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30/01/2012

às 13:46 \ França, Futebol

Sarkozy, o alemão

“Se consegui em cinco anos? Sou lúcido: não.”

Raro encontrar em Paris um carro novo que depois de curto tempo de uso já não tenha, ao menos, um arranhão. Isso porque o número de vagas de estacionamento nas garagens e nas ruas é menor que a quantidade de automóveis em circulação. Apesar do espaço restrito, os motoristas precisam encaixar seus veículos em algum lugar urbano e, fatalmente, a operação implica em danos.

A analogia é próxima com situação da eleição presidencial na França. Os candidatos têm pouco terreno de manobra devido a profunda crise econômica que o país enfrenta, salvo se enveredam em propostas demagógicas que não conseguirão cumprir sem que empurrem o país para mais fundo no buraco. Eles tentam trocar a ordem dos fatores em uma equação de déficit publico gigantesco e orçamento modesto na esperança de mudar o resultado final da conta. Dito de outro modo: fazer das tripas coração. Nicolas Sarkozy não foge à regra, mas tenta fazer, doravante, à maneira alemã.

O presidente foi entrevistado por quatro jornalistas em rede de seis canais de TV no horário nobre de domingo. Estima-se que 16.5 milhões de telespectadores assistiram Sarkozy anunciar o aumento na Taxa de Valor Agregado (TVA) de 19,6% para 21,2% – a taxa equivale ao ICMS brasileiro. A partir de outubro, quatro meses depois da eleição, um carro de 15.000 euros terá 200 euros suplementares de imposto embutido no preço.

O presidente acredita, no entanto, que o acréscimo não incidirá no preço final. O comércio diminuirá sua margem de lucro porque a situação é de retração do consumo.  É o que ele  diz. O candidato socialista François Hollande, de 58 anos, fez saber que, caso seja eleito, eliminará o aumento que para ser aprovado deve ser votado no Parlamento. A medida alinha-se com a mudança feita pelo governo do ex-chanceler social-democrata  Gerhard Schröder em 2004, na Alemanha. (Relembrar é viver: Na mesma época das reformas na Alemanha,  o ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin introduzia  na França a jornada semanal de trabalho de 35 horas que teve efeito contrário ao desejado, aumentou o desemprego.)

O aumento na taxa sobre o consumo vem como compensação na proposta de Sarkozy exonerar encargos patronais – economia de 13 bilhões de euros – nos salários dos trabalhadores que ganham entre 1,6 e 2,1 SMIC, o salário mínimo francês de 1.400 euros por mês. O presidente deseja aumentar a competitividade do seu país. “Em 10 anos, a França perdeu 500.000 empregos industriais”, disse, observando que para um salário de 4.000 euros, os encargos se elevam a 840 euros na Alemanha e o “dobro disso na França”, afirmou o presidente.

Sem anunciar oficialmente ainda sua candidatura, uma evidência que nem o mais distraído dos franceses duvida desde o primeiro dia do seu mandato, Nicolas Sarkozy, de 57 anos, tentou passar a imagem de presidente corajoso e do administrador zeloso que estimula o crescimento sem gastar. O presidente quer também taxar em 0,1% as operações financeiras das empresas cotadas na França – vai ser aplicado sobre a negociação de credit default swaps (CDS, na sigla em inglês),  o seguro contra calote – e criar, a exemplo do seu oponente socialista, um banco de desenvolvimento com fundo de 1 bilhão de euros para emprestar às pequenas empresas.

Desenhou-se no horizonte o fim da jornada de trabalho de 35 horas semanais quando o Presidente da França afirmou que irá propor que as empresas poderão, a partir do mês de agosto e independente da legislação vigente, concluir acordos com seus funcionários sobre a duração de trabalho  Neste ponto, o presidente mudou ainda que de forma subliminar, o velho slogam de campanha de “trabalhar mais para ganhar mais” para outro mais atual: trabalhar mais para manter o emprego. Ou nos casos mais dramáticos, trabalhar mais tempo para evitar o fechamento das empresas ou a sua deslocalização para fora da França onde o custo do trabalho é inferior. Menos consensual que os alemães,  a maioria dos sindicalistas franceses é radicalmente contra.

