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Arquivo da categoria Economia

09/11/2011

às 15:30 \ Economia

O mercado é implacável, mas a paralisia política é fatal

Durante anos os políticos italianos foram incapazes de mudar um governo que conduzia à Itália a bancarrota. Pior: a maioria foi cúmplice. Ficou por conta da bolsa de valores italiana sinalizar com altas e baixas no pregão milanês que a posição do bilionário Sílvio Berlusconi era insustentável e, finalmente, empurrar à força o Cavaliere em direção à porta de saída.

Mas o fundo da questão na Itália, apesar da anunciada partida de Berlusconi, continua o mesmo. O país, terceira maior economia da zona do euro, tem uma dívida pública colossal que aproxima-se de 2 trilhões de euros, a quarta maior do planeta. A taxa de desemprego é de 8,3%, entre os mais jovens, a face mais desesperadora da crise, o índice dobra. Em 2011, o crescimento econômico na península entre o Mediterrâneo e o Adriático foi 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Pífio.

Entretanto os mercados continuam convertendo o conto de fadas, parte da retórica desavergonhada da classe política, em realidade crua. A taxa de rendimento (yield) dos títulos italianos com vencimento em 10 anos, atingiu 7,25% ao ano. O triste recorde, desde a criação do euro,  lembra a Itália a sua situação real, a de devedora insolvente sem a ajuda externa, a exemplo do ocorrido com Grécia, Portugal e Irlanda.

Desta vez, não é o ocupante da Presidência do Conselho de Ministros da Itália que vai embora. Desenha-se no horizonte a perspectiva da saída italiana da zona do euro, acrescida do risco de arrastar outros países da periferia do Velho Continente. A eventualidade implicaria o fim do euro e, fatalmente, da União Européia. Uma tremenda lição da economia à paralisia dos políticos.

Mesmo assim, parece que os políticos ainda não aprenderam. Isso porque no fim do dia, se agirem de forma determinada, em concertação e rapidamente, ainda podem salvar a Itália. Em última instância, a sua pele. Coisa que Berlusconi não fez. Tampouco os chefes de estado fizeram quando tiveram a oportunidade na  recente reunião do G20 em Cannes, no sul da França.

O outro ensinamento dos mercados é que eles agem de forma coordenada e rápida, ainda que movidos por pavor de perda e ou euforia de ganho. Se houver erro de cálculo, a dinâmica seguinte, cedo ou tarde, leva à medida justa. Evidente que os governos não podem acompanhar as oscilações dos pregoes. Os interesses são outros. Contudo, agir como o paciente de doença grave que vê na procrastinação o melhor tratamento, tem conseqüências funestas.

Leia o post do Blog de Paris: “Destino do euro pendula entre berçários do ocidente: Roma e Atenas

Por Antonio Ribeiro

04/11/2011

às 11:13 \ Economia

China não vai ajudar Europa

Quem esperava na reunião de cúpula do G20 em Cannes, no sul da França, algum anúncio de mudança de rota na segunda maior economia do mundo, pode tirar o cavalo da chuva. A China irá continuar com o yuan depreciado. Em seu discurso durante a reunião, o presidente da China, Hu Jintao, afirmou que os países devem se apressar para fazer ajustes nas estruturas de suas economias visando um crescimento global equilibrado e justo. Mais vago só se não pronunciasse palavra. Nada tampouco sugere que os chineses irão desembolsar um centavo para ajudar os paises da zona do euro solucionarem a crise das dívidas soberanas e dos bancos que emprestaram dinheiro à Grécia e a outros países com baixa capacidade de reembolso. Os chineses acreditam que os europeus tem recursos suficientes para resolver seus problemas sozinhos.

Leia o post do Blog de Paris: “Uma imagem vale mil palavras?

