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Arquivo da categoria ‘Diplomacia’

Recordar é viver

sábado, 19 de dezembro de 2009 | 5:52

Blábláblá

No blog DE PARIS, você lê primeiro. Dia 15 de novembro de 2009, seguido ao encontro entre Sarkozy e Lula em Paris e durante visita de Barack Obama à Ásia, escrevemos aqui que a 15ª Reunião das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) em Copenhague seria um fracasso. A chamada do blog na Veja.com foi Copenhague é fracasso anunciado.

Na quinta-feira passada, um dia antes do encerramento da reunião na capital dinamarquesa, explicamos aqui porque os Estados Unidos e China - Lula e Brasil sempre foram coadjuvantes na questão - tinham bons motivos para não mudarem suas posições. Deu no que deu.

É bom lembrar, quando já se desenha Barack Obama como o grande vilão de Copenhague, que muitos gostam dele pelo que acham que ele faria. Isto  sem que  o presidente americano sequer tenha prometido ou cogitado ir em tal sentido.

Há os times que gostam e não gostam de Obama porque pensam que ele é uma espécie de socialista e ou incorpora nos EUA, algo que lembra o petismo. É  acepção das mais enganosas. Há os que chamam Obama de Ossama, como se ele fosse versão camuflada do turbante mais alto da organização terrorista Al Qaeda. Nem com muita boa vontade dá para levar a sério.

De Paris, um abraço

Por Antonio Ribeiro

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A dança de Lula e Sarkozy

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 | 6:54

dancasarkozy-e-lula

Por Antonio Ribeiro

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A coreografia de Hu e Obama

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009 | 14:54

copenhague4

É um prazer estar longe de Copenhague. Não é nenhuma surpresa os dois principais convidados a estrelar naquele teatro - já com ares de circo - estarem a procura de boa motivação pessoal e outra que de codjuvante do fracasso. Nem se, cientificamente, estivesse provado que mundo iria de fato acabar, seria boa razão para eles. Refiro-me a Barack Obama e Hu Jintao (repesentado pelo premiê Wen Jiabao). Ambos estão umbilicalmente ligados ao grande satã da Conferência na capital dinamarquesa, o CO2, ainda que seu efeito para tornar o mundo um inferno seja tema controverso.

O americano representa um país amplamente responsável pelo estoque, o CO2 acumulado durante mais de um século de industrialização. Hu é o diretor geral encarregado do fluxo, a China é o maior produtor de CO2 do planeta e tudo leva crer que permanecerá na liderança durante os próximos 30 anos. Do ponto de vista, digamos, moral o par deveria estar na COP15 desde a hora um do primeiro dia e de lá sair, como os campeões das concessões. Mas vale lembrar uma máxima da política - quando os acordos parecem impossíveis - através de um diálogo entre dois militares britânicos no filme Lawrence das Arábias:

Coronel Brighton: Olhe sir, não podemos simplesmente não fazer nada

General Allenby: Por que não? Normalmente é o melhor.

Obama e Hu tem excelentes razões para não fazerem nada. A resistência do aparelho político-administrativo de Washington freia o entusiasmo ecológico das cidades e dos americanos. No caso de Pequim, a vontade do poder central é ostensivamente ignorada pelas províncias, empresas e autoridades locais. Ou seja, um é imobilizado pelos braços e o outro, pelas pernas. Naturalmente, os EUA recusam engajarem-se em uma redução elevada de emissão de gazes do efeito estufa. A China, por sua vez, não quer ouvir falar em controles externos, considerados “ingerência.”

No entanto, exigem que os dois mexam-se. Finalmente uma questão interessante em Copenhague. Ela não tem nada de técnica, de ambiental ou de salvadora do mundo. Ela é política e diplomática e em última instância, de imagem, de aparência. Deve-se agir se não o mundo acaba ou deve-se fazer alguma coisa se não é o fim do mundo?

