Blogs e Colunistas

Arquivo da categoria França

22/04/2012

às 16:49 \ França

Hollande sai na frente, mas o jogo continua aberto

A primeira conclusão do resultado eleitoral é que o jogo continua aberto. François Hollande saiu em primeiro, mas com uma vantagem reduzida – 1,5% de votos. Trata-se de uma marola inferior a onda espetacular de votos que o candidato socialista afirmava que Nicolas Sarkozy iria “receber na face”. O recandidato Sarkozy não ganhou a maioria dos votos, situação ruim para um Presidente da República na briga para um segundo mandato de cinco anos. Ele começa o segundo turno tendo que correr atrás da diferença em duas semanas numa estratégia de tudo ou nada também para definir seu futuro como político. Isso significa cortejar, sobretudo, os eleitores da extrema-direita francesa, decepcionados com seu desempenho e postura na presidência.

Sarkozy propõe fazer três debates na TV contra Hollande – economia, questões sociais e política externa. O socialista, acusado de ser omisso no primeiro turno e agora, de jogar na retranca –  equivalente ao catenaccio italiano no futebol – quer apenas um duelo televisivo. Ele está marcado para aconter no 2 de maio, quatro dias antes da eleição.

Marine Le Pen teve uma boa votação se considerado o histórico eleitoral da extrema-direita xenófoba – 6,4 milhões de votos. Ela  obteve mais votos que no melhor desempenho de seu pai Jean-Marie – 4,8 milhões de votos, em 202. Seu resultado dilatado se deve também porque a crise é mais profunda e, por consequência, o numero de descontes maior. Embora haja uma parcela reduzida de dogmáticos, o voto no Front Nacional é mais de protesto do que de convicção. Contudo a herdeira Le Pen não vai para o segundo turno. A candidata tampouco controla os votos dos seus eleitores. Aliás, o Front Nacional com seu credo “nem direita nem esquerda, mas  França” nunca aconselhou votar neste ou naquele candidato. Isso remete à seguinte questão: Em quem os simpatizantes de Marine vão votar? Uma pesquisa muito apressada indica que 6 entre 10 deles preferem Sarkozy. Outra sondagem prevê que eles seriam apenas 52%.  Em torno de 25% votaria em Hollande e o restante escolheria a abstenção.

Atualização: Resultados definitivos – Hollande 28,6% (venceu em 56 departamentos), Sarkozy 27,1% (39 departamentos), Le Pen (1 departamento) 17,9%. Para um total de 46 milhões de inscritos, 8 em cada 10 eleitores votaram. 9,4 milhões não compareceram para votar. Na França, votar não é obrigatório.

Leia o post do Blog de Paris: “Hora de acordar

Por Antonio Ribeiro

22/04/2012

às 13:31 \ França

Boca de urna: Hollande e Sarkozy vão para o segundo turno

Segundo IFOP: Francois Hollande 27%, Nicolas Sarkozy 25,5%, Marine Le Pen, 16%, Jean-Luc Melanchon 13%, François Bayrou 10,5%

Segundo Opinionway: Francois Hollande 28%, Nicolas Sarkozy 26%, Marine Le Pen, 16%, Jean-Luc Melanchon 13%, Francois Bayrou 10%

O índice de abstenção segundo o Ministério do Interior foi de apenas 18,5%.

Leia o post do Blog de Paris: “Hora de acordar

Por Antonio Ribeiro

22/04/2012

às 9:18 \ França

Hora de acordar

Na urna dos votos: Hollande e Sarkozy

Às 14h59 minutos, horário de Brasília, os franceses estarão atentos à televisão. Durante um minuto, uma vinheta com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial da França tomará forma na telinha. Desta vez, o suspense será apenas formal. Quase tão certo como o raiar do dia, os eleitores vão escolher o candidato socialista François Hollande, favorito segundo as pesquisas, e o conservador Nicolas Sarkozy para disputarem a preferência da maioria em uma votação marcada para o dia 6 de maio.

Se o processo inicial não trará ainda o nome do próximo presidente da França, ele abre a esperança de surgir finalmente um exame de consciência. O de que, ao menos, nas próximas duas semanas, os candidatos selecionados abordem os problemas prementes do país. O que se viu até agora foi uma negação generalizada de encarar de frente a realidade crua da profunda crise econômica, do desemprego aterrador e do estado lastimável das finanças públicas.

