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22/07/2011

às 21:26 \ Europa

De federação folgada a estado unitário frágil

Reunidos em Bruxelas, os chefes de estado e de governo dos dezessete países da zona do euro construíram um dispositivo. Os mais pessimistas acham que ele lembra uma bomba de efeito retardado. Outros percebem o plano de regaste à Grécia de 158 bilhões de euros – desta vez envolve credores privados com 49 bilhões de euros, como queria a chanceler alemã Angela Merkel  e o Banco Central Europeu e Sakozy faziam resistência – como um tubo de oxigênio incontornável para fazer respirar um paciente que se morresse, levaria para o buraco outros tantos com deficiência semelhante.

As analogias embora diferentes vão no mesmo sentido. O preço foi alto. Pior: a equação está longe de ser resolvida. Fundamentalmente, qual é o problema? A Grécia não consegue pagar com recursos próprios sua dívida pública equivalente a 150% do Produto Interno Bruto (PIB). Não há perspectivas que isso venha acontecer. O plano de reestruturação anunciado pelo governo do primeiro-ministro Georgios Papandreu tem efeitos limitados para restaurar a capacidade de pagamento e a anêmica economia República Helênica não gera o suficiente para tal propósito. O calote grego é favas contadas, mas só dito baixinho como o ruído das águas correntes e do ramalhar das árvores.

A principal consequência: os vizinhos europeus vão, através de doses homeopáticas, continuar pagando a conta grega – ela aumenta rapidamente enquanto as reservas dos benfeitores vai minguando. A maior parte do dinheiro vai sair do bolso do contribuinte europeu, sobretudo dos generosos alemães que pagam subsídios para cobrir gregos revoltados que sonegam impostos ou nem são taxados. E vão contribuir também para sobrevivência dos bancos que continuam a ter juros de 20% sobre as dívidas soberanas.

A ajuda a Grécia e eventualmente a Portugal, Irlanda, Itália Espanha representam a passagem de uma federação européia com margem de manobra e forte parceria comercial para um estado unitário frágil. Se os países europeus com bom desempenho econômico passarem a financiar sistematicamente as dividas monumentais cavadas pela delinquência administrativa de seus avaros vizinhos que fazem parte da união monetária, vão transformar o euro em pataca para colecionadores de moedas.

Por Antonio Ribeiro

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2 Comentários

  1. Alberto Santo Andre

    -

    24/07/2011 às 21:06

    Acredito que para solucionar a situação deve-se deixar que os incompetentes e irresponsáveis socialistas resolvam sozinhos. Não se pode jogar nas costas dos verdadeiros trabalhadores europeus o custo da vagabundagem e irresponsabilidade. Quando a metade que trabalha sentir que não vale a pena trabalhar para sustentar a outra metade que não trabalha, será o começo do fim de uma nação, ou no caso, da União Européia… Adam Rogers

  2. Ricardo Salazar

    -

    22/07/2011 às 21:47

    Bem, será que o euro será dividido entre o euro do sul da Europa (mais frágil) e o euro do norte da Europa (mais forte)?

 

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