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Arquivo da categoria Nicolas Sarkozy

09/11/2009

às 11:39 \ Nicolas Sarkozy

Lorota

Sarkozy: the day after

Sarkozy com sua picareta: the day after

Tramita na Assembléia Nacional francesa um projeto de lei que obriga as imagens modificadas nas publicidade circularem com a menção obrigatória “Fotografia Retocada”. Mas ainda não se encontrou um antídoto contra as lorotas, grandes ou pequenas, dos políticos locais.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, relembra na sua página no Facebook o dia 9 de novembro de 1989, data em que os alemães começaram fazer ruir o Muro de Berlim da maneira mais insólita, a picaretadas.

Sarkozy escreve o seguinte:

Na manhã do dia 9 de novembro nós ficamos interessados pelas informações que chegavam de Berlim, elas pareciam anunciar a mudança na capital dividia da Alemanha. Decidimos partir de Paris com Alain Juppé… para participar do acontecimento que se anunciava.

Bem, na manhã do dia 9 de novembro, ninguém em Paris nem em Berlim poderia supor que o Muro iria cair naquele dia. Foi só a partir de 20 horas que as emissoras de rádio  as TVs de Berlim Ocidental começaram evocar a livre circulação entre os dois lados das placas de cimento armado — 3,60 metros x 1,20 metros e 2,60 toneladas — que entrou para história como o “Muro da Vergonha“.

Sarkozy continua seu relato:

Chegados à Berlim Ocidental, rumamos para o Portão de Brandemburgo onde grupos de entusiastas já se amontoavam devido ao anúncio da abertura provável do muro.

Em momento algum um anúncio de “abertura provável” reuniu manifestantes em Berlim Ocidental. Os alemães começaram a se reunir aos pés do muro no lado Oriental e bem mais ao norte do Portão de Brandemburgo, no em Prenzlauer Berg. Os alemães ocidentais só começaram atacar o muro, no dia seguinte, dia 10 de novembro.

Onde estava afinal Nicolas Sarkozy na manhã do dia 9 de novembro? Resposta: no pequeno cemitério de Colombey-les-deux-églises, comemorando o aniversário de morte do general Charles De Gaulle, como atesta uma reportagem do jornal Le Figaro da época. Sarkozy só chegou em Berlim no dia seguinte, data da fotografia sem retoques que ilustra este post.

Atualização: Paul Clavel, representante dos Franceses de Berlim entre 1982 e 2007, organizador da viagem de Nicolas Sarkozy a Berlim, em 1989, confirma que o presidente da França, na época Secretário-Adjunto do partido da direita francesa RPR, chegou a capital alemã na tarde do dia 10 de novembro, vindo de Paris em um vôo da Air France. Ele é também o autor da fotografia que ilustra o post. Segundo Clavel, a imagem foi feita por volta de 22h também no dia 10 de novembro. É falsa a premissa de que todos se lembram onde estavam quando o Muro de Berlim ruiu. Sarkozy, por exemplo, não faz parte do grupo.

Por Antonio Ribeiro

27/07/2009

às 11:27 \ Nicolas Sarkozy

Como se nada tivesse acontecido


Como se nada tivesse acontecido, diz a letra. O maior sucesso de Carla Bruni, primeira-dama da França, poderia ter sido o fundo musical desta segunda-feira em Paris, quando Nicolas Sarkozy, de 54 anos, saiu caminhando do hospital militar Val-de-Grâce. O presidente francês foi internado no domingo, 25 de julho, devido a um mal estar sofrido durante corrida a pé de 45 minutos nos arredores da residência La Lanterna, em Versalhes. Ele permaneceu 21 horas no hospital.

O Palácio do Elysée emitiu uma nota diagnosticando a causa do internamento presidencial como “lipotimia durante robusto esforço físico sob forte calor (30º Celsius), sem desmaio, em um contexto ligado ao acúmulo de ritmo de trabalho importante.” A versão oficial pretende que houve um ligeiro cansaço. Algo inocente, um reflexo natural que baixa a pressão arterial e diminui a irrigação sanguínea no cérebro. Situação que metade das mulheres e um quarto dos homens passam, ao menos, uma vez durante a suas existências.

Ainda segundo o comunicado oficial, uma bateria de exames não detectou problema cardiovascular. Nenhum tratamento foi prescrito, apenas recomendação de repouso. A ministra da Economia, Christine Lagarde, substituiu o Sarkozy em cerimônia no Palácio do Elysée. A visita do presidente ao Mont-Saint Michel, prevista para amanhã, foi anulada. Sarkozy deverá presidir, na quarta-feira, o última reunião ministerial antes das três semanas de férias em Cap Nègre, na Riviera francesa.

A hiperatividade crônica do presidente francês sofreu um golpe duro deixando sua imagem arranhada. O episódio poderá diminuir o ritmo do presidente durante seu mandato. Na semana passada, além de cumprir sua rotina de trabalho normal, Sarkozy jantou com presidente do Egito, no Cairo, acompanhou sua mulher em um concerto em Nova York, homenagem a Nelson Mandela, e arrumou tempo e fôlego para assistir a etapa da Volta da França, nos Alpes, que exige maior esforço dos ciclistas.

Durante a campanha presidencial, Sarkozy prometeu transformar seu médico em vedete pelas sucessivas aparições em que ele comunicaria o estado de saúde do presidente — prática rara na tradição do executivo francês. Desde então, foi publicado, no dia 3 de julho, apenas uma nota de um parágrafo dizendo que tudo estava bem com Sarkozy. O autor do boletim não foi o médico, mas a assessoria de comunicação presidência. No dia 27 de outubro de 2007, Sarkozy foi operado, secretamente, para retirar um abscesso da garganta. Revelada a cirurgia, o Palácio do Elysée fez como se nada tivesse acontecido. A confirmação da intervenção só aconteceu três meses
depois.

Por Antonio Ribeiro

03/03/2009

às 14:40 \ Nicolas Sarkozy

Sarkozy recebe ameaça de morte

Uma carta com ameaça de morte acompanhada de uma bala calibre 9 mm foi enviada ao presidente da França, Nicolas Sarkozy. Envelope com conteúdo igual foi endereçado à ministra da Justiça, Rachida Dati, e a sua colega do Interior, Michèle Alliot-Marie. O texto com vinte linhas, diz: “Você pensa ser dono de nossas vidas, não é. Somos nós que temos sua vida e de seus parentes nas mãos.” Alain Juppé, ex-primeiro-ministro, atual prefeito da cidade de Bordeaux, e mais nove senadores e deputados da UMP, partido de Sarkozy, também receberam a carta. O departamento antiterrorista da brigada de Paris foi mobilizado para investigar. A pista até agora,  privilegia o autor das ameaças – que não faz nenhuma reivindicação – como sendo um desequilibrado mental. No entanto, esse o tipo de correspondência não é comum na caixa do correio dos destinatários. A carta faz referência a um grupo, desconhecido da polícia, denominado Terra-Solidariedade.

Por Antonio Ribeiro

30/10/2008

às 19:04 \ Nicolas Sarkozy

Enquanto Obama não vem


Nicolas Sarkozy anda tirando bom proveito da atual crise financeira, o mais recente empurrão para jogar o mundo inteirinho no precipício da recessão. “Imaginem se eu não estivesse na presidência da União Européia, se ela fosse liderada por outro, neste momento”, diz o presidente a quem vai ter com ele no Palácio do Elysée. Notável: não seria tão divertido, ao menos, para o presidente francês. Entende-se. A França, segundo definição do general De Gaulle é um pequeno país responsável por desempenhar papel de grande nação. E Napoleão, grande inspirador do “petit Nicolas”, deixou a França menor que a encontrou, mas a grandeur (grandeza) não se mede assim, ainda no juízo do mais importante político francês da segunda metade do século passado.

Sarkozy foi eleito quando a aventura da invasão do Iraque já era considerada capital adquirido. Ou seja, a França estava acobertada de razão quando se opôs frontalmente ao desembarque das tropas americanas e inglesas nas areias da antiga Babilônia, do ditador Saddam Hussein. Agora, o “modelo francês”, a forte intervenção do estado na economia, tradição desde Louis XIV, é apontada como alternativa para sair da crise mundial. A situação veste como luva s feitas sob medida para as mãos de Sakozy, hábeis em tomar poder vacante. Primeiro, a liderança da Europa e, mais ambiciosa missão, ser o motor de mudanças mundiais.

O capitalismo não morre — não é abstração como o marxismo, mas prática — enquanto houver debaixo da abóbada celeste o desejo natural do homem de obter lucro. O que ronda por aí é o resultado da disfunção do mercado financeiro. Bancos que emprestaram a gente sem lastro ou perspectiva de reembolso da dívida. Mas o postulado do capitalismo moribundo soa como música na orelha francesa. E como! No fundo, trata-se de um país superado pela formidável máquina forjada pela economia livre dos Estados Unidos da América. Se amanhã descobrirem o hambúrguer como agente maléfico, tomam champanha deste lado do Atlântico. Puro despeito cuja semântica imprecisa chama, frequentemente, de antiamericanismo.

