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Arquivo da categoria Europa

06/02/2012

às 9:23 \ Europa

Merkel faz campanha para o parceiro Sarkozy

Casal Merkozy: mesmo passo

Ele passa mais tempo com a alemã do que com Carla Bruni, a bela primeira-dama da França. A assertiva popular de conotação jocosa entre os europeus sobre a relação intensa do presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler Angela Merkel como toda caricatura é exagerada. No entanto, nenhum dueto que dirigiu a França e a Alemanha desde a criação da União Européia (UE), encontrou-se tanto em período equivalente quanto o casal “Merkozy”. Sem contar os contatos diários por telefone, desde junho do ano passado, os dois participaram juntos de sete reuniões de cúpula, embalados sobretudo pela crise do euro.

À doze semanas do primeiro turno das eleições presidenciais na França, Angela e Nicolas protagonizaram um fato inédito. Eles gravaram no Palácio do Elyseé, em Paris, uma intervenção conjunta de vinte minutos que será, simultaneamente, transmitida pela TV estatal francesa France 2 e sua equivalente alemã, a  ZDF. Ainda que camuflado pelas suas funções de chefes de estado, trata-se de engajamento direto de um governante alemão na campanha presidencial francesa como nunca houve. A eventual derrota eleitoral de Sarkozy que vai mal nas pesquisas de opinião, é considerada  por membros do governo Merkel como uma “catástrofe”.

Hollande: assim não

O candidato socialista François Hollande, franco favorito da eleição, já deixou claro que se eleito, sua primeira viagem internacional será à Alemanha para rever a posição comum das duas principais economias da UE e os tratados de cooperação mútua.  Hollande afirma que as medidas rigorosas preconizadas por Merkel para sair da crise, não podem existir sem que haja, ao mesmo tempo, ajuda de dinheiro público para incentivar a retomada do crescimento econômico. Leia-se, retomada do crescimento econômico da França, a situação já existe na margem norte do rio Reno. A posição do socialista sinaliza uma futura turbulência, uma vez que a oposição de Merkel é clara e persistente desde o início da crise.

Pelo segundo ano consecutivo, a Alemanha foi a locomotiva da economia européia, com um crescimento econômico de 3% em 2011, depois de ter crescido 3,7% em 2010. Em contrapartida, a França cresceu 1,5% em 2010 e deveria atingir a  duras penas, 1,7% em 2011. O desempenho permitiu que Berlim reduzisse seu déficit público a 26,7 bilhões de euros. Ou seja, 1% do Produto Interno Bruto. O déficit francês é cinco vezes maior. O outro avanço da Alemanha é a queda do desemprego. Estima-se em 3 milhões de desempregados na Alemanha, ano passado. Ou seja, o mais baixo nível desde a reunificação. Mais de 263.000 desempregados a menos que em 2010.  A taxa de desemprego alemã recuou em 2011 de 0,6% ponto percentual para se estabelecer em media a 7,1%. Na França, aconteceu o inverso: os desempregados aumentam de 152.000 no último ano e a taxa de desemprego aproxima-se de dois dígitos.

“Apoio Nicolas Sarkozy em todos os planos porque pertencemos a partidos amigos. É normal que apoiemos partidos amigos”, disse Merkel durante entrevista coletiva a imprensa. “Em maio de 2009, o presidente francês foi a Berlim e  deu seu apoio a minha reeleição, não vejo qual é o problema? François Hollande esteve no congresso do Partido Social Democrata alemão”, lembrou a chanceler. “Quando o chanceler  socialista alemão Gerhard Schröder esteve na França, quem ele apoiou?” Resposta: a candidata socialista Ségolè Royal.

Sarkozy quer emular na França o “Sonderweg”, exceção alemã, o modelo de sucesso na Europa majoritariamente em penúria econômica – tornou-se quase seu único argumento de campanha eleitoral, em recente entrevista na TV, ele mencionou a Alemanha 15 vezes. Sarkozy se respalda em uma pesquisa que mostra que 7 entre 10 franceses aprovam uma harmonização dos direitos trabalhistas e fiscais entre Alemanha e França. Mais de 80% dos franceses aprovam o reforço da amizade entre os dois  países que se opuseram diretamente em três grandes guerras desde Otto Bismarck e Napoleão III, no século XIX. E não só: 43% dos franceses acham que seu país tem destino comum com o antigo inimigo e portanto são obrigados à convergência de ação dentro da UE. Mais: muitos franceses percebem  oportunidades de emprego na futura necessidade de mão de obra qualificada, devido ao envelhecimento populacional na Alemanha.