Uma eleição deve, em princípio, expor as dificuldades, propor soluções e, em última instância, gerar entusiasmo. Por enquanto, não se viu nada disso no processo eleitoral da França. Os candidatos sem um mínimo de humildade, vergonha ou responsabilidade apresentaram um catálogo de medidas fora de contexto rabiscadas em cima da coxa para agradar este ou aquele eleitorado tendo como base o resultado da última pesquisa. Raramente se vendeu tantas ilusões como soluções, como por exemplo, a revolução, o protecionismo e para o lugar do euro, a volta do velho franco francês. Nunca o credo da “exceção francesa” foi tão louvado.

A campanha eleitoral, em vez de explicar a complexidade do mundo atual, a inexorável chegada da austeridade, o inevitável aumento dos impostos, a necessidade de produzir mais e melhor, mergulhou o país na utopia, nos pensamentos mágicos, nos mitos. Não é de se admirar que um dos piores debates políticos do Ocidente não tenha criado nenhum alento nos eleitores. É boa hora para começar.

Atualização: veja os resultados de boca de urna aqui.

Leia o post do Blog de Paris: “Espelho, espelho meu

Por Antonio Ribeiro

20/04/2012

às 5:59 \ França

Espelho, espelho meu

Richard "Dick" Nixon

Depois de perder várias eleições, ser eleito presidente com a maior votação da história de seu país e, em seguida,  renunciar de forma humilhante, o californiano e republicano Richard “Dick” Nixon analisou sua derrota contra o jovem democrata de Massachusetts, John Fitzgerald “Jack” Kennedy, em 1960 com uma margem de apenas 0,2% dos votos. Ele disse: ”Os americanos olhavam para mim e viam o que eram. Olhavam para o Kennedy e vislumbravam o que gostariam de ser.”

Definitivamente, há algo mais do estado da França atual no candidato favorito na eleição à presidência francesa, segundo as pesquisas, o socialista François Hollande (29%), do que em seu rival, o presidente Nicolas Sarkozy (25,5%). Em certa medida,  justiça se faça, a semelhança configura uma formidável legitimidade democrática em um país marcado pelo comportamento autista, a recusa de encarar de frente a realidade da profunda crise econômica. A dívida do estado será deletada. A retomada crescimento econômico virá por decreto. O mercado será rigorosamente controlado. Quer dizer, bom aluno, obedecerá os ditames dos políticos de intenções altaneiras. O dinheiro que falta? Ora, é fácil. Basta imprimir mais notas e, simultaneamente, exigir que o Banco Central europeu empreste a fundo perdido.

E não há em candidato algum, a imagem que a maioria dos franceses gostaria para França. Mas la nave va…

 Leia o post do Blog de Paris: “Matemática joga contra surpresa

Por Antonio Ribeiro

18/04/2012

às 8:06 \ França

Matemática joga contra a surpresa

No domingo, 22 de abril, 45 milhões de eleitores estão inscritos para eleger o próximo Presidente da França. É quase certo que escolham dois candidatos para uma disputa final marcada para duas semanas depois, no 6 de maio. Para 4 milhões de eleitores, será uma novidade, eles irão votar pela primeira vez.

A matemática das pesquisas de opinião joga contra surpresas como a que ocorreu nas presidenciais de 2002. À época, esperava-se uma disputa final entre o socialista Lionel Jospin e o conservador Jacques Chirac, os candidatos dos maiores partidos na França. O líder da extrema direita xenófoba Jean-Marie Le Pen, pai da atual candidata Marine, surpreendeu ao eliminar o ex-primeiro-ministro Jospin.

O cenário agora é bem diferente daquele domingo chuvoso em que boa parte dos franceses ficaram em casa, certos que o páreo já estava definido. Desta vez, mesmo que a meteorologia seja ruim, o socialista François Hollande (29,5%) e o recandidato  Nicolas Sarkozy (27,5%) têm cada um quase o dobro de intenções de voto dos seus concorrentes próximos. Quer dizer,  a candidata do Front National, Marine Le Pen (14%), Jean-Luc Mélenchon, da extrema esquerda (13%) e o centrista François Bayrou (12%). Em 2001, Le Pen estava a menos 3% de Jospin, portanto dentro da margem de erro.

Quatro em cada cem eleitores franceses se declaram indecisos. No segundo turno, onde a vantagem de Hollande sobre Sarkozy gira em torno de seis pontos percentuais, 14% ainda não decidiram em quem votar. Hollande é o favorito das eleições, mas o jogo ainda não está feito. As chances de Sarkozy se sustentam  na sua votação, no bom desempenho do marxista Mélenchon e, simultaneamente, em uma queda de Marine Le Pen. Um resultado de 17 a 18% da extrema esquerda, aliada em segunda instância de Hollande, poderá criar um temor de radicalismo da esquerda. Em efeito, ajudar a unir a direita. Mas para funcionar em favor do presidente, é preciso que todas as circunstancias estejam reunidas.

