
Há dias na França onde o caloroso debate sobre a identidade nacional, proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy, mostra com mais evidência a sua inutilidade. Basta estar atentivo à estas 24 horas para notar como elas espelham a França. Um dos traços característicos da sociedade francesa é o debate profundo e à exaustão de uma variedade fenomenal de temas polêmicos — assistir o espetáculo na primeira fila é uma atração que não consta nos guias turísticos. Na maioria das vezes, os opostos defendem suas posições com rara propriedade. Mas o país nem sempre tira melhor proveito do efeito das discussões, a síntese do debate, a chegada ao denominador comum. Fato que constitui outro traço francês marcante. Não é de hoje, mas hoje foi um desses dias.

Na rua, pode. Não há banimento total nem punição.
Ao cabo de seis meses de estudo, onde foram ouvidos de 200 especialistas, uma comissão suprapartidária composta por 32 parlamentares recomendou à Assembléia Nacional, através de um calhamaço de 644 páginas, regulamentar o uso do niqab ou da burca, como é chamada na França a vestimenta feminina islâmica de cobertura integral (veja a foto). O painel preconiza, em um primeiro instante, a adoção de resolução proibindo o uso nos transportes coletivos, escolas, hospitais e repartições da administração pública - interdição de “dissimular o rosto”, propriamente dito. O texto não prevê lei de banimento imediato total nem consequência penal para quem transgride. A medida tem apoio de 2 em cada 3 franceses, entre eles, de forma resoluta, Nicolas Sarkozy. “A burca não é bem-vinda no território da República Francesa”, disse ele durante sessão parlamentar em junho de 2009.
Ainda que a resolução seja uma das mais rigorosas da Europa no que diz respeito à vestimenta religiosa, muitos na França, onde vivem entre 5 e 6 milhões de muçulmanos, a maior comunidade do Velho Continente, acham que trata-se de uma meia medida. É assim por questões de ordem políticas, mas também jurídicas. Os socialistas, embora favoráveis à lei julgaram-na inoportuna. Ameaçaram boicotar o voto porque, segundo eles, o assunto estava “poluído pelo debate da identidade nacional”. A interdição atinge apenas uma minúscula parcela da sociedade. O Ministério do Interior estima que só 1.900 muçulmanas vestem burca - a maioria são jovens com menos de 40 anos, dois terços são francesas e um quarto foram convertidas devido ao casamento, 90% delas são filhas de mães que jamais usaram burca. Há receio que uma lei mais ampla aos direitos individuais — a interdição do uso da burca na rua, por exemplo — poderia ser barrada pelo Conselho Constitucional da França e pela Corte Européia de Direitos Humanos.

Imã Chalghomi: ameaça de morte
A maioria da comunidade muçulmana francesa não se opõe à lei, mas receia que uma legislação mais restritiva poderia estigmatizar o Islã francês e também afetaria turistas sauditas e do Golfo Pérsico, clientes de um setor importante da economia francesa, o comércio de produtos de luxo. Os fundamentalistas islâmicos- pregam o retorno ao Islã do século VII - são radicalmente contra a legislação. E fazem saber da forma mais brutal. Na noite do 25 de janeiro, 80 deles invadiram um culto na mesquita de Drancy para intimidar o imã Hasse Chalghomi por ter lembrado que não há uma linha no Alcorão recomendando o uso do véu. “Infiel, nós vamos liquidar o seu caso” ameaçaram eles.
A interdição da burca está longe das principais preocupações dos franceses — desemprego, baixa do poder aquisitivo e morosidade econômica. Um exemplo edificante. Sarkozy participou durante 1h30 de um programa do horário nobre da TV francesa TF1 onde respondeu perguntas diretas dos seus compatriotas. Nenhuma questão abordou a lei contra a burca.
Atualização: O governo francês negou cidadania a um marroquino porque ele teria obrigado sua mulher usar a burca.
Em tempo: Os belgas resolveram a questão sem fazer alarde com uma singela diretiva policial: salvo no carnaval, ninguém pode andar mascarado na rua.
Por Antonio Ribeiro




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Olá Antônio!
Em Roma faz-se como os romanos.
A proibição da burca é uma questão menor, mas é um indicador de medo, também.
E, claro, de identidade do povo francês - cada um no seu quadrado!
Embora uma questão menor, repito, está incomodando e o francês tem razão de não querer nada diferente dos seus costumes dentro das suas fronteiras - direito deles.
Não discordo, não.
Um abraço
Antonio,
No Brasil, a chuva despenca sem moderação alguma.
