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Arquivo da categoria Fórmula 1

03/09/2009

às 13:39 \ Fórmula 1

Tcham tcham tcham, fuego muy amigo.

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Se a mola desprendida do carro de Rubens Barichello tirou Felipe Massa das pistas de Formula 1, a batida de Nelsinho Piquet, no Grande Prêmio de Cingapura 2008, afastou o título do piloto da Ferrari. A primeira ação foi involuntária. A segunda, a empresa londrina Quest, sob encomenda da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), realiza investigação, mais aprofundada do que se supunha inicialmente, para saber se foi trama premeditada.

Seja qual for o resultado da investigação, o futuro de Nelsinho Piquet na Formula 1 é sombrio. Salvo na imprensa umbilicalmente dependente da presença de brasileiros nos circuitos, a percepção generalizada não se sustenta apenas nas declarações de Bernie Ecclestone — ainda que o “Barão do Paddock” conheça melhor os traçados da Fórmula 1 que as linhas das mãos. O vaticínio baseia-se em inapelável evidência. Muito pouco provável achar uma escuderia disposta a dar emprego para um piloto desleal, se não com o automobilismo, mas certamente com o ex-patrão.

Inconformado e irado com sua demissão por não cumprir cláusula contratual – obter 20% dos resultados de Fernando Alonso – Nelsinho saiu da Renault  de forma deselegante. Melhor dizendo, chutando o pau da barraca. Chamou Briatore de “meu carrasco” e acusou o italiano de  entender nada de Fórmula 1. Agora, emerge a suspeita de que teria sido cúmplice de uma manobra que colocou em risco sua vida, a dos colegas, dos comissários de pista e do público. Isto na pista. Fora dela, o estrago pode ser mais amplo.

Se ficar provado que houve armação, a Renault e o seu chefe de equipe Flavio Briatore serão banidos da Formula 1. A empresa francesa terá que se contentar com, no máximo, fabricar motores para outras equipes. Já não é a primeira vez que a dupla Briatore e Renault se mete em encrenca. Em 1994, na época em que a equipe estampava o nome Benetton, a FIA fez vista grossa com a retirada ilegal de um filtro do sistema de abastecimento dos carros para torná-los mais leves – infração admitida pelos culpados.

Há quem evidencie a dificuldade de colher provas da eventual manipulação  acidente noturno nas ruas de Cingapura. Seria necessário nítida gravação da ordem “Bata agora, Nelson!” ou a confissão de alguém dentro da equipe Renault, dizem eles. Algo equivalente ao erro na aritmética de um aluno do primário. A expectativa coloca a equipe da londrina Quest, comandada pelo lorde Stevens de Kirkwhelpington, ex-comissário chefe da Scoland Yard e conselheiro de segurança de Gordon Brown, em patamar bem  inferior aos enigmas decifrados com sucesso. Sir John Stevens investigou a morte da princesa Diana e casos de corrupção no futeblo britânico.

A Formula 1 é um pouco mais complexa do que os desfiles carnavalescos, embora admita-se que recursos para apresenta-la tal qual, possa despertar  sonolentos aos domingos. Mas para persuadir quem raciocina,  pensa, é necessário mais de substância. Os investigadores da Quest vão analisar, por exemplo, a telemetria do carro de Nelsinho. Ela revela tanto ou mais, pela associação com as imagens do acidente, que uma caixa-preta de avião acidentado.

Sabe-se que Alonso largou com combustível suficiente  para completar apenas 12 voltas. Sem a entrada do safety car, era praticamente impossível, terminar a corrida como vencedor. Qual era o contexto? A equipe Renault e Alonso não tinham ganho nenhuma prova desde o inicio da temporada. O presidente da Renault, Carlos Ghosn, ameaçava interromper a participação da empresa na Fórmula 1, devido ao alto custo sem resultado compensatório.

A vitória da Renault em um GP na Ásia, mercado automobilístico onde a empresa francesa disputa seu futuro, tinha uma simbologia muito além do mundo esportivo. É inegável, a Renault Formula One desembarcou em Cingapura com a pressão do mote pó de arroz: “Vencer ou vencer”. Depois da corrida, Felipe Massa,  líder da prova até a entrada do safety car,  foi se dar com Briatore. Ele teria feito saber ao italiano que o acidente do compatriota Nelsinho foi fraude. Este tipo de inteligência não escapa da Quest.

O que doutos em Formula 1 no Brasil não atentaram, ou propositalmente colocaram no terreno do indizível, é que a investigação encomendada pela FIA tem implicações muito mais sérias. A maior competição mundial sob quatro rodas tornou-se um cassino, onde uma enorme quantidade de apostadores investem uma dinheirama. Os resultados manipulados são passíveis de ações na justiça comum que podem desaguar em condenações criminais.

Atualização: A FIA convocou a Renault para depor em conselho extraordinário em Paris dia 21 de setembro. Os diretores da Renault responder sobre a acusação de “conspirar com o piloto Nelson Angelo Piquet para causar deliberadamente um acidente no GP Cingapura 2008 com objetivo de provocar a entrada do safety car beneficiando a seu piloto Fernando Alonso.” A Renault emitiu nota dizendo que não se manifestará até o data do encontro.

Por Antonio Ribeiro

31/08/2009

às 8:32 \ Fórmula 1

O risco de perder também a moral

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Parece prova de Fórmula 1 sob chuva torrencial. Primeiro, a pouca visibilidade do comunicado da Federação Internacional de Automobilismo. A FIA confirma que “está em curso uma investigação sobre eventuais fatos ocorridos no passado.” Contudo, muitos sabem do perigo à frente. Trata-se da acusação de que na 14º volta do GP de Cingapura 2008, o piloto Nelson Angelo Piquet jogou, deliberadamente, sua Renault contra a mureta de proteção. A manobra bizarra teria sido ordenada por Flavio Briatore, chefe da escuderia franco-inglesa .

O acidente forçou a entrada do carro de segurança na pista, contribuição decisiva para a vitória do asturiano bicampeão do mundo Fernando Alonso, e na época, companheiro de equipe de Nelsinho. Em efeito, a ousada estratégia da Renault com prematura parada nos boxes exigia, ao menos, uma intervenção do safety car para alinhar Alonso com o tempo dos concorrentes. A vitória foi a primeira da escuderia e de Alonso na temporada. Depois da prova, o piloto louvou a entrada do safety car como grande fator de sorte: “Incrível, ainda não acredito que ganhamos a corrida.”

A investigação de uma empresa independente encomendada pela FIA, ainda sob o comando do admirador do nazismo Max Mosley, sucede a lorota contata pelo piloto inglês Lewis Hamilton e um diretor da escuderia McLaren-Mercedes aos comissários no Grande Prêmio da Australia, em março deste ano.

O felliniano Flavio Briatore, “capo mafioso italiano” em línguas mais ferinas e a quem Nelsinho chamou de “meu carrasco” encaixa sem sobras nem apertos nas acusações. Mas o mundo da Fórmula 1 é igual ao outro que gira a volta do Sol.  A população não está dividia entre bonzinhos e malvados. Quem cumpre ordem demente não limpa sua barra, suja ainda mais. Quer dizer que, se Nelsinho não tivesse sido demitido da Renault no dia 4 de agosto de 2009, um ano depois a revelação da eventual armação ainda estaria coberta sob manto do segredo? O piloto brasileiro cujo contrato previa a obrigação de  obter, no mínimo, 20% dos resultados de Alonso, não evitou a guerra e pode ficar também com a vergonha — a previsão de Sir Wiston Churchill.

Se não bastar o exemplo de casa – o pai Nelson Piquet Souto Maior além dos três títulos mundiais, deixou marca indelével de sua personalidade  — Nelsinho pode aproveitar a folga do desemprego para ver um filmaço de Stanley Kubrick, estrelado pelo ator americano Kirk Douglas. Glória feita de Sangue conta a história do general francês George Broulard na Primeira Guerra que ordenou ataque suicida cujo resultado foi a tragédia.

Desde que Rubens Barrichello sentou no cockpit de uma Ferrari paira acusação inédita na história dos pilotos brasileiros de Fórmula 1, a que eles concorrem para vitória dos outros. A recompensa  do favor seria a permanência nas grandes equipes. O desempenho de Felipe Massa provou que ele corre para vencer. Barrichello, ainda que não perca oportunidade para perder boa oportunidade, vem lutando para ganhar o campeonato com sua Brawn-Mercedes. Justiça seja feita, o ex-escudeiro de Michael Schumacher nunca jogou o carro na mureta para ajudar o piloto alemão subir ao pódio.

Por Antonio Ribeiro

11/08/2009

às 11:21 \ Fórmula 1

Shumacher joga a toalha

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A recuperação de Felipe Massa, depois do trágico acidente a 275 km/h, nos treinos para o Grande Prêmio da Hungria, foi entoada como “fantástica”. Vida real: o retorno do piloto à F1 sem data marcada, não é para breve. A volta de Michael Shumacher, “a mais espetacular da história do automobilismo”, tampouco. O  alemão de 40 anos, sete vezes campeão do mundo, desistiu de substituir seu ex-colega da Ferrari.

Qual a razão? O acidente de Shumacher com a moto Honda em 11 fevereiro, no circuito de Cartagena, Espanha — embora com fraturas em 2 vértebras, foi do ponto de vista cerebral e ocular, menos grave que a concussão e lesão no nervo ótico sofrida por Massa. Durante duas semanas de preparação para o Grande Prêmio da Europa nas ruas de Valença, previsto para dia 23 de agosto, Shumide perdeu 6 quilos. Os seus batimentos cardíacos eram os mesmos 145 pulsações por minuto de 2006.  Mas o piloto alemão não conseguiu tolerar a dor no seu “pescoço de touro”, sequela do tombo.

Ontem, um exame médico revelou os músculos responsáveis pela sustentação e movimentos da cabeça do piloto  ainda incapazes de contrapor a força-g, a vibração e ressonância no corpo humano gerada pelos novos carros F1. A título de exemplo: a força-g em um carro de Formula 1  multiplica  em até  5 vezes o peso do capacete, ou seja, 24 quilos.

A desistência de Shumacher rememora a fragilidade inerente ao corpo humano, a natureza de sua regeneração. Sobretudo, as condições físicas e mentais necessárias para entrar em cockpit de uma Ferrari que roda, muitas vezes, perto dos 300 km/h. A exigência imposta para controlar um bólido de Formula 1 equivale -  as vezes mais - às aptidões dos pilotos de aviões caça. Encarar acidente de ferrarista como entorse no tornozelo de uma estrela de futebol pode consolar, momentaneamente, o ânimo da torcida. Contudo, a prática de criar falsas expectativas deságua na decepção.

Devido ao anúncio da volta de Schumacher, aposentado de vida tranquila na Suíça e conselheiro da Ferrari, os organizadores espanhóis do Grande Prêmio da Europa venderam 10.000 entradas extras. Agora, os fãs de automobilismo terão que se contentar com o desempenho do italiano Luca Badoer, de 38 anos, piloto de teste da Ferrari, indicado para substituir Massa.  O primeiro  piloto italiano da Ferrari  desde 1992,  Badoe não disputa um GP há quase uma década, sua melhor colocação foi um sétimo lugar no Grande Prêmio de San Marino, em 1993.

É uma pena para a Formula 1. A audiência das transmissões das provas pela TV perderam um dos melhores fermentos. No entanto, traz lição oportuna para um certo jornalismo esportivo pouco habituado a reflexão, desenvolto em promover espetáculos circenses.

Por Antonio Ribeiro

29/07/2009

às 14:17 \ Fórmula 1

Ferrari confirma o convite a Shumacher

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“A Scuderia Ferrari Marlboro pretende confiar a Michael Shumacher o carro de Felipe Massa até que o piloto brasileiro esteja apto a pilotar novamente”,  diz o comunicado divulgado hoje, pela equipe do Cavalo Rampante

O piloto alemão, de 40 anos, o único heptacampeão mundial de F1, aceitou o convite. “Estou pronto”, disse o Brarão Vermelho. Nos próximos dias, ele começará um programa treinamentos e a preparação física. A volta, no carro número 3 da Ferrari, está prevista para o Grande Prêmio da Europa, no dia 23 de agosto, nas ruas de Valência, Espanha. Shumacher, atualmente consultor da Ferrari, não pilota um carro de F1 desde o GP do Brasil, em outubro de 2006. Em fevereiro deste ano, ele sofreu um acidente testando uma motocicleta de corrida no qual feriu o ombro e as costas.

Nos 16 anos de F1, o piloto alemão participou de 246 GPs, venceu 90, entre os quais, 71 dentro do cockpit de uma Ferrari. “Encontrei nesta tarde com Stefano Domenicali e Luca di Montezemolo e, juntos, decidimos que eu me prepararei para assumir a vaga de Felipe. É verdade que o capítulo Fórmula 1 já estava completamente encerrado para mim depois de muito tempo, mas por razões de lealdade à equipe, não posso ignorar a situação infeliz. Como piloto estou muito ansioso para encarar o desafio”, anunciou Shumacher (na foto com Jean Todt).