Em contrapartida, se Mélenchon conseguir bons resultados e Hollande também, num cenário de avanço total da esquerda, o socialista poderá ser visto como o melhor escudo contra o extremismo de esquerda. Bem mais que em eventual baixo desempenho de Sarkozy.  Uma situação parecida com a eleição de François Mitterrand, em 1981, o último presidente socialista francês que Hollande faz o que pode para imitar timtim por timtim.

Seja lá qual for o próximo presidente da França, ele estará por um bom tempo algemado pela situação econômica do país. Sobre este tema, convido o leitor a ler o post do Blog de Paris: “Condenados a seis ou meia dúzia

Por Antonio Ribeiro

16/04/2012

às 9:51 \ França

Condenados a seis ou meia dúzia

A menos de uma semana para o voto do primeiro turno da eleição, a previsão de quem será o próximo Presidente da França ainda é aventura de alto risco. A julgar pelos grandes comícios dos dois principais candidatos em Paris, eles estão empatados. A equipe do socialista François Hollande afirma ter reunido 100.000 simpatizantes no Bosque de Vincennes. Os organizadores da campanha do conservador Nicolas Sarkozy dizem que o recandidato à Presidência atraiu o mesmo número de militantes na Praça da Concórdia. Observadores mais ponderados  e os que não brotaram na última chuva julgam que os volumes foram semelhantes, mas o total de cada um deve ser dividido por dois para se chegar próximo a exatidão.

A mais recente pesquisa de opinião dá Sarkozy com um ponto à frente de Hollande na etapa inicial. No segundo turno, Hollande retoma a dianteira com seis pontos de vantagem. Se não se sabe ainda quem será o Presidente da França, tem-se absoluta certeza que os desafios do vencedor serão exatamente os mesmos – salvo o período de adaptação à função no caso do eleito ser outro que o atual presidente.

Um francês em cada dez está desempregado. Se o universo de estudo for apenas entre jovens, o índice duplica. Ou triplica, dependendo da geografia. Para pagar a sua monumental dívida pública, a França teria que trabalhar do primeiro dia do ano até por volta do 15 de agosto exclusivamente para alcançar o objetivo. Ou seja, sem poder gastar um centavo para comprar uma migalha de baguete.  Impraticável. Entretanto, o governo francês gasta mais que seus vizinhos alemão, holandês, espanhol e italiano. Um relatório do Tribunal de Contas francês sustenta que se medidas de rigor não forem adotadas nas finanças públicas, a dívida pode chegar a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2015.

A França compra mais do vende desde o verão europeu de 2004. O déficit na balança comercial é 70 bilhões de euros. No livro “La France sans ses usines”, os autores Marie-Paul Virard e Patrick Artus fazem uma constatação edificante: “As salsichas de Frankfurt vendem melhor que os vinhos de Bordeaux”. A França possui 100.000 empresas que exportam. É muito? Na Alemanha, país que os franceses tem em conta como a  unidade de medida econômica mais apropriada,  250.000 empresas exportam. As exportações francesas representam 4% do comércio mundial fora Rússia e países da OPEP, mas já foi 6%, em 1999.

Se o total das despesas mensais francesas fosse 10.000 reais, o país ficaria endividado todo mês em 3.000 reais. A situação perturbaria o sono de qualquer indivíduo dotado de um mínimo de lucidez, mas a França vem operando assim, no vermelho, desde 1975. Este é um dos temas que os candidatos à presidência mais se esforçaram para não abordar. Não é raro que políticos evitem questões embaraçosas durante as eleições. Em contrapartida, é espetáculo surreal o nível de desprezo dos candidatos franceses pela gravidade da situação econômica. Isso acontece no  momento em que o Velho Continente passa pela sua crise mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial.

A revista britânica The Economist colocou Sarkozy e Hollande no lugar dos dois personagens masculinos que conversam passivamente sem dar a menor atenção à uma mulher nua, sentada ao lado deles no famoso quadro Le déjeuner sur l’herbe (O piquenique sobre a relva), do impressionista de Édouard Manet. A montagem ilustrou reportagem de capa que aborda a quase completa recusa dos principais candidatos de trazer os  problemas mais prementes do país à mesa do debate público.