Antes da sua intervenção na TV, repleta de informações técnicas para o público em geral, Sarkozy recebeu o apoio da chanceler alemã Angela Merkel. Ela poderá até participar de seus comícios, segundo revelou Hermann Gröhe, secretário-geral da União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel. No entanto, alguns acham que  a ajuda equivale ao beijo de Judas uma vez que a dirigente alemã encarna a figura máxima da austeridade na Europa que a França, irremediavelmente, acaba sendo obrigada a seguir. O orgulho nacional e o antigermanismo andam de braços dados.

Por Antonio Ribeiro

01/06/2011

às 13:08 \ Futebol

FIFA: À sombra de corrupção assombrosa, Blatter é reeleito

Blatter: "As dificuldades serão resolvidas dentro da nossa família"

Um dia depois de declarar ter sido esbofeteado com acusações de corrupção, Joseph Blatter, candidato único, foi reeleito presidente da FIFA. Entre os representantes de 203 federações, reunidos na sede da entidade máxima do futebol mundial, em Zurique, 186 cartolas votaram a favor de um quarto mandato consecutivo com fim em 2015 para o dirigente suíço de 75 anos de idade e 36 na folha de pagamentos da FIFA.

Suspenso devido a acusação de oferecer um envelope pardo recheado de 400 cédulas novas de 100 dólares americanos à Federação de Bahamas em troca de votos, o ex-candidato de oposição a Blatter e ex-presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), o catariano Mohammed Bin Hammam não participou da votação durante 61º Congresso da FIFA. Aliás, foi fisicamente barrado na porta do majestoso quartel general do futebol na rua FIFA, ponto turístico na capital do cantão suíço de lingua alemã.

Blatter anunciou que a partir de 2022 a escolha do país para sediar a Copa do Mundo será feita por todos os representantes das 208 federações nacionais associadas à FIFA – coletivo mais numeroso do que a ONU – e não mais apenas pelos 24 membros do Comitê Executivo.  No entanto, o grupo seleto – suspeito frequente de corrupção e cujas indicações dos integrantes é feita pelo presidente – guardará a prerrogativa de compor a lista reduzida dos candidatos. A escolha da Rússia para sediar a competição em 2018 e do Catar, em 2022, provocou suspeitas de favorecimento contra propina felpuda.

O vice-presidente da FIFA e membro do Comitê Executivo Jack Warner e os representantes da União Caribenha de Futebol (CONCACAF) Debbie Minguell e Jason Sylvester, acusados de violar o Código de Ética e o Código Disciplinar, foram suspensos temporariamente de toda  atividade relacionada ao futebol sob o controle da FIFA, seja ela administrativa, esportiva ou outra. A punição é vista como a queima de um trio de fusíves caribenhos para impedir que sobrecarga chegue ao topo da pirâmide helvécia.

Escolha difícil

Theo Zwanziger, presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla em alemão) propôs  reexaminar o processo que escolheu o Catar como sede para a Copa de 2022: “Há um grau considerável de desconfiança. Não se pode simplesmente deixar o assunto de lado.”

A Federação Inglesa de Futebol (FA, na sigla em inglês), preterida para sediar a Copa de 2018, pediu que o processo eleitoral fosse adiado. “É medida mais sensata e dará oportunidade para o surgimento de um candidato reformador. A imagem da FIFA nunca esteve tão manchada”, disse o presidente da FA, David Bernstein, em discurso quase sem aplausos dos colegas. A proposta fracassou, 172 dos 206 representantes  das federações votaram para manter o calendário da eleição.

O presidente financeiro da FIFA e presidente da Federação Argentina de Futebol, Julio Grondona, repeliu as acusações de corrupção como se elas não fossem objetivas, mas sim, uma frequente heresia inglesa contra o papado da bola e seus colégio de ilibados cardeais: “Há sempre ataques da Inglaterra, a maioria é baseada em mentiras de um jornalismo pouco dedicado em falar a verdade. Isso irrita e atrapalha a família da FIFA.”

