permito jamais, não é minha ideologia, nunca quis defender Battisti, nem me vem a cabeça tal coisa, fico contente de responder à pergunta e dizer aos parentes e amigos das vítimas nos Anos de Chumbo.” No início de janeiro, o jornal italiano La Stampa noticiou que Carla aproveitou suas férias junto com Sarkozy, no Brasil, para pedir clemência por Battistti a Lula. “Estou muito surpresa que a imprensa italiana possa pensar que eu tive um papel na recusa de extradição, imaginar que a mulher de um presidente possa falar de assunto deste tipo com o chefe de outro estado é uma calúnia.”

Um comunicado do Domus Civitas, associação italiana de vítimas do terrorismo, afirmou também que Carla Bruni intercedeu pessoalmente junto à Lula para recomendar a recusa da extradição.

Por Antonio Ribeiro

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