
A raquete, o taco e a mão no bolso. Agora é tarde.
Zelosa com sua imagem, a empresa multinacional Gillette retirou a bola da mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry, garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de dólares anuais. A jogada tenta prevenir os efeitos desastrosos para vendas de seus produtos depois que o jogador trapaceou, tocando e controlando a bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para Copa do Mundo de 2010.
Apesar de na Irlanda a empresa de apostas esportiva Paddy Power ter feito uma publicidade jocosa no aeroporto da capital Dublin - “Seja bem-vindo a Irlanda, salvo se seu nome é Henry” - acompanhando o clamor de torcedores locais para boicotar os produtos promovidos pelo atacante francês, a imagem de Thierry na publicidade da Gillette foi mantida com a bola.
Na França, onde 8 em cada dez franceses reprovam o gesto irregular, Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O serviço de comunicação da gigante Procter & Gamble, proprietária da Gillette, diz que não. Em todo caso, a empresa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcance, sua publicidade.
Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de futebol que mais lucra com a publicidade, seus contratos somam 28 milhões de dólares anuais. Além da Gillette, o atacante faz propaganda para a Pepsi e a Reebok. Henry só perde para David Beckham (46 milhões de dólares) e Ronaldinho Gaúcho (33 milhões de dólares).
Tiger Woods, companheiro de Henry na publicidade da Gillete, ao lado do tenista Roger Federer também passa por um inferno astral. Ele sofreu um acidente de carro depois de uma briga com a mulher. O Cadillac Escalade, de Woods, foi danificado pelos choques com um hidrante e uma árvore em frente à casa do golfista. O vidro traseiro foi quebrado a golpes com taco de golfe. No local do acidente, a polícia da Flórida encontrou Woods, de 33 anos, estendido no chão e sua mulher, Elin Nordegren, de 29 anos, prestando-lhe socorro. As autoridades querem saber o que houve? O taco de golf de Woods continua na publicidade.
Por Antonio Ribeiro




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É, no final das contas, só quem saiu perdendo mesmo foi a Irlanda. Até a Gillette deu um jeito de sair ilesa.
P.S: Poderiam ter colocado a bola no pé dele =)
A Gillette já cortou o meu rosto…
A honestidade não é tão cafona quanto parece. Embora as pessoas sempre digam que são honestas, os atos muitas vezes não justificam. Aí, quanto os atos se tornam publicos, todo mundo acha ruim.
O detalhe faz diferença, torto ou direito não importa, O bastante para tornar-se inesquecível. Está aí um pequeno e bom motivo para render-se a muita coisa. Sua reportagem, Antonio, deliciosa para esse finalzinho de domingo, por exemplo.
Concordo com o comentário do Allan Campos. É preciso passar pelo o que os americanos chamam de sunshine test, o teste da luz do dia. Isto evitaria às estrelas que parecem perfeitas nos anúncios publicitários, o constrangimento de serem obrigados a dar explicações ou desculpas ao público, quando são pegos em situação contrangedora.
Maradona não é igual. Ah!, não. Ele sempre foi marginal assumido, contrário a Henry. Não queria dar exemplo de nada. Ainda hoje quando o atacante argentino evoca episódios controversos — a mão de Deus e o líquido intoxicado servido ao zagueiro Branco — fala com a desfaçatez de sempre. Veja aqui: http://www.youtube.com/watch?v=AZC2IQr6OUg.
Sensacional foi a criatividade e a rapidez do fabricante do guaraná original. Conseguiu que Maradona, contra uns bons trocados, aceitasse fazer uma pérola de comercial. Assista aqui, ó: http://www.youtube.com/watch?v=02d2sw_l-xY
Me chama para fazer a publicidade!
Algumas pessoas podem assimilar a trapaça de Henry com a marca Gillette e portanto, algo não confiável.
Infelizmente o gentleman Henry copiou o marginal Maradona.
Quem perdeu foi a Irlanda e também, em última medida, a imagem da Gillette.
