04/04/2013
às 5:40 \ FrançaTesoureiro de Hollande tem investimentos em paraíso fiscal
Jean-Jacques Augier, tesoureiro do socialista François Hollande na campanha presidencial francesa de 2012, é acionista através da sua holding financeira Eurane de duas empresas offshore em George Town, capital das Ilhas Caiman, paraíso fiscal britânico no Caribe.
A revelação é do vespertino francês Le Monde e do diário britânico The Guardian a partir de dados do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), consorcio americano de investigação jornalística que tem ao seu serviço, 160 repórteres em 60 países.
“Não tenho conta bancaria pessoal nem investimento pessoal direto nas Ilhas Caiman. Investi nas empresas por intermédio da filial na China da Eurane, a Capital Concorde Limited, uma holding que administra todos os meus negócios chineses”, disse Auguier. E arrematou: “O investimento aparece no balanço anual da filial. Nada é ilegal”
Na França, o código geral de impostos determina que se uma empresa com sede no país tem entidade jurídica instalada em paraíso fiscal, diretamente ou através de filial, e se essa entidade não tem atividade econômica real, mas possui bens passivos (dividendos, empréstimos, etc) eles devem ser, obrigatoriamente, declarados ao fisco francês.
Amigo de Hollande, Jean-Jacques Augier, 59 anos de idade, foi colega de formatura do Presidente da França, a turma “Voltaire”, na Escola Nacional de Administração (ENA) pública da França. Fez fortuna depois de ser convidado por André Rousselet, amigo do ex-presidente socialista François Mitterrand, para dirigir em 1987 a companhia de táxis parisienses G7 que à época, operava no vermelho. Após treze anos de administração bem sucedida, deixou a empresa com “parachute doré”, uma indenização de 11 milhões de euros. Além de negócios na China, o Augier edita a revista literária Books e Têtu, o primeiro mensal francês dedicado a leitores homossexuais.
A notícia de investimentos do ex-tesoureiro da campanha presidencial socialista em um paraíso fiscal emerge durante um dos maiores escândalos da política francesa recente que atingiu em cheio o governo François Hollande. Jérôme Cahuzac, ex-ministro do Orçamento da França, foi indiciado pela Justiça por lavagem de dinheiro e fraude fiscal depois de confessar aos juizes de instrução Roger Le Loire e Renaud Van Ruymbeke, possuir conta bancaria não declarada no União dos Bancos Suíços, em Genebra – negou durante quatro meses. Posteriormente, quando foi eleito Presidente da Comissão de Finanças da Assembléia Nacional, transferiu o montante da conta para a filial suíça do banco Julius Baer, em Singapura. Cahuzac fazia igual a quem ele era o principal responsável de perseguir, sonegava.
Leia também: “Cidadão acima de qualquer suspeita na República exemplar”
Tags: Books, Capital Concorde Limited, Eurane, François Hollande, François Mitterrand, Jean-Jacques Augier, Jérôme Cahuzac, Julius Baer, Le Monde, Renaud Van Ruymbeke, Roger Le Loire, Têtu, The Guardian













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