24/12/2011
às 13:00 \ ParisArquivo da categoria Paris
05/11/2011
às 17:19 \ ParisEm Paris, Dilma faz promessa
Na volta do encontro de cúpula do G20, na Riviera Francesa, a presidente Dilma Rousseff passou este sábado em Paris. Pela manhã, um membro da comitiva presidencial – pediu para não ser identificado – mostrou à Dilma a edição de VEJA no iPad com a reportagem sobre achaques a ONGs vinculadas ao Ministério do Trabalho. Em seguida, Rousseff seguiu para sede da UNESCO, onde se encontrou com a diretora-geral da entidade, a búlgara Irina Bokova. A presidente almoçou um supremo de frango no restaurante Le Violon d’Ingres, situado no elegante sétimo distrito da capital francesa. Entre os convivas: ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Comunicação Social, Helena Chagas e do assessor especial para Relações Internacionais, Marco Aurélio “Top Top” Garcia. Terminado o almoço, a presidente rumou para o Museu Jacmart-André, onde passou a tarde visitando a belíssima exposição renascentista de obras sacras Fra Angelico et Les Maîtres de la lumière. No Hotel Le Bristol, o cinco estrelas onde Dilma Rousseff está hospedada, o Blog de Paris abordou a presidente sobre o mais recente caso de corrupção em seu governo revelado por VEJA – os escândalos em série já derrubaram cinco ministros. Foi neste instante que Dilma fez a promessa: “Ah, meu querido, no Brasil a gente responde.” Os nativos aqui dizem: “Chose promise, chose due.” Trocando em miúdos: “O prometido é devido.”
Leia o post do Blog de Paris “Defesa do euro: a linha de frente agora é a Itália“
Tags: Dilma Rousseff, Fra Angelico, Irina Bokova, Paris, Veja, VEJA no iPad
27/09/2011
às 8:10 \ ParisParis não é bem uma festa, segundo Hemingway
Duplamente divertido ler o bordão “Paris é uma festa”, título recorrente de notas na coluna Ancelmo Gois, publicada pelo jornal O Globo, inclusive aos domingos e dias santos. Acontece sempre que um brasileiro famoso desfruta de uma maneira não muito ortodoxa dos atributos generosos da capital francesa. Hoje, foi a vez de Lula ser o contemplado. Ele está concentrado em Paris há três dias para receber o título de doutor honoris causa do prestigioso Instituto de Estudos Políticos (Science-Po). A cerimônia acontece hoje. Mas o ex-presidente da República foi agraciado jocosamente pelo colunista porque é hóspede do luxuoso cinco estrelas Hotel Lutetia, sede da Gestapo durante a ocupação nazista nos anos 40. A tortura atual fica apenas nos preços das diárias que podem chegar ao requinte da crueldade: 3.500 euros, o equivalente a quase 9.000 reais.
“Paris é uma festa” é referencia à tradução do título “A Moveable Feast”, livro de reminiscências parisienses do escritor americano Ernest Hemingway que viveu por aqui nos anos 20. Mas o termo inglês moveable feast não é bem uma festa. São celebrações, sobretudo, cristãs que não ocorrem na mesma data do calendário. A Páscoa, por exemplo. O autor escolheu o título porque a narrativa não obedece ordem cronológica e é nebulosa, pouco precisa. Não necessariamente porque Paris era uma festa naqueles tempos. Na verdade, as condições de vida eram precárias para maioria dos habitantes e nem todos os abastados tinham, por exemplo, água encanada em seus apartamentos. Contudo, não era obstáculo para se divertirem, Era dificil sim manter uma frequência de banhos segundo o padrão, como diz outro bordão do colunista, “Lá na minha terra”.
Em tempo: Seguindo a tradição napoleônica de distribuir comendas em tempos bicudos, o cacique da tribo dos Caiapós, Raoni Metuktire, recebeu hoje também o título de cidadão honorário de Paris das mãos do prefeito Bertrand Delanoe.
Leia o post do Blog de Paris: “Estado palestino: todos sempre querem, a hora nunca faz unanimidade”
Tags: Ernest Hemingway, Gestapo, Hotel Lutetia, Lula, O Globo, Paris, Paris é uma festa, Universidade Sciences Po
18/01/2011
às 10:42 \ ParisSimples, eficiente e barato
Toda primeira quarta-feira do mês, ao meio dia, os habitantes da capital da França escutam o som de sirenes durante um minuto e 41 segundos: três ciclos sucessivos separados por duas pausas. É o teste do Sinal de Alarme Nacional. Ele foi criado durante a Guerra Fria para avisar a população de eventuais ataques nucleares da Mãe Rússia Soviética. Dura até hoje. É uma espécie de alto-falante de carro que vende pamonha em Areal, cidade da região serrana do Rio de Janeiro onde houve zero mortos apesar da tragédia que matou um em cada dez habitantes nos arredores.
