29/03/2010
às 10:01 \ Arte1.5 Crime e castigo: A morte no museu
A Justiça brasileira acaba de estabelecer um marco com o julgamento dos assassinos da menina Isabella Nardoni, de 5 anos. Ele é histórico pela punição exemplar do crime hediondo em um país habituado à impunidade. Mas também pela impecável lisura do processo. Assim como a excelência no fabrico das provas, onde polícia e perícia serviram-se desde a lógica até avançados recursos ao alcance da criminologia. Contudo, o registro visual do momento passará à posteridade por traços que lembram histórias em quadrinhos. Os desenhos dos infografistas admitidos nas sala de audiência.
Este tipo de material serve, sobretudo, para ilustrar relatos que dão conta do ocorrido longe da imensa maioria do público que acompanhou o caso com não menor interesse. Mas eles um dia poderão adentrar a porta de um museu. É o que está acontecendo agora em Paris. A partir de uma idéia do jurista Robert Badinter, o homem que aboliu a pena de morte no país da guilhotina, o Museu d’Orsay montou exposição com 475 obras de indivíduos que elegeram o crime e o castigo como tema de seus talentos. A mostra fica aberta à visitação até o dia 27 de junho. Ela explora os dois séculos posteriores à Revolução Francesa.
Os organizadores da exposição Crime et châtiment, título homônimo do clássico de Fiódor Dostoievski, avisam: “Atenção, o conteúdo pode chocar sensibilidades.” A exposição é proibida para crianças. Nenhum exagero. Logo na entrada, o visitante dá de cara, ainda que parcialmente coberto por véu transparente negro, com mais recente exemplar do Dr. Joseph-Ignace Guillotin que fez rolar a cabeça de Hamida Djandoubi para interior de um cesto, o último condenado à morte na França, em 1977. “A Viúva”, apelido da guilhotina, não é exibida em público há 25 anos.
Mais à frente, há telas de Francisco Goya, Edgar Degas, Pablo Picasso, René Magritte e Andy Warhol, onde se vê crucificação, canibalismo, tortura, linchamento, apedrejamentos, estupros. Nestes casos, a circunstância atenuante dos cenários é só a genialidade dos artistas. Há também fotografias e páginas de jornais com notícias de crimes bárbaros. Um deles, é a capa do Le Petit Journal, um diário que chegou a circular um milhão de cópias entre 1863 à 1944. Ela mostra Jeanne Weber, “a ogra”, esganando uma criança.
Ao lado do rato, o homem é único animal capaz de abreviar a vida de um igual, movido apenas pela vontade de matar. O bíblico Caím, primogênito de Adão e Eva, primeiro homem nascido na Terra, é um assassino. A característica sempre fascinou o mundo das artes. “Mas o horror absoluto, no seu estado puro, não é completamente representável, certos sofrimentos são indizíveis”, diz o curador da exposição Jean Caire à VEJA.com. Um dos aspectos interessantes da exposição Crime et châtiment é notar a superioridade das imagens em relação à escritura e ao relato oral no que diz respeito à descrição da violência e da crueldade. Em sua nitidez, há pouco espaço para imaginação. Você vê o que vê. Se reflexão vier, ela acontece em um segundo momento.
Quem não tiver oportunidade de ir à exposição do Museu d’Orsay, pode visitar o Museu de Arte Moderna de São Paulo para ver um detalhe curioso. O rosto de uma estatueta em forma de bailarina, esculpida por Degas. Ela tem traços de bandida. Ou melhor, assim sustentava tese da antropologia criminal no século XIX. O psiquiatra italiano César Lombroso, autor de O Homem Criminoso, pesquisou a morfologia de 5.000 delinquentes nas prisões para em seguida, concluir que eles tinham características físicas semelhantes – em sua maioria elas assemelhavam com os de animais primitivos. “Olha aqui com o que se parece o nariz de um bandido atávico”, dizia ele. O que era uma tentativa para estabelecer um método formal de identificação criminal, hoje serve mais como inspiração para ilustrações de literatura fantástica.
Veja obras da exposição nos posts abaixo.
Tags: Andy Warhol, César Lomboso, Edgar Degas, Fiódor Dostoievski, Isabella Nardoni, Museu d'Orsay, Pablo Picasso, René, Robert Badinter






Veio de Portugal, jardim a beira-mar plantado, a análise mais sucinta, clara, precisa, enfim definitiva, do filme O Filho do Brasil. Não podia ser diferente. Foi palavra de especialista, de quem conhece, sabe das coisas. Luis Inácio Lula da Silva: “A imagem não fala por si.” Ouso afirmar: vai virar expressão popular sempre que situação análoga projetar-se no cotidiano nacional. Mesmo que alguém diga “estamos convencidos que”, ainda que ” o fato concreto” se materialize diante dos olhos, haverá sempre “a imagem não fala por si.” Nunca na história deste país um crítico viu um filme, dissimulou ter assistido outro, mas ainda assim, comentou tão bem um terceiro. É o cara.



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