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Arquivo da categoria ‘Europa’

Berlusconi é agredido após comício na Itália

domingo, 13 de dezembro de 2009 | 17:21

Il Cavaliere, Il Duce e o agressor

Il Cavaliere, Il Duce e o agressor

Silvio Berlusconi foi ferido depois de um comício em Milão, a segunda maior cidade da Itália. Massimo Tartaglia, de 42 anos, lançou no rosto do primeiro-ministro uma estatueta de alabastro, réplica do Duomo, a catedral milanesa. O político italiano, de 73 anos, caiu no chão após o golpe. Os seguranças o levantaram e o colocaram dentro do carro oficial. Sangrando, o nariz e dois dentes quebrados, corte profundo no lábio superior, Berlusconi foi levado para o hospital milanês San Raffaele. Por precaução médica, ficará 48 horas internado sob observação. O autor da agressão, um tipógrafogo sem antecedentes criminais e filiação partidária que, segundo um primo, está em tratamento psiquiátrico há dez anos, foi preso. (Atualização: o tratamento teria terminado em 2003)

No encontro com simpatizantes do partido Povo da Liberdade (PDL), na  praça central da capital lombarda, Berlusconi discursou, enquanto uma dezena de manifestantes, em coro, gritavam “bufon” (palhaço) e “renúncia”. Berlusconi retrucou três vezes  do alto do palanque: “Vocês deveriam ter vergonha.” A agressão aconteceu no final da reunião,  por volta das 18h30, na Itália, quando Berlusconi, caminhando na direção do seu carro, parou para cumprimentar simpazantes e assinar autógrafos.

No dia 5 de dezembro, 350.000 italianos desfilaram nas ruas de Roma pedindo a renúncia do Cavaliere, o homem mais rico da Itália, acusado de envolvimento com a Máfia, em casos de corrupção, fraudar o fisco e de organizar orgias em sua casa de campo — a mulher, Veronica Lario, entrou com pedido de divórcio. Não é a primeira vez que Berlusconi é agredido fisicamente. Em 2004, Roberto Dal Bosco, um turista lombardo, lançou o tripé de sua máquina fotográfica na cabeça do primeiro-ministro em campanha política na capital italiana. Na época, Berlusconi ficou com um hematoma na orelha direita.

Emilio Fede, diretor do hospital milanês San Raffaele, contou a imprensa italiana que Berlusconi se considera abençoado por um milagre. “Se tivesse sido atingido um centímetro acima teria perdido o olho”, disse ele. Segundo a imprensa italiana, o primeiro-ministro manifestou um sentimentro “amargura” pelo incidente, mas não abandou o espírito aguerrido: “Eles não irão me parar.”

A agressão a Berlusconi lembra o atentado contra o ditador fascista italiano Benito Mussolini. No dia 7 de abril de 1926, na Praça do Campidoglio, em Roma, a irlandesa Violet Gibson, de 50 anos, na época, disparou três vezes na direção do Duce após seu discurso no Sétimo Congresso de Cirurgia quanto pronunciou a famosa frase: “Se eu ficar, sigam-me; se recuar matem-me; se eu morrer, façam vingança.” Um tiro de pistola atingiu a extremidade do nariz de Mussolini. Gibson, irmã do Barão de Ashbourne, chanceler da Irlanda, foi expulsa da Itália. Ela passou o resto de seus dias em um sanatório na Inglaterra. Morreu em 1956.

Veja abaixo o vídeo do momento exato da agressão. Imagens da AP:

Por Antonio Ribeiro

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O legado de Jean Charles de Menezes

terça-feira, 24 de novembro de 2009 | 13:08

jeancharles

Em 2005, o eletricista mineiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, seguido a uma brutal sequência de erros da Scotland Yard foi confundido com um terrorista e executado com 11 tiros a queima roupa, na estação Stockwell do metrô de Londres. Durante quatro anos em quatro processos judiciais, ninguém foi condenado pelo assassinato. Ontem, a polícia metropolitana londrina disse ter chegado a um acordo para indenizar a família Menezes - o pai e a mãe de Jean Charles são modestos agricultores na região rural de Gonzaga, Minas Gerais. O jornal  Daily Mail fala em 100.000 libras esterlinas (285.000 reais), quantia três vezes menor que o pleito dos advogados da defesa.  (A título de referência: Um tribunal londrino julgou esta semana que o tabloide The News of the World deve pagar 800.000 libras para o reporter Matt Driscoll que alegou ter sido destratado pelo seu chefe Andy Coulson). O acordo, segundo a polícia, coloca ponto final na disputa judicial. A trágica morte de Jean Charles de Menezes fez o governo inglês refletir sobre a concessão à polícia do direito de matar. Na época, VEJA fez uma reportagem sobre a questão. Leia abaixo:

VEJA - Edição 1920 - 31 de agosto de 2005

Inglaterra

Um crime na consciência

A execução do brasileiro confundido  com terrorista em Londres leva os ingleses a refletir sobre a concessão à polícia do direito de matar

Antonio Ribeiro, de Paris

A sociedade inglesa enfrentou o terrorismo com resignação, resistência e o sentimento de que não deveria permitir que os ataques atrapalhassem o seu dia-a-dia. A reação diante da morte de Jean Charles de Menezes é de outra ordem. Respirou aliviada um primeiro momento, quando foi levada a pensar que a polícia tinha conseguido eliminar um terrorista prestes a detonar sua bomba numa das principais estações de metrô de Londres. A intensidade do choque causado pelo reconhecimento posterior de que a Scotland Yard tentou encobrir a morte de um inocente suplanta, de certa forma, a indignação provocada pelos atentados de 7 de julho. À medida que se tomou conhecimento das falsificações de dados, das meias verdades e do desaparecimento das fitas de segurança, a opinião pública começou a perceber que esse tipo de atitude por parte da polícia é mais prejudicial ao seu estilo de vida que o terrorismo propriamente dito. Os ingleses concebem a existência do terror como fenômeno nefasto a ser extirpado, mas não estão dispostos a conviver com uma polícia que desperta desconfiança.

A Scotland Yard é uma corporação lendária pela eficácia decorrente da inteligência e do uso de força moderada. Seus policiais tradicionalmente atuam desarmados. O que há de diferente no momento é o aumento na quantidade de policiais armados nas ruas londrinas e a autorização que muitos deles recebem para atirar na cabeça de alguém suspeito de estar na iminência de cometer ação terrorista e, em certas situações, disparar sem aviso. Essa estratégia, conhecida como Operação Kratos, é uma resposta forte ao terrorismo suicida, até há pouco inédito na Europa. Diante da urgência, e até que coisa melhor seja encontrada, trata-se de uma medida excepcional para tempos sombrios, segundo seus defensores. Representa um solavanco na órbita de uma democracia que enfrentou o terrorismo do IRA durante 36 anos sem abandonar os valores que sempre foram o candeeiro da resistência britânica, a consciência de que é necessário fiscalizar de perto o poder do estado.

Nesse aspecto, a morte de Menezes foi uma lição trágica que levou a sociedade inglesa a refletir sobre as armas de que dispõe na luta contra o terrorismo - e o custo de usá-las. Está ficando óbvio para a maioria que entregar poderes excepcionais à polícia abre a possibilidade de ocorrerem aberrações irremediáveis. A primeira versão posta a circular pela Scotland Yard foi a de que Menezes deu motivos para a polícia abrir fogo. Mais tarde se descobriu tratar-se de lorota vergonhosa. Num processo similar ao que atinge o governo do PT, a situação da Scotland Yard fica pior a cada nova revelação. “A tentativa da Scotland Yard de encobrir os erros no caso Jean abalou mais sua credibilidade do que as falhas propriamente ditas”, disse a VEJA o especialista inglês Charles Shoebridge, ex-policial da força antiterrorismo da Scotland Yard. 

O delicado caso Jean Charles de Menezes será um teste capital para a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), responsável pelo inquérito. O organismo foi criado no ano passado pelo governo do primeiro-ministro Tony Blair depois que a Suprema Corte britânica concluiu ser injusta a tradição da polícia de investigar a si própria. Os oitenta agentes da IPCC, entre os quais muitos são descendentes de imigrantes, não podem ter parentes entre os membros da força policial. O efetivo multicultural foi concebido para evitar a inibição e a desconfiança das comunidades minoritárias, que, de acordo com as estatísticas, são as maiores vítimas de abusos policiais. O presidente da IPCC não é juiz, advogado ou servidor público, mas Nick Hardwick, até então diretor executivo do Conselho para Refugiados, ONG de defesa dos direitos humanos de minorias.

Noventa minutos depois da execução em Stockwell, o comissário-chefe da Scotland Yard, sir Ian Blair (nenhum parentesco com o primeiro-ministro), pediu ao Ministério do Interior que impedisse a IPCC de investigar o caso, para não atrapalhar na luta antiterrorista. A proposta foi rejeitada, mas a comissão independente só conseguiu chegar perto dos primeiros indícios quase uma semana depois da morte. Na queda-de-braço entre a polícia e a IPCC, valem até golpes por baixo da mesa. A polícia informou aos investigadores que algumas câmeras do circuito fechado da estação de metrô Stockwell não registram os últimos momentos de Menezes. A empresa responsável pela manutenção das câmeras não detectou nenhuma anomalia no funcionamento do sistema no dia da morte de Menezes. Os documentos e relatos que revelaram a mentira da polícia sobre o caso, vazados à imprensa, saíram dos computadores da IPCC.

O governo brasileiro enviou uma missão diplomática para acompanhar as investigações. Os emissários do Brasil descobriram que a polícia inglesa, enquanto mentia para o público, contou toda a verdade à família da vítima. “Os policiais pediram aos parentes de Jean que não divulgassem essa informação para não atrapalhar o combate interno ao terrorismo”, diz Márcio Garcia, do Ministério da Justiça, um dos três enviados brasileiros. A comissão independente manifestou a intenção de concluir o inquérito até o fim do ano. Ele pode desaguar em processos criminais contra membros da Yard. Quando isso ocorreu no passado, policiais abandonaram o serviço em solidariedade aos colegas condenados. Na atual luta contra o terror, esse efeito seria desastroso para a corporação, cujo efetivo, considerado insuficiente para o desafio da missão, tem trabalhado sob alta tensão num ritmo infernal. Seria pior, contudo, abafar o caso e deixar que a ação da polícia escape do controle da sociedade, como ocorre nas repúblicas bananeiras.

A notoriedade que a morte de Jean Charles ganhou na Inglaterra tem sido usada também para proveito político. Asad Rehman, assessor do parlamentar George Galloway - acusado pelo Senado americano de trabalhar pela ditadura de Saddam Hussein -, proclamou-se “porta-voz” da família Menezes em Londres. Galloway tem capitaneado as entrevistas coletivas dos primos de Jean. As acusações contra a polícia agora se misturam com críticas à presença das tropas britânicas no Iraque. “Infelizmente a família é ingênua. Os parentes estariam melhor nas mãos do embaixador brasileiro”, disse o deputado conservador Brian Coleman. Essa onda foi prevista muito antes de acontecer pela advogada da família, Gareth Peirce, famosa pela defesa que inocentou o grupo de irlandeses condenados injustamente como terroristas do IRA, conhecidos como Guildford Four. A descoberta do erro perpetrado pela polícia é um marco na história do sistema judicial inglês. Gareth Peirce considera as atuais investigações comprometidas. Ela clama por um processo público com ainda mais visibilidade. Não será surpresa se ela evocar sua frase célebre: “Diga terrorismo e isso justifica tudo”.

Por Antonio Ribeiro

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Martin comove a Itália

segunda-feira, 21 de setembro de 2009 | 14:29

martin

Durante funeral na basílica romana de São Paulo, o menino Martin, de 7 anos, toca gentilmente no caixão do pai, o capitão Antonio Fortunato, um dos seis soldados mortos no atentado terrorista suicida, em um mercado de Cabul, o mais mortífero sofrido pelo contingente italiano. As mortes reacenderam o debate no país sobre a presença militar italiana. Nos últimos 8 anos, a Itália enviou 2.800 soldados para conflito no Afeganistão e adicionou mais 500 durante a recente eleição presidencial.

Por Antonio Ribeiro

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Férias em Tuva, na Sibéria

quarta-feira, 12 de agosto de 2009 | 12:42

feriasputin11

Completou uma década. Em agosto de 1999, o presidente Boris Yeltin, alcoólatra e doente, nomeou o quinto primeiro-ministro do seu governo em frangalhos cujo maior legado foi disseminar ainda mais a corrupção na Rússia. A escolha foi um desconhecido chefe de segurança e obscuro ex-agente do serviço secreto soviético, o KGB. Na época, a aposta mais segura era que Vladimir Putin, de 56 anos, não ficaria no poder mais de dois meses.

No ano seguinte, o faixa preta de judô, nascido em Leningrado, agora São Petersburgo, foi eleito presidente. Ele continua até hoje no comando do governo. Depois de dois mandatos presidenciais de quatro anos, Putin dirige do banco traseiro, como primeiro-ministro, o país do seu protegido político, o atual  presidente Dimitri Medvedev.

Putin beneficia de popularidade celestial entre seus compatriotas, 74% da população aprova suas medidas. A ele é creditado a estabilidade política da Rússia. Embora ela esteja bem abaixo do padrão que rege as democracias ocidentais, desde o fim da era soviética, o país não seguia rota livre de solavancos.

O desempenho nacionalista do judoca de quimono cavado, seja aumentando o preço do gás fornecido aos europeus ou enfrentando com brutal repressão militar os separatistas chechenos, trouxe ao russo mediano a impressão de resgate do respeito internacional - e o temor - perdido com o fim da URSS. Diga-se de passagem, o país sob regime comunista enviava cosmonautas ao espaço, produzia ogivas nucleares, mas nem a calefação do Kremlin funcionava nos conformes - esqueceram de inventar o termostato.