O francês que escuta o alarme quando ele toca ineterrutamente, sabe que está sendo avisado de perigo iminente ou imediato – há 3.800 sistemas iguais ao de Paris na França. Pode ser uma nuvem tóxica, acidente nuclear, tempestade, inundação, ataque aéreo, terremoto e etc. O cidadão deve ligar o rádio, a TV, para saber de mais detalhes. Ademais, receber instruções do governo de como agir. Depois, ele deve desligar a corrente elétrica e ir buscar um abrigo previamente indicado. Recomenda-se a população ter preparado em casa, um kit de urgência – rádio de pilha, lanterna, cobertores, canivete, água, sanitários e uma maleta com equipamento de primeiros socorros.
Explosão de bomba nuclear em Paris é menos frequente que chuva forte nas escarpas rochosas da Serra do Mar, coberta por uma fina camada de terra porosa, vegetação e construções desordenadas com seres vivos no interior. Escute abaixo, clicando na imagem, parte da trilha sonora das primeiras quartas-feiras do mês na capital da França:
17/01/2011
às 9:44 \ Paris“Enchente do Século”: Paris se prepara
Discreta, sem alarmar a população, uma força-tarefa prepara a defesa de Paris contra a “Enchente do Século”. Quando será a catástrofe da qual se escuta falar tão pouco? “Em média, uma grande inundação acontece três vezes por século,” diz o coronel Gérard Charguellon, chefe da Orsec, a organização francesa de segurança civil. “Longe de ser um fenômeno excepcional, trata-se de uma certeza da qual somente a data exata é desconhecida”, completa. Confidenciais, os detalhes do cenário de uma enchente prevista para alagar uma área mais extensa que a inundação do rio Sena em 1910, a maior enchente da capital da França, não tem nada de ficção científica. A sua prevenção vem sendo calibrada em milímetros por 50 especialistas. Isso porque Paris, uma metrópole de 12 milhões de habitantes, cujo brasão é um barco com a frase em latim Fluctuat nec mergitur (Flutua não submerge) gera 25% da riqueza nacional. As autoridades locais não querem ter a surpresa, seguida de impotência, do terceiro presidente da República francesa, Patrice de Mac Mahon, o Duque de Magenta. Acordado pelo mordomo de sapatos encharcados com a notícia de que água estava invadindo o Palácio do Eliseu, ele perguntou: “Água, que água?” Ou pior, ofensa máxima para os governantes franceses, ninguém quer correr o risco de ser comparado à George W. Bush durante a passagem do furacão Katrina em Nova Orleans.
Um estudo cotejado com as recentes inundações do rio Danúbio em Praga e do Tibre em Roma, estimou que o volume do rio Sena irá aumentar em 15% na próxima grande enchente. Neste caso, o Ministério das Finanças, a estação ferroviária de Austerlitz, a Maison de la radio, o Hospital Georges-Pompidou, 21 embaixadas — entre elas, a dos EUA e do Brasil — serão alagadas. E não só. Os subsolos do Museu do Louvre, onde estão objetos do Egito Antigo, e o belíssimo Museu d’Orsay estão na zona de risco certo. E mais. O local que abriga o sistema de telecomunicações e informática do Palácio do Eliseu será inundado. Na Assembléia Nacional, onde os parlamentares foram legislar de barco em 1910, o manuscrito das Confissões de Rousseau foi levado para o segundo andar como medida de precaução. Durante a “Enchente do Século”, 50.000 parisienses deverão abandonar suas residências, 8 ministérios irão funcionar fora das suas atuais instalações e para abastecer a população com água potável na razão de 2 litros diários por pessoa, calcula-se que serão necessários 9 trens para realizar viagens diárias às regiões dos Voges, Alpes e Planalto Central. Ginásios e grandes espaços cobertos de Paris vão ser equipados com 70.000 camas de campanha. Depois do pico da enchente, será preciso esperar uma semana até que o nivel do rio Sena volte ao normal, deixando nas áreas alagadas um odor pestilento e persistente. Paris só encontrará seu ritmo habitual depois de meses.
