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Arquivo de 22 de abril de 2012

22/04/2012

às 16:49 \ França

Hollande sai na frente, mas o jogo continua aberto

A primeira conclusão do resultado eleitoral é que o jogo continua aberto. François Hollande saiu em primeiro, mas com uma vantagem reduzida – 1,5% de votos. Trata-se de uma marola inferior a onda espetacular de votos que o candidato socialista afirmava que Nicolas Sarkozy iria “receber na face”. O recandidato Sarkozy não ganhou a maioria dos votos, situação ruim para um Presidente da República na briga para um segundo mandato de cinco anos. Ele começa o segundo turno tendo que correr atrás da diferença em duas semanas numa estratégia de tudo ou nada também para definir seu futuro como político. Isso significa cortejar, sobretudo, os eleitores da extrema-direita francesa, decepcionados com seu desempenho e postura na presidência.

Sarkozy propõe fazer três debates na TV contra Hollande – economia, questões sociais e política externa. O socialista, acusado de ser omisso no primeiro turno e agora, de jogar na retranca –  equivalente ao catenaccio italiano no futebol – quer apenas um duelo televisivo. Ele está marcado para aconter no 2 de maio, quatro dias antes da eleição.

Marine Le Pen teve uma boa votação se considerado o histórico eleitoral da extrema-direita xenófoba – 6,4 milhões de votos. Ela  obteve mais votos que no melhor desempenho de seu pai Jean-Marie – 4,8 milhões de votos, em 202. Seu resultado dilatado se deve também porque a crise é mais profunda e, por consequência, o numero de descontes maior. Embora haja uma parcela reduzida de dogmáticos, o voto no Front Nacional é mais de protesto do que de convicção. Contudo a herdeira Le Pen não vai para o segundo turno. A candidata tampouco controla os votos dos seus eleitores. Aliás, o Front Nacional com seu credo “nem direita nem esquerda, mas  França” nunca aconselhou votar neste ou naquele candidato. Isso remete à seguinte questão: Em quem os simpatizantes de Marine vão votar? Uma pesquisa muito apressada indica que 6 entre 10 deles preferem Sarkozy. Outra sondagem prevê que eles seriam apenas 52%.  Em torno de 25% votaria em Hollande e o restante escolheria a abstenção.

Atualização: Resultados definitivos – Hollande 28,6% (venceu em 56 departamentos), Sarkozy 27,1% (39 departamentos), Le Pen (1 departamento) 17,9%. Para um total de 46 milhões de inscritos, 8 em cada 10 eleitores votaram. 9,4 milhões não compareceram para votar. Na França, votar não é obrigatório.

Leia o post do Blog de Paris: “Hora de acordar

Por Antonio Ribeiro

22/04/2012

às 13:31 \ França

Boca de urna: Hollande e Sarkozy vão para o segundo turno

Segundo IFOP: Francois Hollande 27%, Nicolas Sarkozy 25,5%, Marine Le Pen, 16%, Jean-Luc Melanchon 13%, François Bayrou 10,5%

Segundo Opinionway: Francois Hollande 28%, Nicolas Sarkozy 26%, Marine Le Pen, 16%, Jean-Luc Melanchon 13%, Francois Bayrou 10%

O índice de abstenção segundo o Ministério do Interior foi de apenas 18,5%.

Leia o post do Blog de Paris: “Hora de acordar

Por Antonio Ribeiro

22/04/2012

às 9:18 \ França

Hora de acordar

Na urna dos votos: Hollande e Sarkozy

Às 14h59 minutos, horário de Brasília, os franceses estarão atentos à televisão. Durante um minuto, uma vinheta com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial da França tomará forma na telinha. Desta vez, o suspense será apenas formal. Quase tão certo como o raiar do dia, os eleitores vão escolher o candidato socialista François Hollande, favorito segundo as pesquisas, e o conservador Nicolas Sarkozy para disputarem a preferência da maioria em uma votação marcada para o dia 6 de maio.

Se o processo inicial não trará ainda o nome do próximo presidente da França, ele abre a esperança de surgir finalmente um exame de consciência. O de que, ao menos, nas próximas duas semanas, os candidatos selecionados abordem os problemas prementes do país. O que se viu até agora foi uma negação generalizada de encarar de frente a realidade crua da profunda crise econômica, do desemprego aterrador e do estado lastimável das finanças públicas.

Uma eleição deve, em princípio, expor as dificuldades, propor soluções e, em última instância, gerar entusiasmo. Por enquanto, não se viu nada disso no processo eleitoral da França. Os candidatos sem um mínimo de humildade, vergonha ou responsabilidade apresentaram um catálogo de medidas fora de contexto rabiscadas em cima da coxa para agradar este ou aquele eleitorado tendo como base o resultado da última pesquisa. Raramente se vendeu tantas ilusões como soluções, como por exemplo, a revolução, o protecionismo e para o lugar do euro, a volta do velho franco francês. Nunca o credo da “exceção francesa” foi tão louvado.

A campanha eleitoral, em vez de explicar a complexidade do mundo atual, a inexorável chegada da austeridade, o inevitável aumento dos impostos, a necessidade de produzir mais e melhor, mergulhou o país na utopia, nos pensamentos mágicos, nos mitos. Não é de se admirar que um dos piores debates políticos do Ocidente não tenha criado nenhum alento nos eleitores. É boa hora para começar.

Atualização: veja os resultados de boca de urna aqui.

Leia o post do Blog de Paris: “Espelho, espelho meu

Por Antonio Ribeiro

 

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