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Arquivo da categoria Gente

21/11/2011

às 10:54 \ Gente

Meryl Streep rouba o papel talhado para os líderes europeus

Meryl Streep: "O meu melhor desempenho"

Há cheiro de Oscar no ar, situação recorrente sempre que um intérprete extraordinário incorpora no cinema uma figura histórica de relevo. Desta vez, a expectativa acontece com The Iron Lady (A Dama de Ferro). A talentosa atriz americana Meryl Streep retraça o triunfo e a queda da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, a reformadora responsável pelo renascimento da economia da Grã-Bretanha, na década de 80 – à época um reino estagnado pela inflação, de crescimento econômico anêmico, alto índice de desemprego, contido por uma legislação laboral arcaica e em pleno mergulho na decadência.

Em 1954, houve expectativa semelhante com o lançamento de Júlio César, filme no qual Marlon Brando é Marco Antonio, o célebre general e Tribuno da Plebe no Império Romano, baseado no drama escrito por outra estrela maior: William Shekespeare. Contrário a Forest Whitaker, ganhador da estatueta dourada de Melhor Ator pela interpretação do ditador africano Idi Amin Dada, Brando finalmente recebeu apenas a indicação

A Dama de Ferro foi dirigido por Phyllida Lloyd, com quem Streep, recordista com 16 indicações ao Oscar, já trabalhou no musical Mamma Mia! O filme tem estréia prevista para o início de janeiro do ano que vem na Europa, Estados Unidos e, um mês depois, no Brasil. Boa oportunidade para lembrar que é possível sair das crises duradouras e consideradas insolúveis – e para os mais jovens conhecerem a trajetória incomum da baronesa Thatcher de Kesteven, de 86 anos de idade.

Thatcher por Yousuf Karsh

Thatcher quebrou as rígidas barreiras de gênero e da classe política inglesa. Em 1979,  tornou-se a primeira mulher a ser primeira-ministra do Reino Unido e, em consequência da sua ação, um  ícone inglês moderno, ao mesmo tempo, celebrado pelos resultados positivos e detestado por implementar medidas impopulares para preservar o interesse público. Desde Winston Churchill nenhum governante inglês foi tão determinante na mudança de curso do país e na proximidade do “milagre econômico”, uma inspiração até para políticos de ideário oposto ao dela, como foi o caso dos trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown.

Lady T governou a Grã Bretanha durante três mandatos até 1990 quando perdeu apoio dos companheiros do Partido Conservador cedendo lugar ao apático John Major. Ela sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1984, liderou a vitória da Inglaterra na guerra contra a ditadura argentina pela retomada das Ilhas Malvinas e com determinação sem paralelo entre seus pares europeus, enfrentou o sindicalismo radical que dava as cartas na Inglaterra, trazendo de volta à sede do governo inglês para o 10 Downing Street. Suas políticas econômicas focaram na desregulamentação do setor financeiro, na flexibilização do mercado de trabalho e na privatização das ineficientes empresas estatais. O conjunto da obra lhe valeu o apelido “Dama de Ferro”.

O crítico de cinema Baz Bamigboye sustenta que somente uma atriz com a estatura de Streep seria capaz de capturar a essência de Thatcher para leva-la à tela. “É um desempenho altaneiro, irá estabelecer novo patamar de atuação no cinema”, escreveu, ele no diário londrino Daily Mail. Ainda não surgiu voz dissonante entre os que assistiram a seletas exibições do filme. Parece um afinado coro de louvores. Quando isso emerge da tradicional exigência inglesa pela interpretação fiel de personagem determinante na história das ilhas britânicas, pode se esperar espetáculo raro. Xan Brooks, do The Guardian, qualificou o desempenho da protagonista de “espantoso, sem imperfeição.” The Kevin Maher, do The Times, vai mais longe: “Streep encontrou a mulher dentro da caricatura”. David Gritten, do The Telegraph, faz previsão sem correr muito risco de erro: “As premiações estão no caminho de Streep.”

As semelhanças físicas naturais entre as mulheres e os truques de maquiadores, cabeleireiros e estilistas criaram uma confusão. Fica difícil distinguir, já pelo cartaz do filme, quem é quem? Se Thatcher ou Streep. Mas não era assim há dois anos atrás quando a atriz americana, de 62 anos de idade, foi escolhida para o papel da mulher criada no andar acima de uma mercearia em Grantham, na costa leste da Inglaterra e à beira da lendária estrada de ferro Londres-Edinburgo. Como poderia uma americana de New Jersey entender os meandros da classe política britânica aos quais Thatcher teve que driblar para escalar o pico mais alto. Alguns simpatizantes de Thatcher chegaram a julgar um “insulto” a escolha de uma militante de esquerda como Streep para o papel da sua heroína. Enganaram-se.

