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04/02/2009

às 11:28 \ Paris

Gustave e os críticos

No dia 14 de fevereiro 1887 o jornal Le Temps publicou um manifesto assinado por ”personalidade do mundo das artes e letras” protestando contra a construção de uma torre de 300 metros no Champ-de-Mars, em Paris :

“Nós, escritores, pintores, escultores, arquitetos amantes da beleza até agora intacta de Paris, protestamos com toda nossa força, toda nossa indignação, ao nome do gosto francês desconhecido, ao nome da arte e da História francesa ameaçada, contra a construção, no coração da nossa capital, da inútil e monstruosa Torre Eiffel. Que a malícia pública, frequentemente impregnada de bom senso e espírito de justiça, já batizou de Torre de Babel. “

Resposta de Gustave Eiffel:

“Eu lhes direi o meu pensamento e todas as minhas esperanças. Creio que a Torre terá sua própria beleza. Só porque somos engenheiros, vocês acham então que a beleza não faz parte de nossas preocupações nas construções? Que ao mesmo tempo que fazemos o sólido e durável, não nos esforçamos para fazer o elegante? Será que as verdadeiras condições da força não estão sempre conforme às condições secretas da harmonia? O primeiro princípio estético da arquitetura é que as linhas essenciais de um monumento sejam determinadas pela perfeita apropriação de seu destino. Ora, qual  a condição tenho, antes de mais nada, que levar em conta para a Torre? Da resistência ao vento! Então! Pretendo que as curvas das quatro arestas do monumento, tais quais o cálculo fornecido, que, partindo de um enorme e inusitado empastamento na base, irão se enfileirar até o cimo, darão uma grande impressão da força e da beleza; elas traduzirão aos olhos da ousadia da concepção dentro de seu conjunto, igualmente aos inúmeros vazios planejados dentro dos próprios elementos  da construção; mostrarão a constante preocupação de não expor inutilmente às violências de furacões, às superfícies perigosas para a estabilidade do edifício. Existe de resto, dentro do colosso, uma atração, um charme próprio, aos quais as teorias de arte ordinárias não são jamais aplicadas. Sustentaremos que é pelo seu valor artístico que as Pirâmides impressionaram tanto com imaginação dos homens? Que outra coisa, no fim das contas, que outeiros artificiais? Portanto, qual é o visitante que permanece frio diante de sua presença? Quem não volta repleto de uma irresistível admiração? Qual é a fonte desta admiração, senão a imensidade do esforço e da grandeza do resultado?

A Torre será o mais alto edifício jamais construído pelos homens — não será ela então grandiosa também a sua maneira? Por que o admirável no Egito seria hediondo e ridículo em Paris? Admito: não consigo entender.”

Por Antonio Ribeiro
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