Para administrar diferenças, harmonizar individual e coletivo, o meu e o seu em uma convivência, a moderação é bem-vinda. Um exercício e tanto de flexibilidade e tolerância.
Sem o que, o pior iria em progressão geométrica.
Também não discordo. Raio de sol em Paris por mais tênue que seja, causa afroxamento no colarinho. Espertos são os que aproveitam.
Abraço saudoso.
Uma vez vi duas mulheres de burca em Londres. Achei grotesco e bárbaro, símbolo de uma opressão intolerável. Acontece que obrigar as pessoas a serem livres não é liberdade. Quem usa burca, em Paris ou Londres, usa porque quer. O que a moderna civilização ocidental tem de mais valioso é justamente o apego à liberdade individual. Proibir que alguém faça a escolha de usar a burca é um retrocesso nesse sentido. A liberdade seduz, contagia, não pode ser imposta. Eu sinto, inclusive, que uma medida proibitiva poderia fortalecer o radicalismo, porque reacende o discurso do “nós versus eles”. E é especialmente lamentável em um país como a França, com sua história de tolerância e defesa da liberdade.
Caro Victor,
Nem sempre “usa porque quer”. Se for mulher de salafista, contrário à ocidentalização dos costumes culturais e sociais islâmicos, a vestimenta é uma obrigação. Mas há questões de outra ordem. Segurança, por exemplo. A burca funciona como uma máscara, impedindo a identificação.
Obrigado pela leitura e envio do comentário.
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
É uma pena que, cada vez mais, estejamos caminhando para um embate cultural. Os costumes, hábitos e práticas, fora do ocidente, sempre me seduziram como algo diferente, algo novo, algo que, de alguma forma, enriquecia minha maneira e pensar e de ver o mundo… especialmente por ser um mundo plural. Hoje em dia tudo acontece de forma imposta, como se tivéssemos que demarcar território, estabelecer fronteiras e impor costumes…. pessoalmente, no mundo ocidental, eu quero o ocidente e, apesar de tudo, entendo toda a preocupação. Mas, só pra lembrar, por trás de tudo está, como sempre esteve e sempre estará, o dinheiro….pois até que a dependência do petróleo pelo ocidente perdure, melhor é administrar…. depois será depois!
Da mesma forma que uma pessoa nua, no meio da rua incomoda os olhares; uma pessoa totalmente mascarada também. A liberdade deles, tem que acabar antes de atrapalhar a do vizinho. Os nudistas vão à praia de nudismo e praticam ali sua vontade de permanecer hoje, como viemos ao mundo. Quem quiser se esconder dele, deverá fazê-lo em local apropriado para isso.
Para ser livre não é necessário fazer concessão ao atraso. Escondidos por uma fachada que se quer religião estão abusos e desrespeitos há muito excluídos da sociedade ocidental.
Se essa gente quer usufruir, no tempo e no espaço, das conquistas do ocidente deve se adequar ao meio e não o contrário. É preciso fazer frente à estupidez que insiste em permear as sociedades civilizadas seja em qualquer aspecto, político-ideológico, cultural, religioso etc.
A praga do politicamente correto está sufocando a lógica e o bom senso. Alguém precisa propor o politicamente sensato.
Eu acho que devemos respeitar a lei e costumes do país onde moramos. Como mulher, se eu for morar na Arábia Saudita, vou ter que usar a burca mesmo sem ser mulçumana. Tudo bem, eu respeito. E a cultura deles. Logo, o inverso deveria ser verdade também. Se uma mulçumana vem morar em Paris ou Londres (por exemplo) que se enquadre e respeite os costumes daquele país, ou então, pegue sua malinha e volte para o seu lugar de origem. Simples assim. Concordo com a Dulce: cada um no seu quadrado.
Simples assim: quando voce muda para algum lugar, deve adequar-se aos habitos do local, e não tentar mudá-los. Não satisfeitos, voltem para sua Idade Média no Oriente Idem.
Estava meio que indeciso, em escrever um comentário ou não. Minha fé poderia atrapalhar minha clareza sobre o assunto, e eu não gostaria de ser tendencioso, afinal acredito no viva e deixe viver, crença não igual na fé islamica.
Recentemente estive na Europa, e entendi o porquê que uma amiga minha à trata por Eurabia. Essa lei me lembra uma recente da Suiça, que proibiu a construção de novos minaretes, portanto uma tentativa de frear às conversões. A mim a solução Belga que eu desconhecia, é uma boa saída não só para a Bélgica, mas para toda à Europa. Deve ser seguida.