“Ainda não concordo com muitas de suas políticas”, disse Streep. “Porém, sinto que Thatcher acreditava nelas e que emergiram de convicção honesta e não de política superficial que muda de maquiagem para adaptar-se a circunstancias do tempo.” E arrematou: “Ela continua sendo uma figura incrivelmente polêmica, mas hoje, sente-se falta de sua clareza.  Tudo o que dizia era muito claro e sincero. Adorei interpretar este ímpeto que provoca tumulto, mas transforma tudo em idéias.” Thatcher denunciava com frequência a falta de idéias e insistia que a política deveria ser sobre pensamentos que conduzissem a ações. Neste particular, sua semelhança com os atuais líderes europeus lembra a de um xavante e um pigmeu.

Assista em seguida o vídeo com o trailer do filme que Maryl Streep, vencedora de dois Oscar, considera ser o seu melhor desempenho no cinema:

Por Antonio Ribeiro

06/10/2011

às 4:42 \ Gente

Suas criaturas tornam-se nossos grandes amigos

iSad: o Blog de Paris foi criado e todos os posts foram escritos em um Mac.

Admirável como o Jobs colocou como prioridade de escolha para o consumidor não a maquina mais potente, mas aquela que, com capacidade de realizar operações engenhosas,  de forma inovadora e que parece funcionar por magia em um envelope elegante, se consegue ter a relação mais amistosa. Não criou engenhocas que exigiam do usuário grande esforço de adaptação ou treino. Fez o contrário. Inventou maravilhas que buscavam satisfazer desejos. É penoso ve-lo partir tão cedo, com apenas 56 anos de idade, mas a tristeza seria maior se ele não tivesse feito o que fez.

Em 2005, o criador da Apple falou aos graduandos da Universidade de Stanford, em Palo Alto sob o sol da Califórnia. Um discuso breve e cheio de sentido, destes inspirados por uma mente genial e visionária. Jobs que nunca concluiu curso universitário pontuou três momentos da sua vida. Vale a pena assistir ao vídeo do discurso repleto de  palavras inspiradoras para as gerações que irão moldar o futuro:

Por Antonio Ribeiro

13/05/2011

às 16:39 \ Gente

Woody Allen aumenta apostas na gravidez de Carla Bruni

O último Allen é bom. Mas a última do Allen é melhor ainda. No Festival de Cannes, para justificar a ausência de Carla Bruni no lançamento de ‘Midnight in Paris’, filme no qual a primeira-dama da França faz ponta, o diretor americano disse que era compreensível. Isso porque madame Sarkozy “passa por um momento maravilhoso”. Fina astúcia para promover seu filme repleto de clichês locais. Quem aposta que Carla está escondendo gravidez, ficou animado.

Em abril, a revista francesa de celebridades Closer, circulou com a notícia da enventual maternidade. Desde então, em duas oportunidades, confrontada com a pergunta se estava gravida,  Carla Bruni, de 43 anos, disse que não abordava questões de ordem pessoal por respeito ao trabalho do marido Nicolas, presidente da França. “Meus lábios estão fechados não por arrogância nem por apreço ao segredo”, disse Bruni. O Palácio Elisée não comenta o assunto nem desmente os rumores.

A primeira-dama apareceu de blusa larga, blazer preto, calças soltas e saltos rasos na recepção ao presidente da Coréa do Sul, Lee Myung-bak and a mulher Kim Yun-ok, em Paris.  Veja a fotografia que ilustra o post. Indícios? A revista francesa Gala sustenta que a ex-modelo e cantora dará à luz de um segundo filho(a) – o(a) primeiro(a) com Nicolas Sarkozy – em outubro. Caso a cegonha  – uma lenda da Alsácia – pousar no palácio presidencial, será a primeira vez que uma criança nascerá na sede do governo francês republicano.

Veja Carla Bruni em ‘Midnight in Paris’, o último fime de Woody Allen:

Por Antonio Ribeiro

31/03/2011

às 12:39 \ Gente

Paul Bocuse, Chef do Século

O lendário cozinheiro francês Paul Bocuse, de 85 anos, recebeu em Nova York o prêmio “Chef do Século”. A recompensa foi concedida pela prestigiosa escola americana Culinary Institute of America. “Ele é um dos maiores e mais  emblemáticos ‘chefs’ de todos os tempos”, declarou Tim Ryan, presidente do instituto.

Leia abaixo em uma reportagem exclusiva a história de Paul Bocuse:

VEJA – Edição 1936 . 21 de dezembro de 2005

Gastronomia

Três estrelas e três mulheres

A vida extraordinária de Paul Bocuse, o chef do século XX, que chega aos 80 anos celebrando o apetite à mesa e na cama

Antonio Ribeiro, de Paris

Nas panelas fumegantes da cozinha está sendo preparado o jantar para 200 convivas. No salão do restaurante, o chef francês Paul Bocuse está de braços cruzados, ereto, imóvel. O porte imponente, devidamente paramentado de brim branco e chapéu de copa cilíndrica alta, emerge entre as mesas – a visão lembra a de um busto de mármore sobre um amplo pedestal. Uma senhora aproxima-se dele, desmancha-se em elogios e, ao se despedir, pede o cartão de visita. “A madame queira me desculpar, eu não tenho cartão, mas meu nome está nos guias de culinária.” E como está. A começar pelo mais famoso deles, o Guia Michelin, no qual Bocuse figura há quarenta anos, ininterruptamente, com nota máxima: três estrelas. Caso único. Os grandes cozinheiros lutam para ganhar uma boa nota, chegam a se matar, literalmente, só com o boato de uma avaliação desfavorável – como fez o chef Bernard Loiseau, que se suicidou em 2003 com um tiro de cartucheira na cabeça. A dois meses de completar 80 anos, Paul Bocuse mantém sua lenda em alta com o lançamento de uma biografia com o título adequadíssimo de O Fogo Sagrado. O livro relata a trajetória de Bocuse, o “cozinheiro do século XX”. Se fosse um prato, o livro estaria mais para a culinária baiana. É muito picante. Para começo de conversa, o grande nome da culinária francesa conta sem rodeios que nos últimos trinta anos dividiu sua intimidade com três esposas. Poligamia? “Sou fiel a três mulheres”, confessa Bocuse. Todas com pleno conhecimento mútuo, firmes ao lado do chef. Em julho passado, Bocuse passou pela mesa operatória. Além das três estrelas e das três mulheres, agora ele tem três pontes de safena.

Paul Bocuse e Brigitte Bardot

“Eu trabalho para viver 100 anos e festejo como se a morte estivesse a minha espera amanhã”, disse Bocuse a VEJA. Os cinqüenta dias de convalescença da cirurgia deram ao agitado Bocuse a oportunidade para colocar a vida em pratos limpos. Apressou-se a publicação da biografia. “Melhor escrever as memórias quando ainda se tem memória.” A razão não foi só essa. Bocuse completa: “Não queria deixar os biógrafos escreverem besteiras comigo ausente, incapaz de desmenti-los”. O cozinheiro confiou sua história à enteada Eve-Marie Zizza-Lalu, talentosa escritora de 38 anos. Ela conhece Paul desde menina. “Ele passava lá em casa na hora do chá”, conta Zizza-Lalu, que é filha de Patricia, responsável mundial pelos produtos com a marca Paul Bocuse. Patricia é uma das três mulheres a quem o cozinheiro é fiel e a única com quem ele não teve filhos. “Ele sugeriu terminar a biografia com a frase: Paul Bocuse não pode morrer.” Zizza-Lalu descartou a proposta. Ela fez questão, sobretudo, de não deixar Paul Bocuse morrer sem antes falar das suas mulheres. Com isso garantiu que a mãe não fosse citada apenas como uma funcionária eficiente e zelosa. Em O Fogo Sagrado, Bocuse arremata uma vida gloriosa sem cair na dissimulação.

Paul Bocuse dorme no mesmo quarto em que nasceu, no andar de cima do seu restaurante. Desde 1942, divide os aposentos com a esposa Raymonde, braço-direito nos negócios. “Quando viaja, ele escolhe sempre o lado da cama mais próximo à terra natal”, relata sua biógrafa. “Amor e trabalho não têm fronteiras para monsieur Bocuse.” Cozinha e sexo, segundo o chef, têm pontos em comum, “Nós temos apetite pelo outro, devoramos com olhos e terminamos por passer à la casserole (na gíria francesa, ter relação sexual)”. Diz ele, com graça: “Não fui eu quem inventou o duplo sentido do verbo comer”. Qual a receita para manter-se no topo da alta cozinha e, ao mesmo tempo, satisfazer uma esposa, duas amantes permanentes e várias ocasionais? “Organização, uma tremenda organização, mas para quem mistura ingredientes não é difícil.” O cozinheiro admite que suas mulheres “extraordinárias” contribuíram. Dito de outro modo: “Elas aceitaram meu comportamento”.

A proximidade da morte não é novidade. A obsessão pela posteridade, uma constância em Bocuse. Quando jovem, voluntário da Primeira Divisão Francesa Livre, lutou contra o ocupante nazista. Nas planícies da Alsácia foi ferido pelo fogo inimigo: uma bala perfurou-lhe o peito a 2 centímetros do coração. Foi salvo graças a massivas transfusões de sangue num hospital de campanha aliado. “Minhas veias estão repletas de sangue ianque.” Ele guarda daquele tempo, gravada no ombro esquerdo, a tatuagem de um galo – ave-símbolo de seu país. Para diversão dos soldados americanos, Bocuse fazia um truque aprendido com a garotada do interior: hipnotizava os galos. O chef colocou Jérôme, o filho da relação com Raymone Carlut, na gerência do restaurante Les Chefs de France, na Flórida. O sobrenome Bocuse abre portas por toda parte, mas na França ele carrega o peso da fama. “Não é fácil me suceder. Jérôme está mais à vontade nos Estados Unidos.” Nos tempos bicudos, o pai de Bocuse, dono do restaurante da família, pediu um lugar para Paul na cozinha do amigo Fernand Point, o grande demiurgo da culinária francesa do começo do século passado. “Meu pobre Georges, não posso prometer, no momento, empregar seu filho”, escreveu Point. Paul Bocuse apareceu assim mesmo no La Pyramide, em Vienne, nas margens do Rio Rhone, então já um restaurante célebre. Bocuse não revelou sua identidade. Conseguiu um posto de ajudante de cozinheiro e absorveu como nenhum outro as lições do pioneiro. A revolução de Fernand Point baseava-se no conceito simples de escolher os melhores ingredientes. Desde então, ingredientes de primeira, sempre conspicuamente frescos, são os fundamentos da cozinha de Bocuse. O preparo dos ingredientes respeita e ressalta suas qualidades naturais. Nada de chapa térmica ou microondas. Sempre o fogo, o fogo sagrado, “elemento essencial na cozinha e na mulher”.

Paródia da Santa Ceia: Bocuse como Cristo cercado de chefs franceses

Os Bocuse estão à beira do fogão e às margens do Rio Saône desde o século XVIII. Jean-Noël Bocuse, veterano do Exército de Bonaparte, morreu cozinheiro em Collonges-au-Mont-d’Or, 12 quilômetros ao norte de Lyon. Joseph e Marie, avós de Paul, tocaram o Restaurante Bocuse, apreciado pela excelente cozinha regional. E não só. O restaurante oferecia à clientela conforto adicional: quartos para a hora da sesta. A freqüência era de homens acompanhados de moças demi-mondaines, delicioso eufemismo para prostitutas. Paul conta no livro que o avô Joseph achava a esposa muito “fogosa” no atendimento aos clientes masculinos. Em 1921, movido pelo ciúme, o avô vendeu o restaurante e a razão social ao russo Borisoff. Georges Bocuse casou-se com a herdeira do Hotel du Pont, estabelecimento a 100 metros do restaurante vendido pela família. Quando o pai de Bocuse ganhou a primeira estrela, o filho Paul já comandava a cozinha, mas a família não tinha direito comercial sobre o nome Bocuse estampado na placa do vizinho. O restaurante dos Bocuse era apelidado pelos lioneses de Bocusoff. A revanche chegou junto com a notoriedade de Paul. Ele comprou a parte do sócio do pai e readquiriu a antiga propriedade da família, onde montou o restaurante Auberge du Pont de Collonges. Lugar inconfundível pela fachada de cores fortes com um imenso letreiro: Paul Bocuse.

Bocuse e Giscard

Uma sopa é até hoje o prato mais lendário do restaurante. Ela é feita com caldo de carne, vinho branco, trufas negras, foie gras, cenoura, cebola, salsão, carne cortada em pedaços finíssimos, pitadas de sal marinho e pimenta-do-reino. O toque distintivo: crosta de massa folhada para preservar o calor e os aromas. A iguaria custa 80 euros (226 reais) no Auberge du Pont. Ela foi servida pela primeira vez em 1975, num almoço no palácio presidencial do Eliseu, em Paris. Chama-se VGE, as iniciais do então presidente francês Valéry Giscard d’Estaing. Mesmo o requintado Giscard d’Estaing confundiu-se com o novo prato e não soube como abordar a sopa. “Quebre a casca, presidente”, disse Bocuse. Giscard acabou por espetar a comenda da Legião de Honra no avental do cozinheiro. O desempenho de Bocuse ficará na história como a maior contribuição para alçar os cozinheiros à posição de chef e torná-los reconhecidos como artistas. Antes restritos à cozinha, eles passaram a circular no salão, tornaram-se celebridades. “Ele nos permitiu ser quem somos”, disse a VEJA Alain Ducasse, chef do exclusivo restaurante Plaza Athénée. Hoje, muitos chefs estrelados comandam seus restaurantes longe das panelas – pelo menos não tão perto quanto Bocuse. Um jantar a dois com um grande vinho pode custar o preço de um carro popular e é preciso reservar lugar com meses de antecedência. O fenômeno atiça vaidades, nem sempre bem digeridas pelos fregueses. Diz Bocuse: “Se esses chefs me permitissem um conselho, eu diria: ‘voltem para a cozinha’”.