As acusações, bom lembrar, surgiram no interior da “família”. Jack Warner acusou Blatter de ter doado de 1 milhão de dólares à CONCACAF para receber apoio na sua reeleição. Depois, revelou um e-mail enviado a ele por Jérome Valcke, secretário-geral da FIFA, no qual o dirigente fala que o Catar comprou o direito de sediar a Copa de 2022.

Se representantes das federações mostram-se satisfeitos com uma votação maciça que lembra os referendos de ditadores, patrocinadores de peso, como a empresa aérea Emirates e a Coca-Cola, demonstraram preocupação com mais uma suspeita de corrupção envolvendo dirigentes da FIFA. “A publicidade negativa não é boa para o futebol nem para FIFA ou para seus parceiros”, disse o porta-voz do fabricante de material esportivo Adidas. O grupo VISA foi na mesma linha: “Pedimos a FIFA que tome todas as medidas necessárias  e de forma expeditiva para resolver a situação.” Junto com a vendas de direitos transmissão de jogos  para TV, os a publicidade é principal responsável pelo lucro de 202 milhões de euros da FIFA em 2010 descontados os impostos. No fim do ano passado a FIFA tinha acumulado em torno de 900 milhões de euros nos cofres.

Terminado congresso no qual Blatter foi eleito, o mestre de cerimônia lembrou aos votantes que haveria festa no hotel helvécio de cinco estrelas. Não parecia em nada uma organização em “aguas turvas”, como constatou o presidente da FIFA nos últimos 13 anos  e cujas aparições nos estádios de futebol são sempre acolhidas com vaias. La nave va.

Leia o post do Blog de Paris: “A Grécia ou quase está a venda.

Por Antonio Ribeiro

22/04/2010

às 9:04 \ Futebol

Santíssima trindade da bola joga pebolim

santissima-trindade

Os ex-jogadores Pelé, Maradona e Zidane reuniram na tradicional  Cerveceria Café  Casa Maravillas em Madri — famosa pelo seu chope gelado e tapas típicas — para uma publicidade das bolsas Louis Vuitton. As fotografias foram feitas pela genial retratista Annie Leibovitz. A campanha estará nas revistas em junho, durante a Copa do Mundo da Africa do Sul, mas você pode ver o vídeo e apostar em quem vai ganhar aqui.

“A sessão fotográfica foi cancelada seis vezes e agendada novamente. Levou-se um ano para ser preparada”, conta Antoine Arnault, Diretor de Comunicação do grupo de produtos de luxo LVMH, proprietário majoritário da Louis Vuitton. Um dos três astros só aceitou participar da publicidade quando soube que os dois primeiros toparam. Quem você acha que foi?

Dica: Durante a realização da publicidade, Pelé assumiu sua condição de lenda viva, o tímido Zidane foi profissionalíssimo… e Maradona mostrou-se o mais diretivo entre os três.

Atualização: A valise da LV chama-se Pégase. As iniciais “Z.Z” foram escolhidas em detrimento do “P” e do “DM”.  Parte do cachê dos craques irá para fundação Al Gore e Climate Project. Os três estavam presentes na hora da foto junto com mais 10 pessoas, entre elas Véronique,  mulher do Zidane.  Eles conversaram em inglês entre si. Os três ficaram hospedados em um modesto hotel Mercure em frente à Cerveceria Casa Maravillas. A decoração do cenário, o enquadramento da fotografia e a iluminação foram feitos na véspera, dia 8 de março.

Por Antonio Ribeiro

15/01/2010

às 16:45 \ Américas, Futebol

“Falar em desaparecidos é eufemismo”

haiti1A sensibilidade, delicadeza e elegância é do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Porto Príncipe, capital do Haiti – imensa favela transformada pelo terremoto de efeito 35 vezes superior à bomba atômica de Hiroxima em campo de refugiados com milhares de mortos, moribundos, feridos, onde falta tudo e impera o sofrimento e o desespero.

E o ministro fez questão de esclarecer que “desaparecido é o termo técnico para corpos não encontrados”. Verborréia também é termo técnico.

Imaginem o que Vossa Excelência não diria nas horas graves em uma cadeira cativa verde e amarela do Conselho de Segurança da ONU.