O fundamentalista bíblico e dublê de jogador de futebol Kaká advoga a revogação dos direitos civis de todos os excluídos de sua fé mesquinha: mães solteiras, homossexuais, ateus, tatuados, nudistas, hedonistas… Nada disso tem a mínima importância para seus patrocinadores Gillette e Sony. Por que com o negro é diferente? Estou sentindo um cheiro fétido de hipocrisia no ar.
Antonio,
Que bom. Pelo menos a Gillete fez alguma coisa, mas quem saiu perdendo mesmo foi a pobre Irlanda!
Abraço
Janine
Caro Alan,
Obrigado pela leitura e envio do comentário.
A cor da pele de Henry não está em questão.
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
Qual a diferença entre a Gillette e o PT?
Li de relampejo: “Gillette e bola” e pensei que era algum texto sobre o nosso…
Só falta linkar a imagem de Kaká com o falso bispo que foi preso nos EUA, com dólares escondidos na Bíblia. A Gillette precisa de um RH mais competente.
Ao meu ver a atitude é imatura de ambas as partes. Quer dizer, eu estou aqui no Brasil, não sei o que se passa na realidade, mas uma empresa quebrar um contrato com um jogador devido a uma “falta” em campo, é discutível. Do mesmo modo acho incorreta a atitude de boicotar produtos para os quais o jogador faça campanha publicitária.
Se o jogador errou em campo, o que é bastante claro, os problemas devem ser resolvidos pelas autoridades competentes, se a FIFA virou as costas, colocando as tradições acima da justiça, então os torcedores já sabem com quem brigar.
No mais, Antônio Ribeiro, parabéns pelo blog, nos é muito útil sua perspectiva os aconteceimentos na Europa. Comecei a ler hoje, e pode ter certeza que voltarei sempre!
“Alan Pires Ferreira disse:
novembro 30, 2009 às 0:29
O fundamentalista bíblico e dublê de jogador de futebol Kaká advoga a revogação dos direitos civis de todos os excluídos de sua fé mesquinha: mães solteiras, homossexuais, ateus, tatuados, nudistas, hedonistas… Nada disso tem a mínima importância para seus patrocinadores Gillette e Sony. Por que com o negro é diferente? Estou sentindo um cheiro fétido de hipocrisia no ar.
“Vanderlei Simionatto disse:
dezembro 2, 2009 às 15:23
Só falta linkar a imagem de Kaká com o falso bispo que foi preso nos EUA, com dólares escondidos na Bíblia. A Gillette precisa de um RH mais competente.
Uma coisa é no que o cara acredita, outra coisa bem diferente é o que ele faz.
Antonio,
Falando em futebol, ontem foi o último dia do campeonato brasileiro. Em uma das “pontas”, Flamengo jogando contra o Grêmio (e um monte de gente apostando que este último facilitaria o jogo só para ver o Colorado se dar mal!). No extremo oposto, Fluminense contra Coritiba, e Botafogo contra Palmeiras (os dois primeiros brigando para não ser rebaixados).
Não acompanhei o Flamengo (mas dizem que meu “compatriota” Petkovic, jogou muitíssimo bem). Agora, apesar de eu não ser botafoguense, valeu a pena ver a garra do Botafogo. Foi um jogo muito, muito emocionante. E sem trapaças (exceto uma ou outra cera por parte do goleiro botafoguense no final do jogo. O coitado caía de maduro…). Bola, só no pé.
“Gatorade cancela contrato com Tiger Woods”. E agora, será que vão remover o taco da mão do Tiger? E Henry, perdeu ou não o contrato com a Gilette? O gato caiu do telhado? Estes atletas realmente não entendem que tudo na vida tem um preço. Até o valor dos cachês milionários que ganham. Tem que ter coerência na vida privada, se querem ser exemplos da vida pública!
E o taco do Tigre? Digo Tiger?
O taco continua lá. Mas o Tigre parou de jogar… porque foi infiel… que confusão! Quem errou no jogo e deveria pedir um tempo era Henry!
“Gillette to Limit Role of Tiger Woods in Marketing “… deu no NYTimes.
Será que a próxima foto vai aparecer sem o taco ou sem o Tiger?