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09/12/2012

às 9:22 \ Moda

Muso do verão

Em bangalô de condomínio fechado, emprestado pelo empresário do setor imobiário Manuel Martinez, a beira de praia da baia de Todos-os-Santos, o chefe da quadrilha – ou capitão do time, para os íntimos – com a companheira Evanise Santos (de óculos Prada) e Rosemary Noronha (de chapéu), a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, mulher de confiança do ex-presidente Lula, indiciada por corrupção, tráfico de influência, falsidade ideological e formação de quadrilha.

Zé veste – ou investe em – bermuda chique nas últimas da marca francesa Vilebrequin, ícone do verão, nas areias de Santropê, Sambarte e Beverlirius e cujo modelo básico, não sai da prateleira por menos de 120 euros em loja badalada na zoropa e chopim dos zeua. No Brasil, custa em torno de 600 reais, pouco menos que um salário mínino (R$ 622).

Conta a lenda que nos anos 70, na badala Saint-Tropez, um jovem visionário, sentado no terraço do café Sénequier, divertia-se recortando uma toalha de mesa xadrez em algodão com o objetivo de criar, em poucas tesouradas, um calção de banho simples e elegante. Após algumas tentativas, resolveu utilizar tecido de vela, um material que secava ultra-rápido. Foi o nascimento do boxer-short. O calção foi batizado de Vilebrequin – nome em francês do eixo central do motor. Isso devido à paixão do criador por automobilismo.

Enquanto isso, dona Zelite, a malvada, vai de coletivo ao Piscinão de Ramos com modelito de liquidação da Americanas.

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 1:00 \ Moda

O laço da moda

Christine Lagarde com o noeud lavallière

Enquanto o primeiro-ministro grego George Papandreou parece ter atado um nó para enforcar o seu país, propondo realizar um referendo sobre o pacote de resgate à economia da Grécia, a elegante diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde foi para reunião dos países do G20 na Riviera Francesa com o laço da moda no colarinho. Inspirado no laço favorito dos pintores, artistas e intelectuais franceses do século XIX, o noeud lavallière é “o chic nas últimas” em Paris neste início de inverno europeu. La lavallière está associado ao nome de Louise Françoise de La Baume Le Blanc, duquesa de La Vallière e amante de Luis XIV.

Contudo, Lagarde não enrolou, manteve seu tradicional pragmatismo: “Tão logo o referendo seja realizado, e todas as incertezas sejam removidas, farei a recomendação ao comitê executivo do FMI para liberar a sexta parcela de nosso empréstimo para ajudar o programa econômico da Grécia.”

Este post não foi escrito só para elas. Os leitores podem ensiná-las a dar o laço. Em seguida, o passo-a-passo:

1. Escolha um lenço longo e estreito. Passe o lenço em volta do pescoço equilibrando igualmente cada extremidade e faça um nó simpes como no desenho, cruzando as duas pontas. 2. Dobre a parte de baixo como um acordeão. 3. Passe a ponta superior, por cima do plissado em acordeão.

4. Enlace a mesma extremidade por trás do plissado em acordeão. 5. Puxe ligeiramente para apertar o nó. 6. Afrouxe as extremidades para distribuir o laço de maneira elegante e equilibrada

Leia o post do Blog de Paris – “O sermão do casal Merkozy

Por Antonio Ribeiro

30/03/2011

às 13:58 \ Moda

La Marinière, a moda entra em campo

A Marinheira unissexo em todos os tamanhos: Picasso, Benzema e Bardot

A seleção francesa de futebol estreou sua nova camisa para partidas fora de casa.  Houve rara unanimidade entre as mulheres. Elas acharam uma graça. Os homens, nem todos, fazem gracinhas. O modelo foi inspirado em um dos patrimônios culturais da França, a camisa listrada de marinheiro, La Marinière.