Atualização: Os soldados das equipes de resgate de trinta países podem protocolar pedido canonização no Vaticano.  Basta apresentar no guichê da Santa Sé a premissa de Jobim e o seguinte: uma semana depois do terremoto no Haiti, eles conseguiram realizar mais de 100 vezes o milagre de Jesus, segundo os evangelistas, com Lázaro.

Por Antonio Ribeiro

28/11/2009

às 19:49 \ Futebol

Gillette corta a bola da mão de Henry

A raquete, o taco e a mão no bolso

A raquete, o taco e a mão no bolso. Agora é tarde.

Zelosa com sua imagem, a empresa multinacional Gillette retirou a bola da mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry, garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de dólares anuais. A jogada tenta prevenir os efeitos desastrosos para vendas de seus produtos depois que o jogador trapaceou, tocando e controlando a bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para Copa do Mundo de 2010.

Apesar de na Irlanda a empresa de apostas esportiva Paddy Power ter feito uma publicidade jocosa no aeroporto da capital Dublin – “Seja bem-vindo a Irlanda, salvo se seu nome é Henry” – acompanhando o clamor de torcedores locais para boicotar os produtos promovidos pelo atacante francês, a imagem de Thierry na publicidade da Gillette foi mantida com a bola.

Na França, onde 8 em cada dez franceses reprovam o gesto irregular, Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O serviço de comunicação da gigante Procter & Gamble, proprietária da Gillette, diz que não. Em todo caso, a empresa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcance, sua publicidade.

Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de futebol que mais lucra com a publicidade, seus contratos somam 28 milhões de dólares anuais. Além da Gillette, o atacante faz propaganda para a Pepsi e a Reebok. Henry só perde para David Beckham (46 milhões de dólares) e Ronaldinho Gaúcho (33 milhões de dólares).

Tiger Woods, companheiro de Henry na publicidade da Gillete, ao lado do tenista Roger Federer também passa por um inferno astral. Ele sofreu um acidente de carro depois de uma briga com a mulher. O Cadillac Escalade, de Woods, foi danificado pelos choques com um hidrante e uma árvore em frente à casa do golfista. O vidro traseiro foi quebrado a golpes com taco de golfe. No local do acidente, a polícia da Flórida encontrou Woods, de 33 anos, estendido no chão e sua mulher, Elin Nordegren,  de 29 anos, prestando-lhe socorro. As autoridades querem saber o que houve? O taco de golf de Woods continua na publicidade.

Por Antonio Ribeiro

20/11/2009

às 13:32 \ Futebol

Henry: “O mais justo é voltar a jogar a partida”

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Depois da negativa da FIFA em atender o pedido oficial da Federação Irlandesa de Futebol e no centro de um debate que inflama a Europa, Thierry Henry saiu de sua reserva em uma contrição: “O mais justo é voltar a jogar a partida, mas isso não depende de mim.” Desde o fim do jogo da França contra a Irlanda, Thierry Henry vem sendo aconselhado por um grupo que administra situações de crise, um time zeloso para restaurar a imagem do jogador, garoto propaganda de primeira linha. “Claro que estou incomodado com a maneira como conquistamos a vaga para Copa. Sinto muito pelos irlandeses, eles mereciam ir à África do Sul”, lançou ele, em inglês. A tolerância com a falta de fair play no outro lado do Canal da Mancha é bem menor do que aqui, na França.

Quanto ao lance  irregular que originou o gol da classificação dos Bleus para Copa da África do Sul, Henry justificou com a seguinte falsa inocência:  “Foi uma reação instintiva, a bola estava muito rápida. Nunca deixei de admitir que usei a mão para controlar a bola. Eu disse aos jogadores da Irlanda, ao árbitro e à imprensa depois do jogo. Não sou nem nunca fui desonesto.” Para Thierry a “mão de Deus” de Maradona tem funcionado mais como a “mão do diabo.” Os franceses estão envergonhados. A internet esta infestada de escarnios e ofensas sobre o jogador. O atacante tornou-se piada nos jantares refinados e em papos de bistrô. Não surpreende que o capitão da equipe francesa tome distancia da FIFA na razão oposta que Fausto, personagem principal da obra mais famosa do pai da literatura alemã, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), achegou-se ao grão-tinhoso, o capeta.

Eric “Oo! Aah!” Cantona, ex-atacante do Mancherter United, o mais querido jogador francês da história do futebol inglês, foi mais longe. “Honestamente, o que me chocou não foram os toques de mão, mas no fim do jogo este jogador sentar-se a beira do gramado ao lado de Richard Dunne para consolá-lo do efeito de sua trapaça.” E arrematou com a franquesa louvada nas duas margens do Canal da Mancha: “Se eu fosse irlandês, eu teria lhe enfiado a mão, não duraria três segundos.”

Por Antonio Ribeiro

20/11/2009

às 9:04 \ Futebol

FIFA diz “não” aos irlandeses

FIFA: "Para o bem do jogo"

FIFA: "Para o bem do jogo"

A FIFA decidiu não atender a reivindicação dos irlandeses. Não haverá novo jogo entre França e Irlanda. A entidade que governa o futebol mundial justifica a decisão em um comunicado. “O resultado do jogo não pode ser modificado,  a partida não pode ser refeita. Como mencionado, claramente, nas Regras do Jogo (Laws of the Game), durante as partidas, as decisões tomadas pelo arbitro são definitivas.” Em 2005, a FIFA anulou um jogo entre Ubesquistão e Bahrain. Motivo: erro técnico do juiz. Um jogador penetrou na grande área durante a cobrança de um pênalti. O juiz nada marcou. O caso do duplo toque de mão de Henry, 17 minutos antes do fim da dramática prorrogação, que resultou no gol do zagueiro Gallas classificando a França para Copa da África do Sul, é considerado diferente. Trata-se, segundo a FIFA, de uma apreciação do juiz. A questão não é se houve toques de mão — como negar com imagens tão claras? — mas se o gesto foi voluntário ou não. O juiz sueco Martin Hansson, depois de consultar seus auxiliares de arbitragem, decidiu que o gesto foi involuntário.

Ontem, os políticos entraram em campo. Durante uma reunião em Bruxelas, o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen abordou o assunto com Nicolas Sarkozy. O presidente francês lavou as mãos: “As instâncias que governam o futebol é que devem decidir.” E adicionou que poderia, uma vez mais, ser criticado por ser hiperativo. O primeiro-ministro francês retrucou seu colega irlandês: “Os políticos não devem se meter no assunto.” Mas nem todos dentro governo francês jogaram no mesmo time. A elegante ministra da Economia, Christine Lagarde, considerada recentemente pelo Financial Times “a mais eficiente da Europa”, saiu da sua habitual discrição: “Foi uma trapaça.”

FIFA: "Meu jogo é limpo"

FIFA: "Meu jogo é limpo"

O lendário treinador do Manchester United, Sir Alex Ferguson, engrossou o coro dos que clamam pela introdução do vídeo para ajudar a arbitragem decidir em lances controversos nas partidas de futebol. “O juiz não poderia ter visto o lance, é obvio que há questão sobre a ajuda tecnológica, mas a FIFA e a UEFA preferem a decisão humana.  Técnicos e jogadores no mundo pensam como eu, a tecnologia pode desempenhar um papel na arbitragem, pode ajudar o juiz.” Contra o argumento que a consulta ao vídeo quebraria o ritmo do jogo, Fergunson diz: “Em jogo de futebol, o tempo médio de ação é 65 minutos, verificar o vídeo leva um minuto. Quando tempo um goleiro retém a bola fazendo “cera”. Quanto tempo um jogador simula contusão paralisando o jogo?”

Por Antonio Ribeiro

19/11/2009

às 19:56 \ Futebol

“Mr. Hansson, foi mão”

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Imagine o leitor se Thierry Henry tivesse dito ao arbitro sueco: “Mr. Hansson, foi mão”.  A frase entraria para história. Seria repetida quando a honestidade fosse tema no esporte e fora dele. O pai diria ao filho, o professor diria ao aluno: “Mr. Hansson, foi mão.” Talvez os torcedores franceses ficassem surpresos em um primeiro instante, mas é bem provável que quando a ficha caísse, o Stade de France aplaudiria. Se Thierry Henry tivesse dito, “Mr. Hansson, foi mão”, ele seria reverenciado para sempre como ícone do fair-play. Ninguém deixaria Henry pagar, durante sua existência, sequer um cafezinho em bistrô que entrasse. A França teria um novo héroi. Agora, estão aí as gerações mais velhas, como aconteceu com a cabeçada de Zinedine Zidane no torax do zagueiro Marco Materazzi, dizendo aos mais jovens que os ídolos são humanos, que aquilo não foi direito. A França está envergonhada e a carreira de um grande atacante com uma baita mancha indelével.