Por Antonio Ribeiro

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Clima: Lula e Sarkozy falam grosso em Paris, mas sem a China não tem papo firme em Copenhague.

domingo, 15 de novembro de 2009 | 10:16

locomotiva2

Muito já se falou e nas próximas três semanas falara-se-á ainda mais sobre a reunião da ONU em Copenhague - 192 países - que tratará das eventuais medidas para mudança climática no planeta. Conselho de amigo se você se interessa pelo assunto, acompanhe, leia, enfronhe-se nas questões que são importantes. Mas não perca de vista o seguinte: se a China, o maior poluidor do planeta, responsável em 75%  no aumento das emissões de CO2 em 2008, não mover-se da sua posição, não haverá avanço de sequer de uma polegada. A conferência  de Copenhague será um fracasso. Detalhe edificante: a China vai para Dinamarca de um jeito e de lá, tem o maior interesse de sair como entrou.

O gigante asiático passou décadas no marasmo econômico comunista. Nos últimos 20 anos o país cresce de maneira espantosa em ritmo alucinante - mais de 9% do Produto Interno Bruto por ano. Corre atrás do atraso e como qual uma locomotiva enfezada, puxa a economia mundial. Vá convencer os chineses de diminuir a fumaça. Ainda mais sabendo-se que a proposta vem de países industrializados que tanto poluíram sem entraves.

Note-se que apesar da economia da China ser a segunda do mundo e em breve será a primeira, passando os Estados Unidos, o país não quer trocar a condição formal de emergente nos foros internacionais. Assim, a China não sente-se obrigada às exigências impostas aos países ricos e simultaneamente, continua beneficiando-se das circunstancias atenuantes das economias em desenvolvimento. Ou seja, as metas de redução no aquecimento global devem levar em conta o desenvolvimento social, econômico e a erradicação da pobreza.  No aspecto diplomático, os chineses vem fazendo o que bem entendem e é um dos países que mais investem nas economias pobres.

Em recente reunião com a presença de Barack Obama e Lars Lokke Rasmussen, o primeiro-ministro da Dinamarca, organizador da Conferência de Copenhague, 19 chefes de estado asiáticos em Singapura esquivaram de abordar as questões climáticas. Michael Froman,  conselheiro especial de Obama para assuntos internacionais, afirmou ser “irrealista” um acordo daqui a 22 dias que obriga os paises a reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2050.

Isto posto, vamos as miudezas:

Lula, com Dilma Rousseff a tiracolo, entreteve-se com Nicolas Sarkozy em Paris. Falaram grosso em uma entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Elysée. “Não estamos brincando” disseram eles. Lula de forma literal,  a seu gosto. Sarkozy com a dissimulação exigida pelo seu público interno ou cairia no ridículo onde o ridículo parece ainda merecer o esforço de ser evitado. Eles se referiam ao entendimento entre China e EUA sobre o nível  de emissão de gazes que provocam o efeito estufa. Obama, em visita à Pequim até quarta-feira, está enviando proposta de reduções nas emissões de CO2 ao Congresso americano. Comparado às intenções do Brasil, redução entre 36% e 39%  até 2020, a medida equivaleria ao resultado da diminuição de 80% do desmatamento na Amazônia.

Brasil e França doravante fazem frente comum através de um documento com princípios vagos. A “Bíblia climática” - 3 folhas A4 - segundo Lula da Silva. Os presidentes prometeram abarcar metade do mundo para seu campo. “Eu vou telefonar para o Obama segunda-feira” disse Lula completando: “Não podemos permitir que Obama e Hu Jintao  fechem um acordo tomando como base apenas a realidade econômica de seus países, sem levar em conta suas responsabilidades. O mundo é multipolar.”

O Brasil fará uma reunião em Manaus no fim de novembro para tentar persuadir os países amazônicos da proposta franco-brasileira - ela vem sendo costurada entre o negociador Luis Alberto Figueiredo Machado e o ex-ministro francês do Meio Ambiente, Brice Lalonde desde setembro. Sarkozy diz que irá a Manaus, atendera também o convite de Gordon Brown para participar da reunião em Trinidad Tobago com os países da Commonwealth que reúne as antigas colônias do Império Britânico. O presidente francês que encontrar semana que vem com a chanceler alemã Angela Merkel para tratar do assunto prometeu fazer um giro pela África para encontrar aliados a proposta de que a temperatura média global não deve ultrapassar 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industrial como consta no documento assinado com o Brasil.