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 15:06 \ Economia

Dilma oferece mão a Europa e Papandreou a sua a oposição

Em Cannes, durante a reunião de cúpula do G20 a presidente Dilma Rousseff disse que a Europa é um patrimônio democrático que precisa ser preservado. O Brasil, de acordo com Dilma, está disposto a contribuir com recursos via Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar o Velho Continente resolver a crise da dívida soberana na zona do euro. Tratata-se, em última instancia, de uma oportunidade do Brasil ganhar maior poder de decisão no Fundo. A ajuda brasileira passaria pela linha de crédito especial do FMI chamada Novos Mecanismos de Empréstimos (NAB). O Brasil já contribuiu com 14 bilhões de dólares dos quais  10 bilhões  de dólares já executados. A proposta é que o aporte e outros eventuais recursos mais tarde sejam convertidos em cotas. (Leia o post do Blog de Paris que trata do assunto “Quem paga o gaiteiro escolhe a música…)

Alguns realçam que Dilma condicionou a participação do Brasil a uma “liderança, visão clara e rapidez”. Puro efeito de retórica, uma platitude. Isso é o que se espera de qualquer governo, seja para terminar a obra de um estádio de futebol, desalojar vândalos que invadem as dependências de uma universidade, como é o caso atual da USP, ou só emprestar para quem se compromete com as obrigações de saldar uma dívida,  vide o exemplo da Grécia. De novo, que fique claro: o Brasil esta tentando comprar maior influencia no FMI. Os Estados Unidos, Japão, Inglaterra, por exemplo, são contra. Eles não tem atualmente recursos de sobra para colocar no FMI, mas não querem perder poder de decisão que é maior do que Brasil e China.

Em Atenas na véspera de enfrentar uma moção de confiança no Parlamento grego, onde tem magra maioria – dois deputados – em rápida deserção, o primeiro-ministro grego George Papandreou fez uma dramática meia volta. O filho e neto de dois ex-primeiros-ministros gregos, mas desprovido de carisma, admitiu retirar sua proposta de  realizar um referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões de euros. Em mais um desesperado movimento para manter-se a frente do governo, Papandreou estendeu a mão à oposição. “Saúdo a posição do partido conservador, que está disposta a ratificar no Parlamento o acordo da cúpula de Bruxelas. Vou falar com o líder da oposição Antonis Samaras para que possamos analisar os próximos passos na base de um consenso mais amplo.

Mais cedo, o líder do principal partido de oposição da Grécia, o conservador Antonis Sâmaras que lidera 85 deputados em um total de 300, admitiu apoiar um governo transitório e de coalizão nacional desde que Papandreou fique de fora. Sâmaras sempre foi um impetuoso opositor dos planos de resgate negociados pelo governo socialista grego. Para ele, as medidas de austeridade agravavam a retração econômica da Grécia. Embora ainda se declare cético, não perdeu o senso de perigo. “O novo acordo de empréstimos é inevitável e deve ser garantido”, disse. A Grécia deverá garantir a chegada imediata de 8 bilhões de euros, a sexta parcela de um total de 130 bilhões. Sem o socorro país não fecha nem as contas de dezembro. Até que os gregos cheguem a uma posição clara, a ajuda está suspensa pela União Eupopéia e FMI.

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 9:22 \ Economia

G20: Abram os cofres

Depois de uma noite tensa devido à proposta grega de realizar referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões de euros –  a reunião do G20 em Cannes, no sul da França, começou com uma nota simpática. Barack Obama felicitou Nicolas Sarkozy pelo nascimento da sua filha Giulia. “Espero que ela herde a beleza da mãe e não a do pai”, disse Obama em referência a primeira-dama da França, à ex-modelo Carla Bruni. De fato, Sarkozy estava com feições de quem recebeu um presente grego.

Enquanto os chefes de estado do G20 (cerca de 80% do PIB global) seguem a tradicional coreografia das grandes reuniões, os assessores trabalham no rascunho do Plano de Ação para ser apresentado no fim do encontro. “O maior obstáculo na negociação é até que ponto a China aceitará acelerar uma flexibilização de sua política cambial e reduzir a acumulação de reservas para estimular o consumo doméstico”, revela Francisco Assis Moreira, correpondente do jornal Valor Econômico, que teve acesso ao esboço do documento. A proposta, visa sobretudo a China, é de que países com taxas de cambio inflexiveis e grandes reservas, abram o cofre para carburar o consumo interno. Neste aspecto, o aumento dos investimentos do governo Dilma Rousseff para melhorar a infraestrutura do Brasil é visto com entusiasmo.

Embora as atenções estejam voltadas para o encontro na Riviera francesa, a situação tensa na Grécia onde a sustentação política do  primeiro-ministro Papandreou vai ruindo rapidamente, é acompanhada com preocupação. Evangelos Venizelos, o ministro das Finanças da Grécia, um dos possíveis substitutos de Papandreou em eventual governo de união nacional se posicionou contra a realização de um plebiscito previsto para o dia 4 de dezembro. “A posição da Grécia dentro da zona do euro é uma conquista histórica que não pode ser colocada em dúvida, disse Venizelos. E arrematou expressando dissonância com o socialista Papandreou:  “Esta aquisição do povo grego não pode depender de um referendo.”

Leia o post do Blog de Paris - “O sermão do casal Merkozy

Por Antonio Ribeiro

26/10/2011

às 13:47 \ Economia

OCDE: O principal desafio do Brasil é conter a inflação

Ángel Gurría, secretário geral da OCDE

O maior desafio macroeconômico do Brasil é dominar a inflação sem atrair capitais voláteis dentro de um contexto de abundante liquidez mundial. Esta é a principal constatação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no mais recente e profundo exame do país feito pela entidade com sede em Paris. Ele será apresentado hoje em Brasília pelo secretário geral Ángel Gurría. “Mas a grande questão é a poupança interna para financiar o crescimento”, disse Gurría a Veja.com antes de embarcar para o Brasil.

A poupança interna do Brasil é de apenas 17% do Produto Interno Bruto (PIB), menor que da Bolívia e Equador. Isso força o país a  recorrer à poupança externa. OCDE adverte que a situação configura risco acentuado para países emergentes com moedas não conversíveis. Para ampliar a poupança interna, o governo precisa realizar medidas para desenvolver os mercados privados de capitais de longo prazo para aliviar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que financia a taxas de juros muito abaixo das praticadas no mercado. Os agentes privados devem começar a participar da operação, a partir deste momento, “os subsídios poderiam ser gradualmente reduzidos”, sustenta o estudo.

O relatório, um calhamaço de 150 páginas com gráficos amenizando o economês, preconiza o desenvolvimento mais rápido das infraestruturas para ajudar a melhorar o desempenho econômico e social. A entidade recomenda a supressão de obstáculos ao investimento, “crucial para manter um crescimento econômico vigoroso”. “Mas é fundamental para um país exportador como o Brasil ter bons parceiros comerciais também, lembra Gurría, instalado em antigo casarão do baronato dos Rothschild, reformado para abrigar uma das mais prestigiosas fontes de experiência a serviço da boa governança. O abrandamento da pressão fiscal encorajará também o investimento e a reforma do sistema de aposentadorias será favorável a poupança, segundo a equipe do Departamento de Economia da OCDE que debruçou durante meses sobre a realidade brasileira.

Aparentemente temporário, o rompimento do índice inflacionário aos limites projetados pelo governo, tem efeito danoso na economia de modo geral. No caso do Brasil onde as taxas de juros apesar estarem em ritmo decrescente, ainda são bastante elevados se comparado com o nível internacional, o aumento da inflação é catastrófico para os pequenos tomadores de empréstimos. Se as grandes corporações pagaram juros reais de 31‰ ao ano, em Março deste ano, os empréstimos de pessoas físicas tiveram média de 45% anuais. Ou seja, a Selic mais a inflação.

Modulando com desenvoltura dentro de uma espécie de esperanto – do francês para o castelhano e para o “portunhol” enriquecido por termos em inglês – o mexicano Gurría afirma que nunca a equação da confraria que enfrenta problemas semelhantes, os ministros da Finanças e presidentes de banco central, foi tão complexa em termos das políticas públicas. “Precisa-se simultaneamente, cuidar da inflação sem conspirar contra a atividade econômica, obtenção de crédito, o nível de emprego, a consolidação fiscal, as reduções dos déficits orçamentários e da dívida acumulada, é muita preocupação ao mesmo tempo.

Escute em seguida Ángel Gurría, ministro das Finanças do governo Ernesto Zedillo, de 1998 a 2000, sobre a tradição de combate a inflação no Brasil:



Leia abaixo a síntese das recomendações da OCDE para o Brasil:


Políticas de estabilização

1. Minimizar os riscos associados aos grandes fluxos de capitais voláteis, principalmente por meio do aumento da poupança publica, graças à consolidação fiscal. Caso seja necessário, a  esta medida devem ser adicionadas políticas macroprudenciais e um imposto temporário sobre os fluxos de capitais de curto prazo como o IOF. Também seria útil adotar medidas para desenvolver os mercados de capitais de longo prazo, porém seu impacto será observado somente a médio prazo. Tomar medidas restritivas para atenuar as flutuações cambiais somente quando forem excessivas, e não tentar evitar ajustes da moeda que reflitam modificações nos fundamentos econômicos.

2. Prosseguir com a consolidação fiscal. No médio prazo, passar de uma meta de superávit orçamentário primário a uma meta de superávit orçamentário nominal consistente com um nível desejado de dívida líquida no fim do período. Eliminar os recursos a receitas extraordinárias e as medidas de contingência para alcançar a meta fiscal. Introduzir um teto para despesas públicas. Eliminar os mecanismos de atribuição de receita e pisos de receita agregada.

3. Maximizar o retorno sobre investimento do Fundo Social, exigindo que detenha uma carteira diversificada de ativos, inclusive de ativos estrangeiros (para atenuar os efeitos da doença holandesa). Delegar a gestão do Fundo a uma agência cuja boa governança seja garantida por uma definição clara e democrática de seus objetivos.

Poupança e Investimento

1. Instaurar uma idade mínima para aposentadoria, sem distinção de sexo. Aumentar as penalidades financeiras em caso de aposentadoria antecipada. No futuro, vincular a idade mínima para aposentadoria ao aumento da expectativa de vida. Indexar os aumentos dos proventos mínimos de aposentadoria à media da inflação de preços ao consumidor e aumentos de salários, em vez de alterações no salário mínimo.

2. Criar um único imposto de valor agregado com crédito integral para as exportações e compras de bens de capital e produtos intermediários.

3. Reduzir gradualmente as reservas obrigatórias das instituições financeiras no médio prazo. Eliminar as outras formas de sobretaxação das instituições financeiras.

4. Alinhar os custos de financiamento dos bancos privados com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e instaurar um crédito tributário explícito independente da escolha do credor. Em uma segunda fase, eliminar estes créditos. Eliminar sistemas de empréstimos destinado ao setor rural e à moradia.

Investimento em infraestrutura

Gasto e quadro regulatório

1. Manter a proteção de gastos associados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de cortes orçamentários. Dar especial atenção a implementação dos principais projetos no PAC. Estabelecer regras específicas relacionadas à quantificação dos gastos de custeio das estruturas planejadas existentes, bem como incorporá-los aos orçamentos plurianuais.

2. Adotar regras sociais plausíveis voltadas para a compensação das populações afetadas pelas estruturas e projetos.

Desenvolvimento setoriais

1. Água e saneamento básico: Efetuar empréstimos para municípios, condicionados à formação de consórcios, que importem em redução de custos.

2. Eletricidade: Avaliar a competição no setor elétrico e, caso necessário, acompanhamento em ações preventivas de subvenções transversais. Investigar a existência de espaço para competição no mercado de geração de energia.

3. Telecomunicações: Revisão de custos e benefícios no sistema duplo, em que as empresas ficam sujeitas à regulação de tarifas diferenciadas, conforme o regime a que pertencem.

4. Transporte rodoviário: Especificar claramente as metas de investimento em contratos de concessão de rodovias que visem à expansão e melhoria da malha rodoviária durante a vigência do respectivo contrato.

Sustentabilidade social e ambiental

1. Expandir o sistema de transferência condicionadas do programa Bolsa Família

2. Aumentar oportunidades para ensino técnico e treinamento de mão-de-obra, independentemente da obtenção de certificado dos currículos de orientação acadêmica.

3. Continuar a despender esforços para conter as taxas de devastação das florestas e resistir as alterações do Código Florestal. Garantir que as decisões em investimentos levem em consideração os ganhos ambientais, nos projetos selecionados pelo PAC.

Por Antonio Ribeiro

19/10/2011

às 14:20 \ Economia

Terra azul corre risco de entrar no vermelho

Gagarin: "A Terra é azul"

Dê uma olhada no planeta. Assim feito o cosmonauta russo Yuri Alekseyevich Gagarin. Hoje é possivel sem entrar em cápsula espacial. Embarque no Google. Na Terra azul há várias questões relevantes nesta quarta-feira 19 de outubro de 2011. Embora aparentemente regional, há uma só pendenga com força suficiente para influenciar indiscriminadamente todos os terráqueos. Trata-se do plano europeu para tentar debelar a crise das dívidas soberanas e recapitalização dos bancos que investiram  na Grécia e em outros países da zona do euro com risco de insolvência. O pouso suave do crescimento econômico  chinês seria outra, mas é consequência.

Te diz? Não? Para Nicolas Sarkozy, sim. E muito. O presidente da França passou na Clínica de La Muette, no elgegante décimo sexto distrito de Paris, onde sua mulher Carla Bruni, d espera dar a luz a qualquer momento, ficou meia hora e, em seguida, rumou para Frankfurt, a maior cidade do estado alemão de Hesse. Lá, ele tem encontrou com a chancelar alemã Angela Merkel. Os dois estão na linha de frente para fabricar um mecanismo capaz de afugentar a crise. Agora com a urgência de abrandar as dívidas de dois pesos pesados: Itália e Espanha.

Fala-se na possibilidade de alavancar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) de 440 bilhões de euros para 1 trilhão de euros. É dinheiro que parece não acabar mais. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble nega que se tenha chegado a uma cifra nas intensas negociações. Estima-se que para atender as necessidades imediatas de Grécia, Portugal e Irlanda seriam necessários 100 bilhões de euros. A recapitalização dos bancos consumiria mais 200 bilhões de euros. Há quem diga que apenas 80 bilhões de euros seriam suficientes. Apenas? No absoluto é muito, mas relativizado com o todo é apenas mesmo. Algo concreto deverá ser apresentado até dia 23 de outubro, quando da reunião dos países que usam o euro como moeda, em Bruxelas. Caso contrário, a Terra azul arrisca entrar no vermelho.

Atualização: A leitora Adriana Socci Barbosa informa que é menina. “A França pelo menos, ficará cor de rosa” escreve ela. Adiciono um dado de almanaque: Pela primeira vez na história da República Francesa um presidente se torna pai durante o mandato. A última vez que isso aconteceu foi no Segundo Império há 155 anos quando a imperatriz consorte Eugénie de Montijo deu à luz ao príncipe imperial Napoléon Eugéne, filho de Louis-Napoleon Bonaparte, o Napoleão III, sobrinho de Napoleão I. Ele governou a França de 1848 a 1870, primeiro como presidente e depois, como imperador. Foi contemporâneo do prussiano Otto von Bismark que unificou a Alemanha e da Rainha Victoria, da Inglaterra.

Por Antonio Ribeiro

16/10/2011

às 6:30 \ Economia

Quem paga o gaiteiro escolhe a música…

... mas tem que pagar. Quem aguarda quem?

A maioria dos ministros de Finanças e presidentes do banco central do G20, reunidos em Paris, acham que os recursos para resolver a crise soberana da dívida dos países do Velho Continente e financeira dos bancos que investiram  na Grécia e em outros países da zona do euro com risco de insolvência, deve ser primeiro de origem européia – eles carregam 744 bilhões de euros só em dívida grega. Em um segundo instante, caso a situação se deteriore, o Fundo Monetário Internacional (FMI) viria em socorro. Desta feita, a ajuda iria não só para países europeus, mas para qualquer parte do planeta afetado pela crise que se arrasta por dois anos. Para que isso aconteça, seria necessário adaptar os recursos do FMI às circunstancias. Neste caso, parte da contribuição viria dos paises emergentes.  O ministro Guido Mantega evocou haver no FMI a disponibilidade de 400 bilhões de euros para emprestimos que deveriam ser reforçados devido a vunerabilidade da situação.