Independente de quem seja o próximo Presidente da França, ele estará por um bom tempo algemado pela situação econômica do país. A sua margem de manobra será mínima. Em efeito, as políticas serão inexoravelmente semelhantes. O Fundo Monetário Intenacional (FMI) prevê um crecimento economico anêmico de 0,5% do PIB para França neste ano e um pouco mais de 1% em 2013.

Qualquer programa político audacioso está comprometido. Salvo, evidentemente, se os políticos quiserem continuar fazendo vista grossa ou, menos provável, se embarcarem em políticas aventureiras. Neste caso, a próxima ilustração poderá se inspirar no óleo de Théodore Géricault, Le Radeau de la Méduse (A Balsa da Medusa), que retrata um grupo de naufragados de uma fragata que enfrentaram a desidratação, a loucura e até o canibalismo.

Por Antonio Ribeiro

22/03/2012

às 14:34 \ França

Sarkozy: o presidente reforça o candidato

Se o candidato a reeleição a Presidência da França Nicolas Sarkozy ainda não tinha encontrado a melhor postura para sua campanha eleitoral, o retorno a condição plena de Presidente da República trouxe um desempenho quase irrepreensível. Naturalmente devido ao talento pessoal, a noção mais apurada das horas importantes absorvida pela experiência da alta governança, mas sobretudo, pela gravidade do momento, sete assassinatos cometidos a sangue frio por um jovem terrorista no espaço de apenas dez dias em solo francês.

O efeito na campanha é claro. Em menos de uma semana, a popularidade de Sarkozy aumentou de forma inédita no atual período eleitoral, como atesta a mais recente pesquisa de opinião pública – 2 pontos percentuais. Nesta altura, a progressão rápida coloca o recandidato solidamente emparelhado ou na dianteira do seu principal rival, o socialista François Hollande. Ela  abre também, pela primeira vez, uma perspectiva mais realista de eventual vitória. Nas projeções para o segundo turno das eleições, Sarkozy reduziu a diferença de 18 para 10 pontos em relação a Hollande.

A um mês do primeiro turno e uma hora depois do psicopata Mohammed Merah, autor dos assassinatos, ser abatido por policiais do RAID, a unidade de elite da policia francesa que encurralou o terrorista no seu apartamento durante 32 horas, Sarkozy fez um pronunciamento em rede de rádio e televisão. Poucas vezes o seu invariável terno escuro e a gravata de mesmo tom caíram tão bem. Foi sóbrio e medido. Não se ouviu na breve intervenção palavra excessiva, mas não faltou o costumeiro ar determinado. Os franceses tiveram a boa surpresa de encontrar ocasião – inusitada se considerado os quase cinco anos de mandato – na qual um Presidente da República não lembrasse outra coisa senão o Presidente da República.

Sarkozy agradeceu o trabalho da polícia que encontrou o  psicopata em menos de 48 horas depois da chacina na escola judaica de Toulouse e o colocou fora de ação ainda que o objetivo fosse sua captura para leva-lo às barras do tribunal.  E  muito foi feito para mater  vivo Merah  que queria “colocar a França de joelhos”.  O presidente disse que a investigação continua para verificar se não há cúmplices. Merah era desempregado e no entanto, tinha recursos para comprar armas, alugar carro e apartamento.  Os  roubos não chegam a tanto. O presidente convidou os franceses a superar a indignação. “Nossos compatriotas muçulmanos não tem nada a ver com esta história”, afirmou o presidente e acautelou para confusão recorrente que motiva preconceitos: “Não se deve fazer amálgama.”

Sarkozy anunciou que, doravante, quem consultar de maneira pouco habitual sites na internet que fazem apologia ao terrorismo e estimulam o ódio assim como franceses que viajarem a outros paises para receber doutrinação ligada ao terror, serão punidos –  medidas a serem aprovada depois das eleições porque a Assembléia Nacional francesa não se reúne em sessões ordinárias em período eleitoral. Segundo os serviços de inteligência ocidentais, uma centena de europeus são treinados por islamistas radicais na zona tribal do Paquistão e pelo Taliban, no Afeganistão. Estes “estágios” não acontecem sem o agenciamento de intermediários clandestinos na Europa. O presidente irá atribuir ao Ministério da Justiça a missão de uma análise detida sobre a propagação do ideário terrorista no sistema carcerário francês. O procurador da república de Paris, François Molins, revelou que Merah  se fanatizou enquanto cumpria pena de 18 meses em um cárcere na França.

A segurança e imigração são temas mais freqüentes na retórica dos candidatos da direita em geral e da francesa, uma obsessão permanente. Neste sentido, pode parecer cínico, mas a frieza que a analise da disputa eleitoral exige, a chacina recente na França, beneficia as candidaturas de Nicolas Sarkozy e Marine Le Pen. É inegável. Mas aos olhos do eleitor calejado, como o francês, não basta apenas diagnosticar tal qual faz Marine Le Pen com notável excentricidade e oportunismo. Faz se necesário persuadir que o remédio pode incitar a cura e principalmente, que pode ser ministrado, se é realista. Sarkozy marcou pontos, 7 entre 10 franceses acham que administrou bem um momento que requer atitude solene. Eles serão menos perceptíveis no primeiro turno quando se vota no candidato de coração e bem mais  na etapa final, marcada para o 6 de maio, no que diz respeito ao “voto útil”, o verdadeiro ponto de desequilíbrio na eleição presidencial francesa.

Leia o post do Blog de Paris: “Palácio do Elysée confirma a morte de Mohammed Merah

Por Antonio Ribeiro

22/03/2012

às 7:42 \ França

Palácio do Elysée confirma a morte de Mohammed Merah

RAID, a unidade de elite da políca francesa

Depois de um cerco de 32 horas, o terrorista foi morto. Cinco policiais foram  feridos, um deles gravemente, na invasão ao apartamento de Mohammed Merha situado no andar térreo de um prédio de cinco andares no numero 17 da Rue du Sergent-Vigné, em Toulouse, sudoeste da França.  Os policiais entraram pela porta e janela do apartamento do terrorista, autor de sete assassinatos a sangue frio. Neste momento, Merah estava no banheiro e saiu disparando , simultaneamente, uma pistola automática Colt 45 e uma mini metralhadora Uzzi 9 milímetros em direção aos agentes do RAID – sigla em francês para Procura, Assistência, Intervenção, Dissuação. Os homens do RAID responderam com 300 tiros. Um tiroteio intenso durou mais de 6 minutos.

Segundo o ministro francês do Interior, Claude Guéant, Merah saltou da varanda do apartamento com a arma na mão ainda atirando – Merah fez 30 disparos desde a chegada dos policiais ao seu domicílio. “Ele foi encontrado morto no chão”, informou Guéant. O procurador da república de Paris,  François Molins, revelou que Merah, que usava um colete a prova de balas debaixo de uma túnica negra, foi alvejado com um tiro na cabeça,  a causa de sua morte. O disparo foi feito por um franco atirador do RAID postado do lado de fora do apartamento. Os policiais encontraram os vídeos que foram feitos pelo assassino quando ele executou suas vítimas. As imagens fazem parte da investigação que continua em andamento.

Nicolas Sarkozy fará um pronunciamento na TV francesa às 10h, horário de Brasília.

Atualização: A autópsia do Instituto Médico Legal de Toulouse do corpo de Merha revelou que o assassino levou vinte tiros, essencialmente nas pernas e braços antes de receber dois mortais, um no abdome e outro, na cabeça.

Por Antonio Ribeiro

21/03/2012

às 17:54 \ França

A primeira imagem de Mohammed Merah, o terrorista de Toulouse e Montauban

O vídeo amador divulgado pelo canal de TV France 2 que teria sido feito em 2010 mostra Mohammed Merah sorridente ao divertir-se fazendo manobras arrojadas no volante um carro da marca BMW.

Leia o post do Blog de Paris: “Polícia cerca supeito de massacre em Toulouse. Marine Le Pen tenta capturar o drama para a campanha eleitoral

Por Antonio Ribeiro

21/03/2012

às 6:13 \ França

Polícia cerca suspeito de massacre em Toulouse. Marine Le Pen tenta capturar o drama para a sua campanha eleitoral

No detalhe: o terrorista Mohammed Merah

As 3h10, hora local, 300 agentes do RAID, a unidade de elite da polícia francesa, cercaram um prédio de cinco andares no bairro residencial Croix-Daurade em Toulouse. No interior, está encurralado Mohammed Merah, francês de origem argelina, de 24 anos. Ele é suspeito de ser o autor dos assassinatos a sangue frio de três militares da Aeronáutica, um rabino e três crianças em uma escola judaica no Sudoeste da França. Desde a chegada do RAID, Merah abriu fogo atingindo um policial no joelho e feriu um outro sem gravidade.

