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17/12/2009

às 14:54 \ Diplomacia

A coreografia de Hu e Obama

copenhague4

É um prazer estar longe de Copenhague. Não é nenhuma surpresa os dois principais convidados a estrelar naquele teatro – já com ares de circo – estarem a procura de boa motivação pessoal e outra que de codjuvante do fracasso. Nem se, cientificamente, estivesse provado que mundo iria de fato acabar, seria boa razão para eles. Refiro-me a Barack Obama e Hu Jintao (repesentado pelo premiê Wen Jiabao). Ambos estão umbilicalmente ligados ao grande satã da Conferência na capital dinamarquesa, o CO2, ainda que seu efeito para tornar o mundo um inferno seja tema controverso.

O americano representa um país amplamente responsável pelo estoque, o CO2 acumulado durante mais de um século de industrialização. Hu é o diretor geral encarregado do fluxo, a China é o maior produtor de CO2 do planeta e tudo leva crer que permanecerá na liderança durante os próximos 30 anos. Do ponto de vista, digamos, moral o par deveria estar na COP15 desde a hora um do primeiro dia e de lá sair, como os campeões das concessões. Mas vale lembrar uma máxima da política – quando os acordos parecem impossíveis – através de um diálogo entre dois militares britânicos no filme Lawrence das Arábias:

Coronel Brighton: Olhe sir, não podemos simplesmente não fazer nada

General Allenby: Por que não? Normalmente é o melhor.

Obama e Hu tem excelentes razões para não fazerem nada. A resistência do aparelho político-administrativo de Washington freia o entusiasmo ecológico das cidades e dos americanos. No caso de Pequim, a vontade do poder central é ostensivamente ignorada pelas províncias, empresas e autoridades locais. Ou seja, um é imobilizado pelos braços e o outro, pelas pernas. Naturalmente, os EUA recusam engajarem-se em uma redução elevada de emissão de gazes do efeito estufa. A China, por sua vez, não quer ouvir falar em controles externos, considerados “ingerência.”

No entanto, exigem que os dois mexam-se. Finalmente uma questão interessante em Copenhague. Ela não tem nada de técnica, de ambiental ou de salvadora do mundo. Ela é política e diplomática e em última instância, de imagem, de aparência. Deve-se agir se não o mundo acaba ou deve-se fazer alguma coisa se não é o fim do mundo?

Por Antonio Ribeiro

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5 Comentários

  1. Eduardo

    -

    23/12/2009 às 11:49

    México, 2010? Outro ponto final.

  2. Eduardo

    -

    23/12/2009 às 11:48

    Seu artigo é bom? Não! É excelente! E ponto final.

  3. Antonio Ribeiro, de Paris

    -

    20/12/2009 às 10:28

    Exatamente, Carlos. A escultura representa a personagem do conto infantil escrito por Hans Christian Andersen.

    Edvard Eriksen a esculpiu em 1913. Ela tem os traços do rosto de Elle Price, primeira bailarina do Teatro Real de Copenhague que não topou posar nua para o escultor — ele acabou usando sua mulher para completar o resto que, nota-se, não tem nada a dever. Carl Jacobsen, herdeiro da cerveja Carlsberg, ficou fascinado pelo balé baseado no conto e encomendou a obra.

    Em 1964, um vândalo a decapitou. A estátua foi restaurada. Em 2004, militantes contra a candidatura da Turquia para entrar na União Européia vestiram-na com uma burca.

    A Pequena Sereia, principal símbolo turístico da capital dinamarquesa, contempla as águas do porto de Copenhague. É o Cristo Redentor, a Torre Eiffel da Dinamarca embora tenha apenas 1,25 metro e pesa 175 quilos.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  4. Carlos Riva

    -

    20/12/2009 às 6:29

    A escultura que ilusta o post, cartão postal de Copenhage, é da Pequena Sereia , personagem do conto infantil?

  5. Anouk

    -

    18/12/2009 às 13:25

    Perfeito!


 

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