06/02/2012
às 9:23 \ EuropaMerkel faz campanha para o parceiro Sarkozy
Ele passa mais tempo com a alemã do que com Carla Bruni, a bela primeira-dama da França. A assertiva popular de conotação jocosa entre os europeus sobre a relação intensa do presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler Angela Merkel como toda caricatura é exagerada. No entanto, nenhum dueto que dirigiu a França e a Alemanha desde a criação da União Européia (UE), encontrou-se tanto em período equivalente quanto o casal “Merkozy”. Sem contar os contatos diários por telefone, desde junho do ano passado, os dois participaram juntos de sete reuniões de cúpula, embalados sobretudo pela crise do euro.
À doze semanas do primeiro turno das eleições presidenciais na França, Angela e Nicolas protagonizaram um fato inédito. Eles gravaram no Palácio do Elyseé, em Paris, uma intervenção conjunta de vinte minutos que será, simultaneamente, transmitida pela TV estatal francesa France 2 e sua equivalente alemã, a ZDF. Ainda que camuflado pelas suas funções de chefes de estado, trata-se de engajamento direto de um governante alemão na campanha presidencial francesa como nunca houve. A eventual derrota eleitoral de Sarkozy que vai mal nas pesquisas de opinião, é considerada por membros do governo Merkel como uma “catástrofe”.
O candidato socialista François Hollande, franco favorito da eleição, já deixou claro que se eleito, sua primeira viagem internacional será à Alemanha para rever a posição comum das duas principais economias da UE e os tratados de cooperação mútua. Hollande afirma que as medidas rigorosas preconizadas por Merkel para sair da crise, não podem existir sem que haja, ao mesmo tempo, ajuda de dinheiro público para incentivar a retomada do crescimento econômico. Leia-se, retomada do crescimento econômico da França, a situação já existe na margem norte do rio Reno. A posição do socialista sinaliza uma futura turbulência, uma vez que a oposição de Merkel é clara e persistente desde o início da crise.
Pelo segundo ano consecutivo, a Alemanha foi a locomotiva da economia européia, com um crescimento econômico de 3% em 2011, depois de ter crescido 3,7% em 2010. Em contrapartida, a França cresceu 1,5% em 2010 e deveria atingir a duras penas, 1,7% em 2011. O desempenho permitiu que Berlim reduzisse seu déficit público a 26,7 bilhões de euros. Ou seja, 1% do Produto Interno Bruto. O déficit francês é cinco vezes maior. O outro avanço da Alemanha é a queda do desemprego. Estima-se em 3 milhões de desempregados na Alemanha, ano passado. Ou seja, o mais baixo nível desde a reunificação. Mais de 263.000 desempregados a menos que em 2010. A taxa de desemprego alemã recuou em 2011 de 0,6% ponto percentual para se estabelecer em media a 7,1%. Na França, aconteceu o inverso: os desempregados aumentam de 152.000 no último ano e a taxa de desemprego aproxima-se de dois dígitos.
“Apoio Nicolas Sarkozy em todos os planos porque pertencemos a partidos amigos. É normal que apoiemos partidos amigos”, disse Merkel durante entrevista coletiva a imprensa. “Em maio de 2009, o presidente francês foi a Berlim e deu seu apoio a minha reeleição, não vejo qual é o problema? François Hollande esteve no congresso do Partido Social Democrata alemão”, lembrou a chanceler. “Quando o chanceler socialista alemão Gerhard Schröder esteve na França, quem ele apoiou?” Resposta: a candidata socialista Ségolè Royal.
Sarkozy quer emular na França o “Sonderweg”, exceção alemã, o modelo de sucesso na Europa majoritariamente em penúria econômica – tornou-se quase seu único argumento de campanha eleitoral, em recente entrevista na TV, ele mencionou a Alemanha 15 vezes. Sarkozy se respalda em uma pesquisa que mostra que 7 entre 10 franceses aprovam uma harmonização dos direitos trabalhistas e fiscais entre Alemanha e França. Mais de 80% dos franceses aprovam o reforço da amizade entre os dois países que se opuseram diretamente em três grandes guerras desde Otto Bismarck e Napoleão III, no século XIX. E não só: 43% dos franceses acham que seu país tem destino comum com o antigo inimigo e portanto são obrigados à convergência de ação dentro da UE. Mais: muitos franceses percebem oportunidades de emprego na futura necessidade de mão de obra qualificada, devido ao envelhecimento populacional na Alemanha.
Leia o post do Blog de Paris: “Sarkozy, o alemão“
Tags: Alemanha, Angela Merkel, França, François Hollande, Napoleão III, Nicolas Sarkozy, Otto Bismarck



















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