O ministro francês do Interior, Claude Guéant, que acompanha pessoalmente a operação, afirmou que o suspeito alega ser um mujahedin (combatente de Alá) da rede terrorista Al Qaeda e que cometeu os massacres para vingar as crianças palestinas e em represália a presença das tropas francesas no Afeganistão, pais que o suspeito visitou duas vezes em 2010 e 2011. Merah viajou também, de acodo com informações  do Ministério do Interior, para a zona tribal do Paquistão onde foi treinado para o combate.

O assassino era monitorado há alguns anos pelo serviço francês de contraterrorismo, a Direção Central de Informação Interior (DCRI). “É alguém que tem ligações a pessoas que reclamam a filiação ao salafismo e ao jihadismo”, disse Guéant. (O salafismo prega o retorno  total aos valores e práticas do Islã do século VII e preconiza a jihad, a “guerra santa contra infiéis” como método para alcançar objetivos) Merah passou a infância no bairro de Izards, conhecido em Toulouse pelos problemas de tráfico de droga. Sua ficha policial é longa. O ministro do Interior, Claude Guéant, falou em “cerca de uma dezena de delitos, por vezes com violência”. O procurador da república de Paris, François Molins, precisa: “São quinze condenações inclusive 18 meses de prisão por roubo associado a ato violento.” Devido as condenações,  a tentativa (uma não duas) de Merah para se engajar na Legião Estrangeira foi recusada.

No inicio da madrugada, o psicopata telefonou para o canal de TV France24 reivindicando a autoria dos assassinatos pelos motivos mencionadas pelo ministro do Interior e um suplementar, a interdição do véu integral em locais públicos na França. Segundo a chefe de redação da France24, Ebba Kalondo, que falou com o suspeito durante 10 minutos, ele adiantou que se preparava para colocar online os vídeos que fez relativos aos assassinatos. “São apenas o começo, nada pode me deter”, disse com voz calma em um francês correto. Quando foi cercado, Merah, funileiro desempregado, planejava o assassinato um militar em Toulouse e mais dois outros, previamente indentificado por ele, nos próximos dias.

Os policiais levaram a mãe do suspeito ao local para tentar negociar uma rendição. Ela não quis dialogar com o filho porque estimou que não tinha  influência suficiente para convencê-lo a se entregar.  Um dos irmãos, sua namorada e a mãe de Merah estão sob custodia policial. A polícia diz ter encontrado explosivos e armas no carro de um dos irmão de Merah.

Guéant, uma espécie de “primeiro-ministro bis” pela proximidade com Sarkozy, contou que o suspeito arremessou um revolver Colt 45 de calibre 11,43 milímetros pela janela, mas está de posse de outras armas entre as quais, uma metralhadora  israelense mini-Uzi 9 milímetros e um fuzil de assalto russo Kalashnikov (AK-47). O porta-voz do Minitério do Interior afirmou que o objetivo é capturar Merah vivo. Os investigadores chegaram a Merah pelo protocolo de conexão a internet (em inglês: Internet Protocol, ou o acrónimo IP) do computador do seu irmão que o suspeito utilizou para trocar e-mail com a primeira vítima que colocou um scooter a venda online.

O primeiro candidato a Presidência da França que comentou o cerco foi Marine Le Pen, da extrema-direita. Até então, ela advertia os concorrentes para serem discretos e não tentar fazer uso político do massacre. “O risco fundamentalista foi subestimado no nosso país, agora é preciso conduzir a guerra contra estes grupos politico-religiosos fundamentalistas que mata nossas crianças”, disse ela. E arematou: “Um referendo sobre a pena de morte e prisão perpétua real se impõe.”

No Front Nacional, alguns militantes de extrema direita lembram do efeito eleitoral dos atentados terroristas de 1995 na França. As eleições legislativas parciais aconteceram logo depois da explosão de bombas na estação Saint Michel do metro parisiense. A votação nos candidatos do partido teve aumento significativo.

Leia o post do Blog de Paris: “Tragédia nacional, união nacional, reflexão nacional

Nota: O Mohammed Merah que foi preso em Kandahar no Afeganistão não é o assassino de Toulouse. É outro Mohammed Merah que foi detido em 2007 por fabricar explosivos e escapou durante uma revolta dos prisioneiros Talibã. O Merah de Toulouse esteve no Afeganistão pela primeira vez três anos depois, em 2010. As autoridades afegãs confirmaram se tratar de um homônimo.

 

Por Antonio Ribeiro

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados