Blogs e Colunistas

Arquivo da categoria Américas

11/09/2011

às 1:39 \ Américas

Contra a humanidade

Por Antonio Ribeiro

12/09/2010

às 7:54 \ Américas

Blog de Nova York, por Caio Blinder

Estreou na Veja.com o Blog de Nova York sob responsabilidade do jornalista Caio Blinder. O leitor ganha mais uma vez. Aqui, na margem oposta do Atlântico, à beira do Sena, desejamos ao Caio muito boas vindas.

O Blog de Nova York está aqui.

Por Antonio Ribeiro

31/03/2010

às 8:39 \ Américas

O zelo com as palavras

discursobama

Para quem acha que Barack Obama é uma espécie de encarnação norte-americana de Luiz Inácio Lula da Silva, vale a pena dar uma olhada na fotografia que ilustra o post. Ela mostra o cuidado de Obama com as palavras de seu discurso. Revela que ele e Lula, ao menos neste particular, não são de mesma classe. No duplo sentido do termo, diga-se de passagem.

A parte a habitual oba-obamania, a pasmaceira do culto à sua personalidade que acontece independente da sua vontade, Obama vem recebendo um dilúvio de elogios desde que conseguiu aprovar o novo sistema de saúde nos Estados Unidos. O mais recente veio de Nicolas Sarkozy, em visita a Washington: “Presidente Obama quando promete algo, ele cumpre.” É algo que o presidente da França não pode dizer de si mesmo nem do amigo Lula, ainda que a compra dos caças Rafale seja a exceção que confirma a regra.

Por Antonio Ribeiro

15/01/2010

às 16:45 \ Américas, Futebol

“Falar em desaparecidos é eufemismo”

haiti1A sensibilidade, delicadeza e elegância é do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Porto Príncipe, capital do Haiti – imensa favela transformada pelo terremoto de efeito 35 vezes superior à bomba atômica de Hiroxima em campo de refugiados com milhares de mortos, moribundos, feridos, onde falta tudo e impera o sofrimento e o desespero.

E o ministro fez questão de esclarecer que “desaparecido é o termo técnico para corpos não encontrados”. Verborréia também é termo técnico.

Imaginem o que Vossa Excelência não diria nas horas graves em uma cadeira cativa verde e amarela do Conselho de Segurança da ONU.

Atualização: Os soldados das equipes de resgate de trinta países podem protocolar pedido canonização no Vaticano.  Basta apresentar no guichê da Santa Sé a premissa de Jobim e o seguinte: uma semana depois do terremoto no Haiti, eles conseguiram realizar mais de 100 vezes o milagre de Jesus, segundo os evangelistas, com Lázaro.

Por Antonio Ribeiro

14/01/2010

às 9:12 \ Américas

É o cara… de pau

Pinocchio por Enrico Mazzanti

Pinocchio, o original, por Enrico Mazzanti

Depois de afirmar publicamente em três ocasiões diferentes a sua preferência pelo avião de combate francês Rafale na licitação do projeto FX-2, Lula pinoqueou o seguinte: “O único que ficou em silêncio até agora fui eu. E fiquei em silêncio porque tenho o poder de decidir e, quem tem o poder de decidir tem mais responsabilidade: não fala o que quer, fala o que pode.”

Embora não seja nenhuma novidade e mesmo muito frequente, o presidente se contradiz na forma e no conteúdo. Falou, mas disse ter ficado em silêncio. Falou o que quis e falou o que não deveria, contrariando com habitual desfaçatez a regra mais básica de uma licitação.

Lula não descarta levar a questão da compra para ser discutida no Congresso. Bem, se vale o que diz, desta vez, era onde tudo deveria ter começado. O maior gasto militar da história do Brasil merece, tal qual nas democracias dignas do nome, transparência e debate público entre os representantes de quem vai pagar a conta.

Por Antonio Ribeiro

11/12/2009

às 20:18 \ Américas

Culto à personalidade

stalinlula2Do ponto de vista jornalístico, puramente técnico, um fato perde a relevância quando ele torna-se recorrente, corriqueiro. Informar não significa participar de um processo de comunicação, sobretudo, quando ele é propaganda oficial. Mas há algo pior. A ajuda ao culto à personalidade de um governante ainda que de forma inconsciente.

Os grandes jornais brasileiros ainda acham ser notícia quando Lula fala “merda”. Não é bem o palavrão na oratória do Presidente da República que espanta. É a frequência em que o presidente diz bobagens e que sua fala chula encontra destaque nas folhas do dia seguinte.

O Pravda, jornal oficial da União Soviética, tinha como missão primeira, cultivar a imagem de seus líderes. Se  Stalin passasse o dia dormindo, a manchete do dia seguinte poderia ser que o Pai da Pátria sonhou bom futuro para a federação comunista.

Em uma democracia não acontece assim. Mas Lula já percebeu que no Brasil, se tocado o nervo central, o sistema reage. Lula disse isso, Lula disse aquilo. E vamos comentar o que disse o Lula. Ele está nas mais irrelevantes questões. Onipresente indiscriminadamente, notícia ou não. Um sistemático automatismo pela ausência do devido recuo e  reflexão.

Um exemplo edificante com ampla ressonância. Lula diz: “Copenhague só vai ser o que vai ser porque o nosso querido país teve a coragem de, há um mês, apresentar as metas que apresentamos.” Além expressão megalomaníca fora do lugar, a afirmação é falsa e tem a importância de papo de botequim. Relevância mínima.

Muitas edições dos jornais britânicos circulam sem o nome do primeiro-ministo Gordon Brown na primeira página. Le Figaro e Le Monde fazem igual com Nicolas Sarkozy, conhecido por não perder a menor oportunidade de se mostrar. Nem Barack Obama, querido de grande parte da imprensa americana, recebe tanta “canja” quanto Lula. Não passa um só dia onde o nome do presidente brasileiro não esteja estampado no rosto dos jornais.

Não venham dizer que isso é coisa de gênio político. É apenas ocupação velhaca do espaço — e sempre sobre assunto na cirsta da onda — deixado por brutal falta de senso crítico, espírito livre e muitas vezes medo da patrulha que quando confrontada ou ignorada, revela sua real natureza, a de Tigre de Papel.

Em tempo: aqui não se fala palavrão. Não mesmo.

Por Antonio Ribeiro

13/11/2009

às 8:11 \ Américas

Identidade nacional II

sarneyO presidente do Senado, José Saney, escreve hoje no jornal a Folha de São Paulo:

“Paro numa matéria que tem o instigante título “Ser francês é…”. É debate que está despertando grande rebuliço, comandado pelo ministro da Imigração, um discutido ex-socialista, Eric Besson, sobre a identidade de ser francês.

O debate prossegue, mas milhares de cidadãos nele já tomaram parte. Uns, de gozação, dizem que ser francês é cantar a Marselhesa; outro, que é “ser um cidadão livre e jamais cantar as estrofes infames e guerreiras da Marselhesa”. Mas, em grande parte, uma coisa perpassa em todos: o orgulho de uma França que tem a cultura como sua primeira preocupação.

E me deu a vontade de pensar numa enquete dessas no Brasil. Qual a identidade de ser brasileiro num mundo invadido pela globalização, em que a cultura erudita é importada em enlatados?”

(…)

Mas fico com receio de que, se alguém perguntar a um neto qual a identidade de ser brasileiro, ele responda: “É cantar o hino do Flamengo”.

Melhor enquete seria da polícia no Senado, invadido pelo nepotismo e corrupção, cujo  hino pode ser apreciado aqui.

Por Antonio Ribeiro

09/11/2009

às 9:04 \ Américas

A promessa perpétua concretiza

apromessaperpetua

Se críticas fossem gotas de chuva, ao completar um ano de governo, Barack Obama estaria ensopado. Charles Krauthammer, colunista jornal Washington Post, uma das vozes mais ferinas do conservadorismo americano, por exemplo, dizia com escárnio que o presidente era o “Brasil” entre os políticos da sua geração. “Ele é o homem da promessa perpétua, obviamente, não realizou nada.” Nenhum presidente da história recente dos Estados Unidos foi tão prejulgado e julgado e em tão pouco tempo como Obama.

Certamente não aconteceu com George W. Bush cuja expectativa era baixa, continuou igual até o seu último dia na Casa Branca. Tampouco com o democrata Bill Clinton, eleito depois de três mandatos de governos republicanos sucessivos. Nem mesmo Ronald Reagam que assumiu a presidência proclamando que os EUA, finalmente, estavam amanhecendo. Pondera-se, os detratores de Obama atiram mais na sombra do alvo. Quer dizer, naquilo que os admiradores do presidente dizem que ele é sem que Obama tenha contribuído para formar a miragem.

Dadas as circunstâncias, o desempenho de Obama até agora não é ruim, mas falta muito a fazer. Ele acaba de marcar um ponto que no contexto da política americana, configura um divisor de águas no seu governo. E não só. Ao conseguir que o Congresso aprovasse uma drástica reforma no sistema de saúde com proteção quase universal para seus compatriotas, Obama fez em pouco mais de 12 meses o que seus colegas democratas não conseguiram realizar em 12 anos — um mandato de Jimmy Carter e dois de Clinton. A medida irá beneficiar 36 milhões de americanos sem seguro saúde ao custo de 1,1 trilhão de dólares em 10 anos – 7% do PIB americano. O financiamento do programa que alinha os EUA com as maiores economias do planeta virá de um aumento de 5% no Imposto de Renda de famílias que ganham mais de 1 milhão de dólares por ano e de indivíduos que sozinhos, ganham metade do montante. As empresas que não inscreverem seus empregados no novo plano de saúde estatal pagarão multa pesada, equivalente a 8% da folha de pagamento.

Evidente que haverá quem ache algum jeito de minimizar a realização efetiva da mais importante e ambiciosa promessa da campanha presidencial de Obama, um projeto acalentado durante décadas pelo Partido Democrata e nunca concretizado. Qual a graça da democracia se não permitisse o contraditório? Seria algo como a voz do trono, “eu falo, vocês escutam calados.” Uma cirurgia cardíaca pode custar 130.000 dólares nos EUA. A operação equivalente em Singapura sai por 18.000 dólares ou 10.000, na Índia. Estima-se que entre 70.000 a 75.000 americanos foram se tratar no estrangeiro no ano passado. Isso claro, os que podem pagar o chamado “turismo médico”.

Durante o tempo torrencial, houve quem viu no escuro. Bill Emmott, ex-editor chefe da revista The Economist, responsável pelo sucesso internacional de uma instituição da imprensa britânica, previu no diário londrino The Times, prematuras as críticas a Obama. Segundo ele, Obama tem duas características vitais capazes de fazer a história colocar os presidentes americanos no alto da prateleira. “Uma é resiliência”, escreveu ele. “A capacidade de ricochetear na adversidade e parecer seguro enquanto contra-ataca. Clinton tinha essa qualidade e Reagan também; Carter não.”

A outra capacidade é a de sustentar várias frentes de uma vez só sem diminuir o esforço e ou criar confusão. Enquanto vende seu plano de saúde que carece ainda de aprovação final no Senado, o governo Obama promove novas regulamentações no sistema financeiro e propostas para reduzir os efeitos das mudanças climáticas no planeta. A guerra contra o Talibã no Afeganistão ainda está no atoleiro; as ameaças nucleares do Irã e Coréia do Norte não desapareceram; o incentivo à resolução do conflito Israelo-Palestino ainda estão em ponto morto. Em casa, no entanto, Obama resumiu a situação depois da vitória apertada no Congresso (220 votos contra 215): “Este é o meu melhor momento na vida pública, ele explica por que fomos eleitos.”

Por Antonio Ribeiro

30/09/2009

às 16:54 \ Américas

Uma linha

Democracias garantem ao acusado, o contraditório, a defesa e a igualdade de partes.

Por Antonio Ribeiro

29/09/2009

às 9:32 \ Américas

A letra fria da lei

constituicao-de-hondurasDa Constituição hondurenha:

“O cidadão que tenha ocupado o Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir a disposição ou propuser reformá-la, assim como aqueles que o apoiarem, direta ou indiretamente, cessarão de exercer de imediato seus respectivos cargos. Os infratores ficarão proibidos durante dez anos de exercer qualquer função pública.” (Foi o que fez Manuel Zelaya.)

“Nenhum hondurenho poderá ser expatriado nem entregue pelas autoridades a um Estado estrangeiro”. (Foi o que fez o governo interino.)

polichineloResumo da ópera-bufa: o polichinelo capaz de presuadir a existência de santo na história recente de Honduras, tem lugar garantido de contorcionista no picadeiro do Cirque du Soleil. Foi bem por isso que escrevemos aqui : “Chamar hondurenho de golpista é fácil.” (O que fazem Lula e Celso Amorim). Chamar Cuba pelo nome, de ditadura, o que é  também fato inquestionável, eles não tem coragem.

Por Antonio Ribeiro

 

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