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Arquivo da categoria Oriente Médio

19/11/2012

às 11:59 \ Oriente Médio

Mais uma rodada sangrenta no ciclo macabro apesar de você

Dirigentes palestinos e israelenses sentem ciúmes das questões que realmente determinam os destinos do planeta e, em efeito, o cotidiano da maioria dos demais terráqueos. Quando a pendenga entre eles que já dura mais de meio século sai do radar das atenções, ambos dão um jeito de colocar a disputa em pauta – invariavelmente com mortes, destruição e dramas. A encrenca tem importância, mas não é necessariamente o mais premente a ser resolvido nem impedirá o sol de se levantar na linha do horizonte. Aliás, entre eles mesmos, sozinhos, sem que ninguém meta o bico ou a colher de pau, formam a melhor configuração para avançar no diferente que os separa.

O Quarteto – Nações Unidas, União Européia, Estados Unidos e Rússia – vem tentando em vão desde 2002 catalizar entendimentos entre as partes. Desta vez, há também mediador adicional, o novo presidente do Egito, Mohamed Mursi, líder histórico da Irmandade Muçulmana. Alguns acreditam que ele possa costurar uma trégua efetiva e durável. Isso pela sua proximidade ideológica com o grupo terrorista Hamas e o interesse de preservar o tratado de paz entre Egito e Israel, atualmente sob governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e com eleições legislativas marcadas para 22 de janeiro de 2013. O tratado selado 33 anos atrás é domesticamente impopular, mas condição incontornável da ajuda econômica dos EUA ao seu país – 1,5 bilhão de dólares anuais.

Contudo, os beligerantes ainda acham que podem vencer pela força o vizinho com quem precisam irremediavelmente conviver para o resto dos tempos. Neste ciclo macabro, os radicais – envenenam as questões para criar ambiente onde se sentem mais à vontade – são os principais colaboradores. Resultado: lá vamos nós para mais uma rodada sangrenta tentando ser persuadidos que o Apocalipse está há duas polegadas de distância. Não está. Olhe bem a sua volta e note em que fundamentalmente o conflito entre o Rio Jordão e o Mediterrâneo afeta a sua vida. Ocorre sim, uma vez mais, o de sempre, o sofrimento das populações locais.

Atualização: Depois 8 dias de conflito com mais de 150 de mortes, destruição e dramas, uma vez mais, atraindo a atenção do planeta para si, palestinos e israelenses anunciaram um cessar-fogo. Uma trégua até a próxima rodada sangrenta de um ciclo macabro que já dura mais de meio século apesar de você.


Por Antonio Ribeiro

23/09/2011

às 11:14 \ Oriente Médio

Estado palestino: todos sempre querem, a hora nunca faz unanimidade

O Diário Oficial circulou esta semana com decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro determinando  a remoção de cerca de 480.000 postes fincados na Cidade Maravilhosa. A proposta tem como objetivo chegar em fevereiro de 2016 com o emaranhado de fios elétricos e cabos telefônicos da rede aérea embutido no subsolo do balneário carioca. Velha como o século XIX, a idéia além despoluir o visual da paisagem urbana, é medida preventiva adotada por grandes metrópoles contra acidentes e para melhor conservar os materiais condutores. Contudo, tão logo o decreto foi anunciado, alguns lembraram a falta de mapeamento completo e detalhado do subterrâneo da capital e de pontos da cidade inadequados para a instalação de dutos. Técnicos do setor dizem que nem sempre a rede subterrânea, a exemplo de Paris, Berlim e Londres, é a melhor solução.

Ou seja, o contrario da criação do estado nacional palestino. A ver.

Trata-se de quase uma unanimidade da diplomacia mundial a existência – reconhecida, segura e pacífica – de dois estados vizinhos como um passo para solução do velho conflito entre israelenses e palestinos. O princípio é aceito por Israel, embora não implementado, e endossado pelos principais mediadores do conflito, o Quarteto de Madri: ONU, Estados Unidos, União Européia, e Rússia. Crê-se com razoável chance de acerto de que a situação possa trazer benefícios mais amplos nas relações tumultuadas do Oriente Médio e mais profundamente, em um sentimento de injustiça, nem sempre justificado, sentido pela Rua Árabe. Prudentes não tem a ilusão de que quando este dia chegar, irá arrefecer espíritos mais radicais. O extremismo tem vida autônoma, qualquer motivo serve. Se não existem, são fabricados. Sucede que o momento da criação do estado nacional palestino parece ser sempre prematuro e a boa hora, uma quimera. Nem quando isto aconteça apenas no papel como é o caso agora que provoca nos corredores das Nações Unidas, uma excitação semelhante a disparo alarme contra incêndio no leste da ilha de  Manhattan.

O obstáculo da vez, dizem, seria a divergência entre a corrupta Autoridade Palestina que governa a Cisjordânia e o grupo terrorista Hamas que toma conta da Faixa de Gaza. Mais uma vez as condições ideais não estariam reunidas. A sugestão é que, antes de tudo, eles se metam de acordo e saiam dali uníssonos para sentar a mesa de negociação com o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu caso ele, finalmente, achar que a ocasião é propícia. Equivale a dizer que dois irmãos devem decidir entre si qual parte do terreno herdado podem reivindicar de direito enquanto o primo vai construindo sua casa em cima. Bizarro. A existência do estado nacional palestino independe dos seus governos provisórios. Que nação foi reconhecida em função de quem a governa? Reconhece-se sim, se um governo é legítimo para governar tal estado. Mas isso é questão interna a ser resolvida entre os cidadãos do estado em questão. A existência do estado em si, não. O Zimbaué é reconhecido como país a despeito de Robert Mugabe. O Irã deixou de ser Irã devido a dupla Ali Khamenei e Mahmoud Ahmadinejad? O Paquistão não é nação porque abriga e deu proteção a terroristas? Recomendável ler “O que é uma nação?”, de Ernest Renan.

É político e arriscado o pedido de Mahmoud Abbas para que se reconheça a Palestina – Cisjordânia e Faixa de Gaza – como estado-membro da ONU, encaminhado carta primeiro ao Conselho de Segurança (CS), onde os Estados Unidos prometem vetar. Se o pedido de adesão for aprovado por 9 votos entre os 15 membros, terá que ser obter, no mínimo, 97 entre 193 participantes da Assembléia Geral. Mas o que se espera dos palestinos? O presidente Barack Obama não quer melindrar o eleitorado judaico as vésperas de  sua tentativa de reeleição. Direito dele. O presidente Nicolas Sarkozy com um índice de popularidade batendo nas canelas, também a um ano da eleição presidencial, não quer perder o eleitorado francês de crença muçulmana e judaica. Perfeitamente compreensível.  Mas  os honoráveis senhores querem também que os palestinos esperem eternamente o reconhecimento do seu estado e, entretanto, privem-se dos meios diplomáticos legítimos e pacíficos para que se chegue a ele?

É muito.

Por Antonio Ribeiro

13/02/2011

às 12:54 \ Oriente Médio

Egito trilha o bom caminho

O ruído do júbilo lembrou o da implosão de velho edifício. Ele ecoou da Praça Tahrir, centro do Cairo, através dos gritos de milhares de manifestantes quando souberam que o ditador Hosni Mubarak tomara rumo forçado para sua casa de praia apeado do poder depois de 32 anos. Ainda é cedo para saber qual o efeito exato da onda de choque.

Contudo, não é nenhum exagero afirmar que ele causa preocupação nos governantes autocratas chineses, lá longe, em Pequim. E nos mais próximos de onde ocorreu o estrondo, nas ditaduras árabes, Birmânia e na teocracia persa do Irã. Isso pela possibilidade real de enfrentarem processo semelhante. O caminho foi delineado.

Inquieta também, o vizinho Israel, os Estados Unidos, a Europa e todos que vêem na mudança às sombras das pirâmides milenares, a eventual chegada do fundamentalismo islâmico no processo decisório de um país tão estratégico.

Tem fundamento. Por razões históricas: o Egito é o berço da Irmandade Muçulmana, mãe do Islã radical. Por motivos atuais: o comando à beira do Nilo ainda é, sem eufemismo, de uma junta militar clássica desprovida de tradição liberal. Ainda: o processo para se chegar à democracia não tem traçado preciso nem instituições que sirvam como pilares do sistema.

Isto posto, há ingredientes que, embora não devam subtrair nenhuma polegada da lucidez, são fundamentais para existência da democracia. O desejo e a confiança. Ademais, algo que os egípcios mostraram desde o ultimo 25 de janeiro quando foram às ruas: a vigilância. É esta atitude que força os militares marcharem em cadência. Exemplo? O anúncio da dissolução do Parlamento suspensão da Constituição e a realização de eleições legislativas em setembro.

