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10/06/2013

às 11:39 \ Imprensa

O nacionalista vai ficar uma arara

O jornal esportivo francês L’Équipe anuncia a próxima reportagem de capa do seu suplemento de fim de semana que vai as bancas no dia em que começará a Copa das Confederações: “La Face Cachée de Rio”. A face escondida do Rio. Miséria, violência e corrupção. O reverso da cidade da Final da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olimpicos 2016. Entrevista exclusiva com Romário, o menino das favelas que virou campeão.”

Alguns vão achar que o “Auriverde pendão de minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança” foi ultrajado. Mas a bandeira do chauvinismo, o nacionalismo exacerbado, é bem mais feia porque confunde crítica com insulto. E há uma bandeira ainda pior, igualmente no senso figurado, a que esconde a verdade e tenta persuadir a mentira. Tapar o sol com a peneira, também furada, não melhora as coisas.

Por Antonio Ribeiro

27/01/2012

às 10:14 \ Imprensa

Na revista Seleções Reader’s Digest:

Edição Janeiro 2012

 

Por Antonio Ribeiro

20/07/2011

às 12:57 \ Imprensa

Notícias do mundo precisam dos tabloides

NO TRANSPASSING

Se recebessem certificados de óbitos, as famílias de jornais desaparecidos ficariam sabendo da causa mortis mais recorrente. A tentativa involuntária, mas efetiva, de disseminar o desinteresse. Dito de outro modo: a oferta aos leitores de conteúdo pago capaz de concorrer até com os melhores soníferos. Não foi o caso do lendário News of the World, criado em 1843 e que circulou pela última vez no dia 10 de junho. O tabloide, propriedade desde 1969 do barão da imprensa mundial e magnata australiano Rupert Murdoch, morreu de vergonha em pleno vigor financeiro –  faturamento líquido de 65 milhões de dólares através dos pródigos 2,8 milhões de exemplares por semana, em 2010. Não me ocorre ter escrito em qualquer circunstância, mesmo no episódio da barata esmagada, mas agora vai: a morte foi merecida. Talvez espantoso, mas prazeirosamente contra a corrente: apresento minhas condolências.

Os tabloides, apesar da carga de menosprezo e repelência provocadas nas almas mais moralistas e hipócritas, merecem existência na velha democracia britânica. Isso porque, mais do que a Justiça, não discriminam forte ou fraco, rico ou pobre, imigrante paquistanês, membro da família real ou os ocupantes do numero 10 da Downing Street: todos são personagens se tomarem parte em história digna de interesse público ainda que envolva os aspectos mais sórdidos da natureza humana. As suas páginas, invariavelmente de gosto vulgar e conteúdo sensacionalista, são um espaço anódino onde populares notam – com certo deleite – que poderosos não são assim tão diferentes dos seus vizinhos. Em contrapartida, a realeza, para citar um exemplo entre os mais contrariados, percebe que desvendados alguns dos seus segredos vergonhosos, ficam no mesmo patamar dos súditos mais humildes: o terráqueo.

Na última década, o método investigativo de alguns repórteres do News of the World, conhecido como a “arte das trevas”– quebra de sigilo telefônico, suborno de policiais, contratação de detetives, uso de identidade falsa e furto de documentos – transgrediu a ética jornalística. Foi mesmo além da prática ousada de buscar a verdade mais crua. Mas não só. Ela foi essencialmente contra a lei, em uma palavra: criminosa. A invasão da caixa postal da estudante desaparecida Milly Dowler prejudicando investigações e simultaneamente acalentando a esperança na família de que a jovem morta ainda estava viva, teve crueldade premeditada nunca vista na imprensa.

Em efeito, Rupert Murdoch pressionado pelo governo inglês recolheu a oferta milionária da sua News Corp. para controlar a BSkyB, principal TV de notícias a cabo da Inglaterra. A revista The Economist que acompanha as transações na ilha há 168 anos, lembrou que equivalente coerção do poder político contra uma empresa tão influente só aconteceu no século XIX com a estatização da Companhia Britânica das Índias Orientais, dona do monopólio do comércio de ópio e chá. A toda poderosa Rebecca Brooks, diretora executiva do News International, filial britânica do conglomerado News Corp. pediu demissão. Os dois principais chefes da Scotland Yard também. O porta-voz de David Cameron, Andy Coulson, igual. Ontem, “Citizen Murdoch”, ladeado pelo filho herdeiro e respaldado pela mulher karateca, foi inquirido por uma comissão parlamentar. O octogenário fez ato de contrição pública mais profunda que as anteriores e em troca, quase recebeu uma torta de creme de barbear no rosto. Hoje, foi a vez do primeiro-ministro Cameron ser sabatinado à exaustão numa seção agitada do Parlamento britânico. Acuado depois esquivar-se de uma questão incomoda apresentada seguidas vezes, o jovem líder conservador apresentou a ultima versão da resposta: um longo suspiro sonoro.

Se vivo, o News of the World, estaria se esbaldando com  uma especie de catarse capaz de fazer os ingleses desviarem a atenção de seus problemas mais prementes. Os tabloides não são a imprensa objetiva que pegou por contágio uma doença externa. Eles são sim, a maneira exagerada e descontrolada – desta vez, criminosa – das tradicionais práticas jornalísticas. Sobretudo a de descobrir o que é de interesse público, mas que está escondido por outros interesses. O que deve ser punido são as práticas ilicitas como qualquer outro delito em uma sociedade democrática. O julgamento do conteúdo cabe ao leitor.

Por Antonio Ribeiro

09/04/2011

às 19:35 \ Imprensa

Até logo, Reali

Elpídio Reali Júnior

O jornalismo brasileiro perdeu um grande repórter. Depois de lutar corajoso contra a enfermidade nos últimos três anos, como era traço da sua personalidade, Reali Júnior,  de 71 anos de idade, nos disse até logo. O correspondente do O Estado de São Paulo e da Rádio Jovem Pan em Paris durante 38 anos fez seu último enfarte aguardar até que ele tomasse primeiro o café da manhã deste sábado. E tal qual nas suas melhores horas e piores momentos, estava ao lado de Amélia,  “a mulher de verdade”, segundo o marido que comemorou este ano as Bodas de Ouro do casal. Perdi um grande amigo. Muito querido desde quando fui carinhosamente acolhido em Paris. Lá se vão 20 anos.

Reali deixa um legado exemplar para futuros jornalistas se quiserem procurar referência na pertinácia de buscar informações relevantes e repassa-las com admirável precisão. Quem esteve ao seu lado viu de perto uma extremidade desta corda e basta indagar aos seus milhares de leitores e ouvintes que eles dirão que a outra é laço do qual diariamente se prendiam. Quem deseja mais detalhes, recomendo a leitura de Às Margens do Sena, o livro resume 100 horas de depoimentos de Reali Júnior ao jornalista Gianni Carta.

A partida de um amigo provoca tristeza aguda e dolorida. Mas é quase impossível recordar o Realinho sem que a lembrança não venha acompanhada de uma situação divertida onde ele foi protagonista. Entre tantas recordações, há uma emblemática também pelo caráter didático. Terminado o dia, reportagens enviadas às redações brasileiras, saímos para jantar. Reali enfrentava com valentia uma tigela bem servida de cassoulet quando seu telefone celular tocou. Olhou para os colegas sentados à mesa, pediu desculpas e confidenciou: “É ele.” A terceira pessoa masculina singular era atalho para “o decano” referir-se ao jovem editor que acabava de assumir cargo de chefia no Estadão.

Engano imaginar que o correspondente sentia-se incomodado quando a base a mais de 9 000 quilômetros de distância queria saber mais detalhes para dar tratos a bola que iria rolar, em seguida,  nas rotativas. Na maioria dos casos, era puro prazer – e ainda é neste ofício cativante. Mas o rapaz queria outra coisa. Segurança, aparentemente. Indagou do outro lado da linha: “Reali, a reportagem que você enviou, não li em lugar nenhum, tem certeza que é isso mesmo?” O veterano correspondente tapou o microfone do celular e disse um dos seus bordões quase tão frequente quanto anunciar a temperatura da capital francesa segundo os termômetros da Maison de la Radio. “Duuura a vida de correspondente.” Em seguida, retomou a conversa com o jovem editor para encerrá-la em uma frase: “Meu querido, é por isso que estou aqui.”

