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Arquivo de março de 2010

20/03/2010

às 7:40 \ Veja

A França atrás do balcão

Criação de empresas na França. A linha vermelha é o efeito do novo estatuto do microempreendedor

Criação de empresas na França. A linha vermelha é o efeito espetacular do novo estatuto do microempreendedor

Na edição de VEJA desta semana:

Internacional: A França atrás do balcão

O governo francês diminui a burocracia, incentiva os pequenos empreendedores – e a abertura de empresas dispara

Antonio Ribeiro, de Paris

Com pouco menos da metade da população brasileira, a França vinha criando o dobro do número de empresas que o Brasil vê surgir anualmente – 260.000 por ano desde 2000. São dados incompatíveis com a ideia disseminada de que a França é um elefante estatal onde a maioria dos jovens sonha trabalhar para o governo. As informações recentes do Instituto Nacional da Estatística e dos Estudos Econômicos da França mostram que, impulsionado pela diminuição da burocracia e por incentivos fiscais, o empreendedorismo individual disparou. No ano passado, os franceses abriram as portas de 580.200 novas empresas.

O salto se deve à criação pelo governo de Nicolas Sarkozy de um “estatuto do microempreendedor” que, entre outras facilidades, permite ao interessado abrir e legalizar uma nova empresa via internet em minutos. O ambiente de negócios na França para empreendedores de maior porte ainda é moroso. Requer o cumprimento de sete procedimentos administrativos. Eles consomem, em média, cinco semanas até a expedição do alvará de funcionamento. O empreendedor brasileiro enfrenta dezesseis etapas e o processo pode levar meses.

O assinante da revista lê mais aqui.

Por Antonio Ribeiro

18/03/2010

às 8:38 \ Diplomacia

Onde está a imagem? O gato comeu.

Luca coloca flores no mausoléu de Yasser Arafat

Lula coloca flores no mausoléu de Yasser Arafat

O serviço de propaganda da Presidência da República levou a imprensa toda para registrar em imagens, Lula colocando coroa de flores no Mausoléu do Holocausto, em Jerusalém. O presidente brasileiro, como se sabe, recusou fazer o mesmo gesto no monte Herzl, onde esta enterrado Theodor Herzl, fundador do Sionismo político e um dos inspiradores do Estado de Israel. Muito bem. No dia seguinte, Lula foi a Ramallah, território palestino. Inaugurou a Rua Brasil. Fotografias à vontade. Em seguida, a imprensa foi retida no lado de fora da Mukata, a antiga prisão do império colonial britânico, atual sede da Autoridade Palestina. Lá dentro, Lula depositou flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat. Nenhum registro foi permitido além do controlado, o das cameras oficiais  Por que será? Há mais espaço  parr distor a imprensa na Mukata que no mausoléu de 6 milhões de vítimas nos campos de morte do nazismo. Em contrapartida, a imprensa foi chamada logo depois da cerimônia, para o encontro de Lula e o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Por este método não se faz jornalismo, participa-se de uma campanha de divulgação oficial. E para quem não sabe: fotógrafos e cinegrafistas são jornalistas sim. Escrevem com a luz, diga-se de passagem. Imagem é informação.

Por Antonio Ribeiro

17/03/2010

às 8:05 \ Diplomacia

Nunca na história do Oriente Médio…

… beligerantes disseram com tanta educação e diplomacia: “Não precisamos de mais um mediador.”

A prova? Embora não tenha entendido, talvez fosse preciso fazer uma versão em quadrinhos, Lula constata: “Eu converso com palestinos e estes dizem que as negociações estão boas. Eu converso com os israelenses e eles dizem a mesma coisa. Mas claramente há algo errado.”

De fato, há. Muito ajuda quem não atrapalha.

Por Antonio Ribeiro

17/03/2010

às 3:52 \ França

Popularidade de Sarkozy em queda livre

sarkopopularidade

Duas pesquisas de opinião pública revelam que o nível de popularidade de Nicolas Sarkozy nunca esteve tão baixo desde sua eleição para presidente da França. Segundo o IFOP, apenas 36% dos franceses aprovam o desempenho do governo. Na sondagem do instituto BVA uma maioria de 43% dizem preferir o primeiro-ministro François Fillon como candidato da União por um Movimento Popular (UMP) nas eleições presidenciais de 2012. Só 29% gostariam de que Sarkozy fosse reeleito.

Por Antonio Ribeiro

16/03/2010

às 9:49 \ Diplomacia

Lula: a homenagem permanente a Arafat

arafat

Israelenses e palestinos encetaram sozinhos uma pendenga velha de mais de meio século. Desde o início do conflito, vasto contingente de mediadores tentou – e continua – em vão chamar os beligerantes à razão. É o caso hoje do chamado Quarteto de Madri. Ele reúne esforços dos Estados Unidos, Rússia, União Européia e a ONU. Não é nada, não é nada,  é quase o mundo inteiro.

Se ao longo dos anos as negociações de paz trouxeram algum aprendizado, ele mostra  que os avanços sempre aconteceram quando os protagonistas da disputa tomaram iniciativa própria. Sem o requisito básico, a fila nunca andou mísero milímetro. Não será diferente agora. O problema atual, só não vê quem não quer: israelenses não tem mínima confiança nos palestinos e vice versa. Não vamos perder tempo fazendo acordos para serem violados  logo em seguida, pensam eles. Resultado: continuam medindo força.

“Y en eso llego Fidel”, canta compositor cubano Carlos Puebla na toada caribenha. E nisso chegou Lula, dizemos nós. O presidente brasileiro desembarcou em Israel com posição impar no trato com a demência do iraniano Mahmoud Ahmadinejad e aos anfitriões, apresentou recusa de visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo político e inspirador do Estado Judaico de Israel.

O surpreendente candidato a mediador e destemido do ridículo recebeu troco imediato. Foi esnobado pela ausência do ministro das Relações Exteriores do país que o acolheu quando discursou no Knesset, o Congresso de Israel. Passou a ouvir críticas de parlamentares assim que cedeu a tribuna. O presidente da casa chegou a comparar, nas entrelinhas, a cegueira de Lula na questão nuclear iraniana com um dos mais trágicos enganos da história. O acordo do ex-primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain com os nazistas. Falta de visão que desaguou na Segunda Guerra Mundial e no Holocausto, onde morreram mais de 6 milhões de judeus.

Está prevista uma homenagem a Arafat na agenda de Lula. Desta feita, o presidente irá colocar flores no túmulo do líder palestino. É só mais uma reverência de uma longa série ao legado de Yasser Arafat. O palestino era bem conhecido por não perder uma oportunidade de perder oportunidade. Em prol da ruptura da tradição da diplomacia brasileira, Lula não tem feito outra coisa.

Por Antonio Ribeiro

15/03/2010

às 10:42 \ França

O eleitor escolheu. Ficar em casa ganhou.

eleicao-regional

Jamais uma eleição na França causou tanta indiferença. Um em cada dois eleitores franceses não foi votar no primeiro turno da eleições regionais. A oposição saiu à frente do partido de Nicolas Sarkozy. O Partido Socialista (PS) recolheu 30% dos votos. A União por um Movimento Popular (UMP), o partido do presidente, chegou em segundo  lugar com 26,7% dos votos, à frente da Europa Ecologia (EE), doravante a terceira força política do país com 13,3%. A Frente Nacional (FN) teve inesperado bom resultado com 12% dos votos – trata-se da última disputa eleitoral do velho líder xenófobo Jean-Marie Le Pen, candidato na região Provence-Alpes-Côte d’Azur.

Há quem veja nos resultados alerta ao desempenho econômico do governo de Sarkozy. O porta-voz Frank Louvier, minimiza o efeito: “Eleições regionais, consequências regionais.” Nos Estados Unidos, a ministra da Economia, não mostrou sinal de mudança. “Eu vou continuar minha política fundada nos três R: relançar, reformar e retificar.” A fotografia da eleição não revela uma esquerda triunfante e um governo de joelhos, ela mostra com nitidez a desconfiança e descrédito profundo no poder político através da principal escolha de mais de 20 milhões de eleitores: ficar em casa no lugar de ir depositar o voto na urna.

Contudo, o presidente Nicolas Sarkozy sai perdedor no meio caminho do término do seu mandato e de incontido desejo de ir disputar um segundo em 2012. Boa parte do eleitorado que ele subtraiu da extrema-direita nas presidenciais, voltou ao velho ninho. Há uma parcela flutuante no voto tradicional do FN que mais por protesto e rejeição do que propriamente por convicção. Sem este eleitorado Sarkozy não vence a esquerda na França. Ele tentou seduzi-los  desta vez encetando o debate estéril sobre a identidade nacional. Em uma eleição regional, os raros eleitores que foram votar mostraram-se menos preocupados com quem usa burka e bem mais com a administração pública local.

Por Antonio Ribeiro

15/03/2010

às 10:39 \ Aviso aos navegantes

Estamos de volta!

Por Antonio Ribeiro

 

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