As reformas de Putin promoveram crescimento econômico. O salário médio passou de 80 para 640 dólares. Metade do contingente russo abaixo do nível de pobreza tomou o elevador para o andar de cima. Putin acariciou também o setor produtivo. Ganhe o tanto que for capaz na Rússia, seu imposto de renda será de 13%. Ponto. Nenhum centavo a mais.

Isso é Putin, o menino batizado Vladimir devido a falsa admiração paterna por Lênin. Foi na verdade, algo típico daqueles tempos.  As famílias  viravam-se como podiam. Um dos recurso era criar aditivo para ajudar a promoção social do filho dando-lhe  nome de ícone. O nazismo não fez tantos Adolfo quanto o comunismo entediou os tabeliões com o Vladimir.

Nem tão escancarado como Chavez nem tão tímido quando o desejo indizível de Lula. Mas com mais sucesso do que Manuel Zelaya, o “bom tsar” Putin usou a máxima da arte marcial japonesa contra a democracia. Serviu-se da força adversa para provocar o tombo no tatami institucional. No ano passado, sua desavergonhada  maioria parlamentar criou um abracadabra na constituição russa que permite o retorno de Putin à presidência em 2012.

“A cada crise, Putin respondeu com a consolidação do poder”, diz Masha Lipman, editor do Pro e Contra, publicação do Carnegie Center em Moscou. Putin colocou quase tantos agentes do KGB na administração russa quanto petistas na máquina governamental brasileira. Prendeu os homens mais ricos da Rússia. Foi o caso do empresário do setor petrolífero, Mikahail Konddorkovsky, sob acusação de evasão e fraude o fiscal. Trata-se de um tapume contra a critica freqüente de que o interesse do serviço de inteligência oficial converge com a iniciativa privada.

Faz parte do plano da volta ao poder pleno, qualquer artifício ao alcance da mão. Entre eles, está um que os brasileiros conhecem melhor através de Fernando Collor. A imagem do homem viril. Putin não dispensa o papel nem durante às férias. Aliás, é neste período de calmaria que o primeiro-ministo faz com premeditada aplicação.

Por Antonio Ribeiro

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Aerofobia

quarta-feira, 1 de julho de 2009 | 9:47

O título deste post está na moda. Aerofobia, termo médico de origem grega, é o pânico morbido de estar ao ar livre ou exposto a correntes de ar. Ele quer dizer também, mais especificamente, medo de voar de avião. Pouco menos da metade dos brasileiros admite sofrer desta ansiedade, muitas vezes associada com a claustrofobia (medo de permanecer espaços fechados) e com a acrofobia (medo irracional e irreprimível das alturas).

Uma pesquisa recente revela que apenas 6% das pessoas sentem-se, totalmente, seguros dentro de um avião. No entanto, trata-se do transporte mais confiável com 0,002 mortes por 100 milhões de passageiros vezes quilometros percorridos. Segundo as estatísticas, um motoqueiro, por exemplo,  tem chance 700 vezes maior de morrer que um passageiro de avião.

O avião em si não atemoriza as pessoas mas a idéia de que fazem dele. A desconfiança e o mistério ajudam a propagar a fobia. Neste particular, os fabricantes de aeronaves, as companhias aéreas e autoridades da aviação tem imensa responsabilidade. O mundo não está livre de acidentes aéreos, mas convivera melhor com uma aviação civil mais transparente. Por razões comerciais e corporativas, quase nunca em favor dos passageiros, o universo aeronáutico ainda é um circulo fechadíssimo. Bem mais do que os transportes ferroviários, marítimos ou automotores.

“Sete em cada dez acidentes, a causa é humana”, diz Ronan Hubert, perito em acidentes aéreos que criou em 1990, um centro de arquivos em Genebra na Suíça, onde estão registrados mais de 17.000 casos. Hubert observa que o aumento das melhorias tecnológicas nos aviões trouxe uma outra tendência, a excessiva confiança dos pilotos nos aparelhos. “A formação dos pilotos é uniforme no mundo todo, atualização de conhecimentos bem menos” , diz ele.

O jornal Le Parisien da conta na sua edição de hoje que devido a aerofobia houve um aumento de pedidos de demissões entre as comissárias de bordo da Air France. A companhia enviou comunicado a Veja.com desmentindo formalmente que 150 comissárias pediram demissão.

