03/11/2011
às 15:06 \ EconomiaDilma oferece mão a Europa e Papandreou a sua a oposição
Em Cannes, durante a reunião de cúpula do G20 a presidente Dilma Rousseff disse que a Europa é um patrimônio democrático que precisa ser preservado. O Brasil, de acordo com Dilma, está disposto a contribuir com recursos via Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar o Velho Continente resolver a crise da dívida soberana na zona do euro. Tratata-se, em última instancia, de uma oportunidade do Brasil ganhar maior poder de decisão no Fundo. A ajuda brasileira passaria pela linha de crédito especial do FMI chamada Novos Mecanismos de Empréstimos (NAB). O Brasil já contribuiu com 14 bilhões de dólares dos quais 10 bilhões de dólares já executados. A proposta é que o aporte e outros eventuais recursos mais tarde sejam convertidos em cotas. (Leia o post do Blog de Paris que trata do assunto “Quem paga o gaiteiro escolhe a música…)
Alguns realçam que Dilma condicionou a participação do Brasil a uma “liderança, visão clara e rapidez”. Puro efeito de retórica, uma platitude. Isso é o que se espera de qualquer governo, seja para terminar a obra de um estádio de futebol, desalojar vândalos que invadem as dependências de uma universidade, como é o caso atual da USP, ou só emprestar para quem se compromete com as obrigações de saldar uma dívida, vide o exemplo da Grécia. De novo, que fique claro: o Brasil esta tentando comprar maior influencia no FMI. Os Estados Unidos, Japão, Inglaterra, por exemplo, são contra. Eles não tem atualmente recursos de sobra para colocar no FMI, mas não querem perder poder de decisão que é maior do que Brasil e China.
Em Atenas na véspera de enfrentar uma moção de confiança no Parlamento grego, onde tem magra maioria – dois deputados – em rápida deserção, o primeiro-ministro grego George Papandreou fez uma dramática meia volta. O filho e neto de dois ex-primeiros-ministros gregos, mas desprovido de carisma, admitiu retirar sua proposta de realizar um referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões de euros. Em mais um desesperado movimento para manter-se a frente do governo, Papandreou estendeu a mão à oposição. “Saúdo a posição do partido conservador, que está disposta a ratificar no Parlamento o acordo da cúpula de Bruxelas. Vou falar com o líder da oposição Antonis Samaras para que possamos analisar os próximos passos na base de um consenso mais amplo.
Mais cedo, o líder do principal partido de oposição da Grécia, o conservador Antonis Sâmaras que lidera 85 deputados em um total de 300, admitiu apoiar um governo transitório e de coalizão nacional desde que Papandreou fique de fora. Sâmaras sempre foi um impetuoso opositor dos planos de resgate negociados pelo governo socialista grego. Para ele, as medidas de austeridade agravavam a retração econômica da Grécia. Embora ainda se declare cético, não perdeu o senso de perigo. “O novo acordo de empréstimos é inevitável e deve ser garantido”, disse. A Grécia deverá garantir a chegada imediata de 8 bilhões de euros, a sexta parcela de um total de 130 bilhões. Sem o socorro país não fecha nem as contas de dezembro. Até que os gregos cheguem a uma posição clara, a ajuda está suspensa pela União Eupopéia e FMI.
Tags: Antonis Sâmaras, crise do euro, Dilma Rousseff, Euro, Europa, FMI, Fundo Monetário Internacional, George Papandreou, Novos Mecanismos de Empréstimos (NAB), União Européia



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2 Comentários
Vanderlei
-04/11/2011 às 10:31
Como pode um país que tem milhões de famílias vivendo abaixo da linha da pobreza e mais da metade das residências sem saneamento básico oferecer bilhões de dólares ao FMI? Que se obrigou a criar o bolsa escola pra manter as crianças na escola e dessa forma tentar reduzir o analfabetismo?
Que é apenas o 84º na avaliação do IDH?
Caro Vanderlei,
Obrigado pela leitura e envio do comentário.
As situações não são excludentes nem incompatíveis.
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro