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Arquivo da categoria ‘Gente’

Yael, brilho em Paris, Nova York e agora, São Paulo

terça-feira, 17 de novembro de 2009 | 11:32

yaelsoniablog

O tempo faz o carvão virar diamante e as jóias de Yael Sonia, mais parecidas com os novos tempos. O estilo elegante da designer - alquimia cultural entre Brasil, França e Estados Unidos - seduz novamente. Depois do sucesso novaiorquino  em setembro e em Paris, no mês passado, é a vez de São Paulo descobrir a nova coleção Stack-a-Disc, de Yael Sonia -  dias 17 e 18 de novembro, rua Haddock Lobo, 1327, Conjunto 06, Cerqueira César.

A premiadíssima linha Perpetual Motion, arco-íris de pedras mineiras em peças inspiradas de brinquedos infantis, evoluiu. Agora, ela é interativa. Mil e uma opções para criar a unidade de harmonia perfeita com o corpo e a personalidade individual. Referência mundial do bom gosto contemporâneo, a revista americana Vanity Fair elegeu a joalheria Yael Sonia, sucesso há mais de dois anos em Manhattan, lugar da moda na badalada e chique avenida Madison.  Outro veículo de alto calibre da moda internacional, a   francesa Vogue, deu destaque na sua edição de setembro para os Rock Rings, de Yael.

A nova coleção Stack-a-Disc tem característica genuína da sua linhagem, a pureza das formas. Ela atrai, em um primeiro instante, porque Yael deu sequência à revolução que a projetou na vanguarda da sua arte sem abrir mão da beleza clássica. O movimento cinético das pedras e metais finos em estruturas de equilíbrio engenhoso. Mas é a possibilidade de combinar dois tipos de brincos e três pingentes - feitos de ouro branco, amarelo ou com incrustações de diamantes - com doze stacks (discos) diferentes que transcende conceitos tradicionais. Raridade no universo joalheiro, a designer convida a criar com ela. Ou seja, brincar com nove pedras brasileiras e metais nobres em forma de discos até que o objeto final seja sentido como parte natural de cada um.

Yael persegue a harmonia entre as diferenças - e realça as virtudes - desde a adolescência quando desenhou sua primeira jóia. Mas não só. Vale lembrar, a título de exemplo, a introdução do filme Bonequinha de Luxo. Manhãzinha na deserta Quinta Avenida, Audrey Hepburn, manequim de um esguio vestido preto Givenchy, tira o brioche do embrulho para viagem e toma seu café em copinho de papel enquanto namora as jóias da vitrine. Entre a personagem moderna, fiel criação de Truman Capote, e seu objeto de desejo há diferenças de tempo e conceitos. A nova coleção Stack-a-Disck, concebida no atelier paulista de Yael Sonia, elimina esta distância.

Quem visita o show-room de Yael na rua Haddock Lobo, em São Paulo, e a loja na avenida Madison corre o risco de experimentar surpresas. “Eu coloco minhas peças nas mãos das crianças para elas brincarem”, conta Yael a Veja.com em um momento no qual sua timidez dá lugar a um delicioso sorriso. Isso quando um bebê não toma a iniciativa própria de buscar com o dedinho o brinco ou o colar da mãe. Estes momentos de ternura para a designer cujos anéis de noivado, o tamanho e a preciosidade das pedras deixaram de ter relação com a densidade do sentimento de quem oferece, significam o seu maior reconhecimento.

Por Antonio Ribeiro

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A tiracolo

domingo, 15 de novembro de 2009 | 14:06

dilmaparis2A ministra Dilma Rouseff pode incluir duas novidades na sua ficha corrida de autenticidade comprovada. Ela foi o primeiro ministro brasileiro a tomar boa parte em uma entrevista a imprensa, reservada aos presidentes no Palácio do Eliseu, em Paris, ainda que sua fala tenha sido de um tédio incomum entre os melhores soníferos das farmácias francesas. Lembrou a aluna recitando o decoreba. Outra, não há registro de visitante a sede do governo francês que tenha trajado algo tão semelhante a um agasalho esportivo e uma peruca tão próxima a um capacete. Noves fora o ineditismo de Dilma, chamou a atenção a intolerância da ministra com as perguntas da imprensa francesa desavisada que madame está em campanha. Apiedo dos meus colegas jornalistas brasileiros que aguentam a conversa fiada diariamente. Brava gente, meus respeitos. Mon Dieu, não há um raciocínio concatenado. Perto de Dilma Rouseff,  a candidata  socialista derrotada nas presidenciais francesas, Ségolène Royal, parece uma assumidade. Que nível!