Por Antonio Ribeiro

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Chega de destruição

segunda-feira, 13 de abril de 2009 | 16:42

Edição 1943. 15 de fevereiro de 2006

O filósofo muçulmano diz que a ponte entre o Ocidente e o Islã é possível e desejável

Antonio Ribeiro, de Londres

Se o Islã fosse um califado, o terrorista Osama bin Laden teria hoje o turbante mais alto. Mas, se dependesse da pureza da linhagem, o acadêmico suíço Tariq Ramadan poderia, perfeitamente, reivindicar o comando. Ele é neto do egípcio Hassan al-Banna, fundador da Irmandade Muçulmana, o primeiro movimento de renascimento islâmico, fonte inspiradora do terror em nome de Alá. Seu pai, Said, um dos fundadores da Liga Mundial Islâmica, foi expulso do Egito e se refugiou na Suíça. As armas de Ramadan são as idéias. Ele é autor de vinte livros que projetam sua visão reformista de um mundo muçulmano integrado aos valores liberais do Ocidente. Professor de filosofia européia e estudos islâmicos no Saint Antony’s College, em Oxford, na Inglaterra, ele transformou-se em guru dos jovens muçulmanos europeus. Ramadan está proibido de pisar numa meia dúzia de países árabes e também nos Estados Unidos. Na semana passada, enquanto multidões saíam às ruas em vários países em protesto contra a publicação das caricaturas de Maomé, Ramadan, 43 anos, entrou num café em Ealing Broadway, em Londres. Pediu um cappuccino e conversou com VEJA.

Veja – O mundo seria melhor se os conflitos entre povos e nações fossem resolvidos por meio de guerras de caricaturas?
Ramadan – Caricaturas e humor dependem da realidade de cada um. Certas coisas são universalmente engraçadas, outras não. Devemos ter cuidado com aquilo em que achamos graça. Num universo de tantas referências, algumas pessoas podem não achar graça nenhuma em determinado assunto. Os muçulmanos não estão habituados a fazer piada com religião. Por outro lado, os países ocidentais estão acostumados com isso há pelo menos três séculos. Um mundo melhor seria aquele em que todos nós, sendo razoáveis, escutássemos uns aos outros, e não se tentasse impor aos outros o nosso senso de humor.

Veja – As charges de Maomé deveriam ser publicadas?
Ramadan – Do ponto de vista legal, sim. No contexto de nossas sociedades cada dia mais pluralistas, com diferentes sensibilidades, eu diria que não é sábio publicá-las. Liberdade de expressão exige responsabilidade. É preciso ser razoável. Diga o que você tem a dizer, sem ofender as pessoas. Na Europa, os jornais não ferem a sensibilidade dos judeus. Por quê?

Veja – Como determinar o que é sábio publicar?
Ramadan – Existem a letra fria da lei e o cotidiano das pessoas. São coisas distintas. A discussão começou na Dinamarca, entre jornalistas. Alguns achavam que as caricaturas deveriam ser publicadas, outros que era pura provocação. Quando a provocação vai gerar reações exageradas? Se alguém disser que esses parâmetros são subjetivos, que tudo deve ser baseado na lei, estará certo. Mas a vida é assim?

Veja O que o senhor quer dizer com isso?
Ramadan – A vida nunca é uma questão de escolher entre o sim e o não. Isso é uma visão binária do mundo, da qual discordo. Porque sou livre, faço o que quero. Então faça, e você terá o confronto. Do lado dos muçulmanos, porque é proibido, não faça. Essa atitude preta ou branca é perigosa. Não conduz as pessoas ao diálogo, mas à disputa por poder. Essas questões são uma projeção da vida, merecem respostas com nuances.

Veja – As referências não devem ser claras?
Ramadan – Convivemos com pessoas que não dividem os mesmos valores e sensibilidades. O que devemos fazer? Eu ou você? Eu contra você? O que precisamos é de conhecimento mútuo. Se eu não sou igual a você, nós precisamos nos conhecer. Uma sociedade democrática nunca irá reduzir o convívio das pessoas apenas ao aspecto legal. A Europa tem valores intocáveis. Quem for viver aqui deverá respeitá-los ou estará ferindo a consciência européia. Costuma-se fazer piada na Europa e nos Estados Unidos com o sofrimento judeu? Não. E concordo plenamente que não se deve fazê-lo, mesmo que seja legalmente permitido. A precaução intelectual quando se abordam questões sensíveis é o ponto de partida do humanismo.

Veja Quais são os limites a ser respeitados quando se fala em liberdade de expressão?
Ramadan – É preciso respeitar a sensibilidade coletiva. O problema é que muitos europeus notaram que o continente onde vivem mudou, tornou-se ainda mais diverso do que já era. Não é mais possível encarar o Islã como algo estrangeiro. Veja o meu caso. Como muitos filhos de imigrantes, sou europeu e muçulmano. Portanto, a liberdade de expressão deve respeitar também a sensibilidade muçulmana. Ao mesmo tempo, digo aos muçulmanos, tomem uma atitude crítica e intelectual diante da realidade, não reajam apenas emocionalmente. Eles devem levar em conta que os europeus viveram de acordo com essas regras durante séculos.

