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11/03/2011

às 13:47 \ Economia

A pior hora para o Japão

Um maremoto devastador sacudiu o Japão – quando liberou o máximo de energia, chegou a 9 pontos na escala Richter e criou tsunami de até 10 metros de altura. Se a natureza perguntasse em qual país a chegada da sua fúria seria mais bem enfrentada, a resposta seria inapelável. O Japão é o mais bem preparado. As construções na ilha são planejadas levando em conta a frequente ocorrência de sismos. Desde a tenra idade, os japonesinhos aprendem na escola como reagir aos abalos sísmicos e, ao menos uma vez por ano, há simulação para efeito de treinamento da população. Ademais, a propagação do pânico causado por catástrofes naturais encontra hostilidade na milenar cultura japonesa onde refrear as emoções mais profundas é considerado virtude maior. Ainda assim, o maremoto chega em pior hora no Japão.

Antes da tragédia, o Japão começava a dar sinais de ultrapassar a recessão econômica do quarto trimestre de 2010 quando houve queda nas exportações e no consumo. O efeito traduziu-se em uma diminuição maior que a esperada do Produto Interno Bruto (PIB) – 5 trilhões de dólares – com um retrocesso de 0,3% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. O país perdeu a posição de segunda maior economia para a China. O governo do primeiro-ministro vinha lutando contra a dívida e déficit público, principais vilões mundiais que atualmente discriminam poucos. No Japão, a dupla é particularmente feroz, representam respectivamente 200% e 10% do PIB.

A prioridade agora será financiar os esforços humanitários para ajudar as vítimas e reconstruir a infraestrutura na costa leste do arquipélago. Nos países ricos, as catástrofes chegam também com efeito benéfico, as obras de recuperação impulsionam a economia, aumentam o dinheiro em circulação. Mas invariavelmente aumentam a dívida pública. No caso do Japão, ela é a maior entre as dez principais economias do mundo. A margem de manobra é menor. Prevê-se de forma embasada uma resililência com ritmo bem mais lento que a que sucedeu ao terremoto de Kobe em 1995 responsável pela morte de 0,4% da população. Os prejuízos foram de mais de 100.000 milhões de dólares. O Japão gastou 3% do seu PIB para colocar o país no patamar anterior ao terremoto de Kobe. A diferença agora é que a  zonas atingida responsável por 1,7 % do PIB japonês é menos habitada e industrializada que na Baía de Osaka, centro-sul do arquipélago de 377 mil quilômetros quadrados de extensão, região do último grande terremoto, dezesseis  anos atrás.

Por Antonio Ribeiro

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12 Comentários

  1. Yann

    -

    18/03/2011 às 14:44

    “Por que permitiram a construção de cidades à beira mar? Por que fizeram usinas frágeis próximas?”

    Caro Ibn Aziz,

    Isso cidades são construídas a beira-mar simplesmente por falta de espaço. O território japônes é predominantemente montanhoso, as poucas áreas de planície são os lugares onde ficam as cidades. Então isso não foi um erro dos japoneses.

    Por favor, pesquise antes de criticar sem fundamento. Em vez de criticar, deveriamos estar unidos, no mínimo, em solidariedade ao Japão.

    Um abraço,

    Yann

  2. Garcia Junior

    -

    17/03/2011 às 20:34

    Os desastres no Japão seriam muito maiores se eles não estivessem preparados. O Brasil por exemplo não está preparado para uma guerra contra traficantes… Mas mesmo tudo o que acontece e já aconteceu antes, mostra a força e a determinação do povo nipônico.

  3. Sérgio

    -

    16/03/2011 às 1:04

    Muito bom o texto! Parabéns! … tem umas coisas que eu não entendo, o japonês parece ser tão controlado e conservador, como que um povo com esse perfil tem a maior dívida pública do mundo e como isso pressiona a economia japonesa? Se é que tem alguma coisa a ver o comportamento conservador do japonês com a dívida gerada pelo governo.