A geração que se manifesta no Egito pertence ao mesmo naipe do movimento verde que protestou no Irã, reprimida de forma maciça e brutal. Ela não é islamista nem nacionalista. A condição lhe permite ser pluralista. São, em sua maioria, indivíduos entre 20 e 30 anos. Gente que usou a seu favor as tecnologias do nosso tempo: internet, Facebook, Twitter e telefones celulares – meios, instrumentos, e não a razão da queda de Mubarak.

Teve peso significativo no processo de mudança a cobertura jornalística da rede de TV Al Jazeera. O egípcio, pela primeira vez, pode ver ao vivo na telinha seu desempenho de ator principal. Isso em um país onde os jornais não circulavam um só dia sem a foto do ditador de plantão desde os anos 50.

Mubarak, de 82 anos, caiu como ensina a ciência que estuda este tipo de fenômeno, por falta de sustentação política. A única que teve no plano interno, desde o assassinato de Anuar Sadat, era militar. Os apoios externos não contaram muito na hora H. Mas o carburante da revolta foi economia pura. Milhões de egípcios sobrevivem abaixo da linha da pobreza enquanto poucos, no topo da pirâmide, vivem à moda dos faraós e entre os quais, boa parte, se beneficia da corrupção disseminada. Quando a população rural miserenta notou que havia melhores perspectivas, juntou-se ao movimento urbano jovem de classe média local.

Seria prudente prestar atenção: não estamos assistindo no Egito ao tradicional filme árabe mulçumano. A situação, ainda que permita referências históricas, tem características singulares e bem atuais. A mordaça dos velhos clichês é atalho para recorrentes surpresas.

Por Antonio Ribeiro

04/02/2011

às 10:30 \ Oriente Médio

Egito: a chance de ser berço esplêndido outra vez

Foi a faísca. Mohamed Bouazzi, jovem de 26 anos, analista em informática desempregado, tocou fogo nas próprias vestes. Morreu em Tunis. Faíscas são inofensivas sem carburante. Material incendiário há, e de sobra, na margem sul do Mar Mediterrâneo. Região onde 350 milhões se entendem e confundem-se pela língua árabe com mais em comum que a fé em Alá: ditaduras, desemprego, jovens com perspectivas funestas e disseminado desejo, dos mais pobres aos abastados, de se beneficiarem das ofertas criadas nas sociedades capitalistas modernas.

O incêndio está hoje na Tahir Square, a Praça da Liberdade, coração urbano do Cairo. Lá, os protestos populares começaram com brados contra o ditador local, Hosni Mubarak, 82 de anos de idade entre os quais, 33 anos no poder e o filho como sucessor previsto assim como nas dinastias faraônicas. Seguiram como rege os clássicos do gênero. Pedradas, pauladas, Molotov e, naturalmente, o canto das Kalashinikov. Foi assim, respeitadas as particularidades, nas Américas do Sul e Central. E também no Leste europeu. Na previsão dos mais pessimistas será como no Irã em 1979, quando um ditador caiu para dar lugar à teocracia islâmica. Há labaredas na Jordânia, Iêmen, Argélia, Marrocos e Síria.

Devido ao tradicional papel de tambor de ressonância no mundo árabe, ponto estratégico pelo controle do Canal de Suez, país em paz assinada com Israel ao lado da Jordânia e aliado do ocidente mesmo contra os primos árabes – o caso da primeira invasão do Iraque – o Egito chama toda atenção a si. Mas não só, desperta também grande apreensão. Foi às margens do Nilo, o corredor de águas que corta um museu a céu aberto da Civilização Antiga, que nasceu a Irmandade Muçulmana. O movimento  – 20% de simpatizantes na população egípcia – inspirou todos os outros do islamismo radical, inclusive a ação terrorista.

Segundo profecias que lembram as leituras de fundo do prato das videntes Sacerdotisas de Apolo ou a prática de cartomantes, o futuro do Egito está escrito nas estrelas. Ele obedecerá a  seguinte sequência de eventos:  Mubarak cai, governo de coalizão nacional assume e, mais para frente, a Irmandade Muçulmana toma com uma plataforma do século VII, a restauração do Grande Califado. Possível, provável, mas igualmente incerto. Precipitação nunca curou ansiedade, foi sempre um paliativo.

