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24/10/2011

às 21:25 \ Diplomacia

A última carta de Kadafi

A última carta de Kadafi foi escrita no dia 5 de agosto a Silvio Berlusconi, dezesseis dias antes dos combatentes rebeldes ocuparem Trípoli, a capital da Líbia.

Kadafi lembra ao Presidente do Conselho italiano o pacto de amizade selado entre os dois em 2008 – Berlusconi garantia investir cerca de 4 bilhões de euros durante 20 anos na Líbia e Kadafi, em contrapartida, fornecer petróleo, gás natural numa relação preferencial, além de impedir o fluxo de imigrantes líbios clandestinos para Itália. Na carta, o ditador libio, executado na semana passada, pede ao amigo que interceda junto aos seus aliados para cessar os bombardeios da Otan na Líbia. Leia a carta em seguida:

Querido Silvio.

Te envio esta carta por intermédio de seus compatriotas que vieram à Líbia trazer apoio em um momento difícil para o povo da Grande Jamahiriya*.

Fiquei surpreso com a atitude de um amigo com quem  selei um tratado de amizade favorável aos nossos dois povos. Esperava da sua parte, ao menos,  o interesse aos fatos e a tentativa de uma mediação antes de apoiar a guerra.

Não te culpo pelo que você não é responsável. Sei bem que você não é favorável a esta ação nefasta que não honra nem você nem o povo italiano. Mas creio que você ainda tem a possibilidade de fazer retroceder a situação e de fazer valer os interesses dos nossos povos.

Pare com estes bombardeios que matam nossos irmãos líbios e suas crianças. Fale com seus amigos e aliados para cessar esta agressão contra o meu país.

Espero que Alá todo poderoso possa te guiar no caminho da justiça.

Muamar Kadafi

Guia da Revolução

* Em 1977, Kadafi proclamou a “Jamahiriya”, que definiu como uma “República de Massas” governada por meio de comitês populares eleitos, e concedeu a si mesmo o título de “Guia da Revolução”.

Ao saber da morte de Kadafi, Berlusconi disse “Sic transit gloria mundi” A expressão latina significa literalmente “Assim passa a glória do mundo”. Ou, “as coisas mundanas são passageiras”.

Leia o post do Blog de Paris: “Governo que inicia com mentira não abandona a desfaçatez

Por Antonio Ribeiro

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7 Comentários

  • Elvio

    -

    29/10/2011 às 11:22

    Cao Antonio,
    Grato pela atenção e pela absoluta finesse da resposta esclarecedora.
    Mas continuo achando o adorno meio fora do “esquadro”
    Abs
    Elvio

    Fora e meio, caro Elvio.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  • Elvio

    -

    26/10/2011 às 10:58

    Caro Antonio,

    Meu oftalmologista errou no diagnóstico ou o Kadafi foi falar com o Berlusconi com uma foto, pendurada no uniforme, entre alamares e condecorações?

    Sei não, acho que o Berlusca estava a fim do contato das walkirias/entermeiras/body guards ucranianas.

    Grato e abraço,

    Elvio

    Caro Elvio,

    Obrigado pela leitura e envio do comentário.

    A fotografia no uniforme de Kadafi é do herói nacional líbio Omar Muktar (1862 – 1931). No inicio do século passado, ele organizou resistência armada contra a colonização da Itália na Líbia. Em 1931, foi capturado e enforcado pelas tropas expedicionárias do ditador fascista Benito Mussolini na África.

    Os rebeldes que derrubaram a ditadura de Kadafi também usaram a figura do herói nacional. O filme Leão do Deserto, financiado por Kadafi, com Anthony Quinn no papel de Muktar, conta a história da guerrilha contra o famoso general italiano Rodolfo Graziani, posteriormente, ministro da Defesa do Duce – os árabes o chamavam de Açogueiro de Fezzan e os fascistas, de Pacificatore della Libia.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  • Ivan Krumheuer

    -

    26/10/2011 às 7:48

    O Berlusconi pode usar esta carta no próximo pleito eleitoral. O Kadafi como garoto propaganda vai ajudá-lo muito!

  • ZZ

    -

    25/10/2011 às 4:35

    A única coisa que se conseguiu com essa guerra idiota é dizer para todos os ditadores do mundo: Desenvolvam armas nucleares e químicas! É o único jeito de se proteger!

  • Julius Cesaris

    -

    25/10/2011 às 3:41

    Pobre Itália!

    Pobre povo líbio!

    Uma, menosprezada pela França de Sarkozy!

    O outro, sob o jugo do Napoleão depois da gripe…

  • Cassia Gera

    -

    25/10/2011 às 1:57

    Kadafi morreu? Antes ele do que eu. Quantos Kadafi da corrupção nós temos? A Dilma deveria demitir o ministro dos Esportes. Ele sim é o Kadafi no Brasil. Ah! E manda devolver o dinheiro roubado.

  • Jose Maria da Silva

    -

    24/10/2011 às 23:54

    E precisa comentar isto? Uma falsidade no meio dos políticos

 

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