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Rosto angélico, ela tem silhueta quase perfeita. A destreza mental, a habilidade de atrair admiração sobre si está bem acima da média do mundo que a fez célebre — o ambiente onde a beleza reina sobre todas virtudes e abranda os piores defeitos. Contudo, Carla Bruni, primeira-dama da França, vem sendo louvada e, ça va de soi, criticada por mais um papel inusitado nos seus 41 anos de existência — eles parecem menos. A bela dominou a fera. Carla conseguiu imprimir ascendência na forte personalidade do marido Nicolas Sarkozy.
Pelo início — há quem diga: “pela fraqueza da carne”. A primeira-dama colocou o corpo do presidente francês, de 54 anos, sob sua tutela. Seguindo instruções de Bruni, Sarkozy abandonou o velho hábito de devorar chocolates, doces e sorvetes. Ele agora é do time que come com moderação. Frutas e queijos magros entraram no cardápio presidencial.
Três vezes por semana, o presidente corre e faz exercícios com Julie Imperiali, de 26 anos, a personal trainer de Carla, famosa por seu método que fortalece os músculos da região pélvica — espécie de Pilates, brevetado após toques pessoais da ex-bailarina e ginasta cuja máxima sustenta o fazer bem ao físico, conforta a alma.
Sarkozy é aluno exemplar na avaliação de Imperiali. Para outros, ele exagera na dose. Isto para agradar ou acompanhar - ou ambos — o ritmo de Carla, 14 anos mais jovem. A dedicação é tamanha que, depois do mal-estar durante 45 minutos de jogging sob calor de 30 graus, nos arredores da residência presidencial de La Lanterna, em Versalhes, seguido de internação hospitalar, o dedo acusador foi apontado para primeira-dama.
Verdade ou não, pondera-se, Sarkozy não tem queda por meias medidas. Obsessivo é um adjetivo justo. Cai lhe muito bem, ele não contesta. Um dado emblemático: Sarkozy voou 300.000 quilômetros em um ano, média de 820 quilômetros por dia para realizar visitas oficiais fora da França.
Já não se vê mais o presidente francês com ostensivos relógios Rolex no pulso. Procure o mordomo? Não, busque a mulher. Aqui é inegável. Bruni acabou com o estilo Bling Bling do marido. O mau gosto típico de endinheirados sem refinamento, “o cheguei, olhem para mim”, motivo de escárnio. Doravante ou pós-Carla, Sarkozy lê as horas pelos ponteiros de um elegante Patek Philippe, presente do rapidíssimo casamento.
Os ternos presidenciais agora tem a sobriedade dos tons escuros. As camisas inglesas, brancas ou azuis claras, são marca Hilditch & Key, pano de fundo para as gravatas negras ou, no máximo, cinza chumbo. Se a França, referência mundial de elegância, deve algo a italiana Bruni, é de ter feito seu presidente parecer presidente.
A influência não ficou só no visual. Carla operou em profundidade. Algo que pode, se sensibilidade houver, despertar admiração de Marisa Letícia à Michele Obama. Inspirar seria sugerir o impossível. Bruni despertou em Sarkozy o interesse pela literatura francesa — de Guy Maupassant a Françoise Sagan. Isto não é pouco em um país que se vê como o mais autêntico herdeiro da cultura ocidental.
No mês passado, em lance raro, Sarkozy surpreendeu os franceses declarando que estava lendo La Princesse de Clèves, livro anônimo da escritora Marie-Madalene de La Fayette, publicado em 1678. O romance histórico, considerado o pontapé inicial da prosa moderna francesa, relata um encrencado triangulo amoroso, parte incontornável do currículo escolar dos colegiais franceses.
A primeira-dama introduziu a obra de Bod Dylan no Palácio do Elysée, o autor americano que fez a cabeça dos Beatles com drogas e versos desconcertantes, a sua voz de taquara rachada foi fiel trilha sonora dos conturbados anos 60.
“Você não pode vencer só com o apoio dos intelectuais, mas não ganhará sem eles”, disse Sarkozy em uma surpreendente entrevista a revista Nouvel Observateur que deita lhe o malho muito antes do primeiro dia do seu mandato. Isto é Carla Bruni, esculpida na toscana Carrara, sem tirar nem por. O presidente francês prepara sua reeleição. O seu melhor cabo eleitoral dorme debaixo dos lençóis de sua cama.
Por Antonio Ribeiro

A propaganda francesa tem Jacques Séguéla no alto da prateleira. O talento do publicitário de origem catalã ajudou consumidores desejarem produtos na França e alhures. Ele é conhecido, sobretudo, pela campanha eleitoral que levou François Mitterrand à presidência. Ficou gravado na memória popular um cartaz com o retrato de Mitterrand contra o fundo de uma paisagem bucólica do interior da França. Tão eficaz que Sarkozy copiou a idéia na ultima eleição presidencial. O título era: A Força Tranquila. Mitterrand que Séguéla fez lixar as pontas dos dentes caninos para evitar semelhança com vampiro, não era visto como força tranquila. O presidente que governou a República francesa por mais tempo era impiedoso com aliados e desdenhava os inimigos.
