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Arquivo da categoria Fotografia

19/12/2010

às 6:17 \ Fotografia

De JK para De Gaulle. E quase para o lixo

Nota da coluna de Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de São Paulo, edições de hoje, 19 de dezembro de 2010:

Remexendo um entulho da agência Gamma, um fotógrafo francês encontrou um retrato emoldurado de um cidadão, vestindo casaca e enfeitado com uma faixa, com a seguinte dedicatória: “Ao eminente general Charles De Gaulle, chefe do governo francez, com admiração e grande apreço. Juscelino Kubitschek, Rio, 28 de agosto de 1958.” Em meio século, a fotografia passou por diversas triagens dos guardados de De Gaulle e ia para o lixo quando JK foi reconhecido. Uma alma bondosa presenteou o fotógrafo Antonio Ribeiro com a peça e hoje ela está na parede do seu escritório, em Paris.

Embora JK tenha posado vestido de fraque e com a faixa presidencial, a fotografia não é o retrato oficial cujo fundo é negro e a autoria de Augusto Malta. A assinatura é  de “Mamed” , um retratista carioca dos anos 50 que fotografava todo mundo – de bebês a figurões. Já morreu, na verdade, se suicidou. Conta o jornalista Carlos Leonam que o conheceu quando era menino: “Era de origem árabe, careca, alto, morava no Humaitá. Foi casado com uma cantora lírica.”

A ampliação (gelatina e prata) mede 29,5cm x 22,3cm.

A fotografia com a dedicatória foi emoldurada pelo francês Claude Cucchiarini que tinha à época um ateliê na 19, rue du Dragon, VI distrito de Paris. O artesão prestava serviços para o Palácio do Elysée. Reportagem da revista TIME conta que o Valéry Giscard d’Estaing jantou no apartamento dos Cucchiarini:

Monday, Feb. 03, 1975

FRANCE: Guess Who Came To Dinner?

(…)

Last week Giscard finally did go to dinner, and the first family selected to play host to France’s First Family turned out to be that of Claude Cucchiarini. A Parisian picture framer, Cucchiarini had done some work for the President and casually invited him over. Still, he could not have been more surprised when one of Giscard’s top aides phoned three weeks ago and advised that the Giscards had accepted. The only request: keep it secret, keep it simple and don’t hire any outside help.

(…)

Na dedicatória com data de 28 de agosto de 1958, JK refere-se a De Gaulle como “chefe do governo francez”. É isso mesmo, “chefe”. Depois do colapso da Quarta República, De Gaulle foi chamado para governar com poderes excepcionais até as eleições de novembro do mesmo ano, quando se candidatou e venceu as presidenciais. Alguns franceses que não apreciam o velho general chamam, jocosamente, de “O Golpe de Maio de 58″. Durante 5 meses, de junho a novembro de 1958, ele não era presidente, primeiro-ministro ou tinha qualquer cargo constitucional. Como se referir a ele? JK tascou: “chefe do governo.”

Conversei com dois arquivistas da Gamma, gente que está na agência desde priscas eras. Nenhum deles soube dizer ao certo como o retrato foi parar nos arquivos. Supõe tratar de um lote do acervo do De Gaulle, uma parcela que não foi considerada com importância suficiente para ser guardada. O general recebeu milhares de presentes. Só retratos de ditadores africanos e árabes deveria haver uma boa centena. No entanto, quando o presente do JK foi feito, ele foi apreciado. A prova é a boa moldura. Mais tarde, em triagem posterior, descartaram a relíquia. Gesto seguinte, alguém com mais cuidado o levou para Gamma.

O fotógrafo que salvou o retrato de JK do lixo chama-se Charles Hires. O “Chip”, amigo e ex-colega dos tempos  da agência Gamma Presse Images.

Por Antonio Ribeiro

07/05/2009

às 10:48 \ Fotografia

Um frasco de perfume de outros tempos

“Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude.” A frase é do sobrinho Tancredi Falconeri ao tio, o principe Fabrizo Salina — ambos são personagens do magnifico romance O Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, duque de Parma.

Ninguém enunciou o postulado de forma tão encantadora e impenetrável quanto o ator francês Alain Delon na obra-prima cinematográfica de Luchino Visconti, a história dos tormentos  de um príncipe da nobreza siciliana durante a tomada do poder pelos revolucionários do Risorgimento na Sicília.

A colônia masculina Eau Sauvage, da Dior, continua igual desde que foi criada pelo perfumista Edmond Roudnistka em 1966. Naquele ano, Alain Delon tinha 31 anos, era considerado o James Dean francês, bonito (beau gosse) como Brigitte Bardot de calças. Desde então, a aparência do ator de 74 anos mudou muito – quando Delon refere-se a ele mesmo, faz como o mito vivo Pelé, na terceira pessoa.

Para que tudo continue como está, ou seja, o clássico Eau Sauvage, mudou o rosto do seu garoto propaganda. Doravante ele é  o Alain Delon. Mas com a fotografia do ator feita por Jean-François Périer no balneário de Saint Tropez… em 1966. Algumas mudanças foram feitas na imagem original para adaptar aos novos tempos. Ela perdeu a cor, virou preto e branco para dar uma ar de nostalgia. O cigarro entre os dedos do galã desapareceu.

A Dior explica a escolha da imagem de Delon para vender o perfume, usado também pelo pai deste blogueiro, que se lembra da fragrância como uma espécie de madalene de Proust: “A imagem não envelheceu, vai nos permitir atrair tanto homens que lembram do Delon na época quanto aos consumidores jovens, seduzidos pelo ar rebelde e irreverente.” Na França, há boa chance de funcionar e além das suas fronteiras? Você sabe quem é o Delon, meu jovem leitor? Se não é o caso, veja O Samurai para começar.

A jogada marqueteira da Dior é alvissareira para ícones destronados pela ação do tempo e chegada de novas beldades. O baú pode conter prosperidade. Condição: não seguir uma moda atual, o puro deleite visual sem nenhum significado além da forma. Delon era bonito, mas tinha conteúdo, mesmo. Hoje , ele equivale a um frasco de perfume de outos tempos

Por Antonio Ribeiro

22/03/2009

às 14:20 \ Fotografia

Morre “o” fotógrafo do papa

Gianni Giansanti escreveu seu nome no fotojornalismo mundial em 1978 com uma imagem da Itália contemporânea que ficará indelével na história, a fotografia do corpo do primeiro-ministro Aldo Moro no porta-malas de uma Renault estacionada na Via Michelangelo Caetani, em Roma. Moro foi cruelmente assassinado pelas Brigadas Vermelhas depois passar 54 dias no cativeiro. No entanto, morto esta semana de um câncer no ossos, aos 52 anos, Gianni será mais lembrado pelos retratos  do papa não italiano. As fotografias de Gianni mostraram, através do polonês Karol Woltyjla, um papa na intimidade pela primeira vez.

O maior legado do fotógrafo romano é a elegância, o senso rigoroso do enquadramento, o uso da luz divina — coisa rara no fotojornalismo que preza mais o registro documental. Gianni deixa um imenso vazio na vida da doce Anna, mãe de duas crianças maravilhosas que como frutinhas na relva, não caíram longe da árvore genitora, o pai. Colega de tantas reportagens, lembra-me um só defeito em Gianni. Ele era de natureza anatômica. Gianni tinha o coração maior que o corpo. Até logo, amigo!

Veja aqui uma fotogaleria de Gianni Giansanti, no site de revista americana TIME.

Por Antonio Ribeiro

22/03/2009

às 14:13 \ Fotografia

Dois momentos de João Paulo II

Por Antonio Ribeiro

19/03/2009

às 16:05 \ Fotografia

Putin espionou Reagan, diz fotógrafo de Obama

Veja a foto de 1988 que ilustra este post.


Quem é o homem de cabelos louros com uma camera pendurada no pescoço? Segundo Pete Souza, autor da imagem e fotógrafo oficial de Barack Obama, ele é primeiro-ministro russo Vladimir Putin. O ex-agente do KGB soviético, disfarçado de turista russo interiorano, estaria na Praça Vermelha durante a visita de Ronald Reagan para constranger o ex-presidente americano com perguntas sobre os direitos humanos nos EUA. Em efeito, o “turista” teria feito perguntas inusitadas. Souza disse que na ocasião, os agentes do serviço secreto americano confirmaram que os turistas eram agentes do KGB. “Meu Deus, é ele.” disse Souza quando se deu conta olhando a fotografia que está publicada em seu livro sobre Ronald Reagan.

Autoridades russas, furiosas com a divulgação da foto, contestam que o homem da fotografia é Putin. Na época da primeira visita de Reagan à Moscou, Putin era espião em Dresden, na antiga Alemanha Oriental. Seu posto, o único que exerceu fora da ex-URSS, não era suficientemente importante para uma missão que envolvia diretamente o presidente americano, afirma o russo Andrev Pionstkovsky, que estuda a carreira do atual premier. “Ele era apenas um agente mediano.” Putin diz que engordou muito durante a estadia alemã. “Eu bebia quase 4 litros de cerveja por semana”. O homem da fotografia é magro. O Kremlin está convencido de que a Casa Branca aprovou a divulgação da fotografia para difamar o primeiro-ministro russo.

Veja as imagens do talentoso fotojornalista Pete Souza aqui.

Por Antonio Ribeiro

06/10/2008

às 7:52 \ Fotografia

O retrato de Ulysses Guimarães


Curiosidade. A fotografia de Ulysses Guimarães que ilustra a dupla página de abertura da reportagem na edição de VEJA esta semana sobre os 20 anos da Constituição foi feita na garagem da casa do deputado em Brasília, em 1988. Uma lona que lembra os panos de fundo usados por retratistas antigos foi pintada especialmente para a ocasião. Na manhã da sessão de fotos, Ulysses recebeu da gráfica do Congresso Nacional três opções para a capa do livro com a Constituição. Ele mostrou as alternativas para o fotógrafo escolher com qual deveria posar. “Atenção, a capa que você escolher, será a capa da Constituição”, disse. Em efeito, a opção escolhida tornou-se a capa do livro com o conteúdo que deu ao país estabilidade política e um arcabouço de direitos fundamentais – mais para frente as emendas impediram que ela se tornasse uma barreira intransponível para o crescimento econômico. A fotografia de Ulysses foi a capa da revista VEJA, na semana seguinte à aprovação da Constituição. Ulysses telefonou para o fotógrafo depois que a fotografia foi publicada: “Gostei muito, se  eu tivesse que escolher o retrato que melhor representa minha carreira política, esta seria a fotografia. Obrigado.”

Por Antonio Ribeiro


 

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