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04/11/2011

às 18:50 \ Europa

Defesa do euro: a linha de frente agora é a Itália

"In God’s name, go!"

Seja qual for o resultado do voto de confiança do Parlamento grego ao primeiro-ministro George Papandreou, sua importância será secundária para o Velho Continente. A linha de defesa do euro, moeda comum de 17 países europeus, passou a ser a Itália. O país tem uma dívida pública de 1,9 trilhão de euro, a quarta maior do mundo,  um buraco cinco vezes mais profundo que  o grego e agora, está sob intrusivo – coisa  rara na zona do euro – monitoramento do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Esta semana o banco francês BNP Paribas, um entre as 29 instituições financeiras que deverão buscar capital adicional  de 1 a 2,5% sob as regras aprovadas pelo G-20, segundo lista provisória publicada pelo Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), anunciou que havia negociado 2,6 bilhões de bônus da dívida grega. Mas nos últimos três meses, o BNP Paribas  livrou-se de 8,3 bilhões de títulos italianos, reduzindo sua fragilidade na crise européia em 40%. O movimento dá uma idéia do temor que o colapso na economia da Itália significa para o euro e por consequência, da existência da União Européia (UE). “Sem o euro, a UE deixará de existir, alertou Nicolas Sarkozy, presidente da França e anfitrião do encontro de cúpula do G20, na Riviera Francesa.

Adicional a uma zona de forte risco de abalos sísmicos, a península itálica está sentada em uma dívida equivalente a 120% do seu Produto Interno Bruto. Se o país trabalhasse o ano inteiro só para pagar a dívida, no final ainda ficaria faltando 38 bilhões de euros. No ano que vem o país terá que  tomar emprestado 300 bilhões de euros para saldar parte da dívida. O governo de Berlusconi não conseguiu apoio na sua minguada e instável aliança partidária para implementar medidas de austeridade na ordem de 54 bilhões de euros que incluia reforma previdenciária, nas leis trabalhistas e privatizações.

O ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti, acha que o problema é seu capo e o fez saber: “Na segunda-feira haverá um desastre no mercado financeiro se você, Silvio, ficar no governo. O problema para Europa e para os mercados, correto ou não, é de fato, você.” Em editorial, o sisudo jornal Financial Times lançou um apelo parafraseando Oliver Cromwell que derrubou o rei inglês Charles I e levou à instauração de uma república na Grã-Bretanha: “Pelo amor de Deus, vá embora!” Entre idas e vindas, Il Cavaliere ficou quase duas décadas no poder. Semana que vem, o governo do Presidente do Conselho da Itália, Silvio Berlusconi, enfrenta mais um voto de confiança no Parlamento. Ele tem um recorde de resistência fenomenal, já passou por 53 contestações. A questão agora é saber quantas estocadas o euro vai conseguir sobreviver?

Leia o post do Blog de ParisG20: única medida concreta para o FMI é pajear Berlusconi

Por Antonio Ribeiro

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2 Comentários

  1. Pereira

    -

    04/11/2011 às 21:27

    A era do euro já era!!


 

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