Por Antonio Ribeiro

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A estrela do Brasil

domingo, 8 de março de 2009 | 8:05

O céu do hemisfério sul é mais estrelado. A partir desta semana, que começa com o Dia da Mulher no Ano da Astronomia, ele tornou-se ainda mais brilhante. Por quê? A história começa com uma menina que a subia no galho mais alto da árvore no quintal da sua casa, enquanto os irmãos escolhiam os inferiores, os mais seguros. E lá, ela ficava namorando as estrelas, as bolhas de gás, velhas de 14 bilhões de anos, grávidas permanentes de reações atômicas que produzem luz. A astrofísica brasileira, professora da USP, Beatriz Barbuy, de 59 anos de idade, membro da Academia de Ciências da França, recebeu o prestigioso prêmio L’Oréal-Unesco 2009 para Mulheres na Ciência (100.000 doláres) devido as suas pesquisas sobre “A vida das estrelas, desde a origem do universo até nossos dias”.

Uma vez mais, o Brasil atrai atenção mundial pela sua diversidade. Enquanto em Pernambuco, um obtuso de batina, zagueiro bruto de um dogma medieval que assusta o país — ele anda de uma indignação à outra —, em Paris, uma cientista paulistana foi reverenciada pela contribuição seminal para aclarar o Big Bang, o primeiro gesto de quem a Bíblia chama de Verbo, no livro de Gênesis. “Meus estudos quase nunca tem aplicação imediata, mas grandes descobertas vieram da astronomia”, diz Beatriz Barbuy a Veja.com, lembrando a singeleza do químico inglês John Dalton (1766–1844) diante do pouco-caso dos seus contemporâneos quando ele revelou a menor partícula da matéria, o átomo. Ela refere-se, por exemplo, aos satélites cuja existência se deve a estudos das órbitas planetárias, aparentemente, sem serventia.

As pesquisas de Barbuy tentam descobrir, pela observação das “estrelas velhas” — a mais próxima está 4,3 anos luz do sistema Alfa Centauro —, como a nossa galáxia, a Via Láctea, foi formada. Especificamente, ela busca determinar qual a composição química de 200 a 400 bilhões de estrelas. Isso é feito através do brilho visível que as estrelas emitem. Através de um espectroscópio, a luz  é quebrada em feixes de cor tal como um arco-iris. As estrelas são melhor observadas em telescópicos ópticos equipados com espelhos de 8 metros de diâmetro. Eles custam 100 milhões de dólares e a tarifa de uma noite de observação, daria para dormir mais de um mês no mais caro hotel do mundo: 50.000 dólares. É o caso do Very Large Telescope (VTL), construído pelos europeus no deserto do Acatama, no Chile, paraíso dos telescópicos porque está em lugar alto coberto por um céu limpo no hemisfério sul onde se pode ver o centro da galáxia. “No Brasil, brinca Beatriz, o lugar mais alto chama-se Pico da Neblina.”

Todas as estrelas, incluindo o sol, são reatores nucleares. No processo de fusão atômica, elas queimam hidrogênio e hélio para produzir elementos pesados. O sol, por exemplo, é composto de 91% de hidrogênio, 9% de hélio, no que diz respeito ao numero de átomos, e apenas traços de elementos pesados. Determinando a composição das estrelas, astrônomos como Barbuy, descobrem duas coisas importantes: a idade relativa das estrelas e como a Via Láctea foi envolvida no processo. Isso porque a única matéria que produz luz, existente durante a formação do universo, de onde derivou todos outros elementos, são as estrelas. “Eu me interesso pela origem dos elementos não só porque ela nos informa a respeito da criação do universo, mas também lança luzes sobre a nossa própria origem” , diz Barbuy.  E pode ser , Beatriz, que ajude explicar porque uma menina arrisca subir no galho mais alto da arvore para flertar com as estrelas.

Um feliz Dia Internacional da Mulher para as queridas leitoras. Se só 27% dos cientistas no mundo são mulheres, vocês são maioria aqui, no blog DE PARIS. Sinto-me honrado e muito feliz pela presença e colaboração.

Por Antonio Ribeiro

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Homem ensina águia a voar no ponto mais alto da Europa

terça-feira, 14 de outubro de 2008 | 12:35


Ela tem o mesmo nome do tigre malvado do The Jungle Book (Mogli), uma coleção de histórias escritas por Rudyard Kipling. Mas Sherkan é uma águia-americana (Haliaeetus leucocephalus), nascida em cativeiro na Alemanha há quatorze anos. Majestosa, ela voou com suas asas de 2 metros de envergadura, 40 minutos, junto ao paraglider de Jacques-Olivier Travers, um falcoeiro profissional que treinou a águia, de 4 quilos, durante 18 meses. Um helicóptero depositou Sherkan e Travers no topo Mont Blanc (4.800 metros de altura), o ponto mais alto da Europa. De lá, a dupla voou até as margens do Lago Leman, na Suíça. É a primeira vez que uma águia de cativeiro realiza a proeza em um lugar onde o ar é denso e nem mesmo aves selvagens freqüentam. A experiência cria a esperança de ensinar aves criadas em cativeiro a voar. Isso em um nível que facilita sua introdução na natureza. Veja o vídeo do magnífico vôo aqui.

Por Antonio Ribeiro

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O homem que descobriu Madonna

quinta-feira, 28 de agosto de 2008 | 10:32


A rua que nos divide é estreita. Abro a janela, vejo meu vizinho em frente debruçado no parapeito do seu apartamento. Ele fuma, olha para mim e grita: “Fala meu rei”. Aceno. Não o conheço, nunca vi antes. Imagino que seja brasileiro. Não é. Mark Kamins nasceu nos EUA. Morava em frente às Torres Gêmeas, em Nova York, quando no dia 11 de setembro de 2001 tomava café na varanda do seu apartamento. Assistiu o atentado ao vivo. Decidiu vir ser meu vizinho. Nos tornarmos amigos de infância. Mas essa não é a melhor história de Kamins.

Em 1977, Mark trabalhava como vendedor na primeira loja de discos Virgin, em Marble Arch, Londres. Uma linda loira grega entrou na Virgin. Comprou 300 discos de uma tacada só. Mark ficou curioso: “O que a senhora vai fazer com esses discos todos?” A mulher explicou que junto com o marido, era proprietária do mais badalado night club de Atenas, o Annabella’s. De quebra, perguntou ao vendedor se conhecia um amigo, um estudante, alguem interessado em ir para Grécia cuidar dos milhares de discos, colocá-los para tocar na discoteca. Oferecia, em contrapartida, casa comida e roupa lavada. Mark anotou o telefone do hotel de Vana. Horas depois, ligou. “Achei o cara”, disse ele. “Sou eu.”

Três dias depois, Mark tornou-se o DJ do Annabella’s. O repertório de Mark causou um problema inédito. As musicas eram muito boas, os clientes não abandonavam a pista de dança. Resultado: caiu o consumo no bar do Annabella’s. Mark criou uma astúcia usada até hoje pelos DJs. A seqüência das musicas varia de acordo com os indivíduos que estão na pista e no bar. Mark provocava a saída da pista de quem estava dançando para que fossem beber. Simultaneamente, fazia quem estava no bar ir dançar. Truque consistia em alternar o ritmo das musicas. Depois de dois ou três ritmos rápidos, Mark interrompia com uma seqüência de baladas lentas.

O sucesso levou Mark Kamins de volta a New York. O conhecimento das musicas européias para dançar de Kamins ajudaram o Studio 54, Danceteria, Área e Mudd Club tornarem-se as discotecas mais famosas do mundo nos idos do Saturday’s Night Fever, o filme estrelado por John Travolta. Em 1981, durante uma nevasca em Manhattam, Kamins embalava os clientes da Danceteria. Uma moça aproximou-se do DJ com um cassete. “Você poderia colocá-lo para tocar?” Mark mandou ver. Resposta imediata: a pista de dança veio abaixo. No dia seguinte, Mark levou o cassete para Seymour Stien, presidente da Sire/Warner Brothers. Foi o nascimento do fenômeno Madonna, a Rainha do Pop. Ela escreveu Lucky Star ( Estrela de Sorte) para Mark.

Madonna segue sua turnê mundial. Encherá o Stade de France, em setembro. Em dezembro, será a vez do Maracanã. Mark continua fumando na janela. “Fala meu rei.”

Por Antonio Ribeiro

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O garoto do verão francês

quinta-feira, 7 de agosto de 2008 | 13:08


Ele tem 10 anos de idade. Já matou 60. O garoto do verão francês chama-se Michelito Lagravere. Um toureiro mexicano. Símbolo de uma questão dominante nestes dias de calor espanhol na França: as touradas devem ser proibidas no país? E com o seguinte adicional: é legítimo submeter um menino – 30 quilos – ao risco de enfrentar um touro – 250 quilos –, em uma arena? O chefe de policia da cidade de Arles, a capital das tourada sdo sul da França, acha que não. Impediu Michelito de tourear, a ancestral batalha de vida e morte entre o homem e o animal. O pai do menino ficou uma fera. “Ninguém proibiu Mozart de tocar piano ou Maradona de jogar bola, deixem meu filho expressar sua genialidade”, disse Michel Lagravere. Para ver Michelito em ação clique aqui.

Por Antonio Ribeiro

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