VejaMuitos europeus temem que os muçulmanos não estejam atrás de respeito, mas de submissão?
Ramadan – Por que submissão? Quem pensa assim não tem confiança em si próprio. É medroso, sua atitude não emana do orgulho, mas do medo. “Esses caras estão colocando minha identidade e valores em risco.” Eu falo em convivência, em viver juntos. Estou interessado em construir pontes entre as pessoas, para criar um futuro comum.

Veja A reação muçulmana às caricaturas foi exagerada?
Ramadan – Não foi apenas exagerada, mas insana. Acho errado ameaçar governos e a imprensa, promover boicotes econômicos, queimar embaixadas e bandeiras. Não é isso que devemos fazer. Muito menos essa competição de ofensas contra os judeus lançada pelos jornais iranianos.

Veja Por que não se viu no mundo islâmico a mesma indignação depois dos ataques terroristas em Nova York, Madri e Londres?
Ramadan – Porque no início houve aquela atitude paranóica de achar que se tratava de uma conspiração internacional e de que “não temos nada com isso”. Grande parte da elite muçulmana condenou os ataques, mas no nível popular não houve comoção. Desta vez, a questão toca mais de perto a sensibilidade popular que está, claramente, sendo instrumentalizada. Estive em Copenhague em outubro e ainda não havia ameaças. Mais tarde, alguns muçulmanos dinamarqueses visitaram países árabes e passaram a mensagem alarmista. Ou seja, houve uma múltipla instrumentalização por parte de governantes que se diziam defensores de valores islâmicos e de ditadores árabes que apontavam os países ocidentais como responsáveis por todas as frustrações de seus povos. Na Europa, a extrema direita também aproveitou para dizer que os muçulmanos não têm condições de integrar a sociedade ocidental.

VejaPor que não há ninguém do lado israelense e da comunidade judaica tocando fogo em embaixadas?
Ramadan – Porque os judeus entenderam que isso é pura provocação. E também os israelenses não vivem, como 80% dos árabes, na miséria e ignorância. Eles não têm as mesmas frustrações, tampouco o sentimento paranóico de estar sendo ameaçados, continuamente, pelos países ocidentais. E, dizend
o isso, vou ser proibido de entrar em outros países, além da Síria, Arábia Saudita, Egito, Tunísia…

VejaEm que sentido a pobreza influenciou a reação violenta à publicação das caricaturas?
Ramadan – Miséria e ignorância propiciam reações populares puramente emocionais. É mais fácil para os governos locais, sob pressão para abrir sua sociedade e adotar a democracia, direcionar essa fúria para longe deles e na direção do Ocidente. É por isso que os incidentes mais graves ocorreram nas nações muçulmanas que estão em confronto aberto com os países ocidentais. Líderes fundamentalistas também se utilizam com freqüência desse discurso do estilo “nós contra eles”. Eles acabaram beneficiados pelo fato de uma caricatura ter mostrado o profeta Maomé com uma bomba no turbante. Esse detalhe reforçou a idéia de que os ocidentais não gostam do Islã. O muçulmano moderado sentiu-se ofendido ao ser visto no Ocidente como um terrorista.

VejaPor que os muçulmanos europeus reagiram de forma mais comedida?
Ramadan – Os muçulmanos europeus entenderam de cara o desafio que a questão das caricaturas impunha e o perigo que ela representava. Os muçulmanos franceses tomaram a iniciativa de processar os jornais. Embora eu não concorde, é uma atitude menos emocional e, de certa forma, uma abordagem mais construtiva. Ou seja, não caíram na tentação iraniana de querer se exibir como o líder da resistência ao imperialismo ocidental. Os muçulmanos europeus devem permanecer firmes contra essa insanidade.

VejaEstamos vivendo um confronto de civilizações?
Ramadan – Não, o que estamos presenciando são confrontos dentro de cada civilização. Tanto no Ocidente como no mundo islâmico existem aqueles que defendem a necessidade de enfatizar os valores comuns das duas sociedades. Os obtusos, em oposição, acham que seus princípios são melhores e devem ser seguidos pelos outros, nem que seja na base da imposição. Minha posição é a seguinte: os moderados devem se unir e rejeitar as polarizações. Se o Ocidente e o Islã partirem para o confronto de civilizações, os dois lados sairão derrotados.

Veja – O Islã é compatível com as liberdades ocidentais?
Ramadan – Claro que sim. É compatível com o Estado de direito, com a igualdade de cidadania, com a separação das esferas pública e privada, com governos transparentes. A percepção de que o Islã é dominador, dogmático e violento, enquanto o mundo ocidental é livre, democrático e racional, representa uma visão maniqueísta, completamente sem sentido, baseada no desconhecimento da história do Islã. Tivemos nosso período das luzes e também de trevas. Há uma boa dose de influência islâmica nos valores ocidentais. Do ponto de vista cultural, considero-me ocidental e, portanto, favorável à democratização dos países islâmicos e à liberdade de expressão.