Uma escala gravada em um pilar de sustentação da Ponte d’Austerlitz, no rio Sena, serve de termômetro do perigo. Ela determina o inicio das medidas de precaução. Quando o nível do rio atinge a marca de 3,5 metros (alerta amarelo), os mendigos que vivem debaixo das pontes são removidos, a navegabilidade é suspensa e as grandes avenidas que margeiam o Sena são fechadas para o tráfego de veículos. Na marca de 6 metros (alerta vermelho), a companhia ferroviária estatal francesa SNCF inunda de maneira preventiva a linha C do RER — trem suburbano rápido — entre as estações Javel e Austerlitz para evitar desmoronamentos devido à pressão fluvial. A RATP, responsável pelo metrô de Paris, mobilizará 800 agentes para cimentar as 477 entradas de água da sua rede. Estima-se o prejuízo da enchente, só no setor ferroviário, em 5 bilhões de euros. O subsolo de Paris com sua rede de esgotos, linhas de metrô e catacumbas lembra um queijo do tipo Emmental, cujo interior é repleto de orifícios. Se a água tomar conta dos canais subterrâneos da capital, a parte visível da Cidade Luz jamais será a mesma devido aos desmoronamentos. Quando o Sena atingir a marca de 8,6 metros, o nível máximo da enchente de 1910, calcula-se que 360.000 parisienses estarão privados de aquecimento, uma vez que as usinas situadas à beira do rio que produzem vapor, deixarão de operar. Um contingente de 10.000 militares com ajuda de helicópteros, barcos inflados e pontes flutuantes, iniciam o Plano Netuno. A medida visa, além da ajuda aos alagados, a proteção das zonas atingidas pela água contra pilhagem.
Tags: George W. Bush, Katrina, Museu d'Orsay, Patrice de Mac Mahon, Plano Netuno
25/12/2010
às 12:50 \ ParisFeliz Natal e estupendo 2011 para você!
Caríssimas e caríssimos,
Muito obrigado pela leitura e envio dos comentários ao Blog de Paris.
Desejo-lhes um muito Feliz Natal e excelente 2011.
De Paris, um abraço,
Tags: 2011, Blog de Paris
09/12/2010
às 10:28 \ Paris10 centímetros de neve faz Paris hibernar
Bastou uma camada de 10 centímetros de neve em Paris — muito comum nos invernos em Moscou e Montreal — para dificultar em muito a vida dos habitantes da capital francesa. Ônibus parados, aviões retidos no solo, trens rolando devagar e mais de 300 quilômetros de engarrafamentos. Parques, a Torre Eiffel, o Museu do Louvre e o Palácio de Versalhes foram fechados para evitar acidentes. As dependências do aeroporto Roissy Charles De Gaulle lembrava um grande dormitório: centenas de passageiros deitados no chão. Isso porque a região parisiense não está acostumada, embora tenha sido prevista pelo serviço meteorológico, a intempérie de tal porte. Os flocos de neve caíram durante seis horas seguidas. Um recorde desde em 1987.
O governo mobilizou 5.000 policiais e bombeiros suplementares para tentar amenizar a situação. A previsão é de melhora. Mas no auge da nevasca, quando milhares de motoristas levavam 5 horas para percorrer 500 metros na estrada RN 118 — muitos passaram a noite junto ao volante —, o ministro do Interior, Brice Hortefeux, disse que a situação estava sob controle. Os franceses ficaram furiosos com a lorota. O dia seguinte amanheceu, o discurso mudou. O governo francês esta consultando vizinhos para saber como eles enfrentam nevascas bem piores preservando a população de situação caótica.
Em contrapartida, os termômetros marcavam agradáveis 20 graus Célsius em Toulouse, no sul da França. Situação também inusitada para o inverno. O contraste que não foi abordado no noticiário nacional provocou ironia de um editorialista do jornal regional La Nouvelle République du Centre: “Fazer o quê? A França continua napoleônica, ela retém a respiração quando Paris hiberna.”
Tags: Brice Hortefeux, Paris
08/11/2010
às 13:06 \ ParisDe Londres para Paris
Ele tem o peso de um elefante, 1.800 quilos. Seguro, transporta cinco passageiros com conforto. Junto com a Torre do Parlamento decorada com o Big Ben e ao lado ônibus vermelho de dois andares com quem divide as ruas, tornou-se um ícone de Londres. Mas não só. O black cab com 4,85 metros de comprimento por 2 de largura, é considerado o melhor táxi popular do mundo. Depois de décadas de bons serviços, o TX4, último da linhagem que remonta os tempos das carruagens públicas puxadas por cavalos, está chegando a Paris.
Os primeiros cinquenta black cabs a circular na capital francesa não vão atravessar o Canal da Mancha. Eles vêm da China onde são fabricados pela Geely – 33.900 euros a unidade. Sua chegada coincide com o estudo de 109 metrópoles européias feita pela Inrix para o escritório de estatisticas da União Europeia. A pequisa revelou Paris, apesar do seu transporte público de referência, ter o trânsito urbano mais congestionado do Velho Continente. O motorista fica, em média, 70 horas por ano nos engarrafamentos da capital. Ou seja, quase 3 dias. Londres, em segundo lugar, perde-se dois dias a dentro do carro por conta dos congestinamentos.
O black cab pode melhorar situação? As autoridades francesas acreditam que sim. Como? Puro fator psicológico, dizem. A estratégia para melhorar o trânsito das grandes cidades e por conseguinte, a qualidade do ar com menos emissão de gás carbônico lembra a Batalha de Verdun. Cada palmo de território ganho do inimigo conta, sendo que o ataque deve ser em múltiplas frentes. A excelente fama de eficiência do black cab associada ao metrô, ônibus e até bicicletas, ajudaria persuadir o parisiense a usar menos o seu carro.
Tags: cidade, transportes
24/05/2010
às 12:55 \ ParisNature Capitale: 2 milhões de visitantes nos Campos

Nicolas Sarkozy e Carla Bruni aproveitaram o feriado de Pentecostes na França para visitar a avenida Champs Elysées, vizinha ao palácio de mesmo nome, residência do casal presidencial. Depois de passear vinte minutos entre os jardins do Nature Capitale e seu visitantes, foram conversar com os agricultores franceses cujo salário médio mensal no ano passado foi de 1.215 euros, 34% em queda em relação à 2008. Os organizadores do evento — ocupa uma área de seis campos de futebol — querem levar a idéia para as ruas de Nova York e Berlim em 2011. Assista ao video aqui que mostra a montagem dos canteiros com 150 espécies vegetais de 11 regiões francesas.
Tags: Carla Bruni, Nicolas Sarkozy
20/05/2010
às 14:09 \ ParisA mais bela avenida do mundo será um jardim
A Champs Elysées, mais bela avenida do mundo, vai se transformar em um imenso jardim. Durante dois dias — 23 e 24 de Maio — a linha reta de um quilometro e larga de 27 metros, que separa a Praça da Concórdia e o Arco do Triunfo, em Paris, será ocupada por 150.000 arvores, divididas em quatro pequenos bosques, e 150 espécies vegetais. O mosaico natural de 3 hectares formado por parcelas de 1,2 metro quadrado será instalado sob os paralelepípedos por 600 agricultores franceses em uma só noite. A iniciativa cuja preparação paisagística levou um ano, vai comemorar na França, o Ano Internacional da Biodiversidade, organizado pela ONU. Estima-se em mais de dois milhões, o número de visitantes.
Vinte anos depois de cobrir a avenida Champs Elysées com campo de trigo, o veterano criador de espetáculos de rua, Gad Weil, foi o escolhido para concepção do Nature Capitale. “O evento vai durar apenas dois dias, mas ele não será completamente efêmero desta vez, ele continuará vivo alhures”, conta Weil a Veja.com. O visitante poderá comprar partes do jardim e levar para casa. Um vaso florido, por exemplo, custa 10 euros. Uma parcela de um bosque, miniatura vegetal de 11 diferentes regiões da França, pode chegar até a 700 euros.
Grande Moisson, o trigal urbano de Weil, foi um espetáculo para a comemoração do Bicentenário da Revolução Francesa. O artista queria lembrar a fome como uma das causas principais do acontecimento que mais modificou a França e que, dois séculos depois trouxe abundância. Ele perdeu a concorrência para o desfile majestoso de Jean-Paul Goude cujo tema era a confraternização de povos e culturas. Desta vez, o Nature Capital tem como objetivo, segundo Weil, “mostrar as paisagens da França de forma poética.”
Ninguém duvida que a Champs Elysées estará ainda mais bonita com arvores no lugar de carros. A questão é saber o que chamará mais atenção, se um jardim na principal avenida da França ou os 4,2 milhões de euros gastos com o Nature Capitale em tempos de controle orçamentário — o déficit público francês equivale a 8,2% do seu Produto Interno Bruto, 143,8 bilhões de euros em 2009. O presidente Nicolas Sarkozy propôs hoje, mudança na Constituição que obriga todo governo a fixar um objetivo quinquenal de redução do déficit no início do mandato. Até 2013, a França deverá reduzir seu déficit público a 3% do PIB como preconiza a União Européia.
Tags: Gad Weil, Jean-Paul Goude, Nicolas Sarkozy










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