No mês passado, Sarkozy persuadiu os alemães hesitantes para assinar um acordo europeu de injeção massiva de dinheiro do contribuinte nos bancos do Velho Continente — a idéia partiu do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, mas sua lerdeza permitiu a Sarkozy de encampar a autoria da iniciativa. O presidente francês voou para Washington, convenceu o pato manco George W. Bush para transformar a próxima reunião dos países mais ricos do mundo em uma conferência nos moldes de Bretton Woods. O objetivo não é modesto. Trata-se de refundar o capitalismo. Leia-se, meu caro leitor, tentar atualizar as regras do mercado financeiro mundial. A mais recente ação de Sarkozy foi propor fundos soberanos para proteger a economia européia de eventuais “predadores” internacionais. Traduzindo predadores, se me permtem: investidores americanos, russos, asiáticos e árabes com capital para comprar empresas européias em dificuldade. “ Eu não serei o presidente que vai acordar daqui a seis meses para descobrir as companhias francesas nas mãos dos outros,” diz Sarkozy, o “Napoleão de Neuilly”, apelido dado pelos alemães pelo qual se faz a junção entre imperador nascido na bela Ajacio, na Corsega, e o subúrbio elegante de Paris, onde o presidente francês foi prefeito.

Talvez haja alguns pontos a serem evidenciados no atual cenário. Pensem comigo, por favor. Número um: os EUA foram forçados a crer que as idéias de Keynes, o mercado de mãos dadas com o estado, não são tão obsoletas assim. Número dois: a crise financeira expôs ainda mais a fragilidade da UE, quer dizer, agir em bloco. Foram iniciativas nacionais que vieram como a Sétima de Cavalaria para salvar os bancos. Número três: a cabeça fria de Barack Obama pode revelar-se mais eficaz do que voluntarismo e o oportunismo de Sarkozy.

O ano que vem será interessante.

(Foi escrito neste blog que a eleição é game over. Isso quando o republicano John McCain estava à frente nas pesquisas de intenções de voto nas presienciais dos EUA, país menos admirado pelos amigos e menos temido pelos inimigos que outrora).

Por Antonio Ribeiro

21/10/2008

às 14:15 \ Nicolas Sarkozy

Larápio cibernético rouba Sarkozy


Enquanto Nicolas Sarkozy angariava fundos do estado para garantir as contas bancárias dos franceses e apregoava idéias de refundar o sistema financeiro internacional, a bola passou entre suas pernas. Um esperto entrou na conta pessoal do presidente da França, em um banco de Neuilly-sur-Seine, via internet, e surrupiou 200 euros. O dinheiro foi usado para compra de apetrechos em um sex shop. O larápio usou o pseudônimo DSK, iniciais do presidente do Fundo Monetário Internacional, o francês Dominique Strauss-Kahn, suspeito de beneficiar a indenização de demissão da namorada húngara Piroska Nagy, ex-economista do FMI, no departamento africano — a jornalista Anne Sinclair, esposa de Strauss-Kahn escreveu no seu blog que o “caso amoroso de uma noite” são águas passadas, ela e o marido se amam tal qual no primeiro dia em que se conheceram, sabe-se lá o que isso quer dizer. Sarkozy deu queixa na polícia sobre o roubo. Dois suspeitos, de nacionalidade congolesa, estão detidos. A brigada criminal francesa afirma que o vigarista não sabia que a conta pertencia ao Presidente da República, embora tenha usado sofisticado software.

Luc Chatel, secretário de estado responsável pelo consumo, sustenta o caso como prova de que os sistemas bancários na internet não merecem confiança. Na maioria das vezes, a piratagem consiste em roubar pequenas quantias para não despertar suspeita, mas a operação é realizada em várias contas. Em seguida, o dinheiro é transferido para uma outra conta — “uma mula”, segundo jargão dos pilantras — e de lá, para um banco de paraíso fiscal. Um estudo do YouGov, publicado em março desde ano, revela que o número de fraudes passou de 4 000 em 2005 à 37 000 em 2006. No que respeita as fraudes de cartões de crédito na França elas foram de 268 milhões de euros em 2007. A quantia equivale ao total dos lucros operacionais dos clubes de futebol da Liga Inglesa, a mais rentável do mundo.

Por Antonio Ribeiro


 

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