Veja – O Islã precisa de um Voltaire (nome literário de François-Marie Arouet, 1694-1778, escritor francês notável por suas idéias anticlericais e pela cruzada contra a tirania)?
Ramadan – O Islã precisa de mais estudiosos, de intelectuais com disposição autocrítica. O que temos hoje não é progresso, mas regressão. Existe um imenso abismo entre nossos ideais e nossa prática. Portanto, precisamos de reformas – e elas não podem vir de fora, ou terão efeito contrário. O mundo ocidental tem um papel importante a desempenhar, que é dar espaço a uma reforma autônoma do Islã. Mas é preciso admitir que o Islã nunca será exatamente como o Ocidente quer.

Veja – Que tipo de reformas o senhor defende para o Islã?
Ramadan – Precisamos parar com essa mania de achar que todos os nossos problemas são causados pelo Ocidente. Há anos venho pregando reformas em livros, artigos e conferências. No mundo islâmico, muita gente prefere me acusar de ser fantoche dos americanos. Fui convidado para lecionar na Universidade Notre Dame, nos Estados Unidos. Mas o governo americano negou o meu pedido de visto com base na legislação antiterror criada depois dos atentados de 2001. Ou seja, nem entrar no país eu posso. De que adiantaria eu assumir o papel de vítima, como sempre fazem os muçulmanos, achando que todos os problemas vêm de fora?

Veja – Por que o senhor pediu uma moratória na prática de apedrejamento das mulheres adúlteras no Islã, e não um banimento total?
Ramadan – Porque essa punição está escrita no Corão, que é a palavra de Alá. Não é possível simplesmente pedir para retirar esse trecho do livro santo. O mais importante é parar com a prática até que ela se torne um hábito em desuso. Depois, precisamos avançar com a idéia de que, se há texto, também há contexto. Apesar de tudo, eu disse para quem quisesse ouvir na Arábia Saudita e na Nigéria que sou contra apedrejamento, punições físicas e pena de morte. É preciso ir devagar.

Veja – O que deve ser feito para acalmar os fundamentalistas?
Ramadan – Precisamos traçar uma linha divisória. Alguns radicais pregam não só atitudes estranhas, mas também contra a verdadeira natureza do Islã. Essa prática precisa ser condenada sem hesitação. Mas não basta, é preciso que a repugnância seja comunitária.

Veja – Qual o melhor caminho para reduzir a tensão entre o Islã e o Ocidente?
Ramadan – O fato de existirem milhões de descendentes de árabes e muçulmanos vivendo no Ocidente causa um impacto tremendo no Islã. O mundo islâmico está de olho em nós. Se conseguirmos estabelecer uma boa convivência, sob uma base de confiança mútua, estaremos enviando o sinal de que é possível repetir essa experiência num patamar mais amplo, entre o Islã e o Ocidente. O maior atrito ocorre na Europa, mas é também onde há maiores possibilidades de diálogo. O desafio é tremendo. O caso das caricaturas é o sonho da extrema direita européia e também dos extremistas islâmicos, pois atrapalha o entendimento. Os muçulmanos europeus precisam estar totalmente comprometidos com a identidade européia e convictos de que esta sociedade é também a deles.

Veja – Como o senhor provocaria mais admiração no seu pai?
Ramadan – Construindo pontes entre os dois mundos aos quais pertenço, e que hoje estão surdos e se vendo como caricaturas.

Por Antonio Ribeiro

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Primeira pergunta, primeira resposta, acabou a entrevista

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009 | 11:10


Saint Paul Cathedral, Londres 1941

A Folha de São Paulo publica entrevista na edição de hoje com o sociólogo belga Marc Jacquermain.

FOLHA - A xenofobia está em alta na Europa?
MARC JACQUEMAIN - Parece-me precipitado dizer que a xenofobia está aumentando. Não há evidência estatística.

Depois da resposta, o que vem a seguir é fumaça.

Por Antonio Ribeiro

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A candura de Putin

sábado, 15 de novembro de 2008 | 9:47

No dia 12 de agosto, os tanques russos estavam a cerca de 50 quilômetros de Tibilisi. Em Moscou, para intermediar o cessar-fogo no Caucásio, ainda que Bush tenha urgido para evitar a missão, Nicolas Sarkozy disse a Vladimir Putin que o mundo não aceitaria a invasão Geórgia, antiga republica soviética. Jean-David Levitte, conselheiro diplomático de Sarkozy, conta ter havido o seguinte diálogo entre o russo e o francês sobre Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia :

Putin: Vou pendurar Saakashvili pelos culhões.