Durante séculos um país eminentemente agrícola, a França trata sua cozinha como questão de Estado. Ao lado de uma variedade extraordinária de produtos regionais, floresceu um saber, popular e acadêmico, de como tratar e combinar alimentos. O pai da culinária francesa foi Marie-Antoine Carême, cozinheiro de Charles-Maurice de Talleyrand (1754-1838), o político e diplomata que passou à história por sua capacidade de sobrevivência – serviu aos revolucionários franceses, a Napoleão, aos Bourbon, quando eles retomaram o trono, chegando ainda com algum poder ao reinado de Luís Felipe. Talleyrand fez da boa mesa o ambiente ideal para suas conversas diplomáticas. Carême estruturou e deu lógica à cozinha. Pratos em formas arquitetônicas (les pièces montées – o bolo de noiva, por exemplo), compatíveis entre si e equilibrados pela cor, textura e sabor. Houve grande progresso quando os franceses importaram uma concepção russa: em vez de servir todos os pratos ao mesmo tempo como nos banquetes medievais, as refeições foram divididas em etapas e servidas em porções individuais. Georges-Auguste Escoffier codificou a gastronomia no início do século passado dando às receitas a perenidade dos clássicos. As sopas foram classificadas em consumes (claras), potages (densas), crèmes (cremosas) e velutés (aveludadas com creme de leite e manteiga). Cada categoria tem subdivisões dependendo do agente de densificação, guarnição, ervas, tempero e tipo de álcool. Onde Paul Bocuse entra nessa história? Ele foi o ponta-de-lança do time formado por Jean e Pierre Troisgros, Michel Guérard, Roger Vergé, Alain Chapel e Paul Haeberlin. Talentosos cozinheiros criadores de um estilo livre e eclético de cozinhar, a nouvelle cuisine batizada pelo Guia GaultMillau. Eles trouxeram de volta o culto ao sabor natural dos alimentos – a prática ensinada por Fernand Point. Os molhos ficaram mais leves, sua base de creme de leite e manteiga foi substituída por purês de legumes. O minimalismo japonês serviu de principal inspiração para a decoração dos pratos. “Bocuse mudou a história da alta cozinha. A culinária contemporânea é herança dele”, disse a VEJA o chef catalão Ferran Adrià, ele próprio um inovador revolucionário.

Corria o ano de 1969, os críticos gastronômicos Henri Gault e Christian Millau foram visitar Bocuse em Collonges. Antes de voltar a Paris, pediram ao chef um prato leve para não viajarem empanturrados. Bocuse cozinhou, rapidamente, vagens al dente, picou uma échalote (a saborosa cebola francesa ) e deitou um filete de azeite em cima. Gault viu – só ele – o prato como a assinatura de um manifesto equivalente à nouvelle vague dos então jovens cineastas François Truffaut, Alain Resnais, Jean-Luc Godard e Louis Malle. Ex-jornalista esportivo, Gault espalhou a novidade: “A nouvelle cuisine existe, eu a encontrei”. Bocuse, porém, continuou fazendo o que sempre fez, sem nunca ter reivindicado a autoria do movimento. (“A única coisa que mudou na minha vida foram os lençóis da minha cama.”) A nouvelle cuisine cumpriu a trajetória das novidades artificiais: foi da glorificação ao escárnio, a ponto de ganhar a pecha de “tudo na conta, nada no prato”. Diz Bocuse: “Esse negócio de cortar uma ervilha em quatro partes não é comigo”. Alguns críticos reprovam Bocuse por não mais inovar no menu e na decoração dos seus restaurantes – além do original de Collonges, ele tem cinco brasseries em Lyon. Aos que clamam por novidades, ele decreta com desdém: “Se os senhores se referem à cozinha molecular, tenho o maior prazer em dizer que não a praticamos. Lamento também informá-los que ninguém come em museus nem vem aos meus restaurantes para comer as cortinas, só existe uma culinária: a boa”.

Por Antonio Ribeiro

25/03/2010

às 6:00 \ Gente

Carla Bruni, redatora-chefe do Madame Figaro

carlaredatoraCalma lá. Sem susto. A França ainda não abraçou a sandice do controle da imprensa – hábito dos regimes totalitários que  o PT adora e  que governo Lula namora desde o início sem a anuência dos brasileiros.

A primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy, de 42 anos, comandou durante 3 semanas edição especial da revista Madame Figaro, o tradicional suplemento de fim de semana do jornal Le Figaro, publicação em rotogravura, repleta de anúncios de luxo separando as informações de interesse  feminino. A edição vai às bancas e aos assinantes dia 27 de março.

São destaques das 90 páginas editadas pela inusitada redatora-chefe: a entrevista com o cantor Bono, da banda U2, ” e uma reportagem sobre a Fundação Carla Bruni-Sarkozy que, segundo seus organizadores, tem por vocação “facilitar o acesso à cultura, à educação e ao saber afim de lutar conta as desigualdades sociais.” Há também receitas culinárias do cozinheiro do Palácio do Elisée e dicas para manter a forma e beleza,

Diariamente, Carla Bruni tem respondido questões dos leitores que vão ao ar em forma de vídeos no site do jornal. O leitor Olivier, por exemplo, quis saber como Carla conseguia conciliar tantas funções distintas dentro do seu cotidiano. Quer dizer, primeira-dama, compositora intéprete, presidente de fundação e ainda, esposa e mãe. Carla conta que tira de letra, salvo as dificuldades inerentes à vida simultânea de artista e de mãe.