Não proibir não quer dizer incentivar. Eu ainda acho que proibir o uso da burca pode contribuir para reforçar a noção de identidade desses radicais e engrossar o coro dos reacionários, além de ser uma medida desproporcional ao tamanho do problema. Também não acredito na máxima “em Roma, como os romanos”. Eu não mudaria meus trajes para me adequar a cultura de outro país a menos que fosse meu desejo. É minha opinião, mas confesso que, vivendo no Brasil, onde apesar da diversidade a integração é total, eu desconheço o que é conviver com tanto contraste cultural, e admito que isso pode ser tenso às vezes. Mas acredito que culturas livres são absorventes e tendem à homogeneidade, e que medidas como proibir vestimentas ou construção de minaretes (Suiça) são contraproducentes. Acredito, ainda, que mulheres usem burca na Europa porque querem, sim, já que as leis locais as protegem caso se recusem, e isso se pode aprender na escola, vestida de burca, onde se aprende também que, contra abusos, há a polícia e as leis, porque que ali é a Europa e não o Iêmen. Eu resumo: eu acredito no soft power e, para mim, mal-estar maior do que o conviver com determinados contrastes culturais é o de tolerar legislação do estado que se imiscui em assuntos relativos a escolhas pessoais dos indivíduos. Se representam riscos à segurança, que sejam abordadas e revistadas, mas não proibidas de se vestir como queiram.
Caríssimos,
Está bonito.
Os comentários estão cada vez melhores. Parabéns!
Muito obrigado pela bela colaboração.
De Paris, abraços
Antonio Ribeiro
Antonio,
Vivemos tempos difíceis. Depois do ataque aéreo ao WTC houve uma mudança de comportamento para pior. De repente, as jovens muçulmanas “tornaram-se” extremamente religiosas.
Alguns casos de assassinato não são raros entre familiares. É claro, que as vítimas são femininas e seus assassinos são, grosso modo, os irmãos ou parentes próximos. Sempre apoiados por membros da família ou membros da comunidade religiosa.
Ano passado, aqui em Hamburgo, um jovem de 22 anos, bem apessoado do Afeganistão, foi condenado à prisão perpétua por ter desferido 23 facadas na irmã de 16 anos. Quando a sentença foi dada, os familiares insultaram o juiz, agrediram os repórteres e a mãe tentou jogar-se pela janela. O rapaz ficou surpreso com a condenação, embora a família viva por mais de uma década na Alemanha.
As vítimas desses assassinatos são em geral jovens que estudam ou trabalham e tentam tocar a vida sem as imposições religiosas.
Viva a Bélgica!
Antonio,
Acho uma idiotice tremenda comentários aos artigos dos colunistas.
Todos os leitores já tem uma identidade formada, uma opinião formada e dificilmente mudarão de idéia ou se “convencerão” do certo ou do errado.
Leio para me informar, e só. E hoje, seu artigo foi muito bom.
Caros,
O hijab, o véu das mulçumanas é tolerável. Mas o niqab e a burca é totalmente desconfortável para as pessoas não-mulçumanas que estão por perto. A Europa está vivendo um processo de islamização sem precedentes. Já que a islamização da Europa é inevitável, como disse o Nicolas Sarkozy, o que está em jogo é frear o processo o máximo possível.
Conviver com a diversidade é muito difícil. Os mulçumanos querem construir minaretes para em seguida instalar alguém no topo convidando os fiéis para rezar 5 vezes por dia com início por volta das 5 horas da madrugada. Depois vão dizer que são oprimidos porque não podem aplicar a sharia dentro de suas comunidades. Mais adiante vão se opor às liberdades individuais, ao casamento gay, à emancipação da mulher, à liberdade de poder desenhar qualquer profeta com turbante em forma de bomba.
Sou emigrante como eles, mas se eu fosse mulçumano, emigraria para Dubai ou Abu Dhabi. E se fosse mulher, teria o cuidado de sair sempre acompanhada e bem coberta porque ninguém quer sair por aí e levar sete chibatadas por indecência e desrespeito à religião.
Quer viver como mulçumano da época medieval que viva, mas em um país de maioria mulçumana.
Kamarov,
Você nunca leu a seção “Carta dos Leitores” em nenhum jornal ou revista, em nenhuma época?
Pois então, esse espaço dos comentários aqui é a mesma seção, só que em tempo ágil, em tempo de um leitor poder continuar a trocar sua idéia (já formada ou não) com o colunista ou mesmo com os outros leitores. Acho muito interessante e só temos a ganhar. Lemos, nos informamos, mudamos ou não nossa opinião e comentamos. Ou o artigo só é bom quando vem de encontro à sua já formada opinião? Aonde está a idiotice?