Por Antonio Ribeiro

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Tempo das cavernas

quinta-feira, 1 de outubro de 2009 | 12:03

cavernasA pré-história corresponde ao período que antecede a invenção da escrita. A grosso modo, foi por volta de 4.000 anos antes de Cristo. Alguns historiadores sustentam que o termo pré-história é incorreto. Segundo eles, seria mais preciso referir-se àqueles tempos como anteriores à chegada de documentos escritos. História sempre houve, embora nem sempre escrita.

No Brasil, a “pré-escrita” acabou tarde. Foi em 1500, quando Cabral aportou na Bahia. Na Nova Guiné, o marco aconteceu na virada do século passado, em 1900. Onde hoje é Honduras, viveram os Maias, civilização que, de acordo com os livros - e também na nova bossa, o Google - sabia escrever.

Ao observar certas imagens tomadas esta semana em Tegucigalpa - a que ilustra este post é uma delas - percebe-se o esforço para reproduzir, não os desenhos das grotas jurassídicas, mas as caricaturas com as quais o contemporâneo bem humorado retrata os primórdios, antes mesmo dos pré-colombianos. É favor não confundir com bolivarianos. A situação se presta a confusão. Nova Giné tampouco é Guiné-Bissau.

Há quem diga com bastante propriedade que blogues são uma questão de atitude. Nos tempos dos bytes, subscrevemos sem ressalvas.

Por Antonio Ribeiro

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Na casa da mãe Joana

domingo, 27 de setembro de 2009 | 6:21
Fábula do sapo e do escorpião: Itamaraty pede moderação a Zelaya

Fábula do sapo e do escorpião: Itamaraty pede moderação a Zelaya

La rana y el escorpión

Un escorpión, que deseaba atravesar un río, le dijo a una rana:

- Llévame a tu espalda.

- ¡Que te lleve a mi espalda! -contestó la rana-. ¡Ni pensarlo! ¡Te conozco! ¡Si te llevo a mi espalda, me picarás y me matarás!

-No seas estúpida -le dijo entonces el escorpión-. ¿No ves que si te pico te hundirás en el agua y que yo, como no sé nadar, también me ahogaré?

Los dos animales siguieron discutiendo durante un rato, y el escorpión se mostró tan persuasivo que la rana aceptó cruzar el río con él. Lo cargó sobre su resbaladiza espalda, donde él se agarró, y empezaron la travesía.

Llegados en medio del gran río, de repente el escorpión picó a la rana. Ésta sintió que el veneno mortal se extendía por su cuerpo y, mientras se ahogaba, y con ella el escorpión, le gritó:

- ¡Ves! ¡Te lo había dicho! ¿Pero qué has hecho?

- No puedo evitarlo. Es mi naturaleza.

***

Leia o relato de Thaís Oyama, enviada especial de VEJA a Tegucigalpa, aqui.

Por Antonio Ribeiro

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No topo do mausoléu

sexta-feira, 25 de setembro de 2009 | 21:18

notopodomausoleu

Se as fotografias de grupo nos grandes foros internacionais valessem como as posições dos dirigentes soviéticos em cima do mausoléu do Lênin durante os desfiles militares do 7 de novembro, em Moscou, Lula da Silva teria razão de achar que seu poder de influência  está no alto da prateleira. Ora ele aparece ao lado da rainha da Inglaterra ora de Sarkozy ora do anfitrião da reunião. Foi o caso mais uma vez. Vejam-no lá, à esquerda de Obama, na “fotografia de família” do G20 reunido na confluência dos rios Allegheny e Monongahela, em Pittsburgh.

Certa altura, um crítico de arte diante de um quadro do espanhol Pablo Picasso disse ao autor: “Isso não é uma mulher”. Recebeu a seguinte réplica de troco: “Bidu! Não é mesmo, isso é uma pintura.” Pelo que foi gasto na operação Manuel Zelaya, a mais ousada tentativa de colocar o Brasil entre os países que pesam no cenário internacional, o ex-presidente hondurenho já deveria estar aonde o fizeram apear de pijamas. Não é bem o cenário que se assiste.