As outras questões são sobre suas preferências musicais, sobre ecologia… uma candura só, de lado a lado. Carla diz que não gostaria que o marido fosse candidato nas eleições presidenciais de 2012. “Mas eu me adaptarei a qualquer decisão que ele tomar”, vai logo deixando claro.

A primeira-dama aproveitou para comentar os boatos sobre supostos casos extra-conjugais dela e de Nicolas Sarkozy: “Reproduzir rumores sem fundamento de fonte anônima, me parece uma deriva em uma democracia e risco para a credibilidade e nobreza de um ofício cujo sentido, baseia-se na integridade da informação.”

Não tem jeito, ela leva jeito.

Por Antonio Ribeiro

17/11/2009

às 11:32 \ Gente

Yael, brilho em Paris, Nova York e agora, São Paulo

yaelsoniablog

O tempo faz o carvão virar diamante e as jóias de Yael Sonia, mais parecidas com os novos tempos. O estilo elegante da designer – alquimia cultural entre Brasil, França e Estados Unidos – seduz novamente. Depois do sucesso novaiorquino  em setembro e em Paris, no mês passado, é a vez de São Paulo descobrir a nova coleção Stack-a-Disc, de Yael Sonia –  dias 17 e 18 de novembro, rua Haddock Lobo, 1327, Conjunto 06, Cerqueira César.

A premiadíssima linha Perpetual Motion, arco-íris de pedras mineiras em peças inspiradas de brinquedos infantis, evoluiu. Agora, ela é interativa. Mil e uma opções para criar a unidade de harmonia perfeita com o corpo e a personalidade individual. Referência mundial do bom gosto contemporâneo, a revista americana Vanity Fair elegeu a joalheria Yael Sonia, sucesso há mais de dois anos em Manhattan, lugar da moda na badalada e chique avenida Madison.  Outro veículo de alto calibre da moda internacional, a   francesa Vogue, deu destaque na sua edição de setembro para os Rock Rings, de Yael.

A nova coleção Stack-a-Disc tem característica genuína da sua linhagem, a pureza das formas. Ela atrai, em um primeiro instante, porque Yael deu sequência à revolução que a projetou na vanguarda da sua arte sem abrir mão da beleza clássica. O movimento cinético das pedras e metais finos em estruturas de equilíbrio engenhoso. Mas é a possibilidade de combinar dois tipos de brincos e três pingentes – feitos de ouro branco, amarelo ou com incrustações de diamantes – com doze stacks (discos) diferentes que transcende conceitos tradicionais. Raridade no universo joalheiro, a designer convida a criar com ela. Ou seja, brincar com nove pedras brasileiras e metais nobres em forma de discos até que o objeto final seja sentido como parte natural de cada um.

Yael persegue a harmonia entre as diferenças – e realça as virtudes – desde a adolescência quando desenhou sua primeira jóia. Mas não só. Vale lembrar, a título de exemplo, a introdução do filme Bonequinha de Luxo. Manhãzinha na deserta Quinta Avenida, Audrey Hepburn, manequim de um esguio vestido preto Givenchy, tira o brioche do embrulho para viagem e toma seu café em copinho de papel enquanto namora as jóias da vitrine. Entre a personagem moderna, fiel criação de Truman Capote, e seu objeto de desejo há diferenças de tempo e conceitos. A nova coleção Stack-a-Disck, concebida no atelier paulista de Yael Sonia, elimina esta distância.

Quem visita o show-room de Yael na rua Haddock Lobo, em São Paulo, e a loja na avenida Madison corre o risco de experimentar surpresas. “Eu coloco minhas peças nas mãos das crianças para elas brincarem”, conta Yael a Veja.com em um momento no qual sua timidez dá lugar a um delicioso sorriso. Isso quando um bebê não toma a iniciativa própria de buscar com o dedinho o brinco ou o colar da mãe. Estes momentos de ternura para a designer cujos anéis de noivado, o tamanho e a preciosidade das pedras deixaram de ter relação com a densidade do sentimento de quem oferece, significam o seu maior reconhecimento.

Por Antonio Ribeiro

15/11/2009

às 14:06 \ Gente

A tiracolo

dilmaparis2A ministra Dilma Rouseff pode incluir duas novidades na sua ficha corrida de autenticidade comprovada. Ela foi o primeiro ministro brasileiro a tomar boa parte em uma entrevista a imprensa, reservada aos presidentes no Palácio do Eliseu, em Paris, ainda que sua fala tenha sido de um tédio incomum entre os melhores soníferos das farmácias francesas. Lembrou a aluna recitando o decoreba. Outra, não há registro de visitante a sede do governo francês que tenha trajado algo tão semelhante a um agasalho esportivo e uma peruca tão próxima a um capacete. Noves fora o ineditismo de Dilma, chamou a atenção a intolerância da ministra com as perguntas da imprensa francesa desavisada que madame está em campanha. Apiedo dos meus colegas jornalistas brasileiros que aguentam a conversa fiada diariamente. Brava gente, meus respeitos. Mon Dieu, não há um raciocínio concatenado. Perto de Dilma Rouseff,  a candidata  socialista derrotada nas presidenciais francesas, Ségolène Royal, parece uma assumidade. Que nível!

Por Antonio Ribeiro

08/03/2009

às 8:05 \ Gente

A estrela do Brasil

O céu do hemisfério sul é mais estrelado. A partir desta semana, que começa com o Dia da Mulher no Ano da Astronomia, ele tornou-se ainda mais brilhante. Por quê? A história começa com uma menina que a subia no galho mais alto da árvore no quintal da sua casa, enquanto os irmãos escolhiam os inferiores, os mais seguros. E lá, ela ficava namorando as estrelas, as bolhas de gás, velhas de 14 bilhões de anos, grávidas permanentes de reações atômicas que produzem luz. A astrofísica brasileira, professora da USP, Beatriz Barbuy, de 59 anos de idade, membro da Academia de Ciências da França, recebeu o prestigioso prêmio L’Oréal-Unesco 2009 para Mulheres na Ciência (100.000 doláres) devido as suas pesquisas sobre “A vida das estrelas, desde a origem do universo até nossos dias”.

Uma vez mais, o Brasil atrai atenção mundial pela sua diversidade. Enquanto em Pernambuco, um obtuso de batina, zagueiro bruto de um dogma medieval que assusta o país — ele anda de uma indignação à outra —, em Paris, uma cientista paulistana foi reverenciada pela contribuição seminal para aclarar o Big Bang, o primeiro gesto de quem a Bíblia chama de Verbo, no livro de Gênesis. “Meus estudos quase nunca tem aplicação imediata, mas grandes descobertas vieram da astronomia”, diz Beatriz Barbuy a Veja.com, lembrando a singeleza do químico inglês John Dalton (1766–1844) diante do pouco-caso dos seus contemporâneos quando ele revelou a menor partícula da matéria, o átomo. Ela refere-se, por exemplo, aos satélites cuja existência se deve a estudos das órbitas planetárias, aparentemente, sem serventia.

As pesquisas de Barbuy tentam descobrir, pela observação das “estrelas velhas” — a mais próxima está 4,3 anos luz do sistema Alfa Centauro —, como a nossa galáxia, a Via Láctea, foi formada. Especificamente, ela busca determinar qual a composição química de 200 a 400 bilhões de estrelas. Isso é feito através do brilho visível que as estrelas emitem. Através de um espectroscópio, a luz  é quebrada em feixes de cor tal como um arco-iris. As estrelas são melhor observadas em telescópicos ópticos equipados com espelhos de 8 metros de diâmetro. Eles custam 100 milhões de dólares e a tarifa de uma noite de observação, daria para dormir mais de um mês no mais caro hotel do mundo: 50.000 dólares. É o caso do Very Large Telescope (VTL), construído pelos europeus no deserto do Acatama, no Chile, paraíso dos telescópicos porque está em lugar alto coberto por um céu limpo no hemisfério sul onde se pode ver o centro da galáxia. “No Brasil, brinca Beatriz, o lugar mais alto chama-se Pico da Neblina.”

Todas as estrelas, incluindo o sol, são reatores nucleares. No processo de fusão atômica, elas queimam hidrogênio e hélio para produzir elementos pesados. O sol, por exemplo, é composto de 91% de hidrogênio, 9% de hélio, no que diz respeito ao numero de átomos, e apenas traços de elementos pesados. Determinando a composição das estrelas, astrônomos como Barbuy, descobrem duas coisas importantes: a idade relativa das estrelas e como a Via Láctea foi envolvida no processo. Isso porque a única matéria que produz luz, existente durante a formação do universo, de onde derivou todos outros elementos, são as estrelas. “Eu me interesso pela origem dos elementos não só porque ela nos informa a respeito da criação do universo, mas também lança luzes sobre a nossa própria origem” , diz Barbuy.  E pode ser , Beatriz, que ajude explicar porque uma menina arrisca subir no galho mais alto da arvore para flertar com as estrelas.

Um feliz Dia Internacional da Mulher para as queridas leitoras. Se só 27% dos cientistas no mundo são mulheres, vocês são maioria aqui, no blog DE PARIS. Sinto-me honrado e muito feliz pela presença e colaboração.