Eu acho um grande absurdo o uso da burca, mesmo em seu país de origem. Isso já era, estamos em pleno século XXI, estamos no último ano desta primeira década. Esses muçulmanos, todos loucos e fanáticos religiosos, obrigam suas mulheres a usarem essa roupa horrorosa. E eles mesmos ficam numa boa, enquanto as mulheres sofrem com esse traje horrível. Uma coisa eu digo, se tem alguém que está contra a França em proibir a burca, faça uma experiência: Vista uma dessas roupas e dê uma passeio próximo às praias do Rio de Janeiro a uma temperatura de quarenta graus e veja o quanto é “gostoso”. E tem mais, dentro de um traje desse, pode, também esconder um terrorista, um homem bomba disfarçado, colocando em risco a segurança de dezenas e centenas de pessoas. Parecem fantasmas caminhando pelas ruas. Quem puder entender, que entenda.
A questão da segurança, em minha opinião, deveria ser mandatária. Qualquer fanático suicida pode facilmente ocultar-se, cheio de explosivos, sob uma burca.
Além disso, mulheres ocidentais em visita a países fundamentalistas são obrigadas a cobrir-se, logo, estando as muçulmanas na França ou qualquer outro país de costumes ocidentais, devem usar as vestimentas aceitas por esses costumes. Que usem suas burcas lá onde elas são aceitas ou obrigatórias… ou em casa.
Kamarov,
E por que se informar, senão para formar ou reformar… idéias, convicções ou, até mesmo, impressões. Atente para a formação dessas palavras, para a idéia em que se baseiam. Podemos sim, mediante novos fatos, informações ou pontos de vistas divergentes, melhorar, aprimorar ou mesmo mudar radicalmente de opinião. Não sejamos tão rígidos! Só os muito empedernidos nunca mudam de opinião.
Gente usando isso nas ruas (como na imagem) de um país civilizado que é a França é um abssurdo, assim como andar semi-nu como acontece aqui no Brasil.
Corretíssima a Fraça proibir essa esquisitice. Os incomodados mudem-se!
Antonio, em alguns municípios brasileiros, em situação mais ou menos parecida, a solução foi encontrada. Motoqueiro não pode andar de capacete quando não está montado na motocicleta.
Complementando… o que fica muito parecido com a solução belga.
Bem lembrado, Vanderlei.
Veja você, os motoqueiros com capacetes serviram de argumento aqui para quem defendia a proibição.
Obrigado pela leitura e envio do comentário
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
Viava os belgas!
Se a Constituição deles segue a mesma linha, deve ser uma obra de arte !
Meu caro Antonio Ribeiro,
Sempre bom voltar aqui e notar sua sensatez e equilíbrio nas coberturas.
Uma curiosidade: há reciprocidade de tratamento com os cristãos em comunidades de maioria mulçumana?
Como gosto muito da França - na condição não só um francófono mas um francófilo, fiquei bem impressionado com a quantidade de maghrébins em minha viagem ao sul do país, em 2006. Há incentivos da hospitalidade francesa a esses imigrantes?
Como respondem em termos de integração? Vivem em ghetos ou estão percentualmente mais francófilos do que no passado. Há algum estudo que atualize aquele livro do Tahar Ben Jaloun dos anos 80/90?
Abraços,
Beto.
Pour un Français, Antonio, le Brésil est éminemment américain en ce sens qu’il est un pays très religieux, mais pour un athée comme moi, il est également, de façon paradoxale, hédoniste et optimiste. D’où peut-être une certaine tolérance à l’égard du plaisir et en même temps à l’égard de son contraire : la contrainte religieuse que symbolise la burqa. Mais vous, vous avez des arabes qui jouent au squash au club siro-libanes, et qui sont, dans leur immense majorité, chrétiens. Des burqa, vous n’en croisez pas souvent dans les rues. Nous, nous avons 10 % de notre population qui est musulmane, et beaucoup d’entre eux, comme tu le sais toi qui vis à Paris, ont de vieilles querelles avec nous qui sommes l’ancienne puissance coloniale. Tout ça appelle le conflit et la provocation plutôt que la tolérance et la volonté d’assimilation. C’est la clé, je crois, qui explique que la burqa est perçue en France, aussi bien par les intégristes musulmans que par les autres Français, comme une provocation et une invitation au conflit. C’est un piège dans lequel nous tombons, mais en même temps un piège que nous ne pouvons pas non plus ignorer. C’est ça qu’il faut que tu arrives à faire comprendre à tes lecteurs et lectrices du Brésil, cette fatalité d’un conflit que nous ne voulons pas vraiment (sauf les politiciens de droite à la veille d’une élection, mais aux aussi sont minoritaires), mais que nous ne pouvons pas non plus éviter.
