
I WANT YOU
Medidas de segurança são criadas para proteger. No entanto, elas complicam o cotidiano. No transporte aéreo de massa, o efeito está entre os mais fortes. Isto porque os aviões tornaram-se alvos preferidos de terroristas. Mas para continuar operando com eficiência e rentabilidade, horários de decolagem e pouso devem ser respeitados. A equação que tenta conciliar segurança com conforto e privacidade está aumentando o tempo entre um ponto e outro. O passageiro é obrigado a chegar no aeroporto com muito mais antecedência que outrora, onde submete-se a uma bateria de controles para o embarque. E quando nem verificações rigorosas garantem segurança?
O engenheiro mecânico nigeriano Umar Faruk Abdulmutallab, muçulmano de 23 anos, suspeito de ter sido treinado pela rede Al Qaeda no Iêmen, passou nos controles do aeroporto de Amsterdam. Embarcou no voo transatlântico 253 da Northwest Airlines, na noite do dia 25 de dezembro. Quando o Airbus da Northwest iniciou descida para Detroit, Abdulmutallab injetou líquido químico na pentrita, poderoso explosivo não detectado pelo sistema de segurança. Não fosse o alerta de um passageiro e a intervenção de outro, que dominou Abdulmutallab, teria havido uma explosão dentro da aeronave com 290 pessoas a bordo.
Houve falhas no controle de identidade. Abdulmutallab estava entre os 550.000 nomes da Terrorist Identities Datamart Environment (TIDE), lista oficial americana de indivíduos vinculados com o terror. O pai de Abdulmutallab, um proeminente banqueiro de Lagos e ex-ministro da Nigéria, havia prevenido as autoridades americanas sobre o comportamento radical do filho. Inteligência e listagem de terroristas são recursos de prevenção adicional. Nem todo terrorista tem antecedentes criminais. Os insanos que derrubaram as Torres Gêmeas, em Nova York, tinham fichas limpas, mas embarcaram com estiletes.
O incidente no voo da Northwest encetou acalorada discussão sobre as eventuais medidas de segurança para evitar o próximo ato de terrorista no ar. Desta vez, o protagonista, é um scanner 3D capaz de mostrar os contornos do corpo inteiro do passageiro e revelar a presença de objetos suspeitos. A tecnologia de ponta é bem mais eficaz que os atuais detectores de metais e máquinas de raio-X. Ela seria capaz de identificar a massa explosiva costurada no gancho da cueca de Abdulmutallab. Teme-se, no entanto, que imagens de passageiros sem roupas possam ser surrupiadas por funcionários da segurança aeroportuária e depois, desaguarem na internet. E, aí, como faz? A julgar pelos precedentes, a segurança prima sobre a privacidade. O obstáculo real será o custo da engenhoca. Nem todo aeroporto tem recursos para se equipar. Apenas 6 aeroportos nos Estados Unidos utilizam o sistema como detector principal.

Outra medida decorrente do incidente, bem mais controversa, é a proibição aos passageiros de levantarem dos assentos, nem para ir ao banheiro acompanhado por um tripulante, durante os 90 minutos finais dos voos. E não só. Eles não poderiam ter nada no colo, seja um laptop ou um simples travesseiro. Trata-se de algo absurdo, mas sobretudo ineficiente. O que é capaz de conter um terrorista durante um voo e nos últimos minutos? Os exemplos estão aí. Resposta: outro passageiro. O vigilantismo tem sido o mais eficaz sistema contra terroristas no ar. Uma vez que o que terrorista já está a bordo, todos os sistemas anteriores falharam. Dois fatores tem contribuído para evitar a tragédias neste caso, a reação física dos passageiros contra os terroristas e o reforço das portas que dão acesso à cabine de comando.
É uma triste constatação de tempos bicudos, mas quem embarca em aviões deve estar preparado para reagir em defesa própria e dos demais passageiros.




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