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20/11/2009

às 13:32 \ Futebol

Henry: “O mais justo é voltar a jogar a partida”

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Depois da negativa da FIFA em atender o pedido oficial da Federação Irlandesa de Futebol e no centro de um debate que inflama a Europa, Thierry Henry saiu de sua reserva em uma contrição: “O mais justo é voltar a jogar a partida, mas isso não depende de mim.” Desde o fim do jogo da França contra a Irlanda, Thierry Henry vem sendo aconselhado por um grupo que administra situações de crise, um time zeloso para restaurar a imagem do jogador, garoto propaganda de primeira linha. “Claro que estou incomodado com a maneira como conquistamos a vaga para Copa. Sinto muito pelos irlandeses, eles mereciam ir à África do Sul”, lançou ele, em inglês. A tolerância com a falta de fair play no outro lado do Canal da Mancha é bem menor do que aqui, na França.

Quanto ao lance  irregular que originou o gol da classificação dos Bleus para Copa da África do Sul, Henry justificou com a seguinte falsa inocência:  “Foi uma reação instintiva, a bola estava muito rápida. Nunca deixei de admitir que usei a mão para controlar a bola. Eu disse aos jogadores da Irlanda, ao árbitro e à imprensa depois do jogo. Não sou nem nunca fui desonesto.” Para Thierry a “mão de Deus” de Maradona tem funcionado mais como a “mão do diabo.” Os franceses estão envergonhados. A internet esta infestada de escarnios e ofensas sobre o jogador. O atacante tornou-se piada nos jantares refinados e em papos de bistrô. Não surpreende que o capitão da equipe francesa tome distancia da FIFA na razão oposta que Fausto, personagem principal da obra mais famosa do pai da literatura alemã, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), achegou-se ao grão-tinhoso, o capeta.

Eric “Oo! Aah!” Cantona, ex-atacante do Mancherter United, o mais querido jogador francês da história do futebol inglês, foi mais longe. “Honestamente, o que me chocou não foram os toques de mão, mas no fim do jogo este jogador sentar-se a beira do gramado ao lado de Richard Dunne para consolá-lo do efeito de sua trapaça.” E arrematou com a franquesa louvada nas duas margens do Canal da Mancha: “Se eu fosse irlandês, eu teria lhe enfiado a mão, não duraria três segundos.”

Por Antonio Ribeiro

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8 Comentários

  1. Luis Fernando Oliveira

    -

    12/12/2009 às 1:40

    O mais justo no momento, é a Fifa dar uma suspensão de 7 jogos para o Henry. Isso não traz justiça para a Irlanda, mas pode gerar uma consciência em outros jogadores que pretendam usar da malandragem para obter lucro para si ou para o seu time.
    Antonio Ribeiro, faça chegar essa idéia para o velhinhos da Fifa.

  2. Joana Menezes

    -

    22/11/2009 às 21:03

    Thierry Henry fez seu mea culpa e lavou as mãos. Não merece, por coerência com tudo o que disse, ser mais o capitão do time. Já que não pode voltar atrás no tempo e nem voltar a jogar a partida, deveria entregar o cargo.
    Mas essa não é a opinião da maioria dos franceses que respondeu à pesquisa do Telefoot.

    Zinedine Zidane era o capitão do time francês quando deu sua famosa cabeçada e como punição recebeu o título de melhor jogador da Copa de 2006.

    Esses cartolas da FIFA vivem mesmo em outro mundo!

  3. Alex Castilho

    -

    22/11/2009 às 20:14

    A França é um país decadente. Vem perdendo importância ao longo dos anos e políticos alçados ao seu comando, como o atual presidente, são a ratificação disso.
    No futebol já estão lançando mão da trapaça para diputar uma Copa que não merecem participar.
    Assim como a equipe de Fórmula Um francesa a equipe de futebol tem vocação para o embuste.

  4. Roberto Baez

    -

    22/11/2009 às 19:41

    Ajeitada do Henry, la mano de Dios, gol de mão do Túlio. Um passo à frente para sair da área depois da infração para evitar o penalti. Atire a primeira pedra quem nunca… Viva o futebol!

  5. Antonio Ribeiro, de Paris

    -

    22/11/2009 às 10:30

    Patrício,

    Obrigado pela leitura e envio do comentário.

    Pondere no entanto que, sete entre dez telespectadores do Telefoot — não há um programa na TV brasileira sobre futebol tão bem feito — acham que Henry “estragou a festa”. Em uma pesquisa do jornal Le Monde, a maioria dos leitores acha que deveria haver um outro jogo entre França e Irlanda. Os ares aqui estão longe do júbilo. Um exemplo – bem próximo deste computador – sobre a meninada. Meu filho, de 8 anos, apaixonado por futebol, tem uma camisa da seleção francesa com o nome Henry e o número 12 estampados no dorso. Desde a classificação da França para Copa, a camisa está na gaveta. E se um dia sair de lá, não creio que será usada com o sentimento de outrora pelo maior goleador da história da seleção francesa – vaiado ontem quando adentrou o gramado do jogo entre o Barcelona e o Athletic de Bilbao.

    Doravante, nos pátios das escolas francesas e nos complexos esportivos públicos que os municípios ricos colocam à disposição da população, quando alguém põe a mão na bola durante as peladas, a molecada grita: “Henry!” Do outro lado do Canal da Mancha, o lendário Sir Alex Ferguson ao referir-se a um lance irregular do jogo entre o seu Manchester e Chelsea zombou: “Eles fizeram um Henry conosco.” E por aí vai, Patrício. Em quem resta algum apreço pela decência há indignação com a mão do Henry, tal como os dólares na cueca aí, no Brasil. As regras que não acompanham acabam incentivando o escárnio.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  6. Patricio Kimmel

    -

    22/11/2009 às 7:59

    Caro Antonio,

    Completando o comentário do leitor Júlio K e pelo que mostra a pesquisa do programa de futebol mais popular da França, o Telefoot, os franceses (esses que vão para escola em pequenos e não para a rua) aprovam a conduta de Henry. Eles querem que ele continue capitão da seleção francesa!

    “Après son geste, Thierry Henry doit-il rester le capitaine de l’Equipe de France ? ”
    (Depois de seu gesto, Thierry Henry deve continuar capitão da Franca?)

    Oui (Sim): 61 %
    Non (Não): 39 %

    Vive la France!

  7. Julio K

    -

    21/11/2009 às 10:32

    Antonio,

    Foi o mesmo Henry que falou que “enquanto os meninos franceses estão na escola os meninos brasileiros estão num campinho de futebol” para justificar o maior número de jogadores brazucas como melhores que os franceses.

    Que beleza de “currículo” tem as escolas francesas.

    Este senhor só recupera alguma dignidade se abrir mão de jogar na Africa do Sul.

    Abraço

    JulioK

  8. Lúcia Colo

    -

    20/11/2009 às 21:39

    A França que gosta muito de ditar regras, merecia se sair melhor dessa. A atitude do Henry foi deplorável, uma vergonha. Aliás, atitude equivalente ao do treinador dele, o Raymond Domenech. O malandro disse que não viu o lance da mão do Henry. Ora, ora. Vale nada o cara em termos de carater. Moro na França, acompanho, sei o que digo. E não sou só eu! A França tem alguns bons jogadores, mas como o treinador é nulo, o grupo parece débil. Não merecia ir a Copa do Mundo. O capitão Henry conseguiu sujar o mínimo de limpeza que equipe parecia ter. É ousado, não será seguido, mas proponho: os países classificados deveriam recusar jogar com a França. Está na hora de mostrar um pouco de dignidade, poxa!

 

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