Por Antonio Ribeiro

29/07/2009

às 9:48 \ Fórmula 1

Ecclestone pondera sobre a “recuperação fantástica”


O “Barão do Paddock”, Bernie Ecclestone, todo-poderoso presidente da Formula One Management (FOM) e da Formula One Administration (FOA), dono dos direitos de transmissão da competição, disse ao jornal londrino Times, o seguinte sobre a volta de Massa às pistas: “É difícil dizer se ele vai ou não estar em condições de competir este ano. No ano que vem, não sei, mas este ano, duvido.” Leia os posts abaixo.

Por Antonio Ribeiro

29/07/2009

às 7:32 \ Fórmula 1

Uma voz sensata

Perguntado se acreditava na volta de Felipe Massa às pistas, Jean Todt (na foto com Michael Schumacher), ex-chefe de equipe da Ferrari e candidato potencial para substituir Max Mosley na presidência da FIA, usou o tradicional pragmatismo e bom-senso: “O importante é que ele retorne a vida normal.” Definitivamente, o francês não passa o carro na frente dos bois. Nem tem apego para seguir a manada.

Por Antonio Ribeiro

28/07/2009

às 15:48 \ Fórmula 1

O porta-voz


Ferrari proibiu os médicos húngaros de falarem sobre o estado de saúde de Felipe Massa. A medida é para evitar problemas de “comunicação”., dizem os italianos. Um médico do Hospital Militar de Budapeste para revelar que Massa sofreu inflamação biliar devido ao impacto no gard rail, a proteção de pneus, teve que o fazer na condição de anônimo.  brasileiro Dino Altmann, amigo da família Massa e diretor médico do GP Brasil, foi alçado a condição de porta-voz. Ninguém está autorizado a cantar fora do coro. “Tudo muito bem, tudo muito bom, mas realmente…”

Por Antonio Ribeiro

28/07/2009

às 12:08 \ Fórmula 1

Massa se recupera. A cobertura jornalística ainda não.


Enquanto a maioria da imprensa internacional vem noticiando com cautela a recuperação do piloto Felipe Massa, depois do grave acidente no treino classificatório para Grande Prêmio da Hungria, nota-se, uma vez mais, o comportamento travestido de jornalismo pouco condizente com a prática da informação objetiva de parte da imprensa esportiva brasileira. A notícia condicionada à emoção, à tentativa de agradar a família do piloto e provocar comoção nacional é o atalho mais curto para o engano.

Massa se recupera sim, mas a sua volta às pistas, na atual temporada, é muito pouco provável. O afastamento definitivo da Formula 1 não está descartado. O neurocirurgião húngaro Dr. Robert Veres que participou da intervenção cirúrgica afirma que o nervo ótico do piloto foi atingido. Ainda é cedo para aferir a extensão do dano. Os médicos cogitam uma nova cirurgia, desta vez, na região ocular.

O Dr. Dino Altmann, amigo da família Massa e diretor médico do GP Brasil que chegou a Budapeste depois da cirurgia, pode divergir da avaliação de um membro da equipe médica do Hospital AEK, onde Massa está internado, mas não levá-la em conta foge dos parâmetros da medicina. Carburar falsas esperanças neste momento é tão irresponsável quanto avançar vaticínios premeditados.

A recuperação de Massa depende, sobretudo, de cuidados médicos. O incentivo para que os fãs do piloto rezem, organizem novenas, terços e procissões é mais adequado quando parte da família, amigos e vá lá, de religiosos. Na boca de jornalistas, a prática extrapola de forma ridícula a missão primeira do ofício: informar com objetividade. Seriedade nunca é demais no relato dos momentos trágicos.

Para que se entenda o teor das reportagens sobre Felipe Massa em Budapeste, faz-se necessário buscar as fontes da pouca informação que emerge. Esperar que a família, a Ferrari e o Dr. Altmann forneçam outra coisa que boas novas sobre Massa — e não se está dizendo aqui que elas não existam — denota desprezo pela inteligência dos telespectadores, leitores e ouvintes. Condenar a equipe médica húngara pela independência das avaliações não trará Massa de volta ao cockpit do seu bólido rosso do Cavalo Rampante.

É evidente que todos torcem pela volta de Massa à F1. A ausência do brasileiro significa muito mais do que a perda precipitada de um talentoso piloto de futuro promissor. Felipe tornou-se um dos mais admiráveis, simpáticos e queridos entre seus rivais. A lisura do seu carater em um ambiente nem sempre conhecido por gerar virtudes, estabeleceu padrão. Poucos pilotos como Massa administraram os momentos difíceis com tanta sabedoria. Foi o caso do fim da temporada de 2008. Um exemplo indelével para o seu primogênito que chega daqui a 4 meses.

Por Antonio Ribeiro

 

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