Por Antonio Ribeiro

23/01/2009

às 14:25 \ Gente

A mulher que faz Sarkozy transpirar


Engana-se quem pensa que o nome dela é Carla. Francesa, 26 anos de idade, rosto formoso, corpo escultural, ela se chama Julie Imperiali. Duas vezes por semana, no mínimo, acompanha, vestida de abrigo esportivo justo, o presidente francês, nos jardins do Palácio do Eliseu, lugar que no governo passado, apenas o cachorrinho Sumô, da família Chirac, exercitava. A jovem preparadora física ou se preferem, “a personal”, cuida de Sarkozy desde abril do ano passado. O presidente perdeu 4 quilos, dois números da calça, mudou radicalmente sua postura e agora, corre mais rápido mantendo o ritmo constante de 10 km/h, durante 45 minutos. Em um país, onde o chefe do executivo faz questão de mostrar-se vendendo energia o tempo todo, Julie pode ser considerada tão necessária para Sarkozy quanto um ministro.

O treinamento de Julie consiste, sobretudo, em controlar os músculos da região do períneo, a base do tronco. O que vem a ser isso? “Imagine que você sente uma vontade louca de urinar, retenha-se”, explica ela. Na percepção de Julie, o corpo humano é uma casa: os ombros são o teto, os músculos dorsais, abdominais e oblíquos são os pilares de sustentação. A região do períneo é o solo. Sem uma base sólida, tudo desmorona. “Meu trabalho exige 40% de esforço físico e 60% de concentração mental”, afirma a personal.

Será que, finalmente, foi descoberto o segredo do famoso tônus presidencial? Sarkozy, de 53 anos de idade, tem vontade de ferro, disciplina prussiana e gosta de resultados concretos. Não foi diferente com Julie que conheceu depois do seu casamento com Carla Bruni de quem Julie já cuidava da silhueta desde o nascimento de Aurélian, o filho da primeira-dama — durante muito tempo, o controle da região do períneo era recomendado apenas para o pós-parto. “Quando eu chego ao palácio, ele já está pronto e motivado”, conta Julie que corrigiu o hábito do presidente de correr, correr sem pensar no corpo. Durante os exercícios, Sarkozy, “aluno exemplar”, não reclama. Julie ensinou o presidente alongar-se para expulsar as tensões e mudou seus hábitos alimentares. Sarkozy era compulsivo com chocolates. Agora, o presidente que não bebe álcool, dissociou os açucares lentos das proteínas. Come pasta e carne apenas com legumes. Prefere barra de cereais ao tradicional sanduíche francês de presunto com queijo.

Há um informação que o serviço de imprensa do Eliseu não confirma: Julie diz que seu treinamento, patenteado com nome de Tectonic Wellbeing, aumenta a libido de quem o prática. Nos homens, o método diminuiria a ejaculação precoce e as mulheres, chegariam ao orgasmo com mais rapidez. O resultado comprovado indica que os homens perdem o brioche (pneuzinhos), o excesso de gordura em torno da cintura. As mulheres desenvolvem um ventre como tábua, os ombros ficam abertos e os seios, empinados. Isso porque o Teotonic trabalha a postura.

Julie, ex-campeão francesa de aeróbica e professora no Ritz Health Club, dá aula particulares para famosos e endinheirados — roda Paris em uma possante motocicleta. Na lista dos clientes cuja maioria são mulheres, esta a ex-modelo holandesa Karen Mulder. Ela cobra de 140 à 210 euros a hora. Mas aqui vai uma boa notícia: lições de Julie Imperiali podem ser acompanhadas na internet por apenas 1 euro. Ela prescreve uma rotina de 20 minutos de exercícios diários, explica o programa alimentar e acompanha o progresso do internauta. A inscrição é feita no site da preparadora física criado junto com o marido Marc. Julie garante que seu método pode fazer qualquer um ter a rapidez do Speedy Sarko ou ser tão esbelta quanto Carla Bruni.

Assista aqui uma aula de Julie em frente as Pirâmides do Egito e na Córsega, a bela ilha do Mediterrâneo.

Por Antonio Ribeiro

14/10/2008

às 12:35 \ Gente

Homem ensina águia a voar no ponto mais alto da Europa


Ela tem o mesmo nome do tigre malvado do The Jungle Book (Mogli), uma coleção de histórias escritas por Rudyard Kipling. Mas Sherkan é uma águia-americana (Haliaeetus leucocephalus), nascida em cativeiro na Alemanha há quatorze anos. Majestosa, ela voou com suas asas de 2 metros de envergadura, 40 minutos, junto ao paraglider de Jacques-Olivier Travers, um falcoeiro profissional que treinou a águia, de 4 quilos, durante 18 meses. Um helicóptero depositou Sherkan e Travers no topo Mont Blanc (4.800 metros de altura), o ponto mais alto da Europa. De lá, a dupla voou até as margens do Lago Leman, na Suíça. É a primeira vez que uma águia de cativeiro realiza a proeza em um lugar onde o ar é denso e nem mesmo aves selvagens freqüentam. A experiência cria a esperança de ensinar aves criadas em cativeiro a voar. Isso em um nível que facilita sua introdução na natureza. Veja o vídeo do magnífico vôo aqui.

Por Antonio Ribeiro

 

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