27/04/2009
às 10:07 \ SaúdeQuem dorme tarde leva a melhor
A premissa de que acordar cedo é benéfico para saúde e prosperidade acaba de ser, cientificamente, questionada. Indivíduos que acordam cedo e os que dormem tarde tem desempenhos comparáveis durante a manhã. No entanto, quem dorme tarde é mais alerta e atentivo ao fim do dia. A informação é resultado de um estudo feito por pesquisadores franceses, belgas e suíços, publicado na ultima edição da revista Science.
No seres humanos a alternância entre o estado alerta e sono é regulado por dois mecanismos. O ritmo circadiano, período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia todo o ciclo biológico do corpo, influenciado pela luz solar, aumenta os sinais de vigilância durante o dia e a diminui no início da noite. O segundo mecanismo, chamado homeostático, funciona como uma ampulheta. A pressão do sono, medido pela densidade das ondas lentas de um encefalograma, aumenta com o tempo passado acordado e diminui durante o sono. Durante o dia, a oposição entre estes dois reguladores permite manter o indivíduo acordado.
Os pesquisadores da Universidade de Liége submeteram 30 jovens sem problemas de saúde a testes de concentração. Entre os participantes metade acordava cedo e o restante do grupo dormia tarde, em media, pela diferença de quatro horas. Os exames foram feitos uma hora e trinta minutos após o despertar e 10 e trinta minutos depois de os jovens estarem acordados. A atividade cerebral de cada um foi registrada por ressonância magnética.
“Nós pensávamos que os indivíduos propensos a acordar cedo teriam melhor desempenho durante a manhã e vice-versa. Contudo, depois de uma hora e meia depois despertados, não houve diferença entre os dois grupos.” explica, Philippe Peigneux, professor da Universidade Livre de Bruxelas. E completa: “Em contrapartida, no fim do dia, o grupo que acorda tarde melhorou sua capacidade de concentração.”
Conclusão do estudo: os indivíduos matinais sofrem mais que os notívagos do impacto da pressão do sonho acumulada durante o dia, o mecanismo que impede a melhor expressão dos sinais de alerta.
Tags: Philippe Peigneux, Saúde, Science, sono


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