Pois é, Reali. Aqui, sentiremos muito sua falta. “Neste momento, às margens do Sena, junto à Maison de la Radio, os termômetros marcam 17 graus.” Paris perdeu calor humano. Até logo, amigo.

Por Antonio Ribeiro

22/07/2009

às 7:43 \ Imprensa

Recordar é viver…

… é expressão recorrente na coluna de Elio Gaspari, napolitano, criado na Lapa carioca, um dos mais brilhantes jornalistas brasileiros, autor de um tour de force exemplar. Capo lavoro, master piece, obra prima imprescindível para entender a história contemporânea do país. Os quatro volumes sobre a ditadura “Envergonhada”, “Escancarada”, “Encurralada”, “Derrotada” e militar do 31 de março de 1964.

Corre o ano de 1989, bicentenário da Revolução Francesa. Durante as comemorações em Paris, acontece reunião do G7, o grupo dos países mais ricos do planeta. O saudoso jornalista Paulo Francis chega atrasado para o almoço no novíssimo bairro La Defense. Ele lança um exemplar da revista VEJA na mesa. “Eu queria ter escrito”, diz, puxa a cadeira, senta-se e espera reação dos presentes.

O autor do Diário da Corte, lendária crônica publicada aos sábados no caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo, referia-se à memorável reportagem Guilhotinas Caladas, de Gaspari — na época, Diretor Adjunto de VEJA. Você pode ler aqui a edição 1085, do dia 28 de junho de 1989. A Revolução Francesa — “que transformou a malta em povo” — é frequente analogia na prosa do colunista (com seu Mac, na foto de Antonio Milena). É o caso da versão desta quarta-feira, 22 de julho, em O Globo e na Folha de São Paulo. Leia abaixo:

O chavalier Temer e seus 7 mosqueteiros

Por Elio Gaspari

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer, acompanhado de sete mosqueteiros, usufruiu uma boca-livre de cinco dias em Paris.

Havia um feriado por lá, mas, por cá, a Casa onde trabalham tinha serviço e votava a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Os doutores foram comemorar o aniversário da Revolução Francesa e hospedaram-se no Hotel Lutetia, uma boa casa, equidistante de dois marcos da cidade: a Conciergerie e a Praça da Concórdia. Numa ficava a cana dos condenados. Na outra, a lâmina de Sanson. A namorada de Luís XV, Madame Du Barry, passou de uma à outra. Ela fugira para Londres depois da Queda da Bastilha, mas decidiu retornar à França.

Degolaram-na em 1793.

O mistério que levou a Du Barry a regressar é da mesma família da compulsão que levou Temer e seus sete mosqueteiros a entrar na bocalivre. Pediram discrição à embaixada e disseram que viajavam a convite de um Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional. Verdade, mas o repórter Antonio Ribeiro revelou que, segundo esse mesmo instituto, o paganini ficou por conta da indústria aeronáutica francesa, pois a fábrica Dassault quer vender 36 caças Rafale à FAB, numa conta de R$ 4 bilhões. (Convite para ir a Paris, é fácil arrumar. O que falta é patrocinador.) A Câmara absolvera o deputado-castelão e o Senado tornou-se um apêndice da delegacia de roubos e furtos, mas os oito doutores, como a Du Barry, acharam que dava.

Há um problema de percepção na cúpula do Parlamento nacional.

Eles são incapazes de entender que certas coisas não podem ser feitas.