Leia o post do Blog de Paris: “Sarkozy, o alemão

Por Antonio Ribeiro

12/12/2011

às 12:36 \ Europa

Europa igual a ela mesma e a Inglaterra idem

Mais de seis décadas depois das tropas do Exército Vermelho da União Soviética  terem  entrado em Berlim marcando o fim do III Reich nazista, a Alemanha dominou a Europa. Isso sem dar um tiro e durante apenas uma hora e meia de conversa – o papo entre a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro ministro britânico David Cameron, a troca  rancorosa que pôs fim, ainda que de maneira informal, na União Européia de 27 países.

A Alemanha ditou as novas regras de sua liderança. Uma vez mais, como rege a tradição do Velho Continente, sem garantias efetivas  de que será seguida de fato. O bloco de 17 países onde circula o euro, moeda em situação agonizante, deverá fazer um pacto fiscal e equilibrar seus orçamentos. O grupo se compromete a escrever em suas constituições o acordo que tem como objetivo salvar o euro e por conseguinte, o que sobrou da União Europeia. Quem desrespeitar o rigor orçamentário que limita o déficit público a 3% do Produto Interno Bruto e a dívida acumulada em 60% do PIB, sofrerá sanções ainda não definidas e sem base legal – tanto Alemanha e França estão fora das regras com 4,3%  e 7,1% do PIB, respectivamente. Nada sobre como estimular o crescimento econômico para pagar as dívidas e nenhuma palavra sobre as urgentes reformas estruturais com objetivo de acelerar a competividade. Nunca os eurocéticos tiveram tanta razão para reforçar sua repelência pela integração continental.

Na vigésima segunda reunião para tratar da crise do euro, sim vigésima segunda, o casal “Merkozy”, apelido da dupla que governa as maiores economias da eurozona,  queria ver  o quanto o britânico Cameron estava disposto a apoiar a iniciativa do lado continental do Canal da Mancha. Rapidamente descobriram que o apoio só viria com concessões à Grã Bretanha consideradas “inaceitáveis”. A mais significativa, o abrandamento e o direito de veto na regulação dos mercados que atingiria em cheio as operações da City londrina, o centro financeiro do Reino Unido e  o mais importante da Europa. Os serviços financeiros ingleses representam 9% do PIB da Grã-Bretanha e empregam cerca de um milhão de pessoas. O dia em que os ingleses decidirem deixar os funcionários da União Européia em Bruxelas controlar as transações finaceiras na City poderá se perguntar se os pubs fecharam na noite anterior ou amanheceram com as portas abertas.

Acuado por uma crise econômica profunda em seu país, Cameron decidiu tomar ainda mais distancia da Europa. A decisão não traz nenhuma surpresa se considerada a história inglesa, sobretudo, em momentos quando o interesse de sobrevivência britânico fica mais sensível e bem distinto  dos vizinhos. Afirmar que a Inglaterra se isolou, como fazem alguns analistas “at large” que só acompanharam a construção européia de binóculos, é uma imprecisão primária e total desprezo pelo caráter insular histórico do reino que, sabe-se bem, não abrange apenas o aspecto geográfico.  Parece que Cameron retirou uma espécie de Excalibur nacional das rochas e empunhou a arma em defesa de uma ilha nublada e chuvosa.  A realidade é  bem outra, muitos primeiros-ministros britãnicos bloquearam coisas que não correspondiam aos interesses do país – desde Thatcher com o orçamento da UE a Tony Blair com a retenção dos impostos. A Inglaterra sempre prezou mais a parceria com os Estados Unidos. Trata-se de uma posição distinta da alemã que se considera parceira dos americanos, mas com os pés firmes na Europa. E bem diferente da França – opera no vermelho desde 1975 –  se vê completamente européia e bem favorável a UE desde que o bloco tenha marcantes traços franceses.

Quem move os destinos da Europa é a Alemanha dirigida pela chanceler Angela Merkel. Desta vez, isso não acontece pela baioneta ou blindados, mas pela força econômica germânica que produz recorrentes superávits internos e os recursos dos seus pagadores de impostos, cada dia mais indignados de serem as formigas nortistas da Europa que sustentam as cigarras do sul do continente. Algumas, como no caso grego, sem cadastros para pagar os tributos pecuniários que o estado impõe a pessoas singulares e coletivas. Mas a chanceler, como todo líder alemão depois da Segunda Guerra Mundial, manobra com prudência para que sua liderança natural não desperte tanta germanofobia associada à tirania de outrora.

O casal Merkozy tem profundas divergências, o funcionamento do fundo de resgate (FEEF), o papel do Banco Central Europeu e o envolvimento dos credores privados na eventual falência dos estados. No entanto, a timidez alemã é uma brecha em que Nicolas Sarkozy tenta se inserir para tirar melhor proveito político. Ele transformou-se em um falastrão que, simultaneamente, submete-se às imposições alemãs e gesto seguido, torna-se porta-voz contundente delas. Isso quando sua popularidade não consegue decolar às vésperas de uma eleição presidencial na qual ele figura em terceiro lugar nas pesquisas de opinião com apenas 33% de aprovação. Sarkozy quer que seus compatriotas vejam no seu 1, 65 de altura – 3 centímetros mais baixo que Napoleão – o estadista que salvou o euro.

No mundo dos números, mais pragmático e palpável, os bancos europeus venderam um total de 178 bilhões de euros em seguros, os credit-default swaps, as Bolsas de Valores registraram perdas e os spreads de títulos soberanos aumentaram novamente – os juros dos bônus para 10 anos das dívidas  italiana e espanhola  atingiram níveis de difícil sustentação.  As agências de classificação de risco estão na iminência de revisar o rating de todos os países da União Européia. Fica claro que a reunião dos líderes  europeus na semana passada não conseguiu formular medidas efetivas de curto prazo para encerrar a crise de dívida no continente.

Leia o post do Blog de Paris: “Meryl Streep rouba o papel talhado para os líderes europeus

Por Antonio Ribeiro

08/11/2011

às 13:13 \ Europa

Diplomacia de insultos

Foi revelado um diálogo confidencial durante a reunião de cúpula do G20 entre Nicolas Sarkozy e Barack Obama sobre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. “Não posso nem vê-lo. É um mentiroso”, disse Sarkozy. Obama retrucou: “Se você está cansado, imagina eu, que tenho de lidar com ele todos os dias”. A conversa fará estragos nas relações entre os três chefes de estados. Os países, bem maiores que os três, se ajeitam. Mas a troca entre o presidente da França e dos Estados Unidos chega ser comedida se comparada com os insultos feitos entre os líderes europeus durante a tensa crise do euro. Leia em seguida um compêndio:

Nicolas Sarkozy, presidente da França, sobre Angela Merkel, chanceler alemã:

La Boche”, quer dizer, a boche, a velhusca, é a maneira injuriosa e xenófoba que os franceses se referem aos alemães, sobretudo, durante a ocupação nazista na França. Origem do coloquial francês, caboche. Em português, cachola.

“Ela diz que está de regime, mas come um segundo prato de queijo.”

Nicolas Sarkozy para George Papandreu, primeiro-ministro grego:

“Os gregos são o vírus que está envenenando a Europa.”

Nicolas Sarkozy sobre José Zapateiro, primeiro-ministro espanhol:

“Talvez ele não seja muito inteligente.”

Nicolas Sarkozy para David Cameron, primeiro-ministro britânico:

“Você perdeu uma boa oportunidade de calar a boca.”

Angela Merkel sobre Nicolas Sarkozy,:

“Anão.”

“Luis de Fuenes”, referência ao agitado humorista francês de baixa estatura.

“Mr. Bean”, referência a personagem cômica criada pelo humorista britânico Rowan Atkinson. O insulto diz respeito a semelhança física.

David Cameron sobre Nicolas Sarkozy:

“Anão enfezado”

Silvio Berlusconi, presidente do Conselho da Itália sobre José Zapatero:

“Ele é muito cor de rosa”

Silvio Berlusconi sobre Angela Merkel:

Bunduda insuportável.”

Silvio Berlusconi sobre o euro:

“O euro é um desastre que f… todo mundo”

Leia o post do Blog de Paris: “Destino do euro pendula entre berçários do ocidente: Roma e Atenas.

Por Antonio Ribeiro

08/11/2011

às 8:02 \ Europa

Destino do euro pendula entre berçários do ocidente: Roma e Atenas

Os que vão morrer te saudam

Há seis semanas a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da França se deram exatamente este tempo para salvar o euro. E mostrar para os interessados que estavam determinados. Talvez a missão mais dramática desde que a moeda comum a 17 países do Velho Continente foi criada. O cronômetro parou com o fim da reunião de cúpula do G20, em Cannes, no sul da França. Salvaram o paciente? Não. Ele continua padecendo sem dar sinais de reação.

Acordo não se chegou se deveria adicionar um montante e se sim, de quanto, aos atuais 440 bilhões de euros do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).  A desejada “porta corta-fogo” contra a crise econômica, a facilidade de caixa para ajudar os países europeus  atenuarem dívidas públicas e capitalizar bancos, aqueles que emprestaram e arriscam calote pesado. Funcionaria também para induzir confiança nos investidores: “podem ir que estamos armados de bazuca”.

Tampouco houve consenso de quanto e de como incrementar os cofres do Fundo Monetário Internacional (FMI). A idéia é criar uma reserva suplementar para dar uma mão externa aos europeus e a quem sofrer seus impactos. Falou-se em trilhão de euros, mas a questão ficou para ser equacionada pelos ministros das Finanças em reunião prevista para dezembro.