A presidente Dilma Rousself condicionou eventual empréstimo do Brasil ao FMI a intervenções menos rigorosas  diferentes das que foram praticadas pelo organismo nos anos 80. “Não irei voltar à austeridade pura e dura”, disse ao Blog de Paris, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, lembrando que a política atual envolve mais dialogo e entendimento. Mas a possível ajuda do Brasil para recapitalizar o Fundo deve implicar contrapartida. Ou seja, maior poder de decisão do país no FMI, como defende Guido Mantega e seu principal assessor no organismo, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. O projeto encontra resistência dos Estados Unidos, Japão e Alemanha, os países com maior poder de decisão dentro do FMI sem a menor vontade de perder a influência. Mas plano brasileiro tem apoio da China e França que têm menor número de cotas, como o Brasil.

O Blog de Paris lembrou a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, um provérbio de origem irlandesa que ela utilizou dois anos atrás quando países emergentes pleiteavam mais poder de influência dentro do FMI, “He who pays the piper calls the tune” (“Quem paga o gaiteiro escolhe a música”). Perguntamos: “A situação não é oportuna?” Lagarde, respondeu o seguinte:

“Sim, há primeiro algo importante, a reforma das cotas e por consequência, o aumento das contribuições dos membros, deve ser realizado plenamente. Hoje os membros participaram em 20%  no aumento das cotas, aguardo os outros 80%. Não é pouca coisa. Segundo, no que diz respeito a cotas, a direitos de votos e as diferentes formas de participações, o Fundo Monetário Internacional, uma instituição viva, deve ser representativa. Ou seja, os membros devem ser o espelho da instituição. É evidente que deste ponto de vista, os emergentes com desempenho cada vez mais significativo na economia mundial precisam ter um papel importante nos organismos de decisão e nos meios de financiamento. Quem paga o gaiteiro escolhe a música… mas tem que pagar. Por enquanto, estou esperando um pouco de grana.”

Desde 2009, o Brasil tem uma participação em uma linha de crédito especial do Fundo chamada Novos Mecanismos de Empréstimos (NAB) com contribuição equivalente a quase 14 bilhões de dólares dos quais  10 bilhões  de dólares já executados. A proposta brasileira é que o aporte e outros eventuais recursos sejam convertidos em cotas.

Cada país membro detém no FMI uma cota a ser determinada com base em seus indicadores econômicos, entre eles o PIB. Quanto maior a contribuição ao FMI, maior é o peso do voto nas decisões. Há uma revisão das cotas a cada cinco anos. O Fundo pode propor um aumento nas cotas de determinado país, mas é necessária a aprovação por 85 % dos votos. Os membros que queiram aumentar sua cota devem pagar ao Fundo a mesma quantia em Direito Especial de Saque (DES) correspondente ao aumento. DES é o ativo financeiro do FMI  que substituiu o ouro e o dolar para efeito de troca. Um dólar equivale a 0,67 em DES. Os cinco maiores acionistas são: Estados Unidos (17,46%), Japão (6,26%), Alemanha (6,11%). Cada país pode retirar 25 % de sua cota correspondente. Acima deste percentual, é preciso assinar  uma carta de intenções, atrelada a um memorando técnico de entendimento onde se compromete a reduzir o déficit fiscal e promover a estabilização monetária. O Brasil está na décima posição, com 3.036 milhões DES, que equivale a 2, 46% das cotas.

Colaborou Lucas Ribeiro.

Por Antonio Ribeiro

15/10/2011

às 20:04 \ Economia

Foi um sucesso. Houve avanço, progresso.

