18/06/2012
às 10:14 \ EuropaGrécia: sem milho não tem pipoca
Determinados, bem à sua maneira, os gregos agiram para afrontar a Alemanha de igual para igual. Calma. Estamos falando da Eurocopa, na qual depois de vencerem o bonito futebol dos russos, o time do novo herói da resistência helênica, Giorgos Karagounis, vai enfrentar a Alemanha do boleiro com melhor desempenho da competição, Bastian Schweinsteiger, “O Porquinho”. Fora das quatro linhas, a maioria dos gregos mostrou-se menos audaciosa. Foi ajuizada.
Desta vez, os eleitores gregos colocaram no colo de Antonis Samaras, líder do partido conservador Nova Democracia (ND), a oportunidade de formar um governo de coalizão que cumpra os acordos com a troika (Comissão Européia , Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) e, em efeito, permanecer na zona do euro. Samaras já iniciou tratativas com o Partido Socialista, terceiro colocado nas eleições, atrás da Esquerda Radical liderada por Alexis Tsipras, para consolidar um governo de “salvação nacional” de um país onde a dívida é de 165% do Produto Interno Bruto (PIB), 22% da população ecomicamente ativa está desempregada e um entre dois jovens gregos está na mesma condição.
Nas eleições parlamentares de maio, os gregos votaram para dar força aos seus partidos extremistas que apregoam não cumprir os acordos. Foi uma espécie de blefe eleitoral para tentar amedrontar os europeus e com isso, atenuar as medidas de rigor orçamentário, a contrapartida de uma ajuda de 380 bilhões de euros até 2014, quase três vezes superior ao Plano Marshall, responsável pela reconstrução da Europa Ocidental mais a Turquia após a Segunda Guerra Mundial.
Por que os gregos mudaram de posição? Fundamentalmente, porque a chanceler alemã manteve a dela. No entreatos das eleições na Grécia, Angela Merkel fez saber: sem milho não tem pipoca. Ou seja, sem o cumprimento dos acordos não há ajuda. Os radicais gregos apostaram na vitória de François Hollande na França, a segunda maior economia da Europa, como a chegada de “novos ares” no Velho Continente. Comemoram a derrota do partido de Merkel nas eleições regionais na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha. Em Camp David, quando os chefes de estado dos países do G7 encurralaram Merkel com pires nas mãos, os extremistas gregos acharam que roteiro seguia seus conformes.
Mas diferente de Margaret Thatcher, tantas vezes isolada e sem complexo da situação, Merkel usa linguagem branda, faz concessões cosméticas para não despertar lembranças de um passado hegemônico e negro do seu país, mas não arreda de suas convicções. Ela crê que a prosperidade européia vem com a produtividade e respeito às regras do jogo, os pilares que fizeram da Alemanha a economia mais pujante do continente. Pelo que se viu até agora, muito pouco provável que seu curso, respaldado pelos alemães, tome rota inversa.
O novo voto grego não é o fim da crise nem o princípio do fim. Ele só afasta a possibilidade de uma catástrofe imediata. Ademais, ela está condicionada a formação de um governo com alguma estabilidade para conduzir o país no rumo do bom senso de reformas ficais e estruturais. A situação que não é indolor nem menos dramática foi inexistente nos dois últimos meses e conturbada há bem mais tempo.
Tags: Alemanha, Alexis Tsipras, Angela Merkel, Bastian Schweinsteiger, crise do euro, Giorgos Karagounis, Grécia, Margaret Thatcher, Nova Democracia, Pasok, PIB, Plano Marshall, União Européia


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1 Comentário
Maria Cristina Anaripe
-18/06/2012 às 14:47
As simple as that. Muito bom!