O que se assiste é o euro pendulando sua sorte entre os berçários da civilização ocidental: Roma e Grécia. Mais especificamente, nos braços de governos fracos e, se considerado a maneira em que lidam com a gravidade dos problemas, certamente têm comportamentos burlescos.

Na Grécia, a situação caminha para formação de governo de coalizão entre rivais fervorosos, os socialistas do Pasok e os conservadores da Nova Democracia, liderado pelo ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Lucas Papademos. Isso para atender uma necessidade imediata. A de retificar acordo do 26 de outubro com a União Européia (UE) pelo qual a Grécia receberia a sexta parcela de 8 bilhões de euros do segundo empréstimo, a bagatela total de 130 bilhões de euros. O acordo implica, em contrapartida, rigorosas medidas de austeridade. Sem o socorro financeiro, a Grécia  não fecha as contas antes do Natal.

A formação do novo governo grego coloca provisoriamente termo à crise gerada pela sandice do primeiro-ministro socialista George Papandreou, a hipótese de organização de um referendo sobre o plano de resgate da Grécia, a ameaça de falência e a catastrófica saída da zona euro. Mas, para os gregos, os problemas continuam a ser os mesmos. A recessão, o desemprego de quase 20% e as reduções de salários vão continuar. O lenitivo momentâneo não coloca fim no fato do país helênico operar no vermelho sem, por enquanto, perspectiva de mudança de rota e por consequência não ver luz no fim do túnel.

Presente grego

Na Itália, a terceira maior economia da Europa o quadro é bem mais sombrio. A queda de Roma, desta vez, poderá arrastar toda a zona do euro para a débâcle. O país tem a quarta maior dívida pública  do planeta, quase 2 trilhões de euros, equivalente a 120% do Produto Interno Bruto italiano. Se a capacidade produtiva inteira do país se dedicasse exclusivamente para pagar a dívida, situação impraticável, nem assim conseguiria salda-la em 12 meses. É dinheiro que não acaba mais. As contas da Itália cuja a taxa de desemprego é de 8,3% e crescimento econômico de 0,6% em 2011, foram colocadas sob monitoramento de auditores do Fundo Monetário Internacional (FMI). A intrusão, rara na zona do euro, tenta provocar mais credibilidade nos investidores.

Em 2012,  a Itália terá que refinanciar uma parcela de 300 bilhões de dólares da dívida colossal. Ontem, o spread entre os títulos da dívida italiana de 10 anos e os alemães atingiu, desde a criação do euro, o patamar recorde de 475 pontos. Isso significa que para cada euro que a Itália tomar emprestado, terá que pagar 6,74% de juros. Os economistas sustentam 7% como a beira do precipício. Taxas de retorno sobre os títulos com níveis semelhantes levaram a Grécia, Irlanda e Portugal pedirem ajuda externa. Mas a Itália é too big to fall, grande demais para cair, e não há paramédico preparado para os primeiros socorros. Entretanto, os investidores vão se desfazendo rapidamente dos títulos italianos, temerosos que a falta de solidariedade dos europeus e medidas de última hora não irão salvar a Itália.

O ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti e 7 entre 10 de seus compatriotas acham que grande parte do problema é o Presidente do Conselho, Silvio Berlusconi, 75 anos de idade. Il Cavaliere governa o país há 18 anos, um período tumultuado por acusações de abuso de poder, interrogatórios policiais, convocações pela Justiça, acusações de corrupção, enriquecimento ilícito, e escândalos sexuais com garotas de honorários elevados. Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, resume a situação com aguda precisão: “Falta confiança”.

Confiança é elemento crítico nos negócios e nas relações humanas, amorosas e de amizade. Houve tempos em que Giulio Andreotti – o democrata-cristão governou a Itália em três mandatos – chegava a uma reunião de cúpula dos países mais ricos e a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher levantava-se da cadeira para ir cumprimentá-lo com rara deferência. “Hoje, nos encontros de chefes de estado o casal Merkozy (contração de Merkel e Sarkozy) dá as costas a Berlusconi ou zombam dele”, diz um deputado italiano.

Ontem, quando os mercados ouviram boatos que Berlusconi cogitava renunciar, o efeito foi similar ao de um atleta que tomou anabolizante. A bolsa de valores italianas disparou a frente das suas vizinhas europeias. Aí, veio o desmentido de Berlusconi. O Presidente do Conselho escreveu no seu mural do Facebook: “Os rumores de minha renúncia são infundados”. E ameaçou:Quero ver a cara de quem vai me trair.” Gesto seguido, a bolsa voltou a cair, mas se estabilizou em um patamar inferiorm mantendo a esperança na evidência: a posição de Berlusconi é insustentável, se não a curto, mas certamente a médio prazo.

O Parlamento italiano reúne-se se hoje, 15h30 hora local (12h30 em Brasília) para aprovar ou não o orçamento. Caso as contas não forem retificadas, haverá moção de confiança ao governo. Embora Berlusconi já tenha sobrevivido a 53 votos de confiança, a situação agora é bem mais delicada com a pressão dos mercados apostando contra a Itália. A maioria parlamentar que sustenta governo é frágil. Dois deputados do Partido da Liberdade, a legenda de Berlusconi, já debandaram para oposição e seis outros manifestaram seu desagrado com o capo em carta aberta. A imprensa italiana afirma que há 20 abandonos nas fileiras do governo.

Berlusconi construiu sua popularidade e apoio político na base da cumplicidade. Sobretudo, distribuindo cargos no governo. Sua margem de manobra nestes tempos de austeridade é bem mais estreita. Poucos acreditam que o Presidente do Conselho será capaz de implementar as medidas prometidas para economizar de 54 bilhões de euros — reformas no sistema de aposentadorias, nas leis trabalhistas e privatizações.

A surpresa não será a saída de Berlusconi do governo, mas a sua permanência. Il Cavaliere, o homem mais rico da Itália com uma fortuna estimada em 6 bilhões de euros, não está em posição de pedir sacrifícios aos italianos, fato incontornável para afastar temporariamente a bancarrota. O mais provável é que a Itália tenha eleições em breve, a exemplo da Espanha.  Entretanto, o euro agoniza.

Arrivederci Roma

Atualização: Sílvio Berlusconi perdeu a maioria absoluta dos 316 deputados do plenário. O plano orçamentário foi aprovado por apenas 308 parlamentares. A oposição preferiu se abster. O fim do Presidente do Conselho está próximo. Berlusconi disse ao presidente italiano Giorgio Napolitano que vai renunciar uma vez que as medidas de austeridade e reformas recomendadas pela União Europeia forem votadas. A Lei de Estabilidade deve ser votada na próxima semana.

Por Antonio Ribeiro

07/11/2011

às 10:39 \ Europa

Berlusconi cogita renúncia

A Borsa Italiana SPA, a bolsa de valores da Itália com sede em Milão, reverteu a queda do inicio do pregão e passou à forte alta –  subia 2,35%, a 15.712 pontos, depois de ter caído mais de 2% . Pode parecer uma surpresa para o país que acaba de anunciar que suas contas doravante serão monitoradas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a principal preocupação da sobrevivência do euro devido à dívida publica de 1,9 trilhão de euros, 120% do Produto Interno Bruto (PIB) italiano, cinco vezes superior que a da Grécia. Isso acontece porque surgiram boatos que o Silvio Berlusconi cogita renunciar em breve do cargo de Presidente do Conselho, o chefe do governo na Itália. Il Cavaliere está a frente do governo há tumultuados 18 meses com um índice de popularidade de apenas 22%. O seu mandato é de cinco anos.

“Silvio Berlusconi está perto de renunciar está agora claro para todos, é uma questão de horas; alguns dizem de minutos”, disse Giuliano Ferrara, editor do diário Il Foglio, amigo pessoal de Berlusconi e ex-ministro do seu governo. Outro jornalista, próximo a Berlusconi, Franco Bechis do jornal Libero, confirmou pelo Twitter que o Presidente do Conselho está na iminência de abandonar a chefia do governo.  “Hoje à noite ou amanhã de manhã”. Amanhã, os parlamentares italianos reúnem-se para para retificar as contas de 2010, um momento crítico.

O spread entre os títulos da dívida italiana de 10 anos e os alemães chegaram a quase 475 pontos, diferença bastante elevada.  Desde a criação do euro, moeda comum de  17 economias do Velho Continente, o recorde é de 490 pontos. A Itália é terceira maior economia da zona do euro, atrás da Alemanha e da França. A dívida do país, quarta maior do planeta, ultrapassa os atuais 440 bilhões de euros do Fundo Europeu de Estabilidade Financiera (FEEF).

Atualização: “Os rumores de minha renúncia são infundados”, escreveu Berlusconi em sua página no Facebook. E ameaçou:Vou enfrentar o voto de confiança, quero ver a cara de quem vai me trair.” A bolsa de valores italiana soube e gesto seguido, voltou a cair. E todas suas principais vizinhas européias fecharam os pregões em baixa. Em Londres, o índice Financial Times fechou em baixa de 0,3%, a 5.510 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 0,63%, para 5.928 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,64%, a 3.103 pontos. Em Milão, o índice Ftse/Mib teve valorização de 1,32%, para 15.548 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 retrocedeu 1,4%, a 8.476 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 encerrou em alta de 0,21%, para 5.762 pontos.

