
FIFA: "Para o bem do jogo"
A FIFA decidiu não atender a reivindicação dos irlandeses. Não haverá novo jogo entre França e Irlanda. A entidade que governa o futebol mundial justifica a decisão em um comunicado. “O resultado do jogo não pode ser modificado, a partida não pode ser refeita. Como mencionado, claramente, nas Regras do Jogo (Laws of the Game), durante as partidas, as decisões tomadas pelo arbitro são definitivas.” Em 2005, a FIFA anulou um jogo entre Ubesquistão e Bahrain. Motivo: erro técnico do juiz. Um jogador penetrou na grande área durante a cobrança de um pênalti. O juiz nada marcou. O caso do duplo toque de mão de Henry, 17 minutos antes do fim da dramática prorrogação, que resultou no gol do zagueiro Gallas classificando a França para Copa da África do Sul, é considerado diferente. Trata-se, segundo a FIFA, de uma apreciação do juiz. A questão não é se houve toques de mão — como negar com imagens tão claras? — mas se o gesto foi voluntário ou não. O juiz sueco Martin Hansson, depois de consultar seus auxiliares de arbitragem, decidiu que o gesto foi involuntário.
Ontem, os políticos entraram em campo. Durante uma reunião em Bruxelas, o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen abordou o assunto com Nicolas Sarkozy. O presidente francês lavou as mãos: “As instâncias que governam o futebol é que devem decidir.” E adicionou que poderia, uma vez mais, ser criticado por ser hiperativo. O primeiro-ministro francês retrucou seu colega irlandês: “Os políticos não devem se meter no assunto.” Mas nem todos dentro governo francês jogaram no mesmo time. A elegante ministra da Economia, Christine Lagarde, considerada recentemente pelo Financial Times “a mais eficiente da Europa”, saiu da sua habitual discrição: “Foi uma trapaça.”

FIFA: "Meu jogo é limpo"
O lendário treinador do Manchester United, Sir Alex Ferguson, engrossou o coro dos que clamam pela introdução do vídeo para ajudar a arbitragem decidir em lances controversos nas partidas de futebol. “O juiz não poderia ter visto o lance, é obvio que há questão sobre a ajuda tecnológica, mas a FIFA e a UEFA preferem a decisão humana. Técnicos e jogadores no mundo pensam como eu, a tecnologia pode desempenhar um papel na arbitragem, pode ajudar o juiz.” Contra o argumento que a consulta ao vídeo quebraria o ritmo do jogo, Fergunson diz: “Em jogo de futebol, o tempo médio de ação é 65 minutos, verificar o vídeo leva um minuto. Quando tempo um goleiro retém a bola fazendo “cera”. Quanto tempo um jogador simula contusão paralisando o jogo?”
Por Antonio Ribeiro




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Involuntário duas vezes?! É melhor dizer que não viu e tudo bem. O juíz e seus auxiliares não são obrigados a ver todos os ângulos.
Se a decisão do juiz é definitiva, a FIFA deveria trocar seu slogan, “My game is fair play”. Quando vale tudo, nada vale!
Só pode ocorrer anulação do jogo em caso de erro de direito, que é o caso deste jogo entre Uzbequistão e Bahrain. Ou seja, o juiz viu a irregularidade, mas não aplicou a regra. Neste jogo entre Irlanda e França, ocorreu um erro de fato, ou seja, o juiz e os bandeirinhas não viram o toque, ou viram e acharam que era involuntário. Se anulam o jogo por causa disso, acabou o futebol. Imagina o que seria a choradeira depois de qualquer jogo em que ocorresse um erro de arbitragem, ou até um lance duvidoso. A França talvez até pudesse ceder a vaga voluntariamente, ou propor a realização de outro jogo (ou a repetição da prorrogação). Mas anulação do jogo por parte da FIFA não pode acontecer.