Para que a teoria dos arautos do Apocalipse egípcio tome forma seria preciso que o maior exército do Oriente Médio – recebe ajuda anual americana de 1,5 bilhões de dólares – queira, do dia para noite, faça chuva ou faça sol, ser comandado por um imã com quatro estrelas no turbante. Os meganhas, a tigrada do Mubarak, que se imiscuíram entre os arregimentados pelo governo para desalojar os manifestantes à força, deveriam abraçar a Irmandade em cujas fileiras está Ayman Al Zawarhiri, braço direito de Osama bin Laden. A rapaziada que mostra a sola do tênis Nike para o ditador na Praça da Liberdade, no lugar de querer um iPad, teria que preferir a Sharia, o compêndio com códigos islâmicos que punem com rigor as transgressões de preceitos medievais. Elas incluem os mais básicos comportamentos dos jovens do século XXI.

A permanência da ditadura no Egito – 85 milhões de habitantes – não é garantia de que o islamismo radical será contido. Muito pelo contrário. Ainda que na clandestinidade, durante as últimas três décadas, ele se propagou com força indomável. É a falta de melhores opções que fazem jovens ingressarem no radicalismo. Fenômeno semelhante acontece com adolescentes favelados que engrossam as fileiras do exército dos traficantes de droga. É engano achar que a falsa estabilidade é melhor que a laboriosa conquista da democracia. O sistema que nunca chega como os comboios da Cruz Vermelha. A longo prazo, traz mais benefícios. Não seria a primeira vez  em que islamistas participariam de governos moderados. Isso é realidade na Turquia, Indonésia e Malásia. Sem uma parte representativa da sociedade nos governos, há pouca chance que eles se sustentem por muito tempo. O contrário desenha atalho mais curto para outra revolta.

A volta da democracia no Egito comporta riscos. Mas ela nunca existiu sem ameaças permanentes. O Egito pode, uma vez mais, transformar-se em um farol para região. Desta vez, como o exemplo do Islã incorporado na democracia árabe. O Blog de Paris sempre foi defensor ferrenho da democracia,  liberdades individuais, economia de mercado, liberdade de expressão, para TODOS. O Egito não é diferente.

Por Antonio Ribeiro

07/06/2010

às 12:00 \ Oriente Médio

Quando ajuda humanitária não é bem isso

Desde a intervenção de quinze comandos da Shayetet, da Marinha israelense, no navio Mavi Marmara, de bandeira turca, causando mortes de nove civis entre os 581 a bordo, há um  tsunami de indignações e condenações no planeta. Algumas são sinceras, embasadas no conceito de que cabe à democracia tratar os suspeitos de ameaçar sua segurança interior com métodos opostos aos que ela critica. Outras reações histéricas, no entanto, são o reflexo de oportunismo que surge de tempos em tempos, quando Israel é autor de atos truculentos, como foi o caso desta vez. Estas últimas, não tem a mesma amplitude e eloquencia quando Israel sofre frequentes atos terroristas. Nestes momentos, ela se cala.

A ação tem sido confundida amiúde com a disputada justeza do bloqueio (de armas e material para fabricá-las) que Israel (e Egito) impõe a volta e no espaço aéreo da Faixa de Gaza. Medida militar justificada como preventiva pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Desde a desocupação de Gaza em 2005, partiram de lá em direção a Israel, mais de 7.000 foguetes patrocinados pelo Hamas, o grupo terrorista islâmico apoiado pelo Irã, senhor do território mediterrâneo de 40 quilômetros de comprimento por 11 de largura onde vivem uma das maiores densidades populacionais do planeta, 1,5 milhão de pessoas. A história do conflito israelo-palestino é mestra em apontar como atalho mais curto para o engano, as reações precipitadas e intempestivas onde se elege, sem ponderação, o bandido e o mocinho. Elas servem também para carburar  conflito que não carece de incentivo, devido ao entusiasmo dos beligerantes em perpetuar a estultice que a audiência planetaria já está há muito entediada.

Um dado permanente no conflito entre areias do Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, em uma convivência incontornável, é o excesso. O teste frequente para descobrir o máximo que o lado oposto aceita. A convicção inabalável de que razão está ao lado, estimula o vale tudo, a perda total de limites. Isto é característica das guerras, certo. Mas ninguém pode negar a israelenses e palestinos que, se fossem atores cinematográficos, seriam os finalistas mais longevos ao Oscar de melhores protagonistas — o conflito dura mais de seis décadas sem perspectiva para terminar.