Leia o post do Blog de Paris “Defesa do euro: a linha de frente agora é a Itália

Por Antonio Ribeiro

04/11/2011

às 18:50 \ Europa

Defesa do euro: a linha de frente agora é a Itália

"In God’s name, go!"

Seja qual for o resultado do voto de confiança do Parlamento grego ao primeiro-ministro George Papandreou, sua importância será secundária para o Velho Continente. A linha de defesa do euro, moeda comum de 17 países europeus, passou a ser a Itália. O país tem uma dívida pública de 1,9 trilhão de euro, a quarta maior do mundo,  um buraco cinco vezes mais profundo que  o grego e agora, está sob intrusivo – coisa  rara na zona do euro – monitoramento do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Esta semana o banco francês BNP Paribas, um entre as 29 instituições financeiras que deverão buscar capital adicional  de 1 a 2,5% sob as regras aprovadas pelo G-20, segundo lista provisória publicada pelo Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), anunciou que havia negociado 2,6 bilhões de bônus da dívida grega. Mas nos últimos três meses, o BNP Paribas  livrou-se de 8,3 bilhões de títulos italianos, reduzindo sua fragilidade na crise européia em 40%. O movimento dá uma idéia do temor que o colapso na economia da Itália significa para o euro e por consequência, da existência da União Européia (UE). “Sem o euro, a UE deixará de existir, alertou Nicolas Sarkozy, presidente da França e anfitrião do encontro de cúpula do G20, na Riviera Francesa.

Adicional a uma zona de forte risco de abalos sísmicos, a península itálica está sentada em uma dívida equivalente a 120% do seu Produto Interno Bruto. Se o país trabalhasse o ano inteiro só para pagar a dívida, no final ainda ficaria faltando 38 bilhões de euros. No ano que vem o país terá que  tomar emprestado 300 bilhões de euros para saldar parte da dívida. O governo de Berlusconi não conseguiu apoio na sua minguada e instável aliança partidária para implementar medidas de austeridade na ordem de 54 bilhões de euros que incluia reforma previdenciária, nas leis trabalhistas e privatizações.

O ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti, acha que o problema é seu capo e o fez saber: “Na segunda-feira haverá um desastre no mercado financeiro se você, Silvio, ficar no governo. O problema para Europa e para os mercados, correto ou não, é de fato, você.” Em editorial, o sisudo jornal Financial Times lançou um apelo parafraseando Oliver Cromwell que derrubou o rei inglês Charles I e levou à instauração de uma república na Grã-Bretanha: “Pelo amor de Deus, vá embora!” Entre idas e vindas, Il Cavaliere ficou quase duas décadas no poder. Semana que vem, o governo do Presidente do Conselho da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta mais um voto de confiança no Parlamento. Ele tem um recorde de resistência fenomenal, já passou por 53 contestações. A questão agora é saber quantas estocadas o euro vai conseguir sobreviver?

Leia o post do Blog de ParisG20: única medida concreta para o FMI é pajear Berlusconi

Por Antonio Ribeiro

04/11/2011

às 14:02 \ Europa

G20: única medida concreta para o FMI é pajear Berlusconi

Berlusconi: governar a Itália não é difícil, é inútil.

Embora tenha havido entendimento que os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) devam ser aumentados, os chefes de estado dos países do G20  (cerca de 80% do PIB global) terminaram a reunião na Riviera Francesa sem uma resolução concreta de como a operação deve ser feita. Nem se chegou a um montante total que será adicionado aos atuais 300 bilhões de dólares destinados a minimizar a crise da dívida soberana européia e aos países que sofrerem a sua influência. O temor de avançar uma cifra é de que o mercado possa considerá-la insuficiente.

Há consenso, no entanto, de que a reserva para empréstimos deve ser, no mínimo, de 700 bilhões de dólares. Adicionados  os 250 bilhões de dólares em uma nova alocação de Direitos Especiais de Saque (DES), a moeda do FMI, o montante total pode chegar a 1 trilhão de dólares. Mas a decisão foi adiada para uma reunião entre ministros de finanças prevista para dezembro ou fevereiro do ano que vem.

A única medida concreta que emergiu da reunião de cúpula do G20 no que diz respeito ao FMI, foi o convite da Itália para que auditores do Fundo monitorem as contas do pais quatro vezes ao ano. Dito de outro modo:  monitorar se o governo italiano cumpre as promessas de reestruturar sua economia e reduzir os empréstimos. Monitorar? O Presidente do Conselho da Itália Sílvio Berlusconi prefere outros termos: verificar ou cerificar. José Manuel Barroso presidente da Comissão Européia diz que o papel do FMI será muito mais “intrusivo” que o habitual.