Aqui, as vezes, se esceve sobre esporte, mas notem, não bem sobre esporte, na acepção  literal do substantivo, que se escreve aqui. É sobre algo que transcende.

Por Antonio Ribeiro

19/11/2009

às 8:35 \ Futebol

Mãos ao alto!

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Os dois lendários e mais respeitados jornais de esporte da Europa publicaram nas suas primeiras páginas a história do lance vergonhoso — impedimento e toque duplo de mão do atacante e capitão do time, Thierry Henry — que classificou a França para Copa do Mundo da África do Sul. O francês L’Equipe titula: “Mão de Deus”. E faz um comedido editorial — Perfil baixo”— em cima da foto da ação. “Não há comemoração, mas alívio,” escrevem sobre o sentimento hoje entre os torcedores franceses. O italiano La Gazzeta dello Sport, é mais específico. Publica frase do treinador da Irlanda, Giovanni Trapattoni: “Che furto!” Quer dizer: “Que furto!”

Em Paris, os imigrantes e franceses de origem magrebina comemoraram a classificação da Argélia para Copa depois da vitória sobre o Egito. A maioria dos torcedores dos Bleus manifestaram desconforto e diferentes níveis de vergonha após a classificação da França. Em Zurique um porta-voz da FIFA descartou a possiblidade agurmentando que segundo as regras do futebol o arbitro do jogo tem a palavra final. Bem, segundo as regras do fubebol… toque de mão só vale para os goleiros.

Por Antonio Ribeiro

18/11/2009

às 21:41 \ Futebol

Mão de Henry classifica a França para Copa

Thierry Henry: "Foi mão, mas eu não sou o juiz do jogo"

Thierry Henry: "Sim foi mão, mas eu não sou o juiz do jogo"

A ação irregular do atacante francês que ajudou o passe para o defensor Gallas marcar o gol que classificou a França para Copa do Mundo da África do Sul foi ainda mais clara que a famosa “Mão de Deus” de Maradona contra a Inglaterra nas quartas-de-final da Copa do México, em 1986. Milhões de telespectatadores viram ao vivo. E reviram várias vezes nos videotapes. Só o juiz sueco Martin Hansson – e seus três colegas de arbitragem – não viu ou fingiu não ter visto.

Depois da partida, Thierry Henry admitiu ter controlado a bola com a mão. “Sim, foi mão, mas eu não sou o juiz do jogo,” disse o número 12 da França.  O italiano Giovanni Trapattoni, treinador da Irlanda, declarou: “Nós vimos o arbitro hesitar, olhar para o Henry, ele deveria ter lhe perguntado. Se o juiz tivesse colocado a questão ao Henry, o atacante teria dito.”

Veja o lance pelo vídeo da TV francesa TF1 onde Henry, em impedimento, toca duas vezes com a mão na bola:

Internautas organizaram um abaixo assinado pedindo a Joseph Sepp Blatter, presidente da FIFA, o uso de vídeos nas partidas de futebol para ajudar o árbitro decidir lances duvidosos. Ela está aqui. Dermot Ahern, ministro da Justiça da Irlanda e apaixonado por futebol, pediu a FIFA que organize um novo jogo. “É o mínimo que devemos para milhões de torcedores jovens ou ficará a impressão de que se você trapacear, você ganha.” Alguns torcedores iniciaram a campanha  na internet para boicotar produtos que Thierry Henry anuncia. A Gillette, fabricante de lâminas para barbear, escolheu o atacante francês, o tenista Roger Federer e o golfista Tiger Woods, porque segundo a companhia, eles representam os “verdadeiros valores do esporte”.

Por Antonio Ribeiro

 

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