    Sei que aqui é pra deixar comentários e não perguntas, mas é que eu vou lendo o texto e quando tem alguma coisa que eu não entendo, fica na minha cabeça sabe-se lá por quanto tempo… um dia eu acho a resposta, é sempre assim. :o )

  4. Ibn Aziz

    -

    15/03/2011 às 19:52

    A tragédia japonesa demonstra como os japoneses estão despreparados para as catástrofes. Se eles previam com certa exatidão a vinda do abalo 9.0, e conseguiram erguer prédios que não caem, o que dizer de sua rede de transportes, eletricidade e água? Entrou tudo em colapso, em apagão. E o maremoto? Cidades inteiras foram arrasadas e desapareceram do mapa. Por que permitiram a construção de cidades à beira mar? Por que fizeram usinas frágeis próximas? O que ocasionou o colapso de Fukushima foi a rede elétrica…convencional! O alarma de tsunamis funcionou? Não houve nenhuma correria, o povo ficou em casa pacientemente esperando a onda mortal? E os murinhos de contenção eram só para tsunaminhos? Lembram aquelas barreirinhas ridículas que os americanos construiram no tornado que arrasou New Orleans. Existem depósitos estratégicos de víveres para a população? Parece que o japonês pensou muito na defesa de grandes metrópoles urbanas e esqueceu do solo, da água e do mar. O povo japonês começa a entender que foram vítimas da incapacidade de seus dirigentes e tem que cobrá-los. Nós devemos tirar mais lições dessa tragédia pois aqui lidamos com chuvas que são muito mais previsíveis e fáceis de prevenir. Só que nossos dirigentes, cá como lá…ficam apenas vendo navios passar.

  5. Adriana Socci Barbosa

    -

    15/03/2011 às 16:13

    “Kan ordena: ao invés de resgate, ajuda aos desabrigados
    Faltam mantimentos – e caixões para sepultar vítimas. Frio pode agravar drama”.

    É isso aí Antonio. Estabelecer prioridades. Vital na pior hora.

  6. Roberto

    -

    15/03/2011 às 13:09

    É muita gente num mesmo lugar, que está sempre sujeito a tremores de terra.

  7. Aurelio

    -

    15/03/2011 às 12:36

    Estou orando pelos japoneses, pois Deus sempre ouve. Admiro muito esse povo. Ah, se conhecessem o Deus que tudo pode?

  8. Elton Gonçalves

    -

    12/03/2011 às 21:32

    O planeta está em constante movimento. Abalos sísmicos não tem nada a ver com a poluição ambiental causado pelo homem. É um processo natural do nosso planeta.

  9. Adalberto Nishioka

    -

    12/03/2011 às 2:54

    Placas tectonicas, nada tem a ver com o que o homem fez com a natureza.
    No Brasil, os prédios caem sozinhos. Isso é crime de quem faz e de quem fiscaliza.

  10. Luiz BsB

    -

    11/03/2011 às 15:21

    Fiquei imaginando um acontecimento como este em outros paises como o Brasil. Veja o nível de preparo das construções japonesas, ainda não vi a imagem de um prédio ou ponte sendo destruída pelos tremores ou pelo tsunami.

  11. Dilson de Paiva

    -

    11/03/2011 às 15:12

    Algo jamais visto durante todos os meus 67 anos de vida.
    O homem tem que começar ontem a repensar como fazer para reverte as atrocidades que cometeu com a natureza.

  12. Miriam

    -

    11/03/2011 às 14:32

    Do fundo do meu coração eu espero que o povo japones consiga superar isto tudo e que o mal não seja grande, porque é uma população que eu admiro e que é um exemplo pelo seu trabalho dedicado, pelo respeito e dedicação ao seu povo mais idoso, é tanto que eles foram os precurssores da alimentos funcionais, para que a sua população viva com saude e com qualidade de vida e por tanta trabalhos bons que já recebemos de voces. Que Deus abençoe voces e que o melhor venha.


 

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