As coisas na Itália e por todo o lado europeu estão longe de ser anedota, mas tudo indica que há políticos no Velho Continente que nunca perdem o senso de humor. Segundo Berlusconi, seu país com dívida de 1,9 trilhão de euro, a quarta maior do planeta e cinco vezes superior a da Grécia, não está em situação tão ruim como pintam. “A Itália é a sétima economia do mundo, o consumo não caiu, os restaurantes e os aviões estão cheios e os italianos já estão fazendo reservas em hotéis e resorts para suas férias de fim ano”, disse Berlusconi em entrevista coletiva a imprensa após a reunião do G20.

Mais cedo, o ministro das finanças da Itália, Giulio Tremonti, preveniu o chefe: “Na segunda-feira haverá um desastre no mercado financeiro se você, Silvio, ficar no governo. O problema para Europa e para os mercados, correto ou não, é de fato, você.” Perguntado sobre uma eventual troca de governo na Itália, Berlusconi afirmou que a imprensa, sistematicamente, reporta o contrário dos fatos. Ao lado de Berlusconi, Tremonti também foi indagado sobre o mesmo tema. Preferiu ficar em silêncio. Et la nave va…

Por Antonio Ribeiro

04/11/2011

às 9:40 \ Europa

Uma imagem vale mil palavras?

Resposta: Nem sempre. No caso de fotografias que ilustram e são em si um condensado de informações, as boas são as que “falam”, na maioria das vezes, sem precisar da muleta das legendas. No entanto, certas fotografias gritam, embora nem todos escutem. A fotografia que ilustra este post tem boa chances de entrar para esta categoria. Ela mostra, em plano amplo, o interior do Parlamento grego durante o dramático discurso, o segundo no mesmo dia, do primeiro-ministro grego George Papandreou. Ele será submetido hoje a voto de confiança.

A situação colocou o mundo em suspense. Será que Papandreou com uma magra maioria em plena debandada – depois da estapafúrdia idéia de referendo posteriormente descartada pelo choque da realidade – conseguirá sobreviver a frente do governo grego? Criou-se uma expectativa fenomenal, equivalente as que antecedem as finais de Copa do Mundo de futebol. Evidentemente, as conseqüências são mais graves.

Convido o leitor a reparar novamente a fotografia. O resultado do voto de hoje pode não ter sido antecipado, mas o futuro a médio prazo, sim. Repare os assentos e não a tribuna de onde o socialista Papandreou faz seu discurso. Tantas cadeiras vazias de deputados não revelam grande interesse para um eventual chefe de governo transitório e de coalizão nacional como Papandreou e a oposição defendem para a delicada situação da Grécia – talvez formado apenas de tecnocratas  sem vínculo partidário. O Parlamento grego tem um total de 300 deputados. Portanto, para se chegar a maioria são necessários 151. O socialista Pasok, partido de Papandreu, tem 151 parlamentares, nem todos apoiando o primeiro-ministo. A Nova Democracia, liderada pelo conservador Antonis Sâmaras reune 85 deputados. Os comunistas que são contra Papandreu, somam 23 votos.

Este texto tem 293 palavras, valem apenas uma observação.

Leia o post do Blog de Paris: “Dilma oferece mão a Europa e Papandreou a sua a oposição

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 0:21 \ Europa

O sermão do casal Merkozy

A história da construção da União Européia está repleta de percalços, mas poucas vezes uma jogada tão inesperada provocou momento tão dramático. Como se estivesse tratando de política doméstica a la grega, o primeiro-ministro grego George Papandreou pegou todos de surpresa e assustou os mercados financeiros ao anunciar um referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões. de euros. Isso para salvar a seu futuro político ou preparar uma saída de cena heróica, talvez honrosa diante dos seus compatriotas.

O casal “Merkozy” – a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da França, Nicolas Sarkozy – ficou furioso. Convocaram Papandreou, o “Lorde Caos”, como ele vem sendo chamado, para ser advertido em Cannes, antes da reunião do G20. Suspenderam a sexta parcela da ajuda – 8 bilhões de euros – sem a qual a Grécia não fecha as contas do mês de dezembro. Ficará assim até os  gregos tomarem uma decisão definitiva: se querem ou não permanecer na zona do euro.

Nunca um membro da UE foi ameaçado com linguagem tão crua. “Nós só podemos utilizar o dinheiro do contribuinte europeu, francês, alemão, que a partir do momento em que um certo numero de regras são respeitadas. Se elas não são, nem a Europa nem o FMI não poderão versar um centavo”, disse Sarkozy, o mais irritado com o presente grego. Merkel deu mais uma demão de tinta, aparentemente suave, mas também dura: “O euro precisa ser mantido estável, queremos alcançar isso com a Grécia, e não sem ela, mas a tarefa de manter a estabilidade do euro como moeda tem que ser a principal tarefa e a prioridade.”