A tradição dá conta que o grafismo da camisa, símbolo da simplicidade elegante que atravessou  várias ondas para tornar-se um clássico do vestuário, não surgiu por razões estéticas. No século XIX, quando La Marinière emergiu, pensou-se que o desenho ajudaria na hora do resgate em alto mar. Vivos ou mortos, os marujos naufragados seriam vistos mais facilmente à distância,  na superfície da água.

Durante preleção no vestiário, o técnico da seleção francesa, Laurent Blanc, disse aos seus comandados: “Rapaziada, com esta camisa vocês podem ter certeza que serão notados”. De fato foram, mas o futebol da equipe campeã do mundo de 1998 nunca foi recuperado e a imagem do vexame da Copa da África do Sul, quando milionários fizeram greve pela primeira vez na história, ainda não submergiu completamente.

Em 1858, a Marinha do Imperador Napoleão III, sobrinho de Bonaparte, emitiu circular transformando La Marinière em uniforme regulamentar. Os tecelões sob o soldo da força naval foram informados de que tratava-se de uma camisa de algodão sem golas e cujas mangas não deveriam ser nem curtas nem longas, mas na altura do cotovelo. Isso para a roupa interior não “sobrar” no casaco. “A camisa deveria ter 21 listras brancas de dois centímetros e 21 listras azuis marinho de um centímetro”, conta a Veja.com, Agnes Paris, Curadora Chefe do Museu Nacional da Marinha, na capital da França.

A nova camisa número 2 da França custa 75 euros (175 reais), mas em lojas badadas o preço pode ser salgado como água do mar. Na Chez Colette, em um dos endereços mais chiques do primeiro distrito de Paris, a rua Saint-Honoré, o “manto listrado” é vendido por 110 euros (257 reais). La Marinière é feita pela Nike cujo contrato de 42,5 milhões de euros com a Federação Francesa de Futebol (FFF) vai até 2018. O objetivo do fabricante americano de material esportivo visa um público bem mais amplo que os torcedores de futebol.

O renomado estilista alemão Karl Lagarfeld, da Maison Chanel, foi escolhido para fazer as fotografias da campanha publicitária. Além da fama e do talento do fotógrafo um clin d’oeil entrou em campo. Lagarfeld é o sucessor oficial do estilo criado por Coco Chanel, a lendária costureira francesa que, por volta de 1910, introduziu a camisa de marinheiro no mundo da moda. Aliás, para nunca mais sair.

Nos anos 80, quando o mundo já estava habituado a ver de Pablo Picasso a Brigitte Bardot usarem os trajes de marinheiro, sobretudo onde o Mediterrâneo lambe as costas francesas, o estilista francês Jean Paul Gautier pegou a figura de um marujo musculoso e de trejeitos delicados e fez dele, vestido com La Mariniére justa ao corpo, sua marca registrada. O gosto gay masculino foi conquistado de imediato. Isso enquanto o grande sucesso no cinema era Querelle, o filme cult do diretor Rainer Fassbinder, baseado na obra de mesmo nome, do escritor  francês Jean Genet, homossexual declarado quando a preferência era considerada transgressão de bons costumes.

La Marinière no futebol pode significar o pontapé inicial de uma tendência: os gramados vão se transformar também em passarelas da moda. No entanto, o esporte bretão tem seus caprichos. Ele é capaz de mistificar uniformes de gosto muito duvidoso desde que o conteúdo faça mais gols que os adversários. O contrário resta a ser provado.

Por Antonio Ribeiro

14/07/2009

às 12:20 \ Moda

Estilo da estação: nouveau modeste

Para as mulheres, o retrô ligeiramente étnico. O sarouel continua na moda sobre roupas brancas. Calçados: espadrilhas. Grandes bolsas completam o look. Para os homens, qualquer coisa que não inclua agasalhos esportivos, sandálias, calções, calças com grandes apliques nos bolsos e camisetas com slogans e logotipos. Os óculos de sol franceses Persol são um must para ambos os sexos. A regra é simples, Paris é uma cidade elegante do norte não um balneário do Mediterrâneo.

Por Antonio Ribeiro

 

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