
Antonio,
Amo futebol. Aprendi com o Velho Augustão, meu pai.
Aprendi a ser Botafogo nos anos 60, quando o alvinegro carioca era o melhor time do Brasil.
Nos gramados, sempre fui um jogador que beirava o patético. Mas era metido a líder, a zagueiro clássico.
E sou fã de Pelé, Jairzinho, Paulo César, Franz Beckenbauer, Carlos Alberto, Cruyff, Diego Maradona, Michel Platini, Zinedine Zidane, Zico, Roberto Rivelino, Romário, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Paulo Roberto Falcão, Baresi, Messi, Marco van Basten.
Mas confesso: está cada vez mais chato ver futebol.
Principalmente devido aos erros estúpidos de arbitragem.
Como me irrita ver um time perder um jogo ou um campeonato - seja ou não o Botafogo - por causa de erro de arbitragem.
Ontem foi a vez dos irlandeses. O sonho de ir à África do Sul acabou graças a mão de Henry. Em casa, com a patroa ao lado, gritei: “Caramba, isso é roubo”.
Não posso pensar em outra coisa. É má-fé, roubaram os irlandeses, para que a França não ficasse fora da Copa.
Sou árduo defensor do uso da tecnologia no futebol.
Tem dúvida, para o jogo. O quarto árbitro, com a ajuda da TV, chama o árbitro principal e juntos tomam a decisão.
Gol de mão? Anula. Gol na banheira? Anula. Falta violenta? Expulsa.
Ah, os puristas vão dizer que isso tiraria a dinâmica do jogo.
Ora bolas, o basquete é o jogo mais veloz do mundo. Tem a tecnologia como aliada. E nunca perdeu dinamismo - mesmo com o excessivo rigor na marcação das faltas.
Tênis tem tecnologia. Vôlei também. Até peteca tem.
Mas o futebol parou no tempo. Errar absurdamente ou roubar faz parte do evento. Fica divertido, faz parte do folclore, aumenta a polêmica.
Embora Nelson Rodrigues afirmasse que o videoteipe é burro, não há mais como abrir mão da tecnologia no futebol.
Do Rio, um abraço alvinegro
César Seabra
OBS - Jornalista brilhante, César Seabra é diretor da GloboNews.