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02/11/2011

às 13:22 \ Europa

Grécia: sim ou não

A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy deram um ultimato ao primeiro-ministro socialista da Grécia, George Papandreou em Cannes, no sul da França. O único referendo que aceitam é que seja perguntado aos gregos se eles querem ou não que a Grécia continue na zona do euro. Isso antes do Natal. A sexta parcela da ajuda – 8 bilhões de euros – ficara suspensa até os  gregos tomarem uma decisão. Sem ela a Grécia não fecha as contas do mês de dezembro. Evidentemente, a resposta majoritária ao eventual referendo seria “sim”.

O casal franco-alemão não quer saber da proposta surpresa de Papandreou. A de realizar um plebiscito para aprovar o plano de ajuda ao país – 130 bilhões de euros e calote de 50% da dívida com credores privados –  que envolve rigorosas medidas de austeridade. Evidentemente, a resposta ao eventual referendo seria “não”. Embora numa situação delicadíssima, os gregos  – inventaram tanto a democracia como o drama – não querem arrocho. Ninguém quer.

A eventual consulta grega ameaça colocar a zona do euro como refém até dezembro ou janeiro, enviando um péssimo sinal para desempenho das bolsas no mundo a fora como se viu ontem, após o anuncio de Papandreou. A situação aumenta a possibilidade da Grécia sair da zona do euro onde entrou à força com contas públicas falsificadas,  e voltar operar com moeda nacional. O presidente do Conselho Europeu, Jean-Claude Juncker, não descarta mais a eventualidade.

Em outro aspecto, é bem improvável que os países emergentes coloquem alguma ajuda antes dos europeus colocarem ordem em casa. A conversa aconteceu às 20h00 no horário francês (15h30 no horário de Brasília) teve a presença da diretora gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde e do novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi.

Saída

Finalmente, a questão é qual a razão do pôquer de Papandreou que coloca a existência no euro em seu país no fio da navalha? O primeiro-ministro grego apelidado de “Lorde do Caos” quer evitar, a todo o custo, a realização de eleições legislativas antecipadas. Perderia.  Preferiu anunciar a organização de um referendo. Uma tentativa de preservar o seu futuro politico ou preparar uma saída de cena heróica. Mas os gregos se setem chatageados perante o dilema: “Votam a favor do acordo europeu, ou será a falência da Grécia e tem de sair do euro se ousarem dizer que não.”

Adendo: Ligeira confusão em uma grande encrenca.  Apesar de por vezes se considerar plebiscito como sendo o mesmo que referendo, a verdade é que os dois conceitos podem significar ações muito diferentes e que podem, por vezes, ter significados opostos de serem radicalizados. São, contudo, sempre referentes a assuntos de política geral ou local de importância para as pessoas em questão. Assim, de um modo amplo, pode-se considerar que são sinônimos. No entanto, de um ponto de vista específico, os termos podem apontar para conceitos diferentes, consoante os autores ou o contexto em que são aplicados. O plebiscito é uma consulta ao popular antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas; o referendo é uma consulta após a lei ser constituída, em que os eleitores ratificam, “sancionam” a lei já aprovada ou a rejeita. Maurice Battelli define plebiscito como a manifestação direta da vontade do eleitor que delibera sobre um determinado assunto, enquanto que o referendo seria um ato mais complexo, em que o os eleitores deliberam sobre outra deliberação, já tomada pelo órgão de estado respectivo.

Por Antonio Ribeiro

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