21/10/2011
às 18:20 \ AfricaGoverno que inicia com mentira não abandona a desfaçatez

Cadáver de Kadafi em um container dentro de shopping center abandonado para visitação pública e o mentiroso Mahmoud Jibril
Churchill Defiant, Churchill Desafiador, o livro de Barbara Leaming está longe de chegar à altura do tornozelo da biografia do primeiro-ministro britânico escrita por William Manchester, ainda que, infelizmente, incompleta devido à morte prematura do autor. Leaming é ansiosa. Parece escrever a galope, saltando de um fato a outro sem a paciência de analisar a amplitude, profundidade e efeitos. Mas o relato tem ritmo rápido, assim como o raciocínio de Churchill que ia sempre direto ao cerne da questão. O livro tem uma virtude logo no começo. O prefácio descreve a viagem de Churchill aos escombros de Berlim, em julho de 1945. Ele foi lá dar uma olhada em que estado ficou o inimigo que derrotou com coragem e inteligência. Mas aquilo o entediou. A cachola de Churchill já estava no que viria depois, no dia seguinte, na expansão soviética que mais tarde, chamou suas fronteiras de cortina de ferro. Escondiam o fascismo mais a mentira. É boa aula.
A morte do coronel Muamar Kadafi provoca celebrações efusivas na Líbia após 42 anos de ditadura brutal. Para população, o verdadeiro fim do regime foi o fim do tirano. A tomada de Trípoli pelos rebeldes no dia 21 de agosto não despertou tanta confiança. Um sinal marcante revelador agora é a presença de crianças nas comemorações. De uma parte denota segurança e de outra, que os pais querem que o filhos testemunhem de como a nova era teve início. O espetáculo é bonito, chega a ser comovente. No entanto, os sinais iniciais não são todos alvissareiros. A torcida para que na Líbia seja diferente é grande, mas todo governo que começa com mentira descarada, normalmente, não abandona a desfaçatez. Apesar de todas as evidencias que Kadafi foi executado sumariamente depois de capturado vivo, o Conselho Nacional de Transição (CNT), o primeiro-ministro do governo interino, Mahmoud Jibril, continuam afirmando que a morte foi acidental.
De Luis XVI a Nicolau II, de Mussolini a Saddam, os revolucionários não tentaram esconder a execução do tirano. Nem os SEALs, os comandos da marinha americana que deram fim no terrorista Osama bin Laden tentaram dissimular o que fizeram. Estavam absolutamente convictos que fizeram o que tinha que ser feito. O CNT, um mosaíco de disputas de tribais, clãs e grupos islamistas, demonstra apreço pela mentira de estado. A questão não é se combatentes executam assassinos. Isso não é novidade, acontece desde priscas eras ainda que jamais justificável. Mas um governo não deve ter tanto menosprezo pela verdade. É sinal preocupante do que pode vir por aí.
Leia o post do Blog de Paris: “Kadafi foi capturado vivo. Veja a prova. Mas como morreu?“
Tags: Barbara Leaming, Conselho Nacional de Transição, Mahmoud Jibril, Muamar Kadafi, William Manchester, Winston Churchill




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