Pelas manchetes dos jornais brasileiros, tem-se a impressão que o destino da humanidade está sendo decidido na pedenga de Tegucigalpa. Por sorte dos terráqueos, a bola corre rente a grama. Creia, caríssimo leitor, não está não. A questão hondurenha só apareceu no radar por alguns instantes devido ao seu exotismo. Voltou a justa medida com a mesma rapidez. Ou seja, sumiu.

Curioso observar o caloroso debate entre o time do houve golpe e aqueles que dizem ter-se respeitado a constituição hondurenha. Golpe houve em um golpe em curso. Qual é o golpista mais bonito? Ao que parece, ele tem sido aferido, sobretudo, pela máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” no contexto da política doméstica.

Pintura.

Por Antonio Ribeiro

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009 | 17:34
Winston Churchill: “Sem comentários é uma esplendida expressão. Estou usando-a cada vez mais.”

Winston Churchill: “Sem comentários é uma esplêndida expressão. Estou usando-a cada vez mais.”

Por Antonio Ribeiro

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Em berço esplêndido

terça-feira, 22 de setembro de 2009 | 19:15
Um Rafale dois Rafale três Rafale quatro...zzzzz.

Um Rafale dois Rafale três Rafale quatro... zzzzz.

Por Antonio Ribeiro

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“Conhece?”

sexta-feira, 10 de julho de 2009 | 8:27


Um amigo argentino, depois de comandar um tremendo sucesso editorial, decidiu tirar um ano sabático para realizar sonho acalentado durante anos: dar a volta pela África em um veículo com tração integral nas quatro rodas. Ele passou antes por Paris. Comprou um Toyota Land Cruiser e como aventureiro precavido, africanizou o utilitário. Quer dizer, reforçou a suspensão para enfrentar estradas ruins, elevou o cano de escapamento para atravessar riachos e instalou tenda articulada no teto do veículo, medida incontornável para dormir à la belle etoile, ao ar livre, sem o correr risco de ser atacado por feras ou picado por cobras.

Embora demorada e custosa — foi preciso deixar uma caução com metade do preço do carro para obter o “carnê de passagem”, emitido pelo Automóvel Clube de Paris, uma espécie de passaporte do 4 x 4 — supunha-se que a etapa preparatória seria a parte menos complicada da jornada. Isso porque o amigo fazia questão de terminar a viagem levando para casa a lembrança de uma África original. Digamos, um ambiente parecido com o de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, ou do filme de John Huston, The African Queen, com Katharine Hepburn e Humphrey Bogart.

Esta África não existe mais. Lembra a emblemática e divertida charge da revista New Yorker, onde uma jovem massai veste apressadamente seus trajes e adereços tribais enquanto um amiga lhe pergunta : “Há algum fotógrafo do National Geographic chegando?” A ilustração vale também para os xavantes do Xingu. Aliás, vale para a maioria da população indígena brasileira. Meu amigo contou ter um teste astucioso, de algo grau de eficiência. Levaria a fotografia de Maradona no bolso da camisa de cor khaki ou do casaco saariano — aquela vestimenta para safari cujo melhor corte era encontrado nas prateleiras das lojas Banana Republic, nos bons tempos e em New York. Ao chegar em uma tribo africana sacaria o retrato do Pibe de Oro e perguntaria para o primeiro nativo que cruzasse seu caminho: “Conhece?” Se o selvagem respondesse de forma afirmativa, o amigo, não perderia tempo. Viraria as costas, montaria no seu Land Cruiser e iria em busca do seu Graal, uma África mais genuína.

O Itamaraty, templo da diplomacia brasileira, também tem um teste parecido para saber se um diplomata esta apto para servir o governo Lula. O exame consiste em levar o postulante para uma sala com, no mínimo, 5 pessoas que ele nunca viu. Se o diplomata conseguir pronunciar a frase, sem evocar circunstancias atenuantes, “Cuba é uma ditadura”, ele esta reprovado. Para passar, o diplomata deve tentar reproduzir os contorcionismos do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, quando trata ou melhor, dribla a questão — concede-se, não tão bem como Maradona, eles tem a mesma estatura, mas não o mesmo talento.

Por Antonio Ribeiro

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