
Muito já se falou e nas próximas três semanas falara-se-á ainda mais sobre a reunião da ONU em Copenhague - 192 países - que tratará das eventuais medidas para mudança climática no planeta. Conselho de amigo se você se interessa pelo assunto, acompanhe, leia, enfronhe-se nas questões que são importantes. Mas não perca de vista o seguinte: se a China, o maior poluidor do planeta, responsável em 75% no aumento das emissões de CO2 em 2008, não mover-se da sua posição, não haverá avanço de sequer de uma polegada. A conferência de Copenhague será um fracasso. Detalhe edificante: a China vai para Dinamarca de um jeito e de lá, tem o maior interesse de sair como entrou.
O gigante asiático passou décadas no marasmo econômico comunista. Nos últimos 20 anos o país cresce de maneira espantosa em ritmo alucinante - mais de 9% do Produto Interno Bruto por ano. Corre atrás do atraso e como qual uma locomotiva enfezada, puxa a economia mundial. Vá convencer os chineses de diminuir a fumaça. Ainda mais sabendo-se que a proposta vem de países industrializados que tanto poluíram sem entraves.
Note-se que apesar da economia da China ser a segunda do mundo e em breve será a primeira, passando os Estados Unidos, o país não quer trocar a condição formal de emergente nos foros internacionais. Assim, a China não sente-se obrigada às exigências impostas aos países ricos e simultaneamente, continua beneficiando-se das circunstancias atenuantes das economias em desenvolvimento. Ou seja, as metas de redução no aquecimento global devem levar em conta o desenvolvimento social, econômico e a erradicação da pobreza. No aspecto diplomático, os chineses vem fazendo o que bem entendem e é um dos países que mais investem nas economias pobres.
Em recente reunião com a presença de Barack Obama e Lars Lokke Rasmussen, o primeiro-ministro da Dinamarca, organizador da Conferência de Copenhague, 19 chefes de estado asiáticos em Singapura esquivaram de abordar as questões climáticas. Michael Froman, conselheiro especial de Obama para assuntos internacionais, afirmou ser “irrealista” um acordo daqui a 22 dias que obriga os paises a reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2050.
Isto posto, vamos as miudezas:
Lula, com Dilma Rousseff a tiracolo, entreteve-se com Nicolas Sarkozy em Paris. Falaram grosso em uma entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Elysée. “Não estamos brincando” disseram eles. Lula de forma literal, a seu gosto. Sarkozy com a dissimulação exigida pelo seu público interno ou cairia no ridículo onde o ridículo parece ainda merecer o esforço de ser evitado. Eles se referiam ao entendimento entre China e EUA sobre o nível de emissão de gazes que provocam o efeito estufa. Obama, em visita à Pequim até quarta-feira, está enviando proposta de reduções nas emissões de CO2 ao Congresso americano. Comparado às intenções do Brasil, redução entre 36% e 39% até 2020, a medida equivaleria ao resultado da diminuição de 80% do desmatamento na Amazônia.
Brasil e França doravante fazem frente comum através de um documento com princípios vagos. A “Bíblia climática” - 3 folhas A4 - segundo Lula da Silva. Os presidentes prometeram abarcar metade do mundo para seu campo. “Eu vou telefonar para o Obama segunda-feira” disse Lula completando: “Não podemos permitir que Obama e Hu Jintao fechem um acordo tomando como base apenas a realidade econômica de seus países, sem levar em conta suas responsabilidades. O mundo é multipolar.”
O Brasil fará uma reunião em Manaus no fim de novembro para tentar persuadir os países amazônicos da proposta franco-brasileira - ela vem sendo costurada entre o negociador Luis Alberto Figueiredo Machado e o ex-ministro francês do Meio Ambiente, Brice Lalonde desde setembro. Sarkozy diz que irá a Manaus, atendera também o convite de Gordon Brown para participar da reunião em Trinidad Tobago com os países da Commonwealth que reúne as antigas colônias do Império Britânico. O presidente francês que encontrar semana que vem com a chanceler alemã Angela Merkel para tratar do assunto prometeu fazer um giro pela África para encontrar aliados a proposta de que a temperatura média global não deve ultrapassar 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industrial como consta no documento assinado com o Brasil.