Um feito recente trouxe lustre à fama de Séguéla. Foi o publicitário que apresentou Sarkozy à Carla Bruni em jantar na sua casa, especialmente preparado para ocasião. As vésperas de completar 77 anos, Séguéla lançou Autobiographie Non Autorisée (Autobiografia Não Autorizada). No livro, o autor conta detalhes do primeiro encontro, em novembro de 2007, do casal presidêncial. Se Séguéla foi fiel aos fatos, não houve amor a primeira vista, mas uma confluência de personalidades parecidas. O flerte não encetou a relação. O que atiçou a atração mútua foi o tórrido diálogo destemido de provocações. A imprensa francesa, por enquanto, não publicou uma linha sobre a noite que seu presidente criticou as pernas de Mick Jagger e pediu a mão de Carla — com a promessa de fazer algo melhor do que a relação da atriz Marilyn Monroe e Jack Kennedy.
Segundo Séguéla, o diálogo, usando a informalidade da segunda pessoa do singular, foi o seguinte:
Sarkozy: Minha fama não é pior que a sua.
Bruni: Eu já te conheço sem nunca ter te encontrado. Entendo tudo de você… Você faz amor com muitas porque ninguém faz amor com você. Eu sei tudo de você porque sou igual a você.
E como a noite era uma criança, foram indo.
Sarkozy: Estarei na primeira fila do seu próximo concerto. Anunciaremos o nosso casamento. Você verá, faremos melhor que Marilyn Monroe e Jack Kennedy.
Bruni: Casamento? Nunca! De agora em diante eu só viverei com um homem que me fizer um filho.
Sarkozy: Eu já criei cinco. Por que não um sexto?
Sarkozy, que não bebe uma gota de álcool, teria dito no ouvido de Carla: “Aposto que você não tem coragem de me beijar na boca agora, em frente a todo mundo.” Bruni ficou em silêncio. Mas quando Sarkozy preveniu que não seria fácil sair com ele devido o assédio dos paparazzi, Carla retrucou de imediato: “No que diz respeito ao trato com a imprensa de
celebridades, você é um amador. Tive encontros com o Mick Jagger durante oito anos sem que ninguém soubesse de nada. Passamos por várias capitais no mundo e nenhum paparazzi jamais nos flagrou.”
O silêncio da imprensa francesa reflete a relutância — reforçada pela lei — de tocar na vida privada de quem está no poder. O livro de Séguéla vai na direção oposta, aborda a intrigante psicologia de um dos mais poderosos lideres da Europa cujas decisões são determinantes para França. Em outro trecho da Autobiografia, o autor revela uma confidência de Sarkozy. Algo que presidente considera “um dos momentos mais bonitos da minha vida”, a dele, bem entendido: “Minha ida a Casa Branca acompanhado por três mulheres, símbolos da França e que os Estados Unidos não esperavam. Que orgulho! Eu cuidei de cada detalhe. Disse a Rama Yade (jovem negra, ministra dos Direitos Humanos) que era bonita demais para usar seus vestidos espalhafatosos. Encorajei Rachida Dati (ministra da Justiça de origem argelina) conservar a sua elegância. Vá com um dos seus vestidos Dior. Aconselhei Christine Lagarde (ministra da Economia e Finanças) deixar as jóias no cofre. Uma ministra da Economia não vai encontrar o presidente americano usando colar de pérolas.”
Por Antonio Ribeiro

Nicolas Sarkozy, que esteve hoje em Moscou para mediar o conflito entre os russos e os georgianos, vai visitar oficialmente o Brasil nos dias 23 e 24 de dezembro deste ano. O presidente francês vai se hospedar com Carla Bruni-Sarkozy no quarto 601, a suíte presidencial do Hotel Copacabana Palace, no Rio. No primeiro dia da visita, Sarkozy tratará com Lula de questões entre o Brasil e a União Européia, da qual o francês é o presidente rotativo com mandato de seis meses. No último dia da visita oficial, Sarkozy abordará assuntos bilaterais e irá inaugurar o Ano da França no Brasil. Os franceses mantêm ainda em segredo se depois da viagem oficial, Carla ficará no Brasil para passar o Natal com seu pai que vive em São Paulo. A primeira-dama francesa é a capa da edição deste mês da revista Vanity Fair com o seguinte pergunta: Ela é a próxima Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis? Não será surpresa se o casal presidencial francês decidir permanecer Rio para assistir os fogos de artifício do Réveillon. O Brasil é o maior parceiro comercial da França na América Latina, Sarkozy tem aproveitado seus mandatos para tentar aumentar zonas de influência francesa em permanente declínio no mundo.
Por Antonio Ribeiro