Um abraço
Aqui segue uma tradução bem ligeira do gentil comentário de Michel Faure, brilhante jornalista francês:
“Para um francês, Antonio, o Brasil é eminentemente americano no sentido em que se trata de um país muito religioso, mas para um atéu como eu, ele é igualmente, e de modo paradoxal, hedonista e otimista. Daí advêm talvez uma certa tolerância no que diz respeito ao prazer e, simultaneamente, o seu contrário: a repressão religiosa que simboliza a burca. Mas vocês tem árabes que jogam squash no clube Sírio-Libanês e que são, na sua imensa maioria, cristãos. Burcas, vocês não cruzam frequentemente nas ruas. 10% da nossa população é de crença muçulmana, e muitos deles, você que vive em Paris sabe, tem contenciosos históricos conosco, velha potência colonial. Tudo isso, evoca o conflito e a provocação mais do que a tolerância e a vontade de assimilação. Isso é a chave, creio, que explica porque a burca é vista na França, tanto pelos integristas muçulmanos como pelos franceses, como uma provocação e convite ao conflito. Trata-se de uma armadilha na qual nós caímos, mas ao mesmo tempo, uma arapuca que não podemos ignorar. É isto que você precisa fazer entender aos seus leitores e suas leitoras no Brasil. Esta fatalidade de um conflito que nós não queremos verdadeiramente (salvo os políticos de direita em véspera de eleição, embora minoritários) mas que nós tampouco podemos evitar.
Um abraço.”
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
Foram em 80 para intimidar 1? No mínimo é covardia.
Caro Antonio,
O comportamento fundamentalista islâmico não é um fenômeno apenas francês devido às velhas rusgas de um passado histórico. Tomo-as, no entanto, como oportunas para que a “provocação” atinja uma dimensão européia.
Imaginemos uma francesa muçulmana trajada com a burca em visita à Alemanha. Qual seria o critério adotado pela Alemanha para que essas mulheres fossem aceitas num país onde não é permitido por lei o encapuzamento de manifestantes de esquerda?
A questao é política, sim, monsieur Faure. Lamento.
Antonio,
Se você me premite, gostaria de citar a deputada holandesa de origem somali- Ayann Hirsi Ali que aliás teve que pedir refúgio aos USA pois era perseguida pelos islamistas na Holanda. Pois é, ela sempre afirmou e afirma que todos estes problemas de burca, niqad e todos os problemas que acontecem na Europa Ocidental decorrem desta religião e estão no Islã, no Corão.
Em um dos livros dela “Insoumise” Editora Robert Laffont, Ayann Hirsi Ali explica com excelente argumentação como funciona o Corão.
Em seu outro livro ” Ma vie rebelle ” Editions Nil conta sua vida sofrida sob as leis corânicas.
É uma boa explicação a todos estes males pela qual passa a Europa ocidental.
Abraços
Cara Denise,
Fizemos uma longa entrevista com Ayaan Hirsi Ali para VEJA quando ela lançou o livro Insoumise. Existe tradução em português, Infiel.
“O Islã é fascista”
Ameaçada de morte por fanáticos, a política holandesa diz que qualquer sociedade que vive sob os preceitos do Corão se torna patológica
A entrevista completa está aqui:
http://veja.abril.com.br/220605/entrevista.html
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
Não há muito o que falar desse assunto muito simples. A Europa e cristã, democrática e livre nunca pertenceu ao Islã e não será dos muçulmanos. Quem chegar lá tem que se adequar a e não querer mandar na casa dos outros. A questão é muito simples: proíba a burca e pronto. Eu estive na Europa e vi mulheres de burca na praia e dentro do mar. Isso me incomodou muito. Fui a um país onde as pessoas são normais e encontrei gente arcaica.
Outra coisa é a reciprocidade. Não é permitido a nenhuma mulher ocidental se vestir como deseja nos países islâmicos. Aqui eles querem liberdade. Não é permitido a construção de igrejas lá, mas aqui eles querem mesquitas e minaretes. Os muçulmanos radicais representam uma ameaça ao Ocidente democrático. Espero que a Europa acorde a tempo ou daqui a pouco, nós é que teremos que usar burca!