Pelo relato final dos participantes, toda reunião do G20 é um sucesso. Houve avanço, progresso. Foi assim em Paris. Se depender das explicações, não se fica sabendo bem a razão. Desta vez, não foi diferente. O que se nota, no entanto, é que 52 indivíduos – veja a “fotografia de família” – reunidos para tratar de problemas com força para afetar a vida, direta ou indiretamente, de 7 bilhões de terráqueos, obtiveram o seguinte: o compromisso dos europeus de apresentarem um plano até o dia 23 de outubro. Esperar faz parte da tradição. O plano servirá para dar ainda mais ajuda à Grécia, capitalizar bancos que investiram nos gregos e em outros países da zona do euro com risco de insolvência. Faz parte também do pacote dotar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) com mais recursos. Na próxima reunião do G20, dia 4 de Novembro,  em Cannes, na França, ficará por conta dos chefes de estado anunciar mais detalhes, mas já se sabe por antecipação que no fim das contas haverá avanço, progresso. Enfim, sucesso.

Por Antonio Ribeiro

14/10/2011

às 7:12 \ Economia

Mantega: “Não deixaria quebrar nenhum banco”

Ministro conclama europeus a acabarem com "jogo de empurra" para evitar outro Lehman Brothers

Em Paris para reunião do G20 ministerial, o ministro da Fazenda, Guido Mantega considera a recapitalização dos bancos da zona do euro a medida mais urgente para escapar da crise financeira e resolver o problemas das dívidas soberanas. “Em última instância, é responsabilidade dos governos”, disse. No entanto, o ministro da Fazenda acha que os bancos também devem arcar com o prejuízo porque investiram em bonus de países sem solidez. Os emergentes poderão contribuir através do FMI. Isto com aumento seu aporte financeiro. Boa hora para o Brasil ampliar seu poder de decisão no Fundo negociando contrapartidas segundo o princípio de quem paga, manda. A maneira de como será feita a ajuda aos bancos e a contribuição dos emergentes será a grande negociação do G20 ministerial que conta também com a participação dos presidentes dos bancos centrais. Ouça a entrevista de Guido Mantega em seguida:



Leia o post do Blog de Paris: “Mantega aposta em PIB de 3,5 a 4% apesar da crise.

Por Antonio Ribeiro

13/10/2011

às 21:48 \ Economia

Mantega aposta em PIB de 3,5 a 4% apesar da crise

Em Paris para a reunião ministerial do G20, Guido Mantega afirmou que o Brasil voltará a registrar aceleração do crescimento econômico no quarto trimestre de 2011. “A partir de outubro haverá aumento na atividade de modo que se possa alcançar o patamar de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto”, disse Mantega ao Blog de Paris. Isto, apesar do cenário de desaceleração da economia brasileira e global.

No início da semana, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram que vendas no varejo diminuíram 0,4% entre julho e agosto. O IBC-Br, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central – indicador serve como sinalizador de comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) – mostrou recuo de 0,53% para o mesmo período.

“O desaquecimento estava programado, temos controle do nível de atividade, desaceleramos a economia, mas podemos acelerá-la”, disse o ministro da Economia. justificando a perda de ímpeto como consequência das medidas para conter a inflação.

Mantega sustenta que a desaceleração do Brasil não é resultado direto da crise internacional embora influencie “um pouquinho” porque ela contraiu o consumo dos manufaturados brasileiros provocando queda nas exportações.

Nos últimos 12 meses a economia brasileira cresceu 4,07% do PIB. De janeiro a agosto, o crescimento acumulado é de 3,43%. “No ano que vem vamos para um crescimento em torno de 5% mesmo com a piora do cenário internacional” disse Mantega, no saguão do cinco estrelas parisiense Hotel Lutétia onde é hóspede e passou a manhã reunido com assessores.

No entanto, o ministro adicionou: “É possível, mas teremos que fazer ajustes.” Quais ajustes serão necessários para se chegar a 5%? “ O que já fizemos e vamos continuar, desoneração do setor produtivo, diminuição das despesas de custeio, situação fiscal mais forte, estímulo aos investimentos.”

Por Antonio Ribeiro
 

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