
Le Tricheur à l'as de carreau
Patrício Kimmel, leitor do blog, escreveu do Rio de Janeiro dando conta de uma pesquisa realizada para o Telefoot, excelente programa sobre futebol do canal francês TF1, revelou que a maioria dos franceses acha que Henry deve permanecer como capitão da equipe nacional de futebol. Em efeito, foi escrito uma das mais longas respostas a um leitor desde abril de 2007, quando o blog De Paris foi ao ar. Quem quiser ler, ela está na área de comentários do post com o título O mais justo é voltar a jogar a partida.
Sustentei aqui: se Thierry Henry tivesse dito ao arbitro “Foi mão”, os torcedores no Stade de France ficariam surpresos em um primeiro instante, caída a ficha, Henry teria sido, muito provavelmente, ovacionado. Bem, com as pesquisas de opinião pública é igual. Uma enquête mias recente do OpinionWay para o canal estatal France 2 indica que entre 10 franceses, 8 acham que a França não merece ir a Copa devido a trapaça de Henry. Que aliás, é reprovada pela mesma pesquisa em igual número de franceses descontentes. Metade dos entrevistados quer o atual treinador, Raymond Domemenech, fora do comando dos Bleus.
O trapaceiro com o ás de ouros, de Georges de La Tour (1593 - 1652), quadro que ilustra este post, está bem merecidamente no Museu do Louvre.
Por Antonio Ribeiro




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Caro Antonio,
Me encanta a sofisticação com a qual você ilustra suas colunas. Você nos dá aula de História da Arte, mesmo ao falar de futebol! De certo, da próxima ida a Paris, tentarei conferir o quadro de La Tour. Em que ala do Louvre ele está?
Cara Joana,
Muito obrigado pela leitura e envio do comentário.
O óleo sobre tela de 1,06m X 1,46, pintado em 1635, está na Ala Sully, segundo andar, sala 28. Foi adquirido em 1972.
A trapaça tema da obra é recorrente também nos quadros Caravaggio. O jovem à esquerda é transgressor de padrões morais do século XVII. Gosta de jogo, vinho e mulheres.
Há uma variação, no Museu de Arte de Kimbell, em Fort Worth, nos EUA, O trapaceiceiro com ás de espada.
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
De Paris, um abraço
O mundo precisa deixar o fundamentalismo de lado, o futebol precisa voltar a ser o que era, um esporte lúdico, onde o erro do juiz, ou uma malandragem do jogador ficava entre as quatro linhas e todos iam para o bar comer coxinha e discutir, brincar fazer piadas. O esporte não é local para acirrar-se os ânimos, nem local de gente aborrecida ir resolver seus recalques psicológicos, o local para isto é a farmácia ou o divã de um psicanalista, ou mesmo a cadeia, para gente mais perigosa. Portanto,a discussão sobre o quê, Thierry, deveria ter feito, já é história. Vamos para a próxima partida.
O Henry é o maior cara-de-pau do mundo quando diz que o jogo deveria voltar. Nunca na história do futebol se voltou um jogo assim. Imagina se fosse aberto um precedente destes? Nunca mais haveria um campeonato de futebol que chegasse ao fim. Todos teriam dezenas de partidas anuladas e refeitas. Cada campeonato duraria 2 ou 3 anos, no mínimo.
A Inglaterra teria direito de solicitar um novo jogo com a Argentina? Ou o “crime” de Maradona já prescreveu?
O que deve ser feito, é a utilização de tecnologia no futebol, para evitar problemas tão banais. Depois do que aconteceu, só resta fazer uma coisa:
- Franceses: aproveitem, e treinem muito para não darem outro vexame na Copa.
- Irlandeses: chorem bastante, entupam-se de Guinness para afogar as mágoas e treinem bastante, daqui 4 anos tem outra Copa. Afinal, a seleção de vocês é ruim mesmo, não iriam para a África fazer grande coisa.
E quanto aos puritanos que apareceram agora, vão se danar! Vocês nunca jogaram futebol e não sabem o que é o sangue ferver, mesmo jogando no asfalto com traves de havaianas.
Como disse o colega Heitor Bonfim, “futebol se resolve nas quatro linhas”. Então, deveria ser usada a tecnologia para que não se deixasse que problemas venham para fora.
Os engravatados advogados não têm mais o que fazer da vida, então querem acabar com nosso esporte.
Aliás, danem-se os advogados também! Vão procurar o que fazer e deixem o futebol em paz!
Abraços ao “De Paris”
Bruno Gigliotti
A imprensa cria adjetivos que ofendem aqueles que creem em Deus, Dizer que o gol de Henry assim como o de Maradona foi a mão de Deus é uma ofensa. Foi sim gol de trapaceiros desonestos e pilantras!
Caro Charles,
Obrigado pela leitura e envio do comentário.
“Mão de Deus” foi expressão de Diego Maradona para justificar o lance irregular. Aqui no blog De Paris ninguém ofende a Deus. A imprensa informa. Tampouco o signatário desta coluna contribui para larápios que usam a religião para fazer fortuna e proselitismo. A eles: Vade retro satanás!
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
Antonio,
Não me alinho aos que querem apenar com prisão perpétua fraudes desportivas, mas temos que deixar de entronizar a safadeza, o anti-esporte. O padrão ético dominante nas disputas desportivas não pode ser o argentino, concorda?