Eis o que disse Michel Temer à repórter Lúcia Jardim: “Não vejo isso como uma tentativa de sedução, até porque, se fosse, seria muito fraca.” (Conta a lenda que o professor Henry Kissinger disse a uma senhora que toda mulher tem um preço e ela respondeu: “Isso é um insulto. Eu, nem por um milhão de dólares.” “Pois veja que já estamos discutindo preço”, respondeu Kissinger.) “Se fosse a Câmara que tivesse pagado nossa viagem, aí sim, eu tenho certeza de que fariam um escândalo em cima disso.” (Resta saber por que os franceses pagaram. Se os deputados pudessem justificar o motivo da viagem, a Câmara, ou o governo francês, deveriam pagá-la. Do contrário, não deviam aceitá-la.) “Acho que só não haveria questionamento se nós tivéssemos vindo a pé”.

(Para continuar no tom de Temer, há uma enorme torcida para que os oito resolvam ir a pé até Paris. Deveriam anunciar o ponto do litoral de onde partiria a comitiva, para que a galera pudesse se despedir deles.) Viajaram com o deputado Michel Temer: Cândido Vacarezza (SP), líder do PT na Câmara; Carlos Zarattini (PT-SP), vice-líder do PT na Câmara; Ibsen Pinheiro (PMDB-RS); José Anibal (SP), Líder do PSDB na Câmara; Maria Lucia Cardoso (PSDBMG), vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara; Raul Jungmann (PPS-PE), presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional; Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM na Câmara.

Nessa comitiva há deputados que não gostariam de ser confundidos com a nobreza decadente e degolada.

Também ficou na Conciergerie, e foi para a lâmina, o companheiro Danton, que tinha um fraco por seduções.

Por Antonio Ribeiro

19/02/2009

às 7:23 \ Imprensa

Informação deve ser analisada, jamais menosprezada

A revista semanal suíça Die Weltwoche afirma que Paula teria assinado a confissão da farsa, informação que seu advogado Roger Müller não negou até agora. A Folha de São Paulo diz que publicação é “próxima da direita nacionalista” suíça. Isso não significa uma desvantagem no caso. Para a credibilidade da informação, tanto melhor que a publicação seja “próxima da direita nacionalista.” Por quê? O Partido do Povo Suíço conta com vários ex-policiais em suas fileiras, não só simpatizantes, como também membros. Por exemplo, o vice-presidente do SVP, Yvan Perrin, foi policial em Neuchâtel. Consequência: a Die Weltwoche tem mais fontes de informação na polícia suíça do que qualquer outro órgão de imprensa.

Informação, seja qual for, deve ser sempre analisada, jamais menosprezada.

É preciso considerar também que o caso de Paula Oliveira tornou-se uma questão de honra para os suíços. Eles sentiram-se profundamente ofendidos com as declarações de Lula e as de Celso Amorim. Não será surpresa que a Justiça suíça toque o caso de forma exemplar. Faz parte do processo a predisposição das autoridades suíças de não ferir suscetibilidades no Brasil.

Por Antonio Ribeiro

16/02/2009

às 9:11 \ Imprensa

Nós deveríamos reforçar as restrições e o controle da imigração. Discorda (Disagree) ou concorda (agree)?


O instituto americano Pew Research Center divulgou no dia 4 de outubro de 2007 uma pesquisa revelando que em 44 países (47 no total) a maioria da população, embora favorável a maior flexiblidade nas regras do comercio global teme a imigração. O site da BBC Brasil fez reportagem resumindo a pesquisa e publicou na internet. O site do jornal O Estado de São Paulo reproduziu a reportagem da BBC Brasil. Dezesseis meses depois da divulgação da pesquisa, e no meio do caso da advogada pernambucana Paula Oliveira,  Von Klaus Hart, correspondente em São Paulo do jornal suíço Neue Zürcher Zeitung, serviu-se da reprodução da reportagem da BBC Brasil  no site do Estado sobre a Pew Research Center, que ele chamou de “estudos internacionais”, na reportagem Brazilian ist schockiert über die Zürcher Ermittlungen. Detalhe: a reportagem do jornal de Zurique omite o nome do autor que parece não ter consultado a pesquisa.

É batata: todo preconceito parte sempre de má informação e não raro, tem a má fé como origem. Leia a nota anterior.

Por Antonio Ribeiro

 

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