Sarkozy: Pendurá-lo?

Putin: Por quê não? Os americanos penduraram Saddam Hussein.

Sarkozy: Sim, mas você quer terminar como o Bush?

Breve silêncio.

Putin: Ah! Agora, você marcou um ponto.

Em 1999, Putin ameaçou os separatistas chechenos de “varrer-los das suas casas de merda”. Em 2002, durante uma entrevista coletiva à imprensa em Bruxelas, ainda sobre os independentistas da Chechenia, Putin disse: “Vou recomendar uma operação militar de modo que nada cresça depois.”

Os parlamentares russos aprovaram a extensão do mandato presidencial de 4 para 6 anos. A medida, votada em tempo recorde na Duma, não beneficia o atual presidente Dimitri Medvedev. Ela irá vigorar depois das proximas eleições presidenciais. Isto sugere que Vladimir Vladimirovitch Putin, de 56 anos, que poderá postular o cargo máximo, cogita permanecer mais tempo no Kremilin. Aliás, lugar de onde ele nunca abandou desde desde 1999, quando foi eleito segundo presidente da Républica russa - atualmente ele dirige o país do “banco traseiro”.

Por Antonio Ribeiro

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The Economist ganha de Silvio Berlusconi

quinta-feira, 11 de setembro de 2008 | 8:37

O Tribunal de Milão deu ganho de causa a revista britânica The Economist contra o Presidente do Conselho da Itália, Silvio Berlusconi. Em julho de 2001, The Economist fez uma reportagem de capa cujo título foi Why Berlusconi is unfit to lead Italy (Por que Silvio Berlusconi é desqualificado para liderar a Itália). Berlusconi entrou com um processo de difamação contra a revista. A sentença do juiz milanês rejeitou as acusações do homem mais rico da Itália e o condenou a pagar perdas e danos. Nada disso seria necessário se Berlusconi levasse em conta uma máxima do ditador fascista Benito Amilcare Andrea Mussolini (1883-1945), com quem o Presidente do Conselho é frequentemente comparado. Il Duce (o Chefe) dizia: “Governar a Itália não é difícil, é inútil.” Mas muito antes, o toscano Galileo Galilei (1564[2] –1642) deixou claro que não era grave: “E portanto ela se move.”

Por Antonio Ribeiro

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Metade da Bélgica quer ser anexada à França

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 | 12:38


Algumas anedotas que os franceses contam sobre os belgas lembram aquelas que os brasileiros criam tendo os portugueses como personagens principais da galhofa. Se os ibéricos do “jardim a beira mar plantado” não acham nenhuma graça, metade da Bélgica parece não dar a menor importância à zombaria gaulesa. Uma pesquisa revelou 49% dos belgas, os habitantes da Valônia, a região sul da Bélgica cujo idioma é o francês, desejam ser anexados pela França. Se isso acontecesse, Bruxelas, sede da União Européia e seu famoso subúrbio, Waterloo, onde Napoleão Bonaparte foi derrotado pelos ingleses, cairia em território francês.

Embora partido algum na França esteja fazendo campanha pela anexação, seis em cada dez franceses acham boa idéia de ser compatriotas do romancista Georges Simenon (1903-1989), criador do detetive Maigret e de Georges Prosper Remi (1907-1983), o cartunista Hergé, pai do herói de histórias em quadrinhos Tintin, ambos nascidos na da terra do Art Nouveau e dos saborosos mexilhões com fritas, mundialmente famosos.

Ainda que as atenções estejam voltadas para uma guerra separatista no Cáucaso, faz um ano que o governo do primeiro-ministro belga Yves Leterne está paralisado. Seus compatriotas da região de Flandres, o norte da Bélgica de idioma holandês, querem ser independentes da Valônia. Eles imaginam uma divisão pacífica a exemplo do que ocorreu entre checos e eslovácos. Os flamengos e os valões não se entendem bem desde 1830, quando os ingleses uniram as duas regiões criando a da Bélgica para evitar as invasões francesas, habito antigo que data do século XVII. No final dos anos 40, os habitantes da Valônia promoveram greves separatistas. Na época o general Charles de Gaulle disse a boca pequena: “Se os valões pedirem de joelhos, eu anexo a região à França.”

Recentemente, o rei da Bélgica, Albert II, nomeou três sábios para encontrar uma formula que evite a criação da Nieuwe Republiek van Vlaanderen. A questão é capital não só para o futuro da Bélgica, mas também para Europa. O sucesso dos flamengos significa munição para os separatistas bascos, corsos, bretões. O mapa da Europa voltaria aos tempos em que parecia com a pele do leopardo — que os antigos achavam ser um animal híbrido, mistura do leão com a pantera — repleto de manchas, os antigos condados.

Por Antonio Ribeiro

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