Qualquer barco que tenta furar bloqueio naval, ainda que acha-se imbuído da “arrogância do bem”, na prática, está realizando outra manobra militar. Quando isto acontece, a condição de civil, de não combatente de seus integrantes, torna-se suspeita. A situação é muito comum nos conflitos assimétricos. Na guerra Irã-Iraque, por exemplo, no lugar de blindados, os generais dos aitolás enviavam crianças para abrir o caminho da infantaria. Um fator psicológico desestabilizador e covarde contra os soldados inimigos. Queiram ou não, as crianças eram “armas”.  A missão de ajuda humanitária deixa de ter salvaguardas clássicas a partir do momento em que ela afronta diretivas militares. Há décadas que a Cruz Vermelha ou Crescente Vermelho seguem estas regras. rigorosas de conduta. Isso para que sua credibilidade enquanto benfeitores seja preservada e nos momentos mais dramáticos, sua ajuda possa agir sem entraves em beneficio de quem precisa.

Ajuda humanitária é ajuda humanitária. Ajuda política ou movimento pacífico para despertar consciência acontece de forma bem distinta que a de direcionar uma flotilha com 700 pessoas para um destino, custe o que custar, ignorando os avisos que a rota escolhida é ameaçadora. Os membros do Greenpeace, por exemplo, quando são interpelados pelas forças de ordem em ações espetaculares na defesa do meio-ambiente, não reagem com violência. Não foi o caso dos passageiros do Mavi Marmara. Sobretudo, dos 40 membros da IHH, a ONG islamista turca suspeita de ligações com terroristas. Não só por Israel, diga-se de passagem. Uma organização não governamental, não é governamental. Ficou claríssimo que a IHH não teria agido sem o apoio robusto e desafiador do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Nada disso justifica ação militar mal planejada cujo resultado foi trágico. Mas os israelenses foram  sim, pegos de surpresa.  Por menosprezar seu oponente, acreditando que iriam encontrar situação habitual, semelhante a que aconteceu da ultima vez, quando interceptou o navio de bandeira irlandesa Rachel Corrie com 19 ativistas a bordo sem a menor resistecia. A defesa do real e universalmente aceito conceito de ajuda humanitária deveria ter a mesma intensidade que as criticas a Israel, que aliás, tem bons argumentos para questionar a legitimidade de investigação do ocorrido se feita por Conselho de Direitos Humanos da ONU onde figuram países como Paquistão, Cuba, Irã e outras democracias de fachada.

Por Antonio Ribeiro

12/04/2010

às 7:32 \ Oriente Médio

Iranianias resistem Ahmadinejad com charme e beleza

Se a internet tornou-se arma poderosa da população iraniana como forma de resistência ao regime totalitário de Mahmoud Ahmadinejad, vem do país a ser visitado por Lula no mês de maio, a notícia de que as mulheres estão driblando com mais frequência e charme a imposição vestimentária islâmica. Teerã está se transformando na capital do batom. E não só. O Irã já é o sétimo consumidor mundial de produtos cosméticos – 2 bilhões de dólares anuais.

A República Islâmica representa 29% no mercado de cosméticos do Oriente Médio estimado em 7,2 bilhões de dólares. A maioria dos consumidores são mulheres entre 14 e 45 anos, residentes das 6 principais cidades do país – 14 milhões. Elas gastam, em média, 7 dólares por mês para cuidar da aparência. O dado é pouco comum para um país cuja economia ocupa apenas vigésima oitava colocação no mundo, onde o salário médio oscila entre 600 e 700 dólares.

Um estudo revela que algumas iranianas usam até 20 tipos de produtos de beleza diariamente. A principal razão deve-se a obrigatoriedade do uso do véu e das túnicas que cobrem as formas do corpo feminino. As mulheres só tem o rosto – em alguns casos, só os olhos – para mostrar seus atributos físicos.

O véu ligeiramente caído, as mexas de cabelo discretamente aparentes e a maquiagem são símbolos de transgressão ao governo islâmico de uma população cuja maioria tem menos de 30 anos. A maquiagem sempre foi uma forte tradição oriental ainda que reprimida pelos aiatolás do Islã radical. Há um aumento também das cirurgias estéticas, sobretudo, as faciais.

Em contrapartida, o uso demasiado de produtos cosméticos tem aumentado a incidência de alergias e câncer na pele das iranianas. Para piorar a situação, estima-se que 9 em cada 10 mulheres no Irã usam cosméticos com data de validade vencida. Embora o Irã tenha uma industria de produtos de beleza importante, a maioria deles e os mais desejados são os importados

Por Antonio Ribeiro

 

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