Na saída do encontro, visivelmente abatido, Papandreou tentou amenizar o drama, sustentando que sua ideia de referendo não é só sobre o plano de ajuda que pressupõe contrapartida de medidas austeras da parte do governo da Grécia. “O povo grego quer ficar na zona do euro, fazemos parte e estamos orgulhosos disso. E para arrrematar : “Fazer parte da zona do euro significa ter muitos direitos e também obrigações, podemos cumprir essas obrigações. Há um amplo consenso entre os gregos e é por isso que eu quero que o povo grego fale.” Nada tão incerto. Os gregos querem os direitos, mas não as obrigações e tampouco a austeridade.

O primeiro-ministro grego esta acuado até dentro do seu partido, o Pasok. Com a ajuda da oposição os seus colegas socialistas querem antecipar as eleições. Amanhã Papandreou enfrenta um voto de confiança no Parlamento, em Atenas. É incerto que ele consiga sobreviver a frente do governo. O Pasok ficou com maioria reduzida a dois votos. Papandreou  tem apoio  de 149 deputados em um total de 300. Se o governo cair não haverá referendo, mas sim novas eleições. Será missão penosa para os políticos gregos enfrentarem as urnas defendendo privatizações impopulares e medidas de austeridade que podem cortar em torno de 100.000 empregos. O índice de desemprego na Grécia é mais de 20%.

Leia o post do Blog de Paris “Grecia: sim ou não

Por Antonio Ribeiro

02/11/2011

às 13:22 \ Europa

Grécia: sim ou não

A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy deram um ultimato ao primeiro-ministro socialista da Grécia, George Papandreou em Cannes, no sul da França. O único referendo que aceitam é que seja perguntado aos gregos se eles querem ou não que a Grécia continue na zona do euro. Isso antes do Natal. A sexta parcela da ajuda – 8 bilhões de euros – ficara suspensa até os  gregos tomarem uma decisão. Sem ela a Grécia não fecha as contas do mês de dezembro. Evidentemente, a resposta majoritária ao eventual referendo seria “sim”.

O casal franco-alemão não quer saber da proposta surpresa de Papandreou. A de realizar um plebiscito para aprovar o plano de ajuda ao país – 130 bilhões de euros e calote de 50% da dívida com credores privados –  que envolve rigorosas medidas de austeridade. Evidentemente, a resposta ao eventual referendo seria “não”. Embora numa situação delicadíssima, os gregos  – inventaram tanto a democracia como o drama – não querem arrocho. Ninguém quer.

A eventual consulta grega ameaça colocar a zona do euro como refém até dezembro ou janeiro, enviando um péssimo sinal para desempenho das bolsas no mundo a fora como se viu ontem, após o anuncio de Papandreou. A situação aumenta a possibilidade da Grécia sair da zona do euro onde entrou à força com contas públicas falsificadas,  e voltar operar com moeda nacional. O presidente do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker, não descarta mais a eventualidade.

Em outro aspecto, é bem improvável que os países emergentes coloquem alguma ajuda antes dos europeus colocarem ordem em casa. A conversa aconteceu às 20h00 no horário francês (15h30 no horário de Brasília) teve a presença da diretora gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde e do novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi.

Saída

Finalmente, a questão é qual a razão do pôquer de Papandreou que coloca a existência no euro em seu país no fio da navalha? O primeiro-ministro grego apelidado de “Lorde do Caos” quer evitar, a todo o custo, a realização de eleições legislativas antecipadas. Perderia.  Preferiu anunciar a organização de um referendo. Uma tentativa de preservar o seu futuro politico ou preparar uma saída de cena heróica. Mas os gregos se setem chatageados perante o dilema: “Votam a favor do acordo europeu, ou será a falência da Grécia e tem de sair do euro se ousarem dizer que não.”

Adendo: Ligeira confusão em uma grande encrenca.  Apesar de por vezes se considerar plebiscito como sendo o mesmo que referendo, a verdade é que os dois conceitos podem significar ações muito diferentes e que podem, por vezes, ter significados opostos de serem radicalizados. São, contudo, sempre referentes a assuntos de política geral ou local de importância para as pessoas em questão. Assim, de um modo amplo, pode-se considerar que são sinônimos. No entanto, de um ponto de vista específico, os termos podem apontar para conceitos diferentes, consoante os autores ou o contexto em que são aplicados. O plebiscito é uma consulta ao popular antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas; o referendo é uma consulta após a lei ser constituída, em que os eleitores ratificam, “sancionam” a lei já aprovada ou a rejeita. Maurice Battelli define plebiscito como a manifestação direta da vontade do eleitor que delibera sobre um determinado assunto, enquanto que o referendo seria um ato mais complexo, em que o os eleitores deliberam sobre outra deliberação, já tomada pelo órgão de estado